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No limiar da imaginação e nas extravagâncias mais singelas; No outro lado de Marte e na intersecção das paralelas; Nas reticências dos pontos de exclamação e nas asas do sapo que virou príncipe; No silêncio das trovoadas e no original da imitação; No beijo dos patos e nos versos em que não me viram passar; Em todos os cantos infinitos, e no plano da superfície lunar: Querendo saber quem sou, é aí que me vão encontrar.

terça-feira, 6 de junho de 2017

(in)Segurança

Ontem saí para correr aqui pelo bairro, porque não tenho tempo para ir correr ao parque nem à praia. Agora trabalho na televisão. Agora estou debaixo das luzes da ribalta. Agora é só glamour. Isso é o que vocês pensam! Nunca trabalhei tantas horas como agora e luz e glamour nem vê-los.
Dizem que quem corre por gosto não cansa, mas correr cansa sempre.
Ainda assim, lá me lancei à rua às 8 da noite, em passo de corrida. Durante a meia hora aproximada que dura o meu percurso com obstáculos (peões, bicicletas, cães, semáforos, cocós, etc), não aconteceu nenhum sobressalto.
Foi só quando já estava a poucos passos da porta de casa que vi 3 polícias a patrulhar a Rambla. Era uma patrulha muito tranquila, iam Rambla acima a falar da vida, que se não fosse pela metralhadora em punho podiam muito bem ser um trio de comadres. Mas lá está, carregavam metralhadoras.
Era uma cena quotidiana, 3 polícias a andar na rua, no entanto, havia algo de anormal naquele passo. Primeiro, que cada um deles parecia um aspirante a Mr. Universo, cheguei mesmo a ponderar ir perguntar se não queriam vir ao programa de televisão, faz-nos falta gente gira no público.  
As metralhadoras dissuadiram-me dessa ideia. Não porque achasse que fossem disparar contra mim, mas porque transcorridos 2 anos a viver nesta casa, nunca tinha visto polícias a patrulhar a Rambla com metralhadoras. Não percebo nada de armas, mas vi suficientes filmes para saber que aquilo não eram pistolas. Eles também tinham pistolas, presas na cintura. Na mão levavam a metralhadora, como quem leva a baguette de pão.
Aliás, nestes 2 anos nunca tinha visto uma patrulha assim, a subir a Rambla passo a passo.
À primeira vista senti-me segura, há 3 polícias com metralhadoras na minha rua, não me pode acontecer nada de mal.
Depois caí em mim, há 3 polícias com metralhadoras à porta da minha casa porque, a qualquer momento, algum fanático do Estado Islâmico pode começar a atropelar gente pelo passeio e a esfaquear pessoas nas esplanadas . Ou pode, simplesmente, achar uma boa ideia emular-se no meio da rua e lá vamos todos pelos ares.

Tenho 3 polícias com metralhadoras à porta de casa e nunca me senti tão insegura como agora.

domingo, 21 de maio de 2017

Uma vitória que sabe a derrota

Andava o Barcelonismo a fazer contas à vida, ai se o Madrid ganhar, ai se o Madrid perder, ai se o Madrid empatar, esquecendo-se de um pequeno detalhe: o Barça tinha de vencer o Eibar.
O que parecia um dado adquirido transformou-se no pior cenário possível quando o Real vencia 0-2 e o FCB perdia 2-0. Falharam todas as bolas que havia para falhar, o Suarez não dava com a baliza nem a um palmo da dita cuja e o Messi deixou escapar um penalti.
Era uma hecatombe que se abatia sobre um Camp Nou meio vazio, o que foi logo uma premonição do desfecho pouco glorioso desta noite. As pessoas tinham tão pouca fé, que nem sequer foram ao campo despedir-se de Luis Enrique e da equipa.
Do lado do clube, também não houve um empenho extremado, apresentaram-se com os relógios dos placares de jogo fora de funcionamento. Ah e tal é o último jogo, não vale a pena mostrar os minutos. A mim, pessoalmente, parece-me vergonhoso que um dos melhores clubes do mundo feche a temporada com os dois placares de jogo avariados.
Mas o jogo avançou na mesma, o Barça lá deu a volta ao marcador (a muito custo) e o Messi recompôs a coisa com um golo daqueles que parecem saídos da Playstation.  Estava feito o 4-2, agora era só esperar que o Málaga ganhasse ao real. Mas, obviamente, não ganhou.  
O Real Madrid é o novo campeão de Espanha e com mérito próprio.

Já o FC Barcelona, à exceção daquela mítica “remontada” contra o PSG, esta temporada foi uma equipa apagada, em sintonia com os relógios do Camp Nou.

sábado, 20 de maio de 2017

Sai daí!!!

Não sei o que é que os miúdos de hoje em dia fazem ao sábado à tarde. No meu tempo (depois dos 30 passamos a ter autoridade sobre expressões como esta), eu e as minhas amigas víamos filmes de terror com as persianas fechadas, enquanto a minha irmã escondia as bolachas e os chocolates da dispensa.  Em alguma ocasião, tentámos também produzir um filme de terror, encarregando-nos de todos os departamentos, o que se revelou uma tarefa hercúlea e um grande fiasco.
Hoje em dia estou mais sofisticada, em vez das matinés de sábado com as persianas fechadas, vou à sexta à noite aos Cines Verdi de Barcelona em versão original, mas continuo a gostar de filmes de terror. Gosto daquela vontade contraditória de não querer ver, mas deixar um olho aberto, daquele salto na cadeira acompanhado de um grito de medo e uma pequena taquicardia, daquele nervosismo ao ver o personagem principal ir direto ao seu carrasco e daquela supremacia snob de dizer “sai daí seu estúpido, não vês que te vão matar?!”.
Ontem fui ver um filme que se chamava precisamente assim: “Get out!”. Um título perfeito para o que vinha a ser a história: mais que terror era um thriller de suspense, daqueles que se formos juntando as peças tudo faz sentido, em vez de ser só um senhor com uma máscara e uma serra eléctrica na mão a correr atrás de uma rapariga com uma t-shirt molhada.
Achei o guião muito original, o que é sempre difícil, mas ainda mais num filme de terror. E depois tinham ali um personagem cómico que encaixava como lego e atenuava a tensão.

Não vou contar nada, deixo aqui o trailer para quem tenha curiosidade, e a recomendação para quem goste do género e para quem não goste também, porque este vale mesmo a pena!

sábado, 13 de maio de 2017

Pára tudo!

Diz que hoje o país vai parar.
O Benfica vai ser campeão, o Papa vai fazer uma aparição e o Salvador vai ganhar a Eurovisão.
Confesso que, destes 3 momentos históricos, o que mais me impressiona é ganharmos a Eurovisão. E olhem que eu sou do Benfica!
Lembro-me de ver o concurso quando era pequena e lembro-me ainda mais de deixar de o ver porque nunca ganhávamos, não tinha piada. Somos um país pequeno, nunca podemos ter tanta gente a votar como os outros e, portanto, aquilo parecia-me uma utopia inútil.
Portugal nunca ganha a Eurovisão. Era um dado adquirido. O Benfica pode ganhar o campeonato, o Papa pode visitar o país, mas se dissessem que Portugal era favorito à Eurovisão, nem os 3 pastorinhos iam acreditar.
Afinal é possível e, concretizando-se, Sábado 13 de Maio de 2017 passará, provavelmente, a ser feriado nacional em homenagem de dito milagre.
Para vocês que estão aí, imagino que seja difícil decidir qual dos 3 eventos seguir, se bem que acho que o Papa joga antes que o Benfica. Já o Salvador, não só se mede com os restantes finalistas, mas também estará num frente a frente contra o programa mais visto do país: o futebol.
Pergunto-me se o Benfica terá mais audiência que o Papa, achando já de antemão que o Papa tem até mais audiência que o Justin Bieber e que nem um Barça-Madrid poderia competir com Sua Santidade.
Eu, pessoalmente, decantar-me-ia pela bola. Mas como eu, pessoalmente, estou em Barcelona, vou mas é levar a minha pessoa à praia, enquanto vocês decidem em que pedaço de história concentrar energias e eu depois logo vejo na internet.
Dito isto, que o Papa nos abençoe a todos. Que o Salvador volte com a Taça para casa (é uma taça que dão na Eurovisão, ou não?) e de resto já se sabe.... Benfica Tetra-Campeããããoooo!!!

Bom fim-de-semana!

sábado, 15 de abril de 2017

Momentos marcantes

Há vários momentos decisivos na vida de uma pessoa e um deles é sem dúvida o primeiro dia de praia do ano!
Porque é um dia em que arriscamos na Primavera apesar da brisa não ser tão suave como gostaríamos, porque ousamos mostrar ao mundo o branco parede que cultivámos durante todo o Inverno com tanto carinho, porque cometemos o a blasfémia de misturar no mesmo “outfit” um casaco preto de couro com um biquíni de estampado de leopardo e folhos cor-de-rosa.
O primeiro dia de praia assinala um antes e um depois. Depois já não parecemos Zombies deslavados e já temos força para afastar o edredom, motivação para re-organizar o armário da roupa e confiança para deixar de usar o casaco de pelo.  
Pois é, o primeiro dia de praia do ano marca uma pessoa. É um dia de coragem e mérito, em que avançamos sem temor face ao sol incerto e, principalmente, um dia de descobertas, quando constatamos que afinal não fizemos a depilação tão bem como tínhamos pensado.

Por tudo isto, o primeiro dia de praia do ano é sempre inesquecível (até ao ano seguinte) e merece o seu lugar neste blog.

domingo, 12 de março de 2017

Era uma vez uma equipa chamada FC Barcelona....

Já lá vão dois dias e a euforia ainda retumba na minha cabeça. Já não é notícia, o mundo inteiro já sabe, mas continua e continuará a ser história porque essa é a marca da história: a eternidade.
A história é feita de crentes, de gente que acredita, que desafia, que não desiste de uma teoria só porque não é verdade. Que não desiste de uma coisa só porque nunca antes foi feito. Que não desiste de uma luta por muito que esteja a perder.
Basicamente é isso, a história conta o que conseguiram todos aqueles que nunca desistiram.
E eu tenho uma história para contar, dentro da própria história.
Sei que já sabem o resultado e quem marcou os golos. Mas não sabem que naquele campo havia mais 90.000 “jogadores” cheios de fé. Coincidências da vida, o FCB fez o que nunca ninguém tinha feito, diante de uma bancada nova de apoiantes, uma claque que antes não estava ali e na quarta-feira esteve ali o jogo todo, atrás da baliza Norte, onde marcaram os 3 últimos golos, quando tudo parecia perdido.
Já fui várias vezes ao Campo. Já vi meias-finais da Champions e clássicos contra o Madrid. Nunca tinha visto nada assim.
Desta vez, o ar do Camp Nou era diferente, os jogadores jogavam como se a sua vida dependesse daquele resultado e o público gritava sem parar, com fervor e paixão, como se quisesse mesmo perder a voz. Havia uma aura de qualquer coisa que não sei como explicar nem descrever, porque eram uma dessas coisas que apenas se pode sentir.
As pessoas tinham vindo para apoiar e não se pode apoiar sem acreditar.
Sim, havia muitos franceses. Veio gente de Paris para apoiar o PSG, mas veio gente de toda a França para apoiar o Barcelona.
Tudo parecia possível com o 3-0 da segund parte, cantava-se felicidade, estávamos tão perto! Começámos com -4 e agora só faltava 1 para garantir o prolongamento!
Até que Cavani marcou. O estádio morreu. Fez-se um silêncio tão frio e tão profundo que por momentos o Camp Nou parecia um cemitério. Os semblantes dos jogadores eram frustrantes, tristes, exasperantes. Aquela bola entrou na baliza como um balde de água fria no Alaska. Agora parecia tudo ainda mais impossível.
No entanto, ninguém arredou pé dali, a esperança era mais forte do que a teoria das probabilidades.
 Já não podia ser, mas os milagres acontecem...
Ainda não percebi bem como aconteceu, só me lembro que de repente o Neymar marcou. Ele próprio não parecia acreditar, mas nós estávamos ali para comprovar que era verdade. O estádio voltou a acordar, a aplaudir e a creditar ainda mais, porque um jogo só acaba no fim.
E nesse final apoteótico e arrepiante, com o golo imprevisto e não planeado de Sérgio Roberto, saltámos até à Lua, gastámos o que pouco que sobrava das cordas vocais e hasteámos bandeiras como se cada um de nós tivesse ganho um mundial. Ninguém se foi embora no 3-1 e ninguém se mexeu no 6-1.
Depois da celebração eufórica e das lágrimas misturadas com sorrisos, os jogadores deixaram o campo, mas o público ficou.
Ficámos a festejar esse triunfo que também soube a nosso, a inalar esse momento histórico de que todos fomos partícipes e não se voltará a repetir. A viajar na adrenalina de 90 minutos que provaram que não há sonhos impossíveis.
Ouvi na rádio que a terra estremeceu em Barcelona com o último golo. Não éramos só os 90.000 do campo a saltar ao mesmo tempo, era toda uma cidade desde o alto do Tibidabo até às ondas da Barceloneta.
Uma loucura sem precedentes, uma história que estarei a contar o resto da vida, uma memória que sempre me fará sorrir, uma lição para não esquecer:

Em caso de dúvida, acreditar sempre e nunca desistir. 







sábado, 28 de janeiro de 2017

Pessoas que me inspiram

Dizem que quanto mais alto se sobe maior é a queda. 
Eles tocaram o céu, escreveram os seus nomes nas estrelas, voaram por cima das nuvens. Mas um dia, como acontece na carreira de todos os atletas profissionais, perderam. Perderem 1,2,3...  e nunca mais voltaram a vencer. 
Vieram outros. Outros mais jovens, mais frescos, com talento bruto e aquela vontade de ganhar de quem nunca ganhou.
Passaram anos sem que levantassem uma Taça das grandes, daquelas que tinham levantado tantas vezes seguidas.  
As suas carreiras começavam a ser vistas como uma decadência em declínio, escurecida pela sombra dos dias de sucesso.
Já ninguém dava um tostão por eles. Nem eles mesmos. Não acreditavam que se voltassem a encontrar no topo.
Mas nem assim desistiram. Enquanto tivessem pernas para correr ali estariam, a correr pelas suas “vidas”, independentemente do que dissessem os jornais.
Hoje os jornais voltam a dizer que eles são os melhores de mundo, que não há ninguém como eles. Falam de regressos inesperados, chamam-lhes lendas.  
E é verdade. Provaram ao mundo e a eles próprios que tudo é possível para quem não desiste, que o esforço e a força de vontade não têm limites.

Por isso é que amanhã, quando Nadal e Federer jogarem a final do Open da Austrália, já serão os dois vencedores. 



sábado, 7 de janeiro de 2017

O saldo dos saldos

Há aproximadamente três meses que ando à procura de um casaco camel comprido. Dito assim parece fácil. Mas não é, porque já lá vão três meses. Acabo de queimar a minha última carta, que eram os saldos. Em Espanha os saldos começaram hoje. Ontem, Barcelona era uma cidade fantasma com todas as lojas fechadas e escassa vivalma na rua por ser feriado de Reis. Hoje, parecia a 5ª Avenida na Black Friday.
Pessoas que se empurravam no passeio, filas que atravessavam lojas inteiras e, de repente, no meio do Corte Ingles, lá estava ele, o casaco Camel com que eu andava a sonhar há três meses. Vi-o de longe, aproximei-me a passos largos e agarrei no cabide como quem ergue uma taça. Uns números em vermelho vivo indicavam -50%, não podia acreditar na minha sorte!
Virei a etiqueta para ver então qual seria a pechincha e quase se me parou o coração quando vi que o casaco custava 700€. Preço original 1400€, preço de saldo 700€. Versace.
Como no Corte Inglês aquilo é tudo ao molhe e fé em Deus, eu não me tinha apercebido que tinha “entrado” na Versace. Ainda pensei duas vezes: pago a renda da casa ou compro um Versace? Bem medidos os prós e os contra deixei lá estar o cabide, que ir dormir com o Versace e umas caixas de cartão para a porta de um qualquer multibanco também não era exatamente o que eu tinha em mente.  Tentei, com toda a boa fé do mundo, que me servisse um tamanho 42 (sou um 34/36) de outro casaco que vi por ali a apenas 59€, mas não foi possível. Eram precisas duas eu e meia.  Ainda encontrei outro modelo na Uterque, lindo de morrer, mas claro que o meu tamanho já estava esgotado antes mesmo dos saldos.  Uma vez mais, com toda a boa vontade do mundo, experimentei o M. Aberto era prometedor, fiquei toda esperançosa, mas quando o abotoei constatei que parecia uma alcachofra camel.

Quer isto dizer que andei 3 horas nos saldos à procura de um casaco, para chegar a casa com um soutien e umas calças brancas. 
Gastei menos de 40€, valha-nos isso...  

A sorte só bate uma vez

“Alguém tem sorte na vida?”. A pregunta soou como uma pedra que cai ao mar atirada de um precipício. Ninguém respondeu. Claramente, se algum dos presentes tivesse sorte na vida não estaria ali. Era uma quarta-feira no escritório e tínhamos decidido juntar dinheiro para comprar a lotaria de Natal. Agora faltava a decisão mais importante: quem seria o encarregado de escolher os números e comprar os talões?
Há falta de alguém com sorte na vida, fui eleita por unanimidade e na hora de almoço tratei do encargo. Comprei dois números: um com 7 e 9, que eram os número preferidos pela maioria e outro com a terminação que o nosso “business inteligence” analisou que era a mais provável de sair. Acreditem ou não, ganhámos 900€ com o número dos 7 e 9. Dividido por todos o prémio ficou numa quantia bastante modesta, mas podemos dizer que duplicámos o nosso investimento pessoal. Tanto, que decidimos voltar a investir na lotaria dos Reis. Desta vez não houve análise e o número que mais gostávamos já não tinha talões suficientes. Acabámos por escolher outro assim à pressa e só porque sim. Toda a gente sabe que isso não funciona. Para ganhar a lotaria tem que ser aquele número em que batemos o olho e dizemos este é que é. Não pode ser uma segunda opção sem feeling.
Efetivamente, na lotaria de Reis ganhámos precisamente 0€ cada um. Foi triste.
 E lá teremos que continuar a ver-nos no escritório de segunda à sexta, das 10.00 as 19.00h.

Bom ano a todos!

domingo, 25 de dezembro de 2016

Uma vez Harry Potter, sempre Harry Potter

Atravesso um centro comercial entre o escritório e o metro. Tinha começado a chover e achei oportuno entrar na FNAC para fazer tempo. Gosto sempre de cuscar as secções de literatura,  abrir páginas ao acaso e julgar capas e títulos.  Logo na entrada encontrei-me ao novo Harry Potter. Já tinha ouvido um reboliço aqui e ali mas, sabendo que era o guião de uma peça de teatro, achei que seria só mais uma fatia com cobertura de açúcar para engordar o império da Sra. Rowling. Outra engrenagem de marketing para continuar a dar corda ao Expresso de Hogwarts!
Ainda por cima este vinha com 2 co-autores. Que escândalo! Agora até já é rica de mais para escrever sozinha. E só fizeram edições de capa dura e tamanho considerável, uma chatice para levar na mala e ler nos transportes. 
Também não gostei da ilustração, nem das indicações cénicas nas páginas que abri ao acaso. 
E, claro, era caro. 
“Tem tudo para não valer a pena.” – pensei. 
Na sequência desse pensamento agarrei nele e pus-me na fila. (A propósito, alguém já viu uma FNAC sem fila?).
Assim que comecei a ler invadiu-me aquela nostalgia do primeiro livro da saga, que li quando tinha 13 ou 14 anos, porque o meu tio me disse que era o que andava toda a gente a ler e eu fiquei curiosa. 
E, de repente e com 30 anos, estava às gargalhadas sozinha na cadeira do metro com o meu Harry Potter de capa dura, dois co-autores e indicações cénicas.  
A verdade é que tem a mesma graça que todos os outros e a surpresa de conhecer a versão adulta do trio que cresceu connosco, comigo pelo menos. 
Isto tudo só para dizer que, comprei o livro há uma semana e já estou no último acto. 
Não acho que ganhe um nobel, mas lá magia ele tem, literalmente. 
Por outro lado, quando saí do centro comercial estava a chover torrencialmente, fiquei toda empapada e não foi nem um bocadinho mágico...