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Nunca mais é Verão!

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Ando um pouco confusa ultimamente, não sei se estou a viver em Barcelona ou em Moscovo. Ontem a temperatura ambiente decidiu jogar-se pelo precipício abaixo e desde então foi caindo, caindo, caindo… Hoje saí à rua com gorro, cachecol, guarda-chuva e toda a parafernália digna de um dia de Inverno em Amsterdam. Caminhando Rambla acima, reparei que havia algo de diferente na montanha do Tibidabo. Estava mais branca do que verde. Esbugalhei os olhos e fiz o maior zoom que a minha visão me permite, para ver se era mesmo neve ou se eram casas brancas, sabendo de antemão que dificilmente teriam construído casas brancas de ontem para hoje na montanha. Mas, vá-se lá saber, eu sou um pouco distraída, se calhar já lá estavam e eu nunca tinha reparado. Não, não estavam não, e efetivamente não estão. Foi só abrir o Google e apareceram logo as notícias sobre a nevada matinal que deixou o Tibidabo a parecer um requeijão. É a terceira vez que neva em Barcelona este ano, acho que da próxima já nem sequer…

Quem não temia a morte, porque sabia que tinha aproveitado a vida

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Foi com o telejornal da hora do almoço que descobri que o Stephen Hawking tinha morrido, mais de 50 anos depois do que os médicos tinham previsto. Não sou experta em física e, portanto, não me sinto capaz de comentar o que confio que seja um legado inigualável para o avanço do conhecimento humano sobre as leis do universo. Mas, realmente, o que mais me impressiona não é a teoria de tudo nem conhecer a intimidade dos buracos negros. O que mais admiro do Stephen Hawking é algo fácil de entender, ao alcance de qualquer pessoa que não tenha passado por Oxford nem Cambridge: a sua vontade de viver. Aquela rebeldia em não morrer, em não se render e em continuar a trabalhar nas suas teorias, nos seus projetos, nas suas investigações, nos seus livros, naquilo em que acreditava e em tudo o que gostava de fazer. Os médicos disseram-lhe que morreria em duas semanas e ele disse não, obrigadinho, mas não, eu vou mesmo ficar por aqui, e continuou a sua vidinha sabendo que ficaria cada vez mais debili…

Aproveito o 8 de Março para dizer que as mulheres deviam ganhar mais do que os homens

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Gostava mais do dia da mulher quando tinha 14 ou 15 anos, porque nessa altura significava ir jantar com as minhas amigas na mesa redonda do restaurante Chinês da baixa de Faro, ali ao final da Av 5 de Outubro, ao lado do parque de estacionamento. Não sei se ainda existe tal restaurante, nas minhas memórias está sempre presente, assinalando essa data especial que é o 8 de Março. Quando se tem 14 ou 15 anos, não se gerem grandes orçamentos, portanto, o Chinês era uma opção económica e divertida, porque tínhamos sempre a mesa redonda. Quando se tem 14 ou 15 anos também não se sai muito a restaurantes, no nosso caso éramos mais de ir ver jogos de basket, e por isso a mesa redonda era toda uma sensação! Foi com os jantares do dia da mulher na mesa redonda do restaurante Chinês da baixa de Faro, que assimilei o dia em si, que o comecei a “celebrar” e que desenvolvi um carinho especial por ele. Era uma das minhas noites preferidas do ano, perdendo apenas para o meu aniversário e para a passag…

