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A mostrar mensagens de 2008

A Menina Insuportável

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Ontem falei do Principezinho. O que, perplexamente, remeteu os meus pensamentos para “A menina insuportável”, da qual vou falar hoje. “A menina insuportável” começou por ser um livro, que alguém ofereceu à minha irmã. Podendo ser interpretado como presumível indirecta, possível subtileza, cabe-me a mim desmistificar a questão: tirando as birras para comer, a fragrância a estrebaria com que impregnava o carro e a casa cada vez que voltava da equitação, o facto de já estar a dizer “foi a mana” quando a minha mãe ainda nem tinha terminado de perguntar “O que é que se passa?” em tom ameaçador, e de ter partido uma boneca de loiça de que eu gostava muito na minha cabeça, a minha irmã era e é, bastante suportável. E qualquer livro, sobretudo naquela idade, correspondia a oferecer um par de luvas a um peixe dos trópicos. Portanto, quem o leu fui eu. E durante uma boa meia dúzia de anos, entre pessoas com quem simpatizei mais, menos ou de todo nada, nunca encontrei nenhuma menina insuportável…

“No creas en los príncipes azules, la mayoría destiñe al segundo lavado”

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A frase é do designer Jordi Labanda. Encontrei-a enquanto fazia pesquisa para o projecto final de mestrado. É uma frase que, em inglês, podia integrar o guião de um qualquer episódio do Sexo e a Cidade. A colecção inteira com a season 1 de oferta mas sem legendas em português foi a MVG (most valious gift) do meu pinheiro artificial de Natal. Pijamas, cuecas, meias, nada disso! Sexo e a Cidade! E um disco rígido exterior… yeyyyy! É para não perderes as tuas coisas da próxima vez que te esqueceres do pc no meio da rua, ou que o roubarem, ou que lhe aconteça alguma coisa genérica desse tipo. Duplo yeyyy!!!

Imbuída do visionamento contínuo da minha MVG (12 episódios em 2 dias), comecei a ler um livro do Mário Zambujal e vou retomar o el Quijote em castelhano quinhentista. Mas além dos remorsos por passar 2h30/dia em frente ao pc, a ver desfiles de roupas e penteados fora de moda (comecei pela season 1 que veio de oferta), fui assolada de inspiração para comentar frases como esta.

Antes de m…

Os "medio-novios"

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Toda a gente teve, tem ou terá, amores impossíveis. A lógica é a mesma das cartas de amor ridículas: impossível, é quem nunca teve um amor impossível. Os amores impossíveis também podem ser amores platónicos, porém, a meu ver, nenhum dos termos é suficientemente preciso ou adequado para nos referir-mos à nossa cara-metade utópica. Por exemplo, dizer “O Brad Pitt é o meu amor impossível” ou “A Angelina Jolie é um do meus amores platónicos” parece demasiado abstracto quando, na verdade, há uma relação bem mais concreta do que o que se possa imaginar!

Felizmente, esta lacuna parece ter já algum preenchimento desde que um grande teórico da escola primária espanhola (menos de 1m50 e idade compreendida entre os 7 e os 10 anos) afirmou publicamente que não tinha nenhuma “novia” mas tinha muitas “medio-novias”. O que é uma “medio-novia”? Citando o mesmo autor “Então, eu quero mas elas não”. Note-se a simplicidade e objectividade da definição, em simultâneo com a grande abrangência de possibili…

A última ceia

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Não houve festa, não houve borrachera e não houve lágrimas porque sabemos que nos vamos sempre vendo. Viver em Barcelona com duas da melhores amigas é melhor que qualquer filme do woody Alen possa fazer pensar (e pensar que afinal não fomos ver o Vicky Cristina Barcelona)! Há sempre coisas que “quedam” por fazer, como a visita interna à Pedreda mas, felizmente, há sempre muito mais coisas que foram feitas! Como as tortilhas (que se insinuam descaradamente para fora da frigideira) ou o brigadeiro (este por sua vez recusava-se sair a panela), os passeios pelo passeig de Gracia, as noites por onde quer que fosse, o museu Dali e as compras de supermercado ao fim-de-semana (recomendamos a todos os produtos Eroski – à excepção do chocolate para o leite que não compensava nem se fosse de graça).



E depois de um anúncio na internet os telefonemas e e-mails desabaram. Eram todos potenciais candidatos para a nova vaga lá em casa. Uns mais que outros, porque entre um argentino-italiano de 57 anos…

"Barça, Barça, Baaaarça"

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O Barcelonismo pedante intensificou-se ainda mais depois da vitória sobre o Real Madrid. Nessa noite, as discotecas, ou pelo menos a discoteca onde eu estava, passou o hino do Barcelona. Nesse momento emotivo, toda a gente se abraçou, ergueu o braço direito e cantou bem alto. Toda a gente menos eu, porque não sei a letra. Não sei nem vou saber, porque está em Catalão. Como o menu do Mc Donalds, que parece que é preciso uma licenciatura para descobrir como é que eles se referem ao double cheese e depois, para conseguir dize-lo. Ou como a conta da água, que só lhe falta também ter os números em Catalãontão. Por conseguinte, uma pessoa vai ao banco e aos correios para pagar a dita a cuja, e continuaria por aí a vaguear, até que alguma entidade oficial tem a compaixão de lhe explicar que aquilo não é uma conta, é uma notificação de uma conta e portanto não se pode pagar…

Mas, voltando à discoteca, o hino do Barça é longo e eu, aborrecida que estava, resolvi demonstrar também o meu patrio…

Contar aos pais - o eterno dilema da filiação

Devia haver um manual de crise com soluções teórico-práticas para contar “as coisas “ aos pais, desbravando sabiamente as questões do como, quando e através de que meio.
Se assim fosse, eu teria tido uma semana muito mas tranquila…

Segunda-feira passada roubaram o meu computador. Isto é, desapareceu, misteriosamente, da sala de aula 2 da Escola de Post Grau. A aula havia acabado, eu desloquei-me aos lavabos e, quando regressei, encontrei-me com porta fechada, luzes apagadas e nenhum cristão, budista ou mórmon pelo corredor. Procurei exasperadamente o “chico de seguridad” que lá teve de me abrir a porta (que chatice estas alunas estrangeiras que se esquecem das coisas na sala). Porta aberta, luzes acesas, imenso vazio. Nem sinal do meu Sony Vaio prenda de anos, “es decir”, novinho em folha (e não, eu, inteligência suprema e licenciada, não tinha back ups. E ainda tinha lá dentro o cd da Deolinda, tal brinde de bolo rei!).

Os mossos d’esquadra dizem que não podem fazer nada, a não ser pr…

A escadinha

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"Claro, porque se a Alexandra ficasse no meio pareciamos um galheteiro!"

Prémios Ondas

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Talvez se possa dizer que é ignorância ou falta de cultura não conhecer os Prémios Ondas, mas a verdade é que, quando o Adri nos falou num convite a mais que lhe deram na rádio, eu imaginei uma festinha familiar. Um barzinho ou uma discoteca pequena quem sabe, uma dezena de pessoas, ou mais de 20 talvez! Toda a gente muito informal, afinal, são jornalistas e do que eu me lembro dos jornalistas eles apareciam nas conferências de imprensa, com o CEO e o Presidente da empresa, de havaianas e jeans rasgados. O tema das conversas seria certamente profissional: a rádio! Bom, eu estudei comunicação e uma vez fiz um trabalho sobre a importância e o uso da rádio pela propaganda política de Hitler.
Afinal, quão deslocada é que eu poderia estar?

Com isto em mente, foi um choque que me avassalou de surpresa, quando o telejornal passou uma peça sobre a gala dos Prémios Ondas. “Olha Alexandra, esta é a festa a que tu vais com o Adri!” – disse a Neuza, entusiasmada. Já a Alexandra, deixou-se cair len…

Los pasteles de la risa

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Experimentar coisas novas é um must para qualquer forasteiro em território internacional. Por isso, abraçámos com grande entusiasmo o conceito de “festa internacional” que a turma da Neuza estava a desenvolver. Fomos propositadamente à Casa Portuguesa comprar pastéis de Belém e vinho alentejano. Do supermercado, trouxemos chouriço e pão. E assim partimos, prontas para representar a nação e fazer de exímias juradas sobre a culinária alheia.

Claro que não sabíamos que a casa anfitriã, além de ser em Cerdanyola (muitos km de Barcelona) era em Cerdanyola profunda (longos minutos de caminhada a pé desde a estação, rompendo a ar gélido das temperaturas a menos de 10 graus). E eu senti-me como aquele jovem suicida do “Into the Wild” que parte para o Alaska de mochila às costas. Vá lá que nós somos mais precavidas e levávamos pastéis de Belém! Proactividade é, aliás, algo que não falta cá em casa, ainda no outro dia a Rita estava a responder a um interessantíssimo quizz intitulado “Eras capa…

"Hello stranger"

Raras vezes, além das notícias, da previsão meteorológica e dos desenhos animados da Rita, passa algo que gostamos de ver na televisão espanhola. Mas esta noite foi diferente, passaram o "Closer", o drama romântico de Jude Law, Julia Roberts, Natalie Portman e Clive Owen.

A cena de abertura é, indubitavelmente, a mais marcante. Uma espécie de Leonor vai formosa e não segura, com a Natalie Portmana de cabelo vermelho caminhando pela estrada, quando os seus olhos se encontram com os do Jude Law no meio da multidão, ao som de The Blowers Daughter..
Parámos tudo o que estávamos a fazer, que não era grande coisa diga-se de passagem, e ficámos coladas à televisão sem comando, a deliciar-nos com os planos e contra planos, o som, as luzes e o Jude.

Imbuídas pela magia do amor à primeira vista, e algo ofuscadas pelo cabelo vermelho da Natália, esquecemo-nos por completo de um pequenino detalhe... ela é atropelada, ele corre para ampará-la, ela está caída no chão, ele toca-lhe no ombr…

Shopping em Barcelona!

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Uma casa portuguesa com certeza!

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Em plena Gracia, entre uma manifestação de punks e uma loja de roupa em que cada saia custa69€, há azulejos no chão e Celerac nas prateleiras (e Nestum também!).
Chama-se "A Casa Portuguesa" e por muito bem que recorde como achei ridículo quando uma amiga descreveu turistas "tugas" a comprar nossas senhoras de Fátima como recuerdo de Barcelona, a verdade é que fiquei extremamente feliz com o meu pastel de nata!

A nossa ida à Casa Portuguesa foi premeditada: para essa noite estava marcado um jantar multicultural e queríamos levar doces de Portugal. Depois de diversas pesquisas na internet pela gastronomia portuguesa chegámos à conclusão que não tínhamos panela de pressão para o caldo verde, que não sabíamos fazer bacalhau, que também não temos batedeira para fazer bolos, que arroz à valenciana é um prato típico português e que seria estranho levar alguma coisa que nunca tivéssemos provado, por muito simples que fosse a receita: "Sim, sim, isto é típico de Portuga…

O que faz uma algarvia em Barcelona:

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(Inspirado em 2 casos reais - que sucede, por casualidade, viverem comigo)

- Bate com a cabeça no armário da cozinha (dói);

- Acaba de romper a sola das botas, anda o dia todo com uma bota descolada da sola e levanta 40€ para pagar o arranjo da bota que afinal só custa 3€;
Aprende árabe (porque, evidentemente, é muito mais útil que catalão);

- Queima tortilhas (mas pelo menos manifesta desejo de integração);

- Compra lulas a pensar que são douradinhos (aqui já manifesta outra coisa..);

- Compra iogurtes naturais convencida de que são açucarados;

- Compra chocolate em pó por 99 cêntimos crente de que fez o negócio da sua vida (depois descobre que o chocolate é insolúvel e sabe mal);

- Traz o cabo do ipod do amigo por engano, envia-o pelo correio sem qualquer recibo/comprovativo e depois surpreende-se quando o amigo diz “obrigado pela cartita mas o cabo não estava lá dentro”;

- É atingida, depois de se aprumar devidamente para sair à noite, por substâncias líquidas despejadas de uma qualquer j…

Como é que te chamas?

O nome. Esse substantivo próprio que nos marca toda a vida, que nos indica, nos inclui, mas que, na verdade, é completamente aleatório à nossa pessoa. Se por um lado somos o nosso nome, por outro, não me venham dizer que alguém quer ser Umbelina, Quitéria, Ernani ou Inocêncio por livre e espontânea vontade!

O nome é, pois, uma coisa paradoxal. Já o meu nome, especificamente, é algo que transcende o paradoxal e tende a não ser aceite pelos circuitos informáticos administrativos da Catalunha. Sem falar na infinitude de vezes que o meu sobrenome vem mal escrito, mas isso já é tão natural como nenhum estrangeiro conseguir dizer Neuza. Se fosse Niuza, ou Mouza, eles conseguiam, mas como não é, ela agora decidiu que se chama Laura. Ah! E quando o senhor dos correios não parava de me dizer “Menzarril Menzarril” e afinal queria era deixar uma encomenda para a Neuza Gil? Sendo que Gil não é o sobrenome da “Menza”, é o segundo, como Ana Rita. Falando nela, foi de todas, a que teve de tomar a de…

American Dream

O sonho mais famoso do mundo ganhou forma.

A Casa Branca ganhou cor.

Agora é o mundo inteiro que sonha.

Eu arrepio-me… afinal é possível poesia depois de Ashwitz, e depois do apartheid e depois da bomba atómica.

A segregação não deixou de existir, mas o sonho confirmou-se como uma realidade possível. Com o bónus de prometer uma viragem na administração Bush e de evitar que uma sub-urbana do Alaska que mata animais nos tempos livres e tem um histórico com mais corrupções que a Barca do Inferno toda junta, tivesse alguma influência nas decisões que afectam o mundo inteiro.

É claro que o Obama não vai acabar com a guerra no mundo, porque muito mais depressa acaba a guerra com o mundo. E é claro que é surrealista idealizá-lo como um D.Sebastião das Américas que sai das brumas da crise para reerguer a economia americana e, consequentemente, a economia mundial.

Relembre-se que o próprio Adam Smith, inventor de toda essa ciência, nunca ganhou nada na bolsa.

E relembre-se que o Obama é preto, …

Na Polícia

Em Portugal, a vez em que eu estive mais próxima de entrar numa esquadra de polícia foi quando a Rita se esqueceu das chaves do carro na porta. Porque quando a Rita se lembrou que se tinha esquecido das chaves do carro na porta, elas já não estavam lá. Então fomos à polícia participar a situação e pedir para bloquearem o carro. Mas eu fazia parte da equipa que ficava à espera da outra equipa à porta da polícia e portanto não cheguei mesmo a entrar no dito cujo estabelecimento policial.

Por outro lado, gostava de ser como a minha amiga Margarida que foi à esquadra de São João do Estoril de pijama, na tentativa de revogar uma multa. Mas como não sou, não tenho nenhum termo de comparação para a primeira experiência nesta área, que decorreu aqui mesmo, na cidade onde Gaudí morreu atropelado por 1 eléctrico.

Foi esta semana: eu e a Neuza deslocámo-nos até à Polícia de Barceloneta para tirar o nosso NIE (Número de Identificação de Estrangeiro) porqueaté é giro ser imigrante ilegal por algu…

Dinero Magnético

O meu pai sempre me disse que devia andar com dinheiro na carteira. Por isso, eu ando sempre com dinheiro na carteira. Tal como o meu amigo italiano, que também anda sempre com dinheiro na carteira.

Ora dá para acreditar que, depois 8 horas de viagem, ao chegar a Barcelona de carro a meio de uma madrugada de temporal, ficámos presos na portagem porque nenhum dos 3 cartões de crédito eram aceites pelo “circuito” e nenhum dos 2 jovens viajados, cultos e inteligentes, tinha dinheiro na carteira?

A senhora da primeira portagem (sim, houve mais do que uma) preferiu ficar meia hora a dar-nos um imenso sermão por não termos dinheiro connosco, do que dizer que podia emitir uma factura de dívida, possível de pagar pelo correio.

Na segunda portagem, já nem tentámos o cartão de crédito visa italiano, nem o visa português, nem o Bancomat italiano. Mostrámos logo o papel cor de rosa da factura de dívida e pedimos um igual. Mas como Espanha é um país muito mais avançado do que Portugal, é claro que …

Capuchinho Vermelho e Lobo Mau

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Esta á uma estória diferente da versão tradicional. Uma estória que envolve 1 vestido de diaba sexy, amigos gay, compras nos chineses e neve.

A Capuchinho vermelho e o lobo mau encontraram-se no aeroporto de Granada. Ela vinha de Barcelona e ele fazia anos. O lobo é descendente das florestas de Nápoles e está a fazer Erasmus na antiga capital árabe da Península Ibérica. Tem uma mente aberta e por isso não se importa de viver com dois espanhóis gays. Bom, na verdade, quando chegámos a casa e estava a decorrer um “botellon” gay na sala, ele sentiu-se algo desconfortável. Por outro lado, a capuchinho vermelho, pela primeira vez na sua vida, foi bem recebida pela comunidade gay e conversou animadamente com o fantasma da ópera e os dois rapazes colegiais.

Mas o capuchinho vermelho e o lobo mau eram absolutamente os mais originais da festa Erasmus de Halloween da discoteca, igualmente gay. Ela com o seu vestido de “diaba sexy” e o cestinho do pão comprado nos chineses, ele, com a cauda d…

"És a raiiinha da noite..."

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A Neuza foi passar o fim-de-semana a San Sebastián e eu e a Rita ficámos sozinhas em casa. Sozinhas salvo seja, o Poltas (o nosso poltergeist de estimação para quem não sabe) esteve sempre connosco!

Sexta à noite decidimos fazer uma exploração pelo nosso bloco, porque no Google Earth pululam copinhos de coktail no nosso bairro. O que os copinhos de coktail não dizem é que são bares que já estão fechados, que nem sequer são bares, que as pessoas à porta são duvidosas e que o bar da esquina é de salsa e imigrantes clandestinos quarentões da América do Sul.

Nós fomos mais além dos copinhos de cocktail e descobrimos a paragem do nit bus, o restaurante take away e o restaurante de tapas, o bar das bebidas 2 por 1 all night long, o bar das cervejas a 1€ e dos chupitos a 2€ e a discoteca Mary’s Place, indicada pelos locais. Lançámos o charminho das expatriadas ao segurança e entrámos de graça, furando a fila. E em pouco tempo já estávamos na zona vip, com um carimbo preto numa mão e uma bebid…

O mistério desvendado

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Há fenómenos estranhos a sucederem no 1ª 3 do Nº 84 da Calle de Mallorca: objectos que desaparecem e reaparecem arrumados, raios de luzes que passam pelo corredor e a Neuza que no outro dia fez o almoço e estava mesmo mesmo mesmo bom.
Mas pensamos já ter descoberto uma explicação lógica e racional – temos um poltergeist de estimação cá em casa.
Óptimo! Quem sabe assim a Rita desiste da ideia da tartaruga de terra na marquise….

Esta semana fomos comer tapas. Bem, na verdade, pensávamos que íamos comer tapas mas, em vez disso, entrámos num corredor de papos secos produzidos em cadeia a preço económico e comidos em pé com os guardanapos deitados para o chão ( hábito que irrita profundamente a Neuza). Acabámos por encontrar um restaurante de tapas não concebido para turistas, porque nós não somos turistas, com um balcão gigante cheio de tapas, até havi pasteis de bacalhau! As patatas bravas pareciam malaguetas e o camarero, “por casualidad” como enfatizou a Neuza, fazia anos e decidiu o…

La Casa

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Se me pedissem para desenhar a minha nova casa eu não saberia, primeiro, porque ainda não tive tempo de a observar desde o outro lado da rua, é que à porta a elevada inclinação vertical não permite grandes visualizações, e depois, porque eu também não conseguia desenhar uma árvore, mesmo se quisesse muito.

Vou tentar então uma descrição literária:

Tudo começa no Nº84 da Calle de Mallorca, mas sim, estamos em Barcelona, perto do centro e em frente à Clínica da Corporación Dermostética. A Sagrada Família também fica na nossa rua mas deve ser pelo Nº500 o que significa uma caminhada de pelo menos 45 minutos. Felizmente em Barcelona há sempre um metro onde é preciso. Além do metro, encontram-se nas nossas ruas paralelas variados restaurantes italianos, cafés, “hornos” (padaria em tuga) e até um restaurante japonês.

Ao lado do número 84 estão os senhores marroquinos, que são os chineses cá da zona, e do outro lado há também um supermercado e uma loja de roupa e acessórios para bebé. Assim,…

Crema a Catalana

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Assim se chamaria o meu novo blog, onde, de regresso à vida de estudante e à vida fora das fronteiras lusas, contaria o novo dia-dia na cidade menos espanhola de toda a Espanha.

Mas entretanto perguntaram-me "Mudar de blog porquê? Acabou-se a Dolce Vita?"

Não respondi... Alterei algumas definições, pus novas imagens, substituí o italiano pelo catalão.

Então assim já posso responder:

Não, não acabou, ainda agora começou!

BIENVENIDOS TODOS!!!

Ia dormir, mas não me contive

Como acontece frequentemente, antes de me recolher ao meu leito - estilo japonês - faço uma incursão pelo site do IM (instituto de meteorologia) com o intuito de prever a roupa que vou usar no dia seguinte, de forma a evitar atrasos por tempo excessivo passado diante do armário - estilo comprido, de madeira.

Qual não é a minha surpresa quando me salta uma figura falante! Mas até aqui tudo bem, acho óptimo esta criação de proximidade com o interlocutor do outro lado do interface. O problema é que a figura falante se apresenta como “Porfessor Salpico” o que já de si me faz lembrar salpicão e portanto me parece mais adequado a uma banca de enchidos do que ao site da meteorologia. Mas isso sou eu, que tenho o centro de gravidade no estômago. Consideremos que salpico é em homenagem ao fenómeno da precipitação e foi escolhido em detrimento de "Professor Gota", porque "Gota" dava um ar muito “metro” e toda a gente sabe que o tempo é uma coisa à moda antiga.

Passemos então a…

Gostos não se discutem

Gosto dos italianos, porque falam com as mãos
Sabem que as palavras não cabem em si.
E gosto das bailarinas, porque riem com as pontas dos pés
Num grand-plié ou num demi.

Gosto dos olhos que sabem cantar,
Ficam sempre bem com os lábios que sabem ouvir.
Gosto dos quadros que nos vêm beijar,
Dos palcos que nos obrigam a subir,
Do silêncio que nos faz sonhar,
E das fotografias que não nos deixam partir.

Mas o que eu gosto mais é de escrever poemas,
Assim:
Sem linhas nem margens.

Porque em mim,
Dá a poesia corda
A todas as outras linguagens.

A última sexta-feira

Durante a próxima semana espero que ninguém me pergunte o que faço da vida. Porque não faço nada. Ainda não voltei a ser estudante mas também já não posso dizer, de boca cheia, trabalho no departamento de Comunicação daquele Grupo. Agora, na verdade, estou desempregada…

Segunda-feira a semana está sempre longe de acabar. Mas depois passa rápido. Esta Sexta não chegou mais depressa nem mais devagar do que as outras. Mas eu não a queria tanto como às outras. Porque esta era a última. E eu sabia que ia chorar.

Levei um bolo de brigadeiro para tentar amenizar a despedida. Afinal, não foi propriamente uma vida de trabalho... Foi quase um ano e não foi mais porque eu não quis. Convidaram, insistiram, mas eu queria outra coisa. O Senhor Santos disse que eu era muito corajosa de ir embora assim, não obstante ser uma pena. Disseram que iam ter saudades, que me desejavam toda a felicidade, que tinham adorado trabalhar comigo, que ia deixar corações aprtidos e que o bolo era muito bom, muito bom …

Napoli a Lisbona

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Nápoles veio a Lisboa. Foi visível para qualquer pessoa que tenha saído à rua na passada quinta-feira. Cachecóis azul bebé, rostos de feições robustas, pele morena, tatuagens nos braços, roupa à “la italiana”. Nem precisavam abrir a boca e as pessoas já os olhavam com um misto de curiosidade e receio. Serão todos mafiosos? Se o Benfica ganhar vão agredir-nos e partir-nos o estádio todo?
Eu tive a oportunidade exclusiva de observar a espécie mais de perto. “Tu tem cuidado que os napolitanos são perigosos” “Não, não, o meu amigo não é desses, ele é civilizado”. Pensando agora nestas palavras só me posso rir. Não é que o meu amigo não seja civilizado (ele até fez o esforço de comer a pizza com talheres no restaurante, embora sob algumas reclamações em prol da identidade cultural de comer pizza à mão), os outros napolitanos é que não são nenhum gang de vândalos separatista, não obstante toda a problemática do crime organizado e as inerentes particularidades da 2ª cidade de Maradona.



Mas est…

A magia do cinema europeu

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Na Segunda à noite dirigi-me aos cinemas do Alvaláxia para a sessão das 21 (e 25). Deixei a minha residência por volta das 20.50. Se na apoteose da hora de ponta matinal 30/45min chegam para alcançar o meu local de trabalho (com vista para o estádio de Alvalade) achei que ia com tempo de sobra. E ia, mas não que chegasse para a fila à entrada do Campo Grande. Estava muito pior do que na tal apoteose da hora de ponta matinal. Mas que raio... Será que justamente hoje toda a gente decidiu ir á sessão das 9 do Alvaláxia? De certeza que foi um acidente... (oh! Mas a certeza é uma coisa tão dúbia)!

O que quer que fosse estava a paralisar o meu veículo no mesmo “spot” (os estrangeirismos dão pinta) há já 10 minutos. Entretanto, pessoa acompanhante à porta do cinema, com os bilhetes comprados e, para seu grande desagarado, kizomba a passar no som ambiente.

Para incutir mais realismo, imaginem que eu estava tão parada que até conseguia fazer telefonemas e enviar mensagens de telemóvel, tarefas…

Querida Margarida,

Na semana passada pensei mandar-te uma mensagem, mas em vez disso escrevo-te este post, que assim os caracteres são ilimitados e gratuitos.

Lembraste daquela parte do espectáculo de dança chamada “Os Giros”, em que as bailarinas ficavam 10 minutos a andara à volta de si mesmas? Claro que te lembras, qualquer pessoa que tenha estado presente recorda esses dez minutos de náusea que pareceram meia hora de enjoo.

Pois cara amiga, tenho-te a comunicar que iniciei o aprendizado da técnica dos giros! Sim, porque eu agora já estou no nível intermédio. Descobri na primeira aula, quando estranhei todas as minhas colegas terem desisitido e eu não conhecer ninguém. Era mesmo estranho. Até que a professora se virou para trás e me disse “Oh Alexandra mas tu não és desta aula, esta é para as iniciadas”- ok, isso explicou porque é que eu era a única que sabia fazer 1 shimi e porque é que estávamos há 10 minutos a fazer o mesmo movimento básio de rodagem da anca.

Mas então, passei a frequentar o horár…

Vai um copo?

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"...Haz de tu puño algo cariñoso
Y haz de tu adios un Hay mi amor!
Y de tu ceño una sonrisita
Y de tu fuga un Ya voy! Ya voy llegando!

(...)

Y es el hombre, al fin, como sangria
que a veces da salud y a veces mata..."

"La Celestina" by Lhasa

Pessoas precisam-se

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Uma vez, a minha professora louca de filosofia (conhecida como “a louca”), disse que até para se sentir sozinho o ser humano precisava de companhia. Sim, porque se não souber o que é estar com alguém, como se pode sentir sozinho?
6 anos passados sobre esta aula e eu continuo a achar que é uma pequena pólvora do saber.

Este Sábado à noite lembrei-me da “louca”. Porque eu tenho um amigo que é baterista numa banda de heavy metal, embora ele esteja convencido que toca “rock progressivo”. Não, o meu amigo não é louco, é músico (e trabalha numa Junta de Freguesia).
O meu amigo deu um concerto este Sábado à noite, num bar perdido no mais profundo Cascais, onde não há asfalto pelos caminhos nem pessoas pelas ruas. “Isto parece aquele filme do Tarantino em que eles vão a uma festa numa discoteca no meio do nada e depois da meia-noite as pessoas são todas zombies” – pertinente intervenção da nossa amiga Fátima.

Eu já tinha dito à Inês – amiga minha e namorada do meu amigo – que íamos ser as prim…

Quando for grande, quero ser bailarina

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“Procurando bem
Todo mundo tem pereba
Marca de bexiga ou vacina
E tem piriri, tem lombriga,
tem ameba
Só a bailarina que não tem
E não tem coceira
Berruga nem frieira
Nem falta de maneira ela não tem
Futucando bem
Todo mundo tem piolho
Ou tem cheiro de creolina
Todo mundo tem
um irmão meio zarolho
Só a bailarina que não tem
Nem unha encardida
Nem dente com comida
Nem casca de ferida ela não tem
Não livra ninguém
Todo mundo tem remela
Quando acorda às seis da matina
Teve escarlatina
ou tem febre amarela
Só a bailarina que não tem
Medo de subir, gente
Medo de cair, gente
Medo de vertigem
Quem não tem…”

Para mais informações: http://complie.blogspot.com/

Mourinho ameaçado pela máfia

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Já lá vão os tempos em que a nação era conhecida pelos seus bravos navegadores e regentes sumptuosos. Os nomes Saramago, Siza Vieira, Nelson Évora ou Mariza são familiares apenas a uma pequena minoria e até o Figo já está a cair em desuso.
Hoje em dia Portugal é conhecido pelas licitações a Cristiano Ronaldo e pela sua infindável lista de namoradas, e, sobretudo, por José Mourinho, “The Special one” como o próprio se autodenominou, humildemente.

Depois das experiências positivas com 2 mafiosos de renome (um português e um russo) José Mourinho foi para o país de maior tradição nesta área e não perdeu tempo em fazer os seus contactos.
Mas desta vez, o seu charme inconfundível não funcionou. Porque o senhor Mónaco, Director do Catânia, clube da Sicília visado nas alegações jocosas de Mourinho, é ainda menos diplomático que o nosso Mister.
Aliás, não sei bem se poderemos enquadrar afirmações do tipo “Ele só vai aprender quando levar umas bastonadas nos dentes” em algum género de diplomac…

How do you want this post to end? Você decide!

Eu tinha certeza de que ia ganhar, mesmo sabendo que isso não aconteceria.

Ontem anunciaram o vencedor do “MTV untold stories”, um concurso que consistia em escrever o final de uma história para ser adaptada a um pequeno filme de prevenção contra a SIDA. O prémio era uma viagem à India para participar num congresso sobre a SIDA, uma câmara de filmar e o nosso final adaptado ao filme que passará na televisão, no âmbito desta campanha. Este último foi o que mais me aliciou. Que recém licenciado em publicidade e marketing, com um gosto pela escrita como se fosse bolo de chocolate (com recheio de chocolate), não gostaria de ver uma criação sua numa campanha assim, ainda por cima difundida world wide?
A concorrência não era forte, devo dizer, o que acalentou as minhas esperanças. Mas havia pelo menos um texto que estava melhor do que o meu. Então, fiz outros 2 ainda melhores. Foi aí que comecei a imaginar que roupa levaria para a Índia.
Ora qual não foi o meu espanto quando me deparei com …

lá lá lá

"...Bajo la penumbra de un farol
se dormiran
todas las cosas que quedaron por decir
se dormiran.
Junto a las manillas de un reloj
esperaran
todas las horas que quedaron por vivir
esperaran..."

50...

Os transportes públicos são uma Utopia. Como andar na calçada de saltos altos. É por essas e por outras que quem tem alma de Carrie Bradshaw rapidamente se converte numa adaptação de 4x4 todo o terreno, com acessórios.

A imagem da paisagem a passar pela janela e os olhos a passarem pela paisagem, alimentando com ela os sonhos tímidos, que têm vergonha de sair de debaixo da almofada, não é mais que que uma miragem. Uma miragem entrecruzada com a música que, se não fossem os ruídos entrópicos (que é como quem diz travagens, buzinas, motores, telemóveis e outros que tal), levaria o pensamento às piruetas em pontas; a música dos fones, capaz de fazer esboçar sorrisos em “grand plié”. Mas os carros parados na segunda circular também não fazem rir.

Os buracos do caminho perpetuam o não cessar dos solavancos, dos tropeções, dos encontros bruscos com os vidros e com os sapatos alheios. As letras do livro fogem. Levam consigo todo o lirismo que eu imaginei para esta viagem. O próprio Kandin…