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"It" - Capítulo I

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Achei que a minha vida não estava suficientemente emocionante com um novo projeto profissional e esta espécie de guerra civil que estamos a viver em Barcelona, e pareceu-me boa ideia ir ver o filme de terror “it” que promete ser um dos mais assustadores do ano. É um filme que assusta, sem dúvida, que nos deixa numa ansiedade perturbadora, mas que também tem cenas mesmo estranhas, um misto de abstrato tenebroso com surreal inesperado. Baseia-se num livro, que tem de ser a coisa mais angustiante de ler e mais desaconselhada para leituras antes de ir  dormir. Aliás, fizemos questão de ir dar uma volta pela praia depois da sessão, para desanuviar a tensão.  Mas tem uma coisa engraçada este filme: ao contrário da maioria dos filmes de terror, em que quanto mais nos adentramos no filme mais medo nos dá, neste filme os personagens principais vão perdendo o medo e nós sentimos o mesmo.  Quando o psyco palhaço aparece nas últimas cenas, já não fecho os olhos, já nem sequer ponho as mãos na ca…

Viva a greve!

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Estou a adorar a greve geral da Catalunha! Não entendo como é que uma greve na Catalunha vai afetar alguém em Madrid, não me consta que hoje Mariano Rajoy tivesse de apanhar o metro na Plaza Catalunya ou um comboio na estação de Sants.  Quem se lixa são os mesmos de sempre, as pessoas que têm de ir trabalhar e não têm tempo para andar na ramboia a cortar ruas, a fazer barulho, a lançar insultos, a semear o caos e a causar distúrbios, pacificamente!  Mas estou a adorar a greve, estou sim senhor, porque os senhores das obras do andar de baixo decidiram, também eles, solidarizar-se com a causa e faltar ao trabalho. O que quer dizer que esta manhã não acordei ao som do berbequim nem da serra elétrica, não me tive de refugiar num café vizinho e posso estar descansada a trabalhar na paz do meu lar. E isso é uma benção de Deus! O único barulho chato é o helicóptero que sobrevoa constantemente o centro da cidade há vários dias, tal como aconteceu aquando dos ataques terroristas, mas lá está,…

Isto parece as eleições em Angola!

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2 de Outubro de 2017: Barcelona continua em Espanha.
O que aconteceu ontem aqui foi o que era esperado: uma triste palhaçada. As pessoas mantiveram-se firmes na sua convicção de votar e o governo central manteve-se firme na sua proibição, demasiado firme diria eu, já que mandou a polícia distribuir porrada  a torto e a direito, invadir escolas, roubar urnas, enfim, fazer o maior ridículo possível. Uma atuação vergonhosa que só reforça ainda mais o sentimento independentista e transforma o governo catalão em vítimas oprimidas na luta pela liberdade. Porque se até agora não tinham razões concretas para justificar uma suposta repressão, desde ontem têm toda a razão do mundo. Rajoy, que assim nos faz duvidar se ele mesmo não será também independentista, deu-lhes vários argumentos em imagens cheias de sangue, altamente exploradas pelos meios de comunicação. Acrescentar que também não foi nenhum massacre, que eu saí à rua e não vi ninguém ferido, estava tudo aparentemente normal, e que todas…

Boa noite Espanha, bom dia Catalunha?

Esta pode ser a minha última noite em Espanha. Não porque eu tenha pensado mudar de país, nem pouco mais ou menos, mas porque o senhor Puigdemont, Presidente da Catalunha, tem pensado fazer uma declaração unilateral de independência, amanhã, depois do seu referendum ilegal, desculpem, democrático. Enviou-me, aliás, um “flyer” em preto e branco por correio, para eu não me esquecer de ir votar e para levar 7 pessoas comigo, como se fosse a promoção de Natal lá do ginásio. Mas em vez de receber um desconto na mensalidade, diz que se eu levar 7 pessoas a votar “ganha a democracia”.
Por outro lado, se eu não for votar “eles ganham”. Então é isso: “Democracia” x “Eles”. Uma proposta um quanto ou tanto abstrata para ser a base de um novo país, digo eu, mas eu também nunca abri um país novo. Acho só curioso que uma democracia arranque com ameaças de morte pintadas nas paredes de uma escola secundária, contra a Presidente da Câmara da localidade, que decidiu acatar a lei da constituição e nã…

A vida não é justa

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Imaginem acordar a som de uma serra elétrica todos os dias, por volta das 8 da manhã. Essa tem sido a minha vida nos últimos dois meses, há exceção de Sábados e Domingos, abençoado seja o Senhor! Quando espetaram na porta do edifício a autorização da Câmara para obras no andar de baixo, durante uma mão cheia de meses, eu subestimei a situação. O ano passado, passei outra mão cheia de meses com obras no apartamento ao lado, parede com parede, ruídos ensurdecedores, o teto a tremer que nem gelatina, a sensação de que a parede do quarto me ia cair em cima, e quantidades monstruosas de pó a passar para a minha sala por aberturas que eu não sabia que existiam. Entrava em casa e só faltava aparecer D. Sebastião a cavalo, tal era o nevoeiro. Mesmo assim sobrevivi. Daí pensar que as obras no andar debaixo não poderiam, jamais, ser piores do que as do ano passado na casa do vizinho do lado. Mas afinal podiam. Escrevo este post à beira da esquizofrenia total, no princípio de um ataque de pâni…

Vamos à feira?

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A Mercé é uma festarola bem gira para celebrar a Santa de Barcelona.
Fazem concertos ao ar livre por toda a cidade, as pessoas animam-se a dançar “Sardanas”, que é uma coisa que eu já desisti de tentar entender. Basicamente, consiste em conjugar dois passos para a direita com dois passos para esquerda, sempre ao mesmo ritmo lento quase parado, num círculo formado por várias pessoas com os braços no ar. E olhem que isto é uma descrição com emoção!Outra coisa para lá de gira, é que na Mercé temos sempre feriado, mesmo se cair Domingo, como aconteceu este ano, e portanto Segunda-feira ninguém foi trabalhar. O que, se juntarmos ao clima ameno que ainda se faz sentir, é toda uma delícia.Mas se há coisa com que eu vibro de verdade é a feira de atrações que montam na Barceloneta, ao estilo da feira de Santa Iria de Faro, onde vivi grandes noites da minha adolescência!A música apimbalhada em volume máximo, as luzes fluorescentes que nos encadeiam a cada olhar, o cheiro a farturas e algodão doc…

Info-excluída

Confesso que não sou apaixonada pelas novas tecnologias. Não dei pulos de felicidade quando os meus pais compraram o nosso primeiro computador lá para casa, e desde que haja um Word e internet no meu portátil, sou uma pessoa feliz. Ando às voltas com os comandos da televisão da casa de Lisboa e não sei ver programas que já passaram, porque na minha casa de Barcelona não tenho disso. Não tenho boxes e só há um comando. E, repito, sou feliz. Fui a última das minhas amigas a entrar no facebook e só por muita insistência de outra amiga, e com o Instagram aconteceu a mesma coisa. Tenho um cartão oferta com 200€ para gastar na Apple, que está há meses a ganhar pó, porque não há absolutamente nada naquela loja que me cative, sem ser um portátil pequenino, bonito e cor de rosa que custa 1.400€. E que se não fosse cor de rosa, provavelmente não me emocionaria. Estou-me pouco marimbando para os lançamentos do iphone, se é X ou se é Y e distingo os carros pela cor. Ainda assim, não deixei de …