Coisas que um dia hei de contar aos meus netos

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Nos quase 10 anos que vivo em Barcelona, vi nevar duas vezes. Quando digo que vi nevar duas vezes, refiro-me a que nevou duas vezes na cidade Condal, no centro, na praia, no Eixample, em cima da Sagrada Família e debaixo também. Não é a mesma coisa que ter nevado ali na montanha do Tibidabo ou em Mont-juic. Não.  Nevou em todo o lado e o manto de neve cobriu ruas, passeios, jardins, praias e palmeiras. E eu vi tudo e andei a brincar na neve como fazem as crianças. Este ano, desde novembro que tem feito um frio digno de qualquer país da Escandinávia, pelo menos para os meus padrões de meio brasileira e meio portuguesa. Um frio que se intensificou no Domingo, deixando Espanha em alerta vermelho e Barcelona com temperaturas oscilantes entre os 0 e os 6 graus, aproximadamente, talvez 8 algum dia, nas horas de maior calor e gracias.  Madrid colapsou-se por causa da neve e um sem fim de estradas foram cortadas por todo o país. Ora como aqui em Barcelona não somos menos que em Madrid, também qu…

O Apocalipse Zombie está aí, ao virar da esquina

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Anda o povo a trabalhar das 9 às 6 enfrentando horas de trânsito ou de transportes com olores inquietantes, andam os mais arriscados a investir em bitcoin e outras moedas digitais que realmente não existem, andam os mais religiosos a comprar a lotaria cada santa semana, andam os mais tradicionais às voltas com as bolsas de valores e as borbulhas imobiliárias, andam os atletas de alta competição a dar o corpo ao manifesto… anda toda a gente a viver estressada pelo lema “get rich or die trying”, e depois chegam os génios da cepa torta e tiram todo o sentido às nossas vidas e aspirações. Esta manhã, ouvi na rádio que um empreendedor iluminado ganhou 5 milhões de dólares nos Estados Unidos a vender lança chamas para combater o apocalipse zombie. Um evento que, como todos sabemos, está aí ao virar da esquina, talvez até apanhe o Carnaval. Vou repetir só para garantir que estão tão perplexos como eu: o fofo arrecadou 5 milhões de dólares com a venda de lança chamas para o apocalipse zombie!…

Em cena no teatro: "Uma morte anunciada"

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Há duas coisas que me partem o coração: não poder comer um frasco de Nutella inteiro porque dá dor de barriga e ver salas de teatro meio vazias. Sendo que a parte que está meio cheia tem uma idade média superior a 50 anos o que quer dizer que, continuando assim, daqui a umas 3 décadas as salas de teatro vão estar completamente vazias e, muito provavelmente, fechadas. Digo eu, que não nunca fui boa a matemática, mas parece-me um cálculo lógico. Lembro-me de ir ao teatro desde que me lembro de me lembrar das coisas. Mas não me lembro se nesse então havia mais gente, o que me lembro mesmo é de uma carruagem em forma da abóbora a descer do teto quando o meu pai nos levou a ver a Cinderela. Foi um momento mágico na minha vida! O que eu sei é que hoje em dia o fenómeno da desocupação do teatro ocorre tanto em Portugal, como em Espanha. No Natal fomos ver a Revista do Parque Mayer e acho que havia mais gente no palco a atuar e a dançar que gente sentada no público. O Parque Mayer que foi um di…

Se o porte de arma fosse legal, não havia segurança social!

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Não havia não senhor, porque as pessoas entrariam aos tiros pela segurança social adentro. Uns quantos disparos pelo ar e logo víamos se não funcionava tudo como Deus manda, era trigo limpo farinha amparo, e talvez até um sorriso  de cortesia aqui ou ali! Estou convencida que se isto fosse como na américa, pressionar o gatilho para conseguir resolver uma gestão ou receber um subsídio (devido por lei mas bloqueado por alguma burocracia do “sistema”) seria uma coisa normal, e completamente justificada pela incompetência e falta de brio dos trabalhadores da segurança social. Pelo que pude observar em primeira mão até agora, a segurança social (espanhola) retém uma equipa de talentosos energúmenos, completamente inúteis, com altíssimos níveis de insensibilidade e percentagens únicas de desmotivação e despreocupação por fazer bem o seu trabalho. Sublinhemos que se chama segurança social, supostamente deveria estar do nosso lado e garantir a segurança da sociedade, porém, a visão desta institu…