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A mostrar mensagens de Setembro, 2008

Querida Margarida,

Na semana passada pensei mandar-te uma mensagem, mas em vez disso escrevo-te este post, que assim os caracteres são ilimitados e gratuitos.

Lembraste daquela parte do espectáculo de dança chamada “Os Giros”, em que as bailarinas ficavam 10 minutos a andara à volta de si mesmas? Claro que te lembras, qualquer pessoa que tenha estado presente recorda esses dez minutos de náusea que pareceram meia hora de enjoo.

Pois cara amiga, tenho-te a comunicar que iniciei o aprendizado da técnica dos giros! Sim, porque eu agora já estou no nível intermédio. Descobri na primeira aula, quando estranhei todas as minhas colegas terem desisitido e eu não conhecer ninguém. Era mesmo estranho. Até que a professora se virou para trás e me disse “Oh Alexandra mas tu não és desta aula, esta é para as iniciadas”- ok, isso explicou porque é que eu era a única que sabia fazer 1 shimi e porque é que estávamos há 10 minutos a fazer o mesmo movimento básio de rodagem da anca.

Mas então, passei a frequentar o horár…

Vai um copo?

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"...Haz de tu puño algo cariñoso
Y haz de tu adios un Hay mi amor!
Y de tu ceño una sonrisita
Y de tu fuga un Ya voy! Ya voy llegando!

(...)

Y es el hombre, al fin, como sangria
que a veces da salud y a veces mata..."

"La Celestina" by Lhasa

Pessoas precisam-se

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Uma vez, a minha professora louca de filosofia (conhecida como “a louca”), disse que até para se sentir sozinho o ser humano precisava de companhia. Sim, porque se não souber o que é estar com alguém, como se pode sentir sozinho?
6 anos passados sobre esta aula e eu continuo a achar que é uma pequena pólvora do saber.

Este Sábado à noite lembrei-me da “louca”. Porque eu tenho um amigo que é baterista numa banda de heavy metal, embora ele esteja convencido que toca “rock progressivo”. Não, o meu amigo não é louco, é músico (e trabalha numa Junta de Freguesia).
O meu amigo deu um concerto este Sábado à noite, num bar perdido no mais profundo Cascais, onde não há asfalto pelos caminhos nem pessoas pelas ruas. “Isto parece aquele filme do Tarantino em que eles vão a uma festa numa discoteca no meio do nada e depois da meia-noite as pessoas são todas zombies” – pertinente intervenção da nossa amiga Fátima.

Eu já tinha dito à Inês – amiga minha e namorada do meu amigo – que íamos ser as prim…

Quando for grande, quero ser bailarina

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“Procurando bem
Todo mundo tem pereba
Marca de bexiga ou vacina
E tem piriri, tem lombriga,
tem ameba
Só a bailarina que não tem
E não tem coceira
Berruga nem frieira
Nem falta de maneira ela não tem
Futucando bem
Todo mundo tem piolho
Ou tem cheiro de creolina
Todo mundo tem
um irmão meio zarolho
Só a bailarina que não tem
Nem unha encardida
Nem dente com comida
Nem casca de ferida ela não tem
Não livra ninguém
Todo mundo tem remela
Quando acorda às seis da matina
Teve escarlatina
ou tem febre amarela
Só a bailarina que não tem
Medo de subir, gente
Medo de cair, gente
Medo de vertigem
Quem não tem…”

Para mais informações: http://complie.blogspot.com/

Mourinho ameaçado pela máfia

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Já lá vão os tempos em que a nação era conhecida pelos seus bravos navegadores e regentes sumptuosos. Os nomes Saramago, Siza Vieira, Nelson Évora ou Mariza são familiares apenas a uma pequena minoria e até o Figo já está a cair em desuso.
Hoje em dia Portugal é conhecido pelas licitações a Cristiano Ronaldo e pela sua infindável lista de namoradas, e, sobretudo, por José Mourinho, “The Special one” como o próprio se autodenominou, humildemente.

Depois das experiências positivas com 2 mafiosos de renome (um português e um russo) José Mourinho foi para o país de maior tradição nesta área e não perdeu tempo em fazer os seus contactos.
Mas desta vez, o seu charme inconfundível não funcionou. Porque o senhor Mónaco, Director do Catânia, clube da Sicília visado nas alegações jocosas de Mourinho, é ainda menos diplomático que o nosso Mister.
Aliás, não sei bem se poderemos enquadrar afirmações do tipo “Ele só vai aprender quando levar umas bastonadas nos dentes” em algum género de diplomac…

How do you want this post to end? Você decide!

Eu tinha certeza de que ia ganhar, mesmo sabendo que isso não aconteceria.

Ontem anunciaram o vencedor do “MTV untold stories”, um concurso que consistia em escrever o final de uma história para ser adaptada a um pequeno filme de prevenção contra a SIDA. O prémio era uma viagem à India para participar num congresso sobre a SIDA, uma câmara de filmar e o nosso final adaptado ao filme que passará na televisão, no âmbito desta campanha. Este último foi o que mais me aliciou. Que recém licenciado em publicidade e marketing, com um gosto pela escrita como se fosse bolo de chocolate (com recheio de chocolate), não gostaria de ver uma criação sua numa campanha assim, ainda por cima difundida world wide?
A concorrência não era forte, devo dizer, o que acalentou as minhas esperanças. Mas havia pelo menos um texto que estava melhor do que o meu. Então, fiz outros 2 ainda melhores. Foi aí que comecei a imaginar que roupa levaria para a Índia.
Ora qual não foi o meu espanto quando me deparei com …

lá lá lá

"...Bajo la penumbra de un farol
se dormiran
todas las cosas que quedaron por decir
se dormiran.
Junto a las manillas de un reloj
esperaran
todas las horas que quedaron por vivir
esperaran..."

50...

Os transportes públicos são uma Utopia. Como andar na calçada de saltos altos. É por essas e por outras que quem tem alma de Carrie Bradshaw rapidamente se converte numa adaptação de 4x4 todo o terreno, com acessórios.

A imagem da paisagem a passar pela janela e os olhos a passarem pela paisagem, alimentando com ela os sonhos tímidos, que têm vergonha de sair de debaixo da almofada, não é mais que que uma miragem. Uma miragem entrecruzada com a música que, se não fossem os ruídos entrópicos (que é como quem diz travagens, buzinas, motores, telemóveis e outros que tal), levaria o pensamento às piruetas em pontas; a música dos fones, capaz de fazer esboçar sorrisos em “grand plié”. Mas os carros parados na segunda circular também não fazem rir.

Os buracos do caminho perpetuam o não cessar dos solavancos, dos tropeções, dos encontros bruscos com os vidros e com os sapatos alheios. As letras do livro fogem. Levam consigo todo o lirismo que eu imaginei para esta viagem. O próprio Kandin…

Ma "chou-chou"

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O Verão acabou e a Margarida foi-se embora. Foi fazer fotossíntese para os Champs Élysées. Pode ser que volte na Primavera... até lá ficam saudades do aroma contagiante, com notas de piano e travos de cerveja.



"Au revoir" (by Nês)

Começar o dia como se fosse o último...

Há coisas piores do que não tomar o pequeno-almoço de manhã. Ontem aconteceu-me uma dessas coisas piores, duas aliás, consecutivamente, dizem que um mal nunca vem só...

Eu e os carros é uma relação íntima de ódio-ódio, provavelmente por falta de compreensão e tolerância da minha parte. Agora também já perdi a confiança. É normal, quando uma pessoa se vê a girar dentro do carro como se fosse uma das chávenas do carrrocel da Alice na eurodisney. Mas foi um peão lento e sem encanto, na curva à entrada da auto-estrada.

Por um lado, senti-me numa cena de filme de acção, estilo “Velocidade Furiosa”, por outro, enfiei, sem qualquer glamour, o carro na vala da berma, pisando a fundo o travão para evitar bater no pau de ferro da única placa que ali estava. Obviamente que com tanto espaço disponível para me despistar eu tinha que ir justo na direcção da supramencionada placa. Travei a tempo (a vala deve ter ajudado). Posso garantir-vos que não chorei, mas fartei-me de desembaciar os olhos.

Cha…

Um post em 10 minutos...

10 minutos. Faltam 10 minutos.

Em 10 minutos posso ouvir aproximadamente duas músicas e meia, ou 3 e um quarto, dependendo dos casos.
Posso fechar os olhos e viajar nas lembranças, ou, dar a volta ao mundo das fantasias.
Chega perfeitamente para acabar aquilo que está mesmo quase porque, na verdade, 10 minutos é sempre o que falta. São só 10 minutos, mas é muito mais que isso. È todo um grande jeito que dão os 10 minutos, eu ando sempre com eles (com os 10 minutos e o batom do cieiro)!
Uma vez vi um filme em que por 10 minutos a mais, ou 10 minutos a menos, a protagonista vivia duas histórias completamente diferentes. São decisivos os 10 minutos, embora a maioria das pessoas não se dê conta...
Normalmente os 10 minutos têm propriedades tranquilizadoras, ao contrário dos 5, que aceleram a metamorfose nervosa!
Em 10 minutos, quantas pessoas morrem, quantos bebés nascem, quantos beijos são dados, quantos amigos se zangam, quantas gargalhadas se soltam, quantos bolos de chocolate são comidos, …

Modo Poupança de Energia

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- É a primeira vez que vens ao Brasil?
- Não. É a sétima. A sexta consecutiva… Eu na verdade sou brasileira…



A primeira vez não me lembro bem, tinha 3 anos e era Carnaval em Salvador. Pelo que contam as fotos, fiz a festa até cair de sono no colo do papai! Só voltaria ao Brasil em 2003, desta feita para Fortaleza. Seguiu-se Natal (2004), Maceió (2005), Recife e Porto de Galinhas (2006). O ano passado estive a viver em São Paulo enquanto fazia o estágio e ainda tive tempo para conhecer Belo Horizonte e as Cataratas do Iguaçú. Hoje, cheguei a Lisboa vinda de Porto Seguro - Bahia.



De todos, é o lugar que menos me deixa saudades. O ser revistada na alfândega por ter passaporte brasileiro, a melga impertinente na primeira noite, a chuva incessante no primeiro dia, as duas dezenas de picadas de mosquito que coleccionei em apenas uma semana e a alergia que, desde ontem, me assolou o lábio inferior, contribuindo para que parecesse o Hitch, são alguma das razões.. mas há mais!

O pior de Porto Segu…