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A mostrar mensagens de Fevereiro, 2008

Conversas de casa de banho

É famosa a poesia de casa de banho, cujas obras, inscritas a tinta ou a corretor nas paredes ou portas dos lavabos, englobam o romântico o apaixonado e o profundo, o futebol e o ordinário, o profano e o extremamente ordinário, numa particularidade eclética sem parâmetros.
Mas na panóplia das conversas, os highlights vão todos para as conversas de elevador. As constrangedoras, as embaraçosas, conversas de elevador.
Existe porém, 1 estilo que emerge, sobretudo no ambiente empresarial, e que no entanto pouco ou nada tem sido referenciado.
Trata-se de uma corrente que conjuga os espaços da popular poesia de casa de banho com o embaraço das conversas do elevador.
Difere da primeira porque não é poema é conversa, ou silêncio às vezes, o que não deixa de ser comunicação. Com a segunda comunga geralmente a presença de um espelho mas diverge na impossibilidade de ficar parado a olhar para o tecto, ou para o chão, ou para a porta... Porque a casa de banho é 1 momento de acção! liberta-se o organi…

A Catedral

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Não é o Duomo de Milão, nem o de Florença, nem sequer o de Siena. Também não é a Sagrada Família mas dizem que é a maior do mundo...
Não tem o Quasimodo para tocar os sinos como na Notre Dame, nem tem duas religiões como a Mesquita de Cordoba. Aqui, a fé é só uma e quem comanda o carrilhão é o "Maestro#10".

Não parece uma caixa de bombons, parece um disco voador aerodinâmico e descapotável de luxo! Mas a pressão sente-se na mesma...
A bancada Sagres pode não ser lendária como as Curvas A e B do San Paolo di Napoli, mas a polícia também lá vai com frequência...

Ontem à noite os cânticos não foram teatrais, ao estilo de Old Trafford, porque também não se tratava de uma meia final da Liga dos Campeões, daquelas que San Siro recebe, nem de um derby Barcelona-Real Madrid, daqueles que abalrroam o Camp Nou.
Era um Benfica-Braga, tão simples quanto isso, em que a equipa da casa lutava pela liderança do 2º lugar. Propósito que fez com que fosse maior o entusiasmo pela derrota no outro la…

Se isto não é a coisa mais linda...

...Então não sei o que será..

"Oh professoraaaa!!!"

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Já há muito tempo que eu não ouvia a campainha tocar.
Numa certa altura acabaram com as campainhas. Parece que elas nos tiravam responsabilidade e deixavam-nos ser crianças mais tempo.
Mas já há muito tempo que eu não ficava nervosa quando ouvia a campainha tocar…



No primeiro dia de aulas o meu pai levou-me à escola. Eu, sentada no banco de trás, cuspia perguntas de ansiedade. Ainda bem que não sabia as respostas.
Balançava os meus receios entre a janela e o meu pai, e cuspia mais uma pergunta ou outra. Não queria saber das respostas, porque também não queria fazer perguntas, porque na verdade não sabia se queria ir.
O vestido branco sentou-se no chão, mas tirando isso correu tudo bem.

Hoje foi diferente. Ia sentada no banco da frente e tive que fazer perguntas para descobrir caminhos alternativos, pois aquele que eu havia desbravado ainda estava cortado devido às inundações de Domingo à noite.
Ouvi as respostas com atenção, mas estavam invarialmente erradas. Da janela do carro só se via …

A minha Marina-metade

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Ela chama-se Marina, eu também.
Eu fiz Erasmus em Itália, ela também.
Ela é brasileira, eu também.
Eu tenho um nome estrangeiro que ninguém sabe escrever, ela também.
Ela gosta do dia criança, eu também.
Eu sou da “class” de 2007 de CC da Nova, ela também.
Ela é alta, eu também.
Eu tenho uma carteira preta às bolinhas da Parfois, ela também.
Ela foi viver para São Paulo, eu também.
Eu voltei, e agora ela voltou também!



A última vez que estivemos as 4 juntas foi no Verão, antes de eu ir estagiar para o Brasil. Depois a Marina foi também, a Margarida optou por França e a Inês trocou a praia e as noites de sono pelos turnos das 6 da manhã da Rádio Renascença.
Eu fui a primeira a ir e a primeira regressar, meses depois veio a mademoiselle Margarida (que em francês aparentemente é nome de vaca e toda a gente gozava com ela por causa disso), e a semana passada voltou a garota de Ipanema, que na verdade morava na Mocca, e que foi para o Carnaval de Forianópolis achando que estava um arraso com a …

Um raio de sol...

"Que língua é que tu falas?
Se digo vida diz-me o que é que percebes?
E como é que tu vives?
Se digo força atacas ou defendes-te?
Disse-te amor e meteste-me numa gaiola
Escreveste-me sempre mas era escrito na areia
Disse-te “olha eu aqui” e querias trocar-me
Disse-te "basta" e disseste-me “não me deixes”
Fizemos amor e disseste-me “ah não gosto, lamento”
Atiraste-me com um sapato de salto e depois fizemos as pazes
Fizemos amor outra vez e adoraste
E passado um bocado atiraste-me o mesmo sapato de salto.
Virei-me para ir embora e não voltar mais
Fingi que saía e tu acendeste a tv
E enquanto um cómico fazia rir eu ouvi-te chorar
Então voltei mas tu também já sabias
Que voltava para ti sem nada para dizer, sem tantas palavras
Mas com um raio de sol na mão
Para ti que és lunática
Nada de teorias contigo só prática
Praticamente amor…

...Um raio de sol para ti..."

Sugestões para o Dia dos Namorados...

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O dia dos namorados é o dia menos original do ano, a seguir ao Natal.
De repente, não mais que de repente, parece que todas as lojas passaram a vender o mesmo: corações!
Mas não tem que ser a banalidade do cliché a alastrar o amo que arde sem se ver!
E não, não venho agora com aquela originalidade que não é nem infinita, nem eterna enquanto dura, porque não dura, tipo noites em hotéis de luxo ou vibradores que se ligam ao ipod.

O de seguida apresento, é uma colectânea inédita e sem interesses capitalistas, de ideias dicas e sugestões para o dia dos namorados:

- Passeio herói(na) por um dia
É um romântico(a) incorrigível e anseia reanimar o espírito principesco de um qualquer conto de fadas da Disney (menos o Bambi que é filme de terror para menores de 10)? Já se imaginou a salvar a sua cara metade a trote num esbelto cavalo branco?
O que a Cova da Moura tem para oferecer é mais ou menos isso. Consta que agora se organizam excursões ao local e que por uma modesta quantia combinada com alg…

He is an english man in Lisbon

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Este post é para todos aqueles que não conhecem Portugal, que nunca ouviram falar e que pensam que a língua oficil do país é inglês;
Para todos aqueles que conhecem Portugal porque é uma província de Espanha, ou porque o Figo, o Mourinho e o Cristiano Ronaldo são portugueses;
E ainda, para todos aqueles que acham que Portugal é onde frequentemente crianças loiras de olhos azuis são raptadas.



"Mr. Baunilha from London". Dizia assim a placa que eu empunhava nas arrivals do aeroporto de Lisboa (que por enquanto ainda é na Portela). Havia um grupo de franceses que resolveu abancar de malas e bagagens no corredor de passagem dos “arrivantes” e que sem se aperceber quase foi corrido à batatada pelo grupo de portugueses, muito superior em número, que esperava os “arrivantes”.
Assim se passou o tempo até o meu amigo conseguir reunir toda a sua bagagem e sair porta fora! O meu amigo canta no duche (e no hall,e no carro, e na rua, qual rouxinol com laringite!) e tem um nome que rima, Pat…

Estórias de Carnaval

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“Je suis la rose coquelicot du Moulin Rouge...et ce soir, si vou puvez paier, je peut danser...“

Já andei pela rua feita saloia, e, muito a contra gosto, desfilei como mulher das cavernas, com uma peruca toda esgadanhada e umas imitações de peles. Depois ou antes, aliás, foi mesmo no meio, fui baiana quase mulata no trio eléctrico da Bahia.

Também já fui formiguinha, boneca de trapos, estrela do mar com uma peruca de palhaço, rainha e algarvia de traje completo com os colotes e tudo (não tenho certeza se é assim que se escreve mas eram uma espécie de calções brancos que se vestem por debaixo da saia com barras de 3 cores do traje típico do Algarve)!

Se já experimentei ser banana? No sentido frutícola da coisa? Oh yeah baby! Been there, done that! E sempre com a colaboração da sócia materna do “projecto Ale”, responsável total pelo design e confecção de fantasias…



Igualmente me fiz passar por Super-Mulher, musa grega como aquelas “gandas malucas” que cantam no início do Hércules (versão d…

A primeira impressão

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Fez ontem um ano que pisei a Terra do Nunca pela primeira vez. Foi a 4 de Fevereiro de 2007 que cheguei a Siena, de malas e bagagens com excesso de peso em sonhos e expectativas. Usei-os todos!

Não foi um aniversário celebrado, mencionei apenas a alguns amigos íntimos e pensei. Pensei que foi há um ano mas que podia ter sido a meia hora atrás, porque eu lembro-me de cada segundo.
Lembro-me geometricamente de todas as arestas, ângulos e vértices das minhas primeiras impressões: de achar que ia viver num castelo, cujas ruas eram pouco dadas à arte da condução automóvel; de pensar que jamais iria aprender os caminhos, projecção que não falhou completamente posto que, 5 meses volvidos, havia ainda vezes em que não conseguia abrir a porta de casa, porque estava a tentar abrir a porta errada!
Lembro-me de pensar que o super-mercado era demasiado longe, e de depois passar a ir lá como quem vai à casa de banho…
Lembro-me de quase ser atropelada enquanto tentava fotografar a porta de casa para fa…