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A mostrar mensagens de 2009

Ensaio sobre as cores

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Depois das crónicas de Natal, parcas mas largas o suficiente para encher tanto como filhoses, sonhos e lampreia de ovos, decidi escrever sobre cores.
Vou ser breve e concisa, porque as cores são breves e concisas. Também são levianas e depravadas, sempre a misturarem-se umas com as outras, mas eu prefiro ser breve e concisa.
Porque as melhores cores são assim.

Como o vermelho apaixonado dos embrulhos de Natal que caiem do céu.




O branco metalizado da neve que nunca chega a Lisboa.




O amarelo explosivo dos elevadores que vão até ao andar das nuvens e fazem faísca nos arredores.




O preto sóbrio do rio encantado que dorme debaixo da ponte.




E não me venham dizer que o preto e o branco não são cores porque isso não é nada poético.
Que se formos a ver então toda a cor é uma ilusão. Um mutante intermitente em constante fotossíntese.
Esqueçamos, por favor, esses pormenores científicos e enfadonhos já que eu prometi ser breve e concisa.
E,na verdade, só queria dizer que não sei se será a luz do Inver…

2ª Crónica de Natal

O pinheiro artificial


- Ah muito bem, está muito bonito, não vai durar uma semana, mas pronto…
- Vai sim senhor! Está atado à porta!
Pfff… só me faltava, o da contabilidade a agoirar a minha decoração de Natal. Não que o pragmatismo das vivencias catalãs não lhe confira algum fundamento, até posters já nos roubaram de dentro do bar, mas falta-lhe sensibilidade. A sensibilidade de entender que com os pinheirinhos artificias empinocados de lacinhos dourados que o Ayuntamento plantou ao longo das ruas (e sem qualquer protecção anti-furto), a suceder um roubo, é um daqueles que vai. Não o nosso, meio tosco e sem luzinhas. Está fora do bar, sim, mas atado à porta com 3 nós!
E depois, com o frenesim constante de entra e sai e os dos flyers sempre ali, como é que alguém pode levar o nosso pinheiro de Natal e passar despercebido? É que ele é artificial mas tem presença! E pesa!
Não, impossível.
E estando eu irremovível das minhas convicções, o pinheiro ali ficou, do lado de fora do bar, atado à p…

Primeira Crónica de Natal

Este Natal decidi fazer uma compilação das melhores demonstrações, momentos ou alusões ao delicioso espírito que marca esta quadra.
Pequenas coisas que, no mínimo, nos fazem entender o quão as pessoas se estão realmente borrifando para o nascimento de Jesus.

O Natal nos autocarros

Entrei no autocarro. Senti logo um cheiro pútrido a substancias pouco poéticas. Olhei ao redor, mentira, bastou olhar para a frente e lá estava ele, o Big bang daquela emanação odora. A barba por fazer, o cabelo pouco cuidado (eufemismo), glicose a mais e camisa de manga regata. È verdade. O senhor da meteorologia disse que ia estar uma temperatura agradável. Mas se formos a ver, -10 graus é uma temperatura agradável no Alasca, daí a relatividade do termo. Pelo que a manga regata era um exagero de agradabilidade, na minha opinião. Se bem que nos autocarros, por esta altura do Natal, eles gostam de fingir que Barcelona, quase nos Pirenéus, é na verdade um país tropical.
Mas algo apelava à condescendência n…

Acabou-se!

Ontem, num filme chamado “Princesas”, que discorria sobre a vida dramática de duas prostitutas, a personagem principal, uma prostituta sonhadora e de boa índole, dizia que havia um dia, um dia em que tudo corria bem. Um dia em que acontecia tudo o que queríamos. Um dia que despertava com a nossa canção favorita ao ligar a rádio!
E era preciso estarmos atentas, para não perder esse dia.

Eu, que levo uma vida menos dramática mas nem por isso menos sonhadora, digo que para cada um dia desses, há todos os outros. Todos os outros em que tudo corre mal! Em que pensamos "agora só faltava que..." e pimbas! Já não falta, porque acontece tudo o que não queríamos, como não queríamos, onde não queríamos e com quem não queríamos!
Como na Sexta-feira passada, dia da entrega da tese de mestrado.
Tudo começou com uma guerra para fazer o índice porque, inconcebivelmente, sou capaz de escrever toda uma tese de mestrado mas não sei fazer índices no Word de forma automática. Deve ser o problema do…

Domingo de derby

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Odeiam-no até à morte.
E adoram espernear até exaurir o ar para expressar o quanto o odeiam.
Por isso é que quando o CR9 foi substituído no derby de Domingo o jogo perdeu a piada.
Já não podiam gritar “Esse português hijo puta es”.
E agora?

Chamar o Sérgio Ramos de maricón e vaiar o Casillas cada vez que ele respira não é a mesma coisa que o uníssono de 100.000 vozes, entoando aquele versinho fofo, em jeito de quadra de manjerico nos santos populares. Há falta de melhor há sempre o árbitro, que é mesmo para ser insultado que ele lá está, mas são impropérios descoordenados e sem ritmo.
O jingle do Cristiano não! Esse tem melodia, é catchy e pleno de sentimento!
Até eu me entusiasmava toda cada vez que os pés dele se aproximavam da bola só para ouvir aquele coro evangélico. Não admira que às tantas tenha começado a pingar.
Isso sim, sentia-se um frio na curva da porta 90 que me fez lembrar esse saudoso Verão na Noruega.

A propósito do Norte da Europa, ao nosso lado estavam sentados uns s…

Luis, Bien-venido a tu casa...

Já fazia 8 anos que não vinhas a Barcelona.
Pudera, gostam tanto dele aqui como do Bin Laden em Nova York e eu de beringelas.
Ah e tal foi por motivos de trabalho, a jogar em Itália não dava muito jeito.
Claro, porque Barcelona dista anos luz de Milão, não é como o Algarve que está muito mais perto (de África) e portanto ir lá passar todos os Verões é caminho.
Mas vais torcer pelo Barça não é, pelo teu grande amigo Guardiola e porque vamos, confessa, o Barça está no teu coração.
No coração dele está o Sporting e nem esse amor foi suficiente para cobrir a oferta de uma grande equipa do Qatar, ou era algum outro país famoso pela sua tradição futebolista? Isso agora também não interessa nada, amor ao clube tem o Rui Costa pelo Benfica e assunto encerrado!
É amigo do Guardiola… Faz ele muito bem, eu também queria ser amiga do Guardiola!
Mas vem como embaixador do Inter de Milão, pode lá dizer na televisão, mesmo que fosse verdade, que quer que o Barça ganhe!
O Luís lá solta mais meia dúzia de …

"Sentido de Comunidade"

Um ex profesor meu da universidade de Siena está fascinado com o “Sense of community” da Purdue University em Idiana – EUA, onde se encontra actualmente.
Diz que os professores lhe fizeram uma recepção pessoal, que há encontros e saídas semanais entre todos os alunos para “construir equipa” e que os estudantes americanos contribuem largamente para a integração dos estudantes estrangeiros.
Tudo muito bonito até ele mencionar que em Itália, nomeadamente em Siena, não seria assim.

SCUSA??? MA CHE CAZ**** DICI?

Quando o seu companheiro de quarto chinês lhe perguntar “O que é que queres que eu te roube do supermercado?”, como o meu room mate espanhol fazia, então sim, ele vai ter argumentos válidos para discutir a noção de comunidade no ambiente universitário de Siena.
Onde nos encontrávamos todos os dias e todas as noites e cada vez reagíamos com tanta felicidade como se não nos víssemos há anos. Sabíamos os nomes e nacionalidades de centenas de pessoas e, todos juntos, fazíamos viagens a s…

To unfriend

"Unfriend" just became the 2009 Word of the Year in the New Oxford American Dictionary. It's a verb, as in "You can unfriend people by clicking 'Remove from Friends' at the bottom of their profiles."


Então a palavra deste ano é “desamigar”, por assim dizer em português. Refere-se sobretudo à possibilidade de “desamigar” amigos nas redes sociais da internet, nomeadamente o facebook.
Mas qual é o antónimo de “to unfriend”?
O antónimo de “to unfriend”não é, porque não há. Só há “add a friend” cujo antónimo é “remove friend” – expressão antepassada da trendy e gloriosa unfriend.

A verdade é que fazer amigos no facebook passou a ser como jogar às quintas no facebook: aqui ponho umas batatas, aqui umas couves, agora planto rosas vermelhas no cantinho, ofereço uma vaca à vizinha e cada vez tenho mais cercas e tractores. Mentira, jogar às quintas no facebook é muito mais complexo do que fazer amigos no facebook. Para os amigos basta um click de “aceitar”. As quin…

Demasiado exigentes

Criança de 8 anos – Tens namorado?
Rapariga de 23 anos – Não.
– Porquêêêê?
- Porque não há ninguém que eu goste assim muito para ser meu namorado.
- Está ali o Ibrahim! - (outra criança de 8 anos)
- Mas o Ibrahim é muito pequenino.
- Uhm… Então há o meu irmão ele é mais alto! - (melhorou bastante, criança de 12 anos).
- Não, não é por causa do tamanho. È que eles são muito novos para mim.
- Mas tens ali o Sergi. – (o Sergi é mais alto e mais velho, mas não demasiado velho, da idade correspondente. O match perfeito portanto).
- Aaah… também não…

A criança de 8 anos fez o melhor que pode para satisfazer exaustivamente os requisitos constantemente colocados como obstáculos pela rapariga de 23 anos. Insistente, com boa vontade, perspicaz na assimilação das qualidades necessárias e lógico no raciocino. Louvável o esforço infantil.
Evidentemente arranjar namorado não é complicado. Está claro que o que não faltam são candidatos!
Mas com raparigas de 20 e poucos anos tão exigentes… como é que não hav…

ha ha ha...

Eu tenho um problema com as anedotas. À parte a discordância óbvia e por todos conformadamente encoberta entre a forma de pronunciar e a forma de escrever anedotas. Ou seja, andotas.
(Mas porquê? Porquê??? Como se o “e” fosse um dos afilhados do Primeiro Ministro que só está ali para enfeitar e temos todos de levar com ele e calar)!

Emendo, tenho 2 problemas com as anedotas.
Vamos ao segundo: a expectativa.
Quando alguém conta uma anedota só nos restam duas opções: rir ou fingir que rimos. Porque se não demonstrarmos um esboço de graça ou passamos por intelectualmente limitados “Não percebeste?” ou por rudemente mal educados. Como quem não bate palmas depois de um grande espectáculo. Porque é isso que os contadores de anedotas esperam! Um alvoroço de gargalhadas e aplausos após o seu hercúleo esforço para nos animar.
É simpático contar anedotas, a intenção é boa e tudo. Mas a mim dá-me stress! É a obrigação de estar a ouvir com a máxima atenção algo que, provavelmente, é demasiado lon…

Para a Neuza, porque gostamos de ti!

Como é que se dizem coisas delicadas sem partir a boa vontade e nobre ilusão de outra pessoa?
Quem é que nunca viu uma amiga a engordar desalmadamente ou uma pessoa querida com um roupa lastimável? Quem é que nunca recebeu uma prenda horrenda (oferecida com todo o amor e carinho) por parte do namorado, dos pais, etc?
E quando as ideias geniais que nos contam, em busca de apoio e incentivo, são o correspondente a um passo em frente desde o alto do Cabo da Roca?
A sinceridade é primordial mas extremamente difícil de dosear. Está cientificamente provado que o excesso de sinceridade pode resultar em terríveis efeitos colaterais irreversíveis.

E hoje este é o tema pendente cá em casa. Desde que a Neuza, após unânime acordo de que queriamos incenso cá em casa, chegou contente e triunfante com o incenso que comprou na lojinha do chinês. É de morango. A Rita diz que se vê logo que não podia ser bom porque nada que queima pode cheirar a fruta (mas pode cheirar a rosas). O facto é que não chei…

Um susto de pronúncia

A tartaruga ninja disse olá. Coitada, já não podia com a carapaça. O robin e o batman pediram uma tesoura emprestada enquanto o Ozzy osbourne subia e descia as escadas. O Indiana Jones estava mais tranquilo que o habitual e a Branca de Neve resolveu beber. Não pode ser pior que uma maçã envenenada certo?
E de qualquer modo havia enfermeiras de plantão e freiras até, que dá sempre jeito, sabe Deus quando vai ser preciso chamar por Ele.
A bailarina estava a dançar house no meio das bruxas e do Conde Drácula.
As gatas andavam à solta pelos passeios, porque isso dos telhados dá vertigens.
Também havia muita gente estranha, até o polícia dos anos 80 comentou.
Mas o que foi mesmo muito chato foi o espantalho, deixou feno por todo lado! Que inconveniente!
Depois houve muita gente, de diferentes faixas etárias e nacionalidades, que perguntou o que é que se passava. Se havia festa, se era em todo o lado e porquê. Pareciam muito confusos…
E então eu pergunto-me, o que é que estas pessoas pensam qu…

Integração integrante

Em Barcelona há várias instituições sem fins lucrativos que promovem a integração de imigrantes extra-comunitários. Recentemente decidi voluntariar-me numa delas
que, de momento, trabalha principalmente com crianças marroquinas.
Não poucas vezes já me perguntaram se as ia ensinar a vender cerveja na rua ou se as elucidaria sobre o negócio do contrabando.
Piadas inocentes cujo teor nunca passará nos sábios conhecimentos que a instituição transmite.
Tirando a vez em que a Neuza, vencida pela supremacia energética de rebentos marroquinos com 5-7 anos de vida, começou a gritar-lhes:
“Parados! Parados!”.
Parado em espanhol significa desempregado.
As crianças não tomaram como insulto, tendo prosseguido afincadamente com as suas corridas desenfreadas.
A Neuza apercebeu-se do erro.
De facto, é estranho ter pessoas não espanholas e completamente iletradas em catalão, que ainda por cima são péssimas em trabalhos manuais e estão acomodadas à calculadora do telemóvel, a desenvolver este tipo de acti…

A economia do romantismo

Pergunto-me se o amor também estará em crise. Se os beijos vão caindo a pique na bolsa. Se há cada vez mais mãos dadas no desemprego e se o preço dos olhares amantes também vai ser afectado.
Parece que o número de solteiros já está a desequilibrar a balança comercial e que a dívida pública gerada pelos divórcios é intransponível.
Contudo, li em qualquer lado de referencia que, segundo os especialistas, a grande preocupação é a questão do romantismo.
Parece que o gap entre os românticos e os não românticos vai triplicar nos próximos anos e que o romantismo médio per capita está cada vez mais deteriorado. Sem falar nos empréstimos de romantismo a crédito aos filmes lamechas.
De acordo com a mesma fonte, o PIB das cartas de amor é inferior à media da União Europeia e o Banco Central Europeu está a estudar a hipótese de um empréstimo mas como não têm papel perfumado é complicado.
As pessoas acabam por buscar soluções mais económicas como conhecer-se e namorar pelo facebook o que, conseq…

O dia em que o chefe a chamou

Quando o chefe pediu para conversarem ela não suspeitou de nada. A sala de reuniões estava ocupada pelo que se intrometeu o convencional “queres um café?” antes da conversa. Sim, era normal, eles estão sempre todos a beber café. Na cozinha estava o dos músculos e das dietas de hidratos de carbono a comer uma pratada de massa às 10.30 da manhã. Diz que lhe dá um prazer tremendo e que se tem de controlar até ao último apelo do estômago no Verão. Porque é quando deixa de ir ao ginásio. Agora que voltou à sua actividade física pode finalmente resgatar o delicioso hábito de comer doses generosas de esparguete ou de arroz a meio da manhã. Quando o resto das pessoas come uma sandes ou, precisamente, bebe um café.
“Mas tu participas em competições ou isso é só para exibir?” – perguntou o chefe .
“Não, não, eu faço isto por mim!” – respondeu ele, orgulhoso e não altruísta.
È justo, eu por mim compro chocolates ou, desde a intoxicação alimentar com a Nutella, latas de leite condensado para come…

Denmark!Denmark!

Foi fácil perceber que o bar ia esvaziar quando fosse o jogo de Portugal. Em cores fluorescentes e fonte desproporcionalmente grande brilhavam os nomes ENGLAND e DENMARK – SWEDEN. No fim do quadro escuro, em tons neutros e com cerca de 1 milímetro quadrado de espessura por letra, aparecia o pequenino Portugal – Hungria.
Mas enquanto a nossa selecção não jogava, a Dinamarca jogava por ela e nós apoiávamo-la fervorosamente, de pé, fora do bar, observando o ecrã com atenção.
Não sabemos uma única palavra em dinamarquês, nem o nome de nenhum jogador para poder impressionar. Não temos lá nenhum amigo nem nunca visitámos o país. Mas somos tão altruístas que pulámos, esperneámos e celebrámos o golo dos dinamarqueses tão efusivamente como se fossemos genuinamente de Copenhaga. E esprememos os nervos até ao último segundo da partida, não se fossem os suecos lembrar de marcar nos descontos.
Perdemos o hino de Portugal, mas ganhámos uma mesa só para nós diante da televisão. Era um facto, ninguém…

"A Loucura é uma questão de maioria"

“E a vida é uma convenção”.

Incompreensível e louco, afinal, são sinónimos. E a loucura é democrática. Quem diria?
Toda a gente que comunga um certo modo universalmente alargado de interpretação.
Não interessa que a mesa se pudesse chamar cinta adelgaçante e que só não se chama cacto pacato em flor porque não. E é loucura insistir em trocar as coisas que são porque são como são.
Como eram loucos aqueles que diziam que a Terra não era redonda e que Deus podia estar em todo o lado mas não no centro do Universo. E os primeiros que abriram restaurantes de fast food e os que acreditavam que o homem podia voar. Bem como os que preconizavam que as pessoas iriam conversar e conhecer-se instantaneamente, à distancia de tantos países e oceanos quanto o mundo tem.
Como são loucos os que morrem de amor. Ou o “L’étranger” de Camus e todos os outros que que não choraram nos funerais das mães. Doidos varridos!
Enfim, qualquer pessoa é perita em identificar loucos e a loucura de conceito abstracto tem mu…

Olimpíadas 2016

Quando a Rosa Mota apareceu no noticiário da TVE em representação da delegação de Tóquio, já era um prenúncio de que algo estranho se passaria.
Dizem que foi a primeira derrota do Obama e os espanhóis estavam crentes que iriam vencer. Ficaram com o conhecido “grande melão” porque as Olimpíadas 2016 foram para a Cidade Maravilhosa. Como bem notou um dos jornalistas “Não vamos reclamar porque podia ter sido a Eslováquia…Portanto serem no Brasil não está nada mal!”.

Às 3 da manhã acordei sobressaltada. Tinha explodido uma bomba, partiu-se uma janela. Não foi a minha mas o coração quase parava de tanto que batia. Na sala, a Neuza também tinha ouvido. “Se calhar foi um tiro. Se calhar mataram uma das prostitutas do andar de baixo”.
Aqui há que introduzir um pequeno flashback: Na semana passada, fui abordada por uma das inquilinas do andar de baixo, conhecido como puticlub por todos os moradores do edifício, embora a campainha diga “infantário”.
“O que é que se passa com tantos rapazes a s…

Uma questão de fé?

A cidade deixou de ser cidade. Durante 5 dias foi um festival lotado com um palco em cada canto, desde os suspiros do mar aos pés do Colombo, até às torres infinitas da sagrada família. Electro-Rock, Celta-gaélico, italiano, espanhol, português, sueco, música à la carte, todas as noites e de graça.
Quem chegava de repente não sabia a sorte que tinha. As ruas com os castellers e os carrefocs, os museus de “portas abertas”, magia no castelo.
O sol não quis perder a festa e foram muitos os mergulhos que se recusaram a acabar com os últimos dias de Setembro.
Houve feriado, como não podia deixar de ser. Ainda não percebo como é que esta comunidade autónoma vai para à frente se de cada duas em duas semanas têm um feriado com fim-de-semana prolongado.
As celebrações encerraram com um magnânime espectáculo pirotécnico, onde as coloridas águas da font mágica dançavam com os fogos de artificio, numa coreografia de mais de meia hora, aos som de grandes clássicos do cinema. Sem palavras, sem fôle…

Gerard

Quando nos apresentamos a alguém costumamos dizer um nome e ,normalmente, acabamos optando por dizer o nosso, salvo Inocêncios e Hermengildas, casos extremos em que se entende perfeitamente a utilização de uma alcunha ou diminutivo.
Mas, em geral, cada um diz o seu nome porque, ainda que não seja exclusivo, é o que nos identifica e condensa a concretude do nosso ser. Toda a gente sabe que as coisas sem nome não existem. Não podem existir. Podem haver nomes sem coisas mas não podem haver coisas sem nomes.

O curioso são aquelas pessoas cuja identidade é melhor definida pelo nome de outrem do que pelo seu próprio nome.
Por exemplo: o namorado da Madonna, a mulher do Figo, a irmã da Letizia Ortiz, aquela que saiu com o Cristiano Ronaldo (estas são quase mais que as Anas), etc.
Ainda assim, o mais curioso são aquelas pessoas que, elas mesmas, se auto-identificam e apresentam com o nome outrem.
Este Sábado tive o prazer de conhecer um exemplar desta peculiar espécie de pessoas (Credo! Parece …

Acabou ou começou?

Para sempre é muito tempo
Mais tempo do que o tempo tem.
Nem tudo é para sempre
Nem nada nem ninguém.

O vento varreu o sol, o cinzento apagou o azul resplandecente. Os 30 graus baixaram a pique do dia para a noite. As sandálias e os chinelos transformaram-se em botas, os braços já vão mais recatados e as pernas mais tímidas em mostrar o bronze.
Os leques, que até há bem pouco tempo eram o acessório indispensável para qualquer “outfit”, não tanto pelo “outfit” em si como pelo calor insuportável, foram substituídos em massa pelos guarda-chuvas.
À noite, já não se vê as estrelas a brilhar mas raios que rasgam o céu carregado, conjugados com os rugidos dos trovões que dão asas à imaginação.
Acabou-se a praia ao fim de semana mas pelo menos os chocolates já não derretem.
As lojas esperneiam novas colecções e as bebidas quentes relançam carreira, fazendo inveja à ventoinha, que inicia o seu ciclo de decadência.
Já está toda a gente em Barcelona outra vez, como se a água da chuva tivesse devolvido…

A infiltrada

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Ali estava eu. Os lábios comprimidos com força para não soltar um esfuziante “Kakààà”. Também conhecido como o “puto mierdas ese que es muy bueno coño!” pelos adeptos do “Mágico Espanyol”.



Afinal, em Barcelona nem toda a gente é do Barça. Há pelo menos 39.000 pessoas que são do Real Club Esportiu Espanyol. Eu estava contada entre elas, sobre o nome de Adrià Rollan.
Claro que o senhor que controla a entrada deu pelo facto de eu não ser o Adrià Rollan. Olhou o cartão de sócio, olhou para mim. Eu olhei para ele com a frieza de uma autêntica Mata-Hari. Por segundos, quase que até eu acreditei ser o Adría Rollan 1m85 com barba.
Mas não. Era uma luso-brasileira simpatizante do Barcelona no campo do rival directo da Catalunha e ansiosa por ver as estrelas da equipa adversária, nomeadamente, o Cristiano Ronaldo e o dito Kakà. E mais, não estava simplesmente no campo do Espanyol estava na bancada dos ultras! Aquela bancada por onde descem os panos gigantes com o logo do club para as câmaras da …

Não à discriminação!

A indústria alimentar discrimina descaradamente as pessoas solteiras que vivem sozinhas. Não é uma mera opinião, é um facto: a carne embalada vem suficiente para alimentar um rancho de filhos quando eu só queria um bifinho, as melancias, ou se come todos os dias a toda a hora, ou então, metade vai fora (com os cachos de banana é semelhante) e agora até as bolachas Maria!
Eu, na maior das inocências (porque até era diet), comprei um frasco de compota de morango e , como tal, tinha de comprar bolachas Maria para comer com a compota de morango (diet!).
Em Espanha há bolacha Maria (e em Barcelona também).
Aliás, o que não falta aqui são bolachas Maria. A oficial e as falsificações, a vegetal e a light.
O problema de todas elas é o packaging. Não vêm em embalagens menores que 800gr.
Mas o que é que eu, sozinha e desconhecedora de qualquer receita de doces, vou fazer com quase 1kg de bolacha Maria? Só se for propor ao puticlub lá debaixo que compremos a meias e elas ficam com metade para s…

11 de Setembro

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O mundo inteiro relembra o atentado terrorista de 11 de Setembro de 2001. Especiais na televisão, novas teorias , homenagens às vítimas.
Mas na Catalunha vai-se um passo á frente. As lojas fecham em sinal de luto (até os marroquinos). O letreiro luminoso do puticlub está apagado. Parece Agosto outra vez.
Os parapeitos gritam cor, das janelas e varandas pende a bandeira amarela e vermelha que nunca se pode confundir com a de Espanha.
Pelo centro, caminham triunfantes manifestações não sei bem do quê, são em catalão cantado. Mas consigo perceber que falam de liberdade.
As pessoas que não foram de fim-de-semana também estão nas ruas dos burburinhos, todas envergando aquela bandeira nas costas, estilo Super-homem. Às crianças são mais as bandeiras que as envergam a elas mas suponho que estão contentes por não terem de ir à escola.
O Ajuntamento e a Generalitat enfeitaram os balcões principais com uns tapetes estranhos e claro, a bandeira, com 20 metros por 15, no mínimo.
As pastelarias têm …

O templo

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As míticas fotografias dos livros de história tornaram-se realidade! As colunas estavam ali, diante dos meus olhos.
Tirando os guias de guarda-chuva no ar e os extensos grupos de turistas que se arrastavam pelo pó das ruínas, eu sentia-me como uma musa grega acabada de sair do “Hércules”!
O templo de Knossos, um palácio construído a pedido do rei dos minoanos nos remotos tempos antes de Cristo, foi destruído 3 vezes e algumas partes ainda se aguentam em pé.
Há os quartos da rainha e do rei, a sala do trono e uma casa de banho (com A banheira lá dentro)!
Mas o mais impressionante são as canalizações. Quase 2.000 anos antes de Cristo os minóicos já andavam a tomar banho com água canalizada. Aliás, só o facto de já andarem a tomar banho, sabendo que muitos séculos depois os nossos reis nem sequer consideravam essa hipótese, já me parece impressionante. Pena que os gregos não se deram ao trabalho de aperfeiçoar o sistema e, nos dias que correm, a água quente da torneira sai amarela.
O r…

O berço de Zeus era húmido e de pedra

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Na gruta onde, alegadamente, nasceu Zeus, há uma Senhora que, como se ela mesma estivesse prestes a parir, grita furiosamente “ Nô flash, nô flash!!!”. É para as pessoas que não viram o aviso à entrada e estão a danificar a pintura das estalactites milenares com os seus flashes indiscretos (como eu).
Conta a lenda que o oráculo disse a Cronos, pai de Zeus, que um dos seus filhos o iria matar. Pelo que Cronus, revelando grande capacidade proactiva, matava logo os seus filhos antecipadamente. À nascença. Por isso Rhea, mãe de Zeus, fugiu para a gruta Dikteon a fim de dar luz ao seu rebento em segurança. A Cronus, entregou um bebé de pedra embrulhado num lençol e parece que ele não achou estranho o excesso de peso e a falta de dinamismo do seu filho recém-nascido. Para assegurar a sobrevivência do pequeno Zeus, ele foi escondido numa outra gruta, onde cresceu forte e saudável, bebendo mel e leite das produções da região demarcada de Creta. Quando atingiu a maioridade foi ao Olimpo, ma…

Ficava a caminho...

O mapa surgiu no ecrã minúsculo: Turim, Milão, Siena, Roma, Nápoles.
A risquinha vermelha já tinha deixado para trás a Sardenha e, antes dela, Palma de Mallorca.
O Mediterrâneo estava prestes a dar lugar ao Adriático e lá longe podiam ver-se Moscovo, S.Petersburgo e Bagdad. Mas isso seriam outras 4 horas e meio, no mínimo. E, convenhamos, S. Petersburgo e Bagdad não estão exactamente uma ao lado da outra.
A risquinha vermelha avançava a centímetros largos. Depois do golfo de Nápoles, do lago sem fundo onde a lenda conta estar a entrada para o inferno, dos planaltos rochosos do “mezzogiorno” e do Vesúvio, volta a ser tudo azul outra vez. Com breves apontamentos de branco (nuvens autistas).
Não houve turbulência mas eu sentia-a na mesma. O primeiro tremor foi ao ver Siena, a minha Terra do Nunca, ainda que consideravelmente longe da risquinha vermelha. As réplicas vieram com as recordações do Coliseu e da Fontana di Trevi, da Mole de Turim, dos amigos de Milão e da peculiaridade de Náp…

Jet lag de tendências

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Quem regressa a casa vindo do estrangeiro traz sempre algo mais do que quando partiu. De preferência, algo mais para causar sensação.
Uma história divertida para contar, algumas palavras novas mal pronunciadas, mas que deixