diumenge, 8 / novembre / 2009

ha ha ha...

Eu tenho um problema com as anedotas. À parte a discordância óbvia e por todos conformadamente encoberta entre a forma de pronunciar e a forma de escrever anedotas. Ou seja, andotas.
(Mas porquê? Porquê??? Como se o “e” fosse um dos afilhados do Primeiro Ministro que só está ali para enfeitar e temos todos de levar com ele e calar)!

Emendo, tenho 2 problemas com as anedotas.
Vamos ao segundo: a expectativa.
Quando alguém conta uma anedota só nos restam duas opções: rir ou fingir que rimos. Porque se não demonstrarmos um esboço de graça ou passamos por intelectualmente limitados “Não percebeste?” ou por rudemente mal educados. Como quem não bate palmas depois de um grande espectáculo. Porque é isso que os contadores de anedotas esperam! Um alvoroço de gargalhadas e aplausos após o seu hercúleo esforço para nos animar.
É simpático contar anedotas, a intenção é boa e tudo. Mas a mim dá-me stress! É a obrigação de estar a ouvir com a máxima atenção algo que, provavelmente, é demasiado longo e não me interessa ou cuja “piada” a meio já é previsível e evidente. Mais a obrigação de achar graça independentemente de que tenha tanta graça como dor de barriga ao pequeno-almoço.
Porque quem não acha graça não tem piada, é chato e quando dá por ele já foi exilado como um outsider.
Ora eu não, sinceramente, não acho graça às anedotas , pronto, já disse! Desterrem-me se quiserem!
É que não consigo, transcende-me. Fico nervosa! Aterrorizam-me! Mal ouço “vou contar uma andota” começam logo as minhas entranhas a entrar em revelia, o pânico à assomar-se-me no rosto!
Ainda assim, quando o contador é de cerimónia, forço aquele sorriso que quer tanto sair como os noruegueses no inverno e acompanho-o de um tímido ah ah.
Mas por este meu esforço, verdadeiramente hercúleo, ninguém bate palmas… pior que isso, 99,9% das vezes contam outra! Porque há sempre uma “ainda melhor”!
Mal posso esperar...

dijous, 5 / novembre / 2009

Para a Neuza, porque gostamos de ti!

Como é que se dizem coisas delicadas sem partir a boa vontade e nobre ilusão de outra pessoa?
Quem é que nunca viu uma amiga a engordar desalmadamente ou uma pessoa querida com um roupa lastimável? Quem é que nunca recebeu uma prenda horrenda (oferecida com todo o amor e carinho) por parte do namorado, dos pais, etc?
E quando as ideias geniais que nos contam, em busca de apoio e incentivo, são o correspondente a um passo em frente desde o alto do Cabo da Roca?
A sinceridade é primordial mas extremamente difícil de dosear. Está cientificamente provado que o excesso de sinceridade pode resultar em terríveis efeitos colaterais irreversíveis.

E hoje este é o tema pendente cá em casa. Desde que a Neuza, após unânime acordo de que queriamos incenso cá em casa, chegou contente e triunfante com o incenso que comprou na lojinha do chinês. É de morango. A Rita diz que se vê logo que não podia ser bom porque nada que queima pode cheirar a fruta (mas pode cheirar a rosas). O facto é que não cheira nem a fruta nem a flores. Cheira a gelatina estragada (de morango vá, demos-lhe isso). E esta manhã ergueram-se intoxicantes nuvens de fumo pela casa, fazendo pulular o referido odor por todas as assoalhadas. Não, não é que cheire mal. Só não cheira bem.
Duas tácticas distintas e subtis foram utilizadas para tentar passar a mensagem de descontentamento:
1 – a táctica do humor (o riso atenua os efeitos depressivos) – “Oh Neuza não havia um suporte de incenso ainda mais feio que este?”
“Não, o outro que havia era com folhas de Canabis e vinha com incenso de Canabis”.
Argumento incontornável. Mudança de táctica.
2 – a táctica da indução - o vulgo dar a entender - (se a pessoa chegar à conclusão por si mesma qualquer tipo de ressentimento será dirigido a ela própria e não a terceiros) – “Oh Neuza há uma nuvem de fumo a elevar-se pela sala…”
“Sim. E então?”
Conclusão não concluída.

De modo que após duas tentativas frustradas e ponderada meditação, decidimos que vamos ter mesmo de lhe dizer, por exemplo assim “Ai Neuza, afinal lembrei-me agora que eu odeio incenso! È que não suporto mesmo”. Realce para a importância da forma que envolve o conteúdo da mensagem: frontal e sincera. A forma é tudo! Já assim pensavam Wertheimer e Khöler quando inventaram a Psicologia da Gestalt (forma em alemão). Pergunto-me se também se terão debatido com questões profundas como a da presente análise.
Mesmo assim achámos que ainda não era a forma ideal. Trata-se de uma das nossas melhores amigas, com quem vivemos juntas e felizes e partilhamos segredos e intimidades!
Merece pois uma comunicação mais pessoal e amorosa, sobretudo mais íntima!
Então decidi escrever este post.
Porque eventualmente ela vai ler e assim assimilar o quanto gostamos dela e o quanto não gostamos do incenso de morango.
Resta esperar que isso seja antes do pacote de incenso acabar…

dilluns, 2 / novembre / 2009

Um susto de pronúncia

A tartaruga ninja disse olá. Coitada, já não podia com a carapaça. O robin e o batman pediram uma tesoura emprestada enquanto o Ozzy osbourne subia e descia as escadas. O Indiana Jones estava mais tranquilo que o habitual e a Branca de Neve resolveu beber. Não pode ser pior que uma maçã envenenada certo?
E de qualquer modo havia enfermeiras de plantão e freiras até, que dá sempre jeito, sabe Deus quando vai ser preciso chamar por Ele.
A bailarina estava a dançar house no meio das bruxas e do Conde Drácula.
As gatas andavam à solta pelos passeios, porque isso dos telhados dá vertigens.
Também havia muita gente estranha, até o polícia dos anos 80 comentou.
Mas o que foi mesmo muito chato foi o espantalho, deixou feno por todo lado! Que inconveniente!
Depois houve muita gente, de diferentes faixas etárias e nacionalidades, que perguntou o que é que se passava. Se havia festa, se era em todo o lado e porquê. Pareciam muito confusos…
E então eu pergunto-me, o que é que estas pessoas pensam quando passam pelas montras decoradas com abóboras e teias de aranha? Que se come abóbora e que as aranhas proliferam no Outono? Será que acham mesmo que os pijamas da Oysho têm morcegos porque é o novo padrão da moda?
Poderá ser que nunca tenham repararado nas dezenas de lojas que vendem disfarces de diabo cada vez que se aproxima o 31 de Outubro?
“Hoje é o Halloween” respondo condescendente.
Mas quando algum espanhol retorque “ É o quê? É o quê? Ahh! È o rrrálôin!” aí meus amigos, já não há condescendência possível.

diumenge, 1 / novembre / 2009

Integração integrante

Em Barcelona há várias instituições sem fins lucrativos que promovem a integração de imigrantes extra-comunitários. Recentemente decidi voluntariar-me numa delas
que, de momento, trabalha principalmente com crianças marroquinas.
Não poucas vezes já me perguntaram se as ia ensinar a vender cerveja na rua ou se as elucidaria sobre o negócio do contrabando.
Piadas inocentes cujo teor nunca passará nos sábios conhecimentos que a instituição transmite.
Tirando a vez em que a Neuza, vencida pela supremacia energética de rebentos marroquinos com 5-7 anos de vida, começou a gritar-lhes:
“Parados! Parados!”.
Parado em espanhol significa desempregado.
As crianças não tomaram como insulto, tendo prosseguido afincadamente com as suas corridas desenfreadas.
A Neuza apercebeu-se do erro.
De facto, é estranho ter pessoas não espanholas e completamente iletradas em catalão, que ainda por cima são péssimas em trabalhos manuais e estão acomodadas à calculadora do telemóvel, a desenvolver este tipo de actividade, que também engloba apoiar os estudos e ajudar nos trabalhos de casa. Por outro lado, o facto de haver voluntários estrangeiros torna o processo muito mais produtivo e enriquecedor: nós contribuímos para a integração deles e eles para a nossa!

dimarts, 20 / octubre / 2009

A economia do romantismo

Pergunto-me se o amor também estará em crise. Se os beijos vão caindo a pique na bolsa. Se há cada vez mais mãos dadas no desemprego e se o preço dos olhares amantes também vai ser afectado.
Parece que o número de solteiros já está a desequilibrar a balança comercial e que a dívida pública gerada pelos divórcios é intransponível.
Contudo, li em qualquer lado de referencia que, segundo os especialistas, a grande preocupação é a questão do romantismo.
Parece que o gap entre os românticos e os não românticos vai triplicar nos próximos anos e que o romantismo médio per capita está cada vez mais deteriorado. Sem falar nos empréstimos de romantismo a crédito aos filmes lamechas.
De acordo com a mesma fonte, o PIB das cartas de amor é inferior à media da União Europeia e o Banco Central Europeu está a estudar a hipótese de um empréstimo mas como não têm papel perfumado é complicado.
As pessoas acabam por buscar soluções mais económicas como conhecer-se e namorar pelo facebook o que, consequentemente, tem um impacto bastante negativo na indústria do calçado, das floristas e dos chocolates.
Mas mesmo perante um cenário tão catalítico como este se afigura, eu sou uma optimista.
Afinal, ainda há pessoas que escrevem cartas de amor, só que a maioria as envia por mail e assim não demoram 3 semanas a chegar ao destinatário.
Também tem de haver pessoas a oferecer flores, caso contrário, os indianos das rosas ambulantes não proliferariam como bem se vê.
E há crianças de 6 anos que já querem dar beijinhos e há mãos dadas de velhinhos.
Os chocolates estão a entrar na sua temporada alta, as surpresas conseguem manter-se o ano todo. E, convenhamos, isso das serenatas ia incomodar os vizinhos e depois iam reclamar na reunião do condomínio.
Que já não haja paladinos do romantismo como o Bocage é pena. Mas também é verdade que aquilo era uma leviandade de angustias e dores, ninguém sabe ao certo quantas vezes é que ele morreu de amores.
Eu acho que o que mudou foi a taxa de câmbio do romantismo e as pessoas ainda não assimilaram os novos valores. Um pouco como não saber quanto são 50.000€ em escudos.
Porque é romântico comprar voos da Ryan Air para fazer surpresas à pessoa amada. É romântico dedicar vídeos no youtube. É romântico ficar a noite toda a conversar na janelinha minúscula do facebook (é quase o mesmo que acontecia ao Fernando Pessoa quando ele passava a noite inteira, de pé, a escrever poemas em torrente). É romântico mandar beijinhos à câmara Web enquanto se fala pelo skype. É romântico pôr fotos e declarações nas redes sociais e nos blogs. É romântico deixar os filhos com os avós para ir ao cinema ou ir passear no fim-de-semana. É romântico ir ao supermercado comprar objectos de higiene pessoal da pessoa amada e saber os ingredientes exóticos do shampoo que ela usa. É romântico oferecer uma bimby!
E, mais raro mas extremamente romântico, é ceder o lugar num transporte público.
De modo que se o amor estiver mesmo em crise, eu sou apologista de uma possível recuperação.
Porque o romantismo está em alta, parecendo que não.

divendres, 16 / octubre / 2009

O dia em que o chefe a chamou

Quando o chefe pediu para conversarem ela não suspeitou de nada. A sala de reuniões estava ocupada pelo que se intrometeu o convencional “queres um café?” antes da conversa. Sim, era normal, eles estão sempre todos a beber café. Na cozinha estava o dos músculos e das dietas de hidratos de carbono a comer uma pratada de massa às 10.30 da manhã. Diz que lhe dá um prazer tremendo e que se tem de controlar até ao último apelo do estômago no Verão. Porque é quando deixa de ir ao ginásio. Agora que voltou à sua actividade física pode finalmente resgatar o delicioso hábito de comer doses generosas de esparguete ou de arroz a meio da manhã. Quando o resto das pessoas come uma sandes ou, precisamente, bebe um café.
“Mas tu participas em competições ou isso é só para exibir?” – perguntou o chefe .
“Não, não, eu faço isto por mim!” – respondeu ele, orgulhoso e não altruísta.
È justo, eu por mim compro chocolates ou, desde a intoxicação alimentar com a Nutella, latas de leite condensado para comer à colher.
Entretanto, o chefe tinha pousado as folhas numa mesa, com especial atenção para que ficassem viradas para baixo, ocultando o seu conteúdo. Então ela começou a ficar receosa. Porque será que ele não queria que ela visse as folhas?
A sala de reuniões continuava ocupada e o chefe considerou que a cozinha não era confidencial o suficiente. Dirigiram-se a outra divisão, mais recatada. Por essa altura começaram-lhe a escorrer alguns suores frios.
“Então como é que vai o trabalho?” – inquiriu o chefe. Os olhos fixados nela, dissipando-se das palavras, como se aquela pergunta fosse só um or d’oeuvre para uma enorme repreensão. Aqui os suores já lhe escorriam por todo o lado. O que é que ela tinha feito? Seria por utilizar a internet durante o expediente? Ou seria pelas fotocópias? É que no novo open space ela ainda não tinha imprimido nada mas no antigo imprimiu as aventuras completas do Sherlock Holmes!
“Vai bem” – respondeu ela, com um sorriso trémulo e, no entanto, o mais confiante que os seus lábios conseguiram esboçar.
O chefe sorriu-lhe de volta, já estava à espera daquela resposta. Olhou para o molhe de folhas e hesitou um momento. Era agora! Era agora! O que quer que fosse ia ser naquele instante.
E então ela viu. Viu para pasmo e gáudio em simultâneo e paralelo, folhas da Universidade.
“Tenho que fazer estes exercícios para o mestrado mas não sei como é que se faz, tens de me ajudar!”. Ufa! As fotocópias do Sherlock Holmes continuavam no anonimato!
Desta vez os seus lábios contraíram-se num imenso esganar misto de riso e surpresa, que por limitações técnicas das onomatopeias não me é possível reproduzir aqui.
Ali estava ela, recuperando lentamente a tez do rosto, com o chefe diante de si, suplicando que o deixasse copiar um trabalho do mestrado. E depois perguntou:
“Mas o quê? Pensavas que era alguma coisa de mal?”

Denmark!Denmark!

Foi fácil perceber que o bar ia esvaziar quando fosse o jogo de Portugal. Em cores fluorescentes e fonte desproporcionalmente grande brilhavam os nomes ENGLAND e DENMARK – SWEDEN. No fim do quadro escuro, em tons neutros e com cerca de 1 milímetro quadrado de espessura por letra, aparecia o pequenino Portugal – Hungria.
Mas enquanto a nossa selecção não jogava, a Dinamarca jogava por ela e nós apoiávamo-la fervorosamente, de pé, fora do bar, observando o ecrã com atenção.
Não sabemos uma única palavra em dinamarquês, nem o nome de nenhum jogador para poder impressionar. Não temos lá nenhum amigo nem nunca visitámos o país. Mas somos tão altruístas que pulámos, esperneámos e celebrámos o golo dos dinamarqueses tão efusivamente como se fossemos genuinamente de Copenhaga. E esprememos os nervos até ao último segundo da partida, não se fossem os suecos lembrar de marcar nos descontos.
Perdemos o hino de Portugal, mas ganhámos uma mesa só para nós diante da televisão. Era um facto, ninguém comungava o nosso altruísmo. Assistimos solitárias à vitória de Portugal, num bar inglês das ramblas. Aparentemente um dos únicos que passava o nosso jogo.
Dias depois seguiu-se Malta.
Agora já está. Acabaram-se as falsas genuidades e os honrados altruísmos. È cada um por si.
Venham de lá esses Play-offs!

divendres, 9 / octubre / 2009

"A Loucura é uma questão de maioria"

“E a vida é uma convenção”.

Incompreensível e louco, afinal, são sinónimos. E a loucura é democrática. Quem diria?
Toda a gente que comunga um certo modo universalmente alargado de interpretação.
Não interessa que a mesa se pudesse chamar cinta adelgaçante e que só não se chama cacto pacato em flor porque não. E é loucura insistir em trocar as coisas que são porque são como são.
Como eram loucos aqueles que diziam que a Terra não era redonda e que Deus podia estar em todo o lado mas não no centro do Universo. E os primeiros que abriram restaurantes de fast food e os que acreditavam que o homem podia voar. Bem como os que preconizavam que as pessoas iriam conversar e conhecer-se instantaneamente, à distancia de tantos países e oceanos quanto o mundo tem.
Como são loucos os que morrem de amor. Ou o “L’étranger” de Camus e todos os outros que que não choraram nos funerais das mães. Doidos varridos!
Enfim, qualquer pessoa é perita em identificar loucos e a loucura de conceito abstracto tem muito pouco. Trata-se, simplesmente, de uma questão de maioria.

Só falta saber para que nefasta infecção é que mais de metade dessa condição dissonante e solitária, e irrevogavelmente estipulada pela maioria, serve de
C-U-R-A.

* citações de Mário de Sá-Carneiro em "LOUCURA".

dissabte, 3 / octubre / 2009

Olimpíadas 2016

Quando a Rosa Mota apareceu no noticiário da TVE em representação da delegação de Tóquio, já era um prenúncio de que algo estranho se passaria.
Dizem que foi a primeira derrota do Obama e os espanhóis estavam crentes que iriam vencer. Ficaram com o conhecido “grande melão” porque as Olimpíadas 2016 foram para a Cidade Maravilhosa. Como bem notou um dos jornalistas “Não vamos reclamar porque podia ter sido a Eslováquia…Portanto serem no Brasil não está nada mal!”.

Às 3 da manhã acordei sobressaltada. Tinha explodido uma bomba, partiu-se uma janela. Não foi a minha mas o coração quase parava de tanto que batia. Na sala, a Neuza também tinha ouvido. “Se calhar foi um tiro. Se calhar mataram uma das prostitutas do andar de baixo”.
Aqui há que introduzir um pequeno flashback: Na semana passada, fui abordada por uma das inquilinas do andar de baixo, conhecido como puticlub por todos os moradores do edifício, embora a campainha diga “infantário”.
“O que é que se passa com tantos rapazes a sair e a entrar de tua casa?” perguntou-me ela. Detenhamo-nos um momento. Se alguém aqui tem não moradores a entrar e a sair de casa com certa frequência não sou eu, é a senhora! “São 3 amigos da rapariga que vive comigo, estão a visitar Barcelona” respondi secamente.
Ela sentiu-se na obrigação de dizer que a sua casa agora era de respeito e que ela não incomodava ninguém e portanto também não queria ser incomodada. Ao que eu me senti na obrigação de responder que me incomodava um bocadinho acordar sempre com ela a falar ao telefone sobre os clientes e os quartos e a rapariga nova que vinha experimentar. Nem foi preciso falar no senhor que eu vi perguntar à esteticista qual era o andar do “anúncio no jornal…aquilo..você sabe...”que ela já me estava a dizer que afinal não se sentia nada incomodada e que se alguma vez eu precisasse podia ir lá tocar.

Ao segundo estrondo, seguido por um clarão de luz, entrámos em histeria e acordámos a Rita. Não havia vestígios na varanda. A Rita voltou a dormir despreocupadamente mas eu e a Neuza ficámos despertas, a tentar controlar o ritmo cardíaco. Medo, muito medo. Será que mais ninguém se dava conta que estávamos a ser bombardeados?
Não há duas sem 3 e à terceira eu ia ligar para o 112. Mas desta vez já não tinha parecido uma bomba nem um tiro. Parecia um foguete a subir pelo ar. Desde quando é que 3 de Outubro às 3 da manhã é dia de festa?
Não houve mais bombas, nem explosões, nem tiros. E de manhã verificámos que não havia janelas partidas.
Foi então que a campainha tocou. Era a minha mais recente amiga da vizinhança:
“Então assustaste a idosa?”
“Só lhe fui perguntar se estava tudo bem.” (Ver se vocês estavam vivas)!
“Está tudo bem, está tudo bem. Aquilo ontem foram alguns brasileiros idiotas que deve haver por aqui a lançar foguetes por causa das olimpíadas. Da próxima vez que precisares de alguma coisa basta ires à janela e gritares - Antóóóónia passa algo?”

Aqui deixo então um grande viva ao Brasil, às Olimpíadas 2016, à Rosa Mota e aos brasileiros que mandam foguetes mal e a más horas.
(E já agora, à minha amiga Antónia)!

Uma questão de fé?

A cidade deixou de ser cidade. Durante 5 dias foi um festival lotado com um palco em cada canto, desde os suspiros do mar aos pés do Colombo, até às torres infinitas da sagrada família. Electro-Rock, Celta-gaélico, italiano, espanhol, português, sueco, música à la carte, todas as noites e de graça.
Quem chegava de repente não sabia a sorte que tinha. As ruas com os castellers e os carrefocs, os museus de “portas abertas”, magia no castelo.
O sol não quis perder a festa e foram muitos os mergulhos que se recusaram a acabar com os últimos dias de Setembro.
Houve feriado, como não podia deixar de ser. Ainda não percebo como é que esta comunidade autónoma vai para à frente se de cada duas em duas semanas têm um feriado com fim-de-semana prolongado.
As celebrações encerraram com um magnânime espectáculo pirotécnico, onde as coloridas águas da font mágica dançavam com os fogos de artificio, numa coreografia de mais de meia hora, aos som de grandes clássicos do cinema. Sem palavras, sem fôlego que sobrasse para mais “AAahhh” e com muitos aplausos.
Assim se resume a Mercé, Santa Padroeira de Barcelona.
Oxalá a Câmara Municipal de Lisboa também tivesse tanta devoção ao Santo António.

Esta semana tudo voltou à normalidade e o super-mercado abriu todos os dias excepto Domingo, como manda o horário que está à entrada.
Mas, evidentemente, o próximo fim-de-semana já será novamente prolongado porque, quem é que adivinha?
Segunda-feira é feriado outra vez!