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A mostrar mensagens de Março, 2008

San Pietro Nº 18 - 53100 Siena - Italia

Hoje falei com 2 dos meus "compañeros de piso" ou então, com dois dos meus "conquilini", que é como quem diz, com 2 dos meus grandes amigos espanhóis de erasmus, que conhecem a "organização enigmática" do meu quarto, e que tantas vezes me viram despenteada e sem maquilhagem, de pijama a acabar de acordar,toda desmazelada a arrumar a casa, igualmente desmazelada a tentar cozinhar, a ocupar a casa de banho por tempo de mais, a dormir pofundamente, a escolher o que vestir, a discutir à varanda, ou simplesmente a reclamar porque a janela não estava aberta, ou porque a janela estava fechada...

Imbuída neste espírito revivalista, decidi partilhar um vídeo de uma realizadora espanhola que conheci apenas de vista, mas que foi filmado na minha segunda casa italiana e retrata bem o quão difícil era a vida no nosso prédio... (para o senhorio que lá morava)!


Pijama Party

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A minha irmã fugiu de casa. Informei-a da festa e depois... nunca mais a vi até Domingo!



Foi uma lavagem ao cérebro sobre ao Pingo Doce, para no fim descobrir, com grande desilusão, que a 7 e picos não é marca própria! Mas as uvas sem grainha, as bolachas de canela e o bol de maçã, fizeram 1 tremendo sucesso! As pizzas também estavam boas, menos a do micro-ondas. Não faz mal, já foi uma sorte a cozinha não ter pego fogo quando a Laura decidiu arrumar um pano em cima da torradeira, na altura em que eu decidi fazer torradas para o pequeno almoço, à uma da tarde.
É o que se espera de quem adormeceu quando lhe foi impingido um filme italiano, de quem passou a madrugada a discutir sobre a Oprah ou a tentar descobrir quem é que inventou o termo lesbianismo! É o normal de quem deu vazão a 3 litros de sangria e uma garrafa de Vodka enquanto se comentava o mercado de trabalho e as respectivas experiências profissionais. A Marina, a Laura e a Inês agora escrevem "jornalista" no espacin…

Aulas de Dança do Ventre em 3 posts

Terceira aula: as alunas

Agora já só falta falar de nós, as alunas.

Nós somos muitas, das mais variadas idades, formas e tamanhos. Sucede andarmos pela rua com cântaros, bastões e espadas debaixo do braço. Há solteiras, comprometidas, casadas, divorciadas e grávidas também!
Uma vez sentei-me ao lado da grávida no aquecimento e jurei para nunca mais, porque ela, com uma barriga de 5 meses, consegue tocar com as mãos na ponta dos dedos dos pés, e eu não! Imaginem a minha frustração!

Na maior parte das aulas, parecemos robots com falta de óleo, a dançar o thriller do Michael Jackson, em espírito porém, somos autênticas Valquirias!

Falamos de homens, mal, na grande generalidade das conversas, falamos de livros, de filmes, de espectáculos, da família da professora, das nossas próprias famílias, de viagens, de férias, de crianças, de trabalho, de comida e claro, falamos do dono da escola!

E dançar? Sim, dançamos sempre enquanto falamos! E dançamos bem, ou pelo menos estamos convencidas que sim…

Aulas de dança do ventre em 3 posts

Segunda aula: o dono da escola

O dono da escola de dança não é menos caricato que a professora, eu diria até, é bem mais personagem do que ela! Bailarino conhecido no mundo do espectáculo, ainda preserva a postura dos seus tempos de glória nos palcos. Tem o hábito de nos entrar em desfile pela sala, pequenino mas com postura! A não ser quando pergunta “’Tão todas vestidas não estão? É que eu vou entrar!”, e irrompe balneário adentro, com a camisa regata vestida e a esfregona em punho (sempre a mesma), mais suja que os canos da retrete. Ou, quando nos invade a sala de berguilha aberta e cinto desapertado e fica a ver-nos fazer o aquecimento, só para poder partilhar connosco as suas estórias. Como aquela do médico amigo dele que lhe lavou os ouvidos “E vocês nem vão acreditar, saíram rolhas de cera!! É verdade! Nós temos todos rolhas de cera nos ouvidos, não sabiam?”

Também faz comentários de veradadeiro gentleman "Vocês no espectáculo aperaltaram-se todas! Nem pareciam as mesmas!&qu…

Aulas de dança do ventre em 3 posts

Pimeira aula: A Professora

Há já algum tempo que eu vos queria falar das minhas aulas de dança do ventre.

A todos aqueles que interpretam o estilo como algo excêntrico e extremamente sensual, peço desculpa, mas terei de desconstruir esse mito porque, efectivamente, não é o caso.
Pelo menos não nas minhas aulas, em que a nossa professora, uma hippie com piercings tatuagens e cabelo vermelho, nos diz coisas tais como:
“Criatividade é muito bom e eu gosto, mas agora vamos todas fazer o movimento como deve ser está bem?” ou “É como se colhessem uma rosa e a trouxessem até ao peito. Meninas, eu disse uma rosa, não um fardo de palha!!!”.

A professora tem nome de Deusa grega e quando tiver filhos quer baptizá-los com nomes que o registro civil jamais aceitará, do estilo “kiwida” “akamadu” ou “papuli”. À hora do nascer do sol, é provável encontrarem-na a dançar em cima de alguma rocha mítica, de braços abertos para o novo dia que se ergue.
O tatuador dela diz que os homens, a partir dos 11 anos, nã…

O cocó de pombo

Pensava que me tinha caído um cocó de pombo na cabeça. Apressei-me a entrar no elevador para atacar o espelho.

Afinal, não havia qualquer tipo de dejectos residuais no meu cabelo. Tudo leva a crer que não passou de uma gota de água destilada pelo túnel do metro.

Porém, embrenhada na minuciosa procura por fezes de pombo, deparei-me com algo muito mais alarmante a emergir do meu couro cabeludo!

Não era 1 cabelo fora do sítio, nem a etiqueta da boina para fora, porque se eu estivesse de boina, nada disto teria acontecido.

Era um sinal de algo intransponível e inevitável, sem margem para voltar atrás. Nem todo o stock de lenços de papel, perfumados, cor-de-rosa ou com padrão, nem toda a parafernália de shampoos, dois em um, anti-caspa, para cabelos oleosos ou de chocolate, conseguiriam remover o que eu vi na minha cabeça, do lado de fora, com aproximadamente 5cm.

Antes fosse um cocó de pombo de aproximadamente 5 cm! Antes fosse uma melindrosa diarreia de pombo! Antes fosse todo um parapeito …

Uma década de Páscoas felizes!

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Olha o rapaz que falava com os croissants, olha o rapaz dos anúncios que era o capitão dos masculinos, olha aquela que andava com o outro, olha o outro que era chato, olha eles, olha elas, olhas estamos todos, ou quase!

E a nós perguntam-nos:
"Mas vocês, ainda são amigas???"

And then it hit me! Foi há 10 anos, mais anos uns, menos anos outros, que os nossos caminhos se cruzaram, numa equipa de basket, numa sala de aula, num intervalo da escola.
E desse cruzamento surgiu um nó, que nem tempos nem distâncias conseguem desatar.
Faz sentido, porque se fomos amigos quando tínhamos penteados hediondos, quando saíamos à rua com chapéus que nos ficavam sinceramente mal, quando usávamos roupas estilo 80’s 3 números acima do nosso, quando jogávmos basket e eramos campeãs ou vice, e quando jogávamos basket e passávamos campeonatos sem ganhar um único jogo, não são uns milhares de km nem uns meses sem nos ver-mos que nos vão separar!
Se sobrevivemos à idade da estupidez e aos telefonemas anó…

Uau!...

Quinta-feira de manhã liguei o rádio e estava a passar aquela canção do “Hoje é o priemiro dia, do resto da tua vida…” mudei de estação, mudei outra vez, ainda mais uma, e no fim acabei na mesma “Hoje é o primeiro dia, do resto da tua vida…”.
Ri-me e achei que se calhar podia ser um sinal. Não era dia de sair o euromilhões e mesmo se fosse, eu nuca jogo. Não havia nada no horizonte que fizesse adivinhar uma mudança na minha vida e o vidente das estrelas também não tinha vislumbrado no universo quaisquer indícios de reviravolta.
Mas eu acreditei que era um sinal. E ri-me outra vez, a pensar que parecia a minha amiga Mi, que tem alma de cristais e mãos de cigana, e então está sempre a sentir as energias e a interpretar sinais.

Porém, eis que de repente, caíram as palavras lá de cima, de onde não se previa chuva. Como estava sol fez arco-íris, embora eu sentisse relâmpagos e trovões de electrocussão emocional a arrepiarem-me por dentro.
Coordenar a revista? A sério? Mas mesmo de verdade?…

Revisão de prioridades

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Alê e Lóló, as guerreiras da fila do Super-mercado!

Estabelecer prioridades não e fácil. Mas levar com pessoas mal-educadas, porém, estabelecidas legalmente como prioritárias, é ainda mais difícil.

O que fazem as meninas frágeis e delicadas que carregam um cesto de compras do super-mercado a abarrotar?

Estacionam na primeira caixa que avistam no horizonte.

Foi isso que eu e Laura fizemos - “Vai já esta”.

Estacionadas que estávamos, para fazer o check out das nossas compras, começa um carrinho azul a tentar uma ultrapassagem perigosa. Com tranquilidade, reposiciono o meu traseiro de modo a bloquear o caminho e penso “Mas esta não está a ver que nós estamos à frente?”.

No entanto, a senhora do carrinho azul olhou para mim como quem, de facto, não está a ver que eu estou ali e tentou novas investidas. As novas investidas votaram a ser bloqueadas.

Eis se não quando, se ergue um berro atrás de nossas cabeças “OLHE, EU SOU PRIORITÁRIA!!!, mas atenção, um berro como se a fosse a declaração de ind…

"Woman... I can hardly express..."

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"After all I'm forever in your debt,
And woman I will try express,
My inner feelings and thankfullness,
For showing me the meaning of succsess,
oooh well, well,
oooh well, well,
(...)
So let me tell you again and again and again,
I love you (yeah, yeah) now and forever,
I love you (yeah, yeah) now and forever,
I love you (yeah, yeah) now and forever,
I love you (yeah, yeah)..."

Woman by John Lennon

O Dia da mulher não é por acaso.
Não é capricho capitalista nem fetiche de fragilidade.
Não é um dia para as coitadinhas, pobrezinhas das mulheres, pelo contrário, é um dia para homenagear as fortes e lutadoras. As que morreram num incêndio de um 8 de Março distante, cercadas pela polícia enquanto reivindicavam melhores condições de trabalho na fábrica onde estavam empregadas.
As que queimaram os soutiens, as que foram atropeladas por cavalos enquant protestavam, as que foram Prémio Nobel, as que foram Presidentes da República, as que foram vencedoras de Óscares, as que ganharam me…

Um ano aos soluços e 3 meses depois

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A garagem encolheu.

O pai, que não telefonou a semana inteira, resolveu telefonar para uma e para outra justo no momento da surpresa. Não atendemos. Mas pai que é pai não desiste de falar com os seus rebentos assim tão facilmente! Ela atendeu e mentiu. Disse que estava no autocarro a caminho de um jantar, que ia apanhar o comboio pela manhã e que estava com o meu telemóvel porque o dela tinha ficado em casa a carregar e então trocámos (Right! Como se nós fossemos trocar telemóveis assim, nem trocávamos o cartão nem nada, era logo tudo!). Mas pai que é pai é inocente e algo leigo no que toca a telemóveis e então acredita.
Mesmo assim, não desiste de falar com o outro rebento e insiste! Mas agora ele já sabe que ainda estamos vivas portanto não se atende.
A gasolina ameaçava acabar sem aviso, depois de Almodôvar. Chamadas de emergência foram feitas para as amigas, que num Verão remoto foram passar férias a Almodôvar. Mas nenhuma delas sabia quanto tempo é que ainda faltava para chegar a …

"Assoma-te à janela meu amor!"

Um grande poeta disse um dia “Todas as cartas de amor são ridículas”.
Hoje eu digo, sem igual arte ou mestria mas com a mesma convicção, “Todas as músicas em línguas estrangeiras são pimba!”

Pensem fundo, e expirem aquela música que vocês gostam mesmo. Aquela que não é em português mas que vos mexe pelos sonhos, vos guia pela vida e vos arranca suspiros desafinados enquanto toca cativa e repetidamente no rádio do carro, no computador, no hipod (achei que dizer no discman ia dar falta de credibilidade à presente teoria)…
Já pensaram? Agora traduzam-na para a nossa língua mãe.
Seguem-se alguns exemplos: o comovente “Chora-me um rio, choraaa! Choraaa!”; a vencedora dos Grammys “Eles tentam fazer-me ir para a reabilitação, reabi, reabi!...”; ao prevenida “Eu posso dar-te o meu guarda-chuva, chuva, chuva…”, ou o emergente “Olá aí Dalila, como é isso na cidade de Nova-Iorque? Estás a 1000 km de distância mas miúda, está noite estás mesmo gira!”
Nos clássicos quem não sabe que “ Vivemos todos nu…

22 Margaridas

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As tarefas foram distribuídas: nês faz o bolo, eu vou comprar a prenda e a marina dá suporte telefónico, que é como quem diz, não faz nada.

A grande responsabilidade estava delegada na minha pessoa. Confiança? Bem talvez não seja bem isso que expressa a frase “Assim arriscamo-nos a ter uma mini-saia de cabedal para oferecer à Margarida”. Mas o facto de ser a única com um centro comercial à porta de casa foi determinante.
Porém, não se deixem enganar pela aparente simplicidade que a logística não foi nada fácil! O cartão TMN com 25 euros não dava para oferecermos só as 3, um xaile não é fácil de arranjar nas colecções de Primaver/Verão e se aparecesse com qualquer uma daquelas malas garridas alface ou choc, a Marina dava-me com a mala na cabeça! (Porque a Margarida não chega à minha cabeça e está temporariamente lesionada).
E depois, Bolo do iogurte não pode ser porque é muito sem graça, dizia eu, e saltavam elas “Olha tu por acaso sabes fazer bolos?” (não, mas a Marina também não sabe!)…