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A mostrar mensagens de Junho, 2007

Agonias de últimos dias

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Acordo com o barulho. Olho em frente. Está um senhor montado num escadote, quase colado ao virdo da minha janela. O senhor está a fazr um buraco na parede mesmo ao lado do meu quarto!

É então com esta boa disposição, impulsionada por barulhos das obras às 8 da manhã, que têm começado as minhas últimas manhãs em terras de Palio.
Quando as mnhas amigas cá estiveram, em Fevereiro, falaram-me de uma "miss simpatia" que trabalhava no balcão de informações dos autocarros e quase nos fazia pedir desculpa por lhe ter pedido uma informação. Creio que ontem tive, finalmente, o prazer de conhece-la! Fui pedir informações sobre a nova linha de autocarro Siena - Aeroporto de Pisa. Ela olhou-me como se eu fosse a amante do seu marido ou coisa parecida e respondeu "Não vês que tens o papel aí ao lado! Mesmo em frente aos olhos!!!". O papel dizia que a linha só estará em funcionamento a partir de dia 7 de Julho. Como eu me vou embora dia 5, em vez de apanhar 1 autocarro na Piazza G…

Palio awiiiiiiiiiiiiiii!!!

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Há quem fique o ano todo à espera das férias do Verão, do dia de anos, do Natal ou do dia da árvore. Aqui em Siena, existe um fenómeno designado paliocentrismo e tudo corre para desembocar nesses dois dias de Julho e Agosto: os dias do Palio!!!

O primeiro dia do Palio de 2007, foi ontem, 2 de Julho da parte da tarde. Nós montámos acampamento por volta das 13 horas, junto à fontana. Ao nosso lado estava um senhor que cheirava mal e com o vento a vir de baixo para cima o odor vinha direitnho às nossas inspirações. De modo que eu estava bastante irrequieta e impertinente. Felizmente não fazia sol, se não haveríamos tostado todos que nem franguinho assado!
Enquanto as meninas fingiam que estudavam eu fui dar uma voltinha com o Juanma e fomos ao salão de jogos electrónicos. Fizemos uma partida de ténis virtual, porque só assim é que ele tem hipótese de me ganhar.
De volta à Piazza, cada vez mais gente foi chegando até não haver mais espaço para estarmos sentados. De todas as janelas e varanda…

Chegadas!!

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Reencontros são como balões. E até se esvaziarem é divertido!

Apesar de estarmos na recta final, nem tudo são despedidas...
O Bert, o famoso Mr. Erasmus, voltou para nós para ver o Pálio e o meu Menchi chegou este Sábdo. E de novo o escutei a entrar-me pela porta de casa adentro a dizer "Alêêêê!". A porta já não é a mesma, a casa já não é nossa, mas o espírito é eterno!
Para ser ainda mais emocionante houve mudanças cá em casa: o Mauro voltou para a Arezzo e vieram o Miguelito (o que era de "arriba") e a Sara, de Valencia.
Para dar as boas vindas, eu, que sou a "portu" mais querida, fiz bifinhos de perú com natas para toda a gente!
Agora somos duas meninas e 3 meninos, but "we've got the power!"
As noites na Piazza andam lotadas de gente, o que é bom para evitar quem não se quer ver e mau para conseguir ver alguém!
Hoje é o dia por que eperam todos os sieneses: PALIO!!!
Embora só comece ás 7.30 vamos já para lá para tentar arranjar lugares com algu…

Notte a Firenze

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Itália canta!
Saio de casa e passo por uns espanhóis que não me lembro de alguma vez ter visto mais gordos, mais magros, com mais ou menos cabelo. Eles pelo contrário, já me devem ter visto por aí (mais magra provavelmente), a julagr pelo que começaram a cantar "Passa la portugesaaaa, passa la portuguesaaaa..." Com certeza vai ser o hit do Verão aqui em Siena!
Passamos pelo meio das contradas e a coisa repete-se: começam a bater palmas a assobiar e a cantar!
Oh! E neste preciso momento chegaram os meus amigos dos tambores. Aqueles fofos que todos as tardes vêm tocar para debaixo da minha varanda!

Fartas da musicalidade aqui da zona,há já muito tempo que eu e a Alana queríamos ir a Florença by night. Em teoria já lá fomos 3 vezes: duas noites com os nossos amigos da Mensana e outra com o Tommaso, um amigo italiano a quem a Alana mudou o nome para Jimmy, porque Tommaso lhe faz lembrar "tomátou".
Na prática, devido a tempos e contra-tempos, nunca tinhamos ido. Até esta Q…

Antevisão do Pálio desaconselhada a cardíacos (ou claustrofóbicos)!

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Os portões improvisados começaram a fechar-se lentamente, um de cada vez. A partir do momento em que cerraram o último, lá estávamos nós, encarcerados na Piazza do Campo, no meio de milhares de pessoas, até que acabassem os treinos dos cavalos. Primeiro tinham dito que seria até às 10 da noite. Mas esse limite era somente para o trânsito automóvel. Os peões poderiam mover-se alegremente quando os cavalinhos já tivessem sido todos recolhidos.
Um sentimento claustrofobico invade-nos o pensamento: e se acontece alguma coisa??? Este seria o lugar perfeito para pôr uma bomba, comentámos. E de repente PUM! Escutamos 1 dispáro e saltamos assustadas, mas afinal é parte do processo.
Também foi parte do processo irmo-nos sentar nas bancadas de madeira, todos contentes que tínhamos arranjado tão bons lugares, e depois sermos expulsos por dois homens “abbasttazza” rechonchudos. Aparentemente estávamos sentados em lugares reservados para as pessoas das contradas, daquelas que têm bilhete de sócio o…

E puff!!! Acabou-se CC!!!

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Ainda me lembro do meu primeiro exame. Torre, sala T qualquer número. Cadeiras de plástico daquelas da esplanada. Mesas juntas em 3 fileiras, por onde os apontamentos pululavam tranquilamente de mão em mão.
Uma pergunta para fazer conversões entre o sistema binário e o decimal, outra para explicar como é que o amarelo se faz amarelo, e um problema sobre os decibéis. Ah, pois, pode não parecer, mas eu sou (desde ontem) licenciada em Ciências da Comunicação, e o exame era de Tecnologias da Informação.

Depois de dias de estudo intenso, a ler livros em italiano sobre cinema (essa área de que eu sei tantissimo!) fiz finalmente o exame de Teorie e tecniche del Linguaggio Cinematográfico!
Foram longos 40 minutos a falar em italiano sobre o Kiarostami (não conhecem? É 1 realizador famosééérrimo!) em relação com o Walter Benjamin; sobre o porquê da “parola emanazione” ser a palavra mais cinematográfica, em detrimento da “parola testo” e da “parola teatro”; e sobre o cinema enquanto arte que n…

Aurevoir Louis

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"Saudades, só os portugueses sabem senti-las bem, porque só eles têm uma palavra para dizer que as têm"

Há no entanto uma excepção: chama-se Louis. Não é português, porque é belga, mas fala potuguês, porque viveu no Brasil.
E depois da festa surpresa que lhe fizemos ontem, de certeza que hoje, de regresso a casa, há de saber muito bem o que são saudades (saudades da gente claro está!).
A galera do Brasil organizou-se com o clã Erasmus e enquanto a Vanessa (brasileira, não confundir com a Vanessa portuguesa que parece brasileira)enrolava o Louis, a gente preparava uma festinha na casa do Rafa.
"Surpresaaaaaaaaaaaaaaa!!!" gritámos a plenos pulmões quando o Louis entrou pela porta e ficou a olhar para nós com cara de belga abananado.
Mas era uma cara de belga abananado muito feliz!
Para além da nossa preciosa presença, a Matilde teve a ideia de oferecer uma bandeira da contrada do Louis (contrada do Unicórnio) autografada por todos nós.
E depois foi festaaaaaa! A música er…

Summer Jam

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É oficial. Quanto maior for a expectativa.... maior é a desilusão!!!

Sábado de sol, calor e ressaca. Pensamentos em rotação, angústia impertinente. Será do vinho tinto de ontem, será porque é o meu último fim-de-semana?
Olho para o lado. O caderno fala das funções da montagem e da relação gráfica entra os enquadramentos. Eu gosto muito de cinema. Mas é de vêlo, a comer pipocas e a olhar para os atributos dos actores, e não a ler livros do Chion e do Delleuze (em italiano) e a tentar decifrar os planos e as luzes. O exame sobre a 7ª arte é na Quinta. Papai e mamãe já estão prevenidos para a eventualidade de não correr extremamente bem e de ser necessário prolongar a minha estadia, pelo menos até depois do Pálio! A Alana reza todas as noites para que me corra mal. Mas ela não acredita em Deus.
Correndo bem será o último exame. O último exame de Erasmus, o último exame de CC. Muita nostalgia no ar neste Sábado de Verão...e o Loui (belga que fala brasileiro) vai-se embora amanhã...
Os rapaze…

Festarola chez moi!

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Previsão “metearásmica”: bons tempos até ao fim!

Sentada naquele clima nervoso de pré-exame, relia os meus apontamentos com uma certa calma. Afinal eu era o número 40…
Mas afinal fui das primeiras, e nem tive que responder a nada! Os professores decidiram que quem tinha feito o exame intermédio e o trabalho do Plano de Comunicação podia ficar com a nota média dos 2 e dispensar de fazer exame oral! Sendo que a minha média era 29, o que para mim é o mesmo que 30, já que pelas equivalências da FSCH 29 e 30 equivalem sempre a 17, aceitei a oferta! Ok, se calhar podiam ter avisado uns dias antes e eu escusava de ter estado a estudar compulsivamente numa noite e um dia. E poderia ter ido aos anos do Tom, e poderia ter ido às compras, e poderia ter dormido…
De qualquer modo foi melhor do que o que sucedeu a outros companheiros de Erasmus que ficaram lá das 3 às 6.30, para depois lhes dizerem que tinham de voltar na segunda-feira. (A vida é bela em Itália né?)
Bela de verdade foi a “cena” luso…

Casita nova!

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Hoje não há introdução porque não tenho tempo.

Ora aqui estou em a estudar em Itália com um calor descomunal lá fora. Estes últimos dias têm sido dias de crise. Estou farta da comunicação pública, da comunicação social, da comunicação política, da comunicação interna, da comunicação externa, da comunicação autoprodotta, da comunicação eteroprodotta e da comunicação que tivemos de inventar para a empresa dos transportes públicos.
Aliás, estou tão farta de comunicação que acho que vou mudar para algo radicalmente diferente tipo… engenharia civil! Oh! Até já me estou a imaginar no meio dos homens das obras de capacete, sexy e amarelo, na cabeça!
Bom, este Domingo houve festa na Piazza para festejar a vitoria da Mensana! A equipa de basket de Siena ganhou, pela segunda vez, a séria A (campeonato italaiano). E nós, eu e a Alana, assistimos de pé, ao erguer da taça pelo capitão dos BiancoVerte, também conhecido como o nosso fornecedor de bilhetes grátis. Parecia que iam perder o jogo, já iam…

"Bueno guapa, ha sido un placer vivir contigo"

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Ontem devia ter acordado às 7 da manhã, para lhe dizer adeus. Mas como nem ele próprio se levantou para ir apanhar o avião, achei que não era necessário. (Sim, o Menchaca perdeu o avião para Espanha. Mantem-se a tradição!).

Hoje foi diferente. Esta manhã, por volta das 7, lá estava ele a bater na porta do meu quarto. E eu levantei-me, mais a minha cara de sono e o meu pijama da Kitty, para o ver fechar a porta de casa.
Ele abraçou-me, disse que a cara de sono me ficava bem, disse que nos víamos aqui ou ali, disse que deixava as chaves não sem onde, não me lembro. Mas tenho certeza que disse que foi um prazer viver comigo.
Eu não disse nada. Acenei que sim com a cabeça a tudo o que ele dizia, fiz-lhe adeus com a mão e disse-lhe “vou ter saudades tuas”, com os olhos.

Afinal…
…É bom saber que vão haver mais torneios de poker até às 6 da manhã na minha cozinha;
…É bom saber que não tenho de estar preocupada em comprar sprays aromatizantes e em abrir as janelas para tirar o cheiro a fumo;
…É bom…

Adios Mari, te veo despues...

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Ninguém gosta de despedidas. Porquê?

Começou oficialmente a época do “Ciao”. É uma época de ventos fortes (que nos sopram coisas para os olhos e nos fazem chorar).
A esta hora a Maria já está em Barcelona. Ontem à noite despedi-me dela dizendo que depois nos víamos na Piazza, apesar de saber que nenhuma de nós ia à Piazza. E vai ser assim com todos e com tudo: “até logo”, “até depois” (até sempre).
A Maria esteve connosco apenas 4 meses mas foi o suficientemente para ficarmos amigas e nos rirmos bastante. Desde os estudos minuciosos que fazíamos na Piazza às estratégias de aproximação dos italianos até ao roubo da sua toalha amarela e à célebre frase “Un attimo!Un attimo!” (ver post “Banhos de noite” mais abaixo).
Hoje também se foram embora os 3 amigos do Menchaca de Valência, e na quinta é o próprio Menchaca que vai para Espanha fazer exames e só volta na altura do Palio, quando eu já não estou cá. O que significa que amanhã é o meu último dia com o meu “compagno” preferido… o meu Harr…

Ho già detto "I love this game"?

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9 de Julho de 1986
Hoje estamos a 9 de Junho de 2007. O que significa que falta precisamente 1 mês para eu fazer 21 anos!

Entretanto faltam um mês e 5 dias para a minha viagem para S.Paulo onde permanecerei durante 3 meses a trabalho! Ou melhor a estágio, para acabar o curso. Vou estagiar numa empresa muito bem reputada no Brasil, de Comunicação e Acessoria de Imagem. E sei desde já que neste meu estágio serei assistente da Nova campanha de Promoção de Imagem.
São então 3 rapazes de Valência, amigos do meu compagno que estarão connosco até Terça-feira. Enquanto isso o xô Menchi dorme na outra cama do meu quarto e eu, tento dormir na minha, porém sem grande sucesso, porque ele ressona que nem uma serra eléctrica!
Ontem fui jogar basket, com os mórmones americanos e com uma série de italianos. Hoje tenho grandes dificuldades em fazer seja que movimento for, seja com que parte do corpo for. Se me rio doem-me os abdominais, se me sento dói-me o coxis (achei que podia ir ao ressalto no meio do…

"I love this game!"

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Terça-feira de trovoada e a Alana liga-me: “Do you hear the weather?”
Tradução: “Por favor, diz-me que vamos de táxi para o jogo de basket!”.

Como previsto, o meu contacto no interior da equipa de basket (Shawn, o capitão da Mensana) deixou na bilheteira os 4 tickets que eu havia requisitado. Dois, nos melhores lugares, ao pé do banco, onde fiquei eu e a Alana, e 2 um pouco mais acima, onde ficaram o Matt e a Laura.
No fim da tarde, o tempo estava mais tranquilo e acabou por não se necessário recorrer à sucursal dos Irmãos Metralha em Siena (entenda-se o serviço de táxis) para alcançar o “Palazzo della Mensana”.
Muita excitação no ar, Alana e Laura (mórmon) iam a um jogo de basket pela primeira vez! O Matt é rapaz aficcionado do desporto, e eu, tirando todos os jogos em que tive de comparecer para jogar, não faço ideia de quantos outros foram os que vi. E mesmo assim, quando este jogo terminou, pareceu-me que era a primeira vez que tinha visto um jogo de basquetebol, A SÉRIO!
O pavilhão …

O princípio do fim...

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Contam-se os dias, contam-se as estórias e as fotografias. Mas por muito que se conte, há sempre algo que fica por contar. Porque há coisas, que não se prestam a contagens.

Vivem-se tempos difíceis em terras de Palio.
Com a chuva que anda a cair há já uma semana, os cabelos ficam horríveis, os sapatos ficam molhados e as roupas de Verão não podem sair à rua. (Sem contar que hoje é Domingo e depois de me deitar às 5, acordei ás 9 da manhã com os belos dos tambores).
Para piorar a situação, cada olhar meu tende a perder-se agora em recordações passadas, incorporando os últimos suspiros do sopro final destes dias de Para Sempre. Choro.
Choro porque o conto de fadas está a chegar ao fim. Poucas semanas restam para abandonar o castelo. Mas se choro por isso, então choro porque foram dias felizes. Porque lo passe de puta madre, porque I had the time of my life here, porque ho veramente vissuto la dolce vita!
Cada milésimo de segundo valeu a pena. E pelas minhas contas, se me restam 27 dias, se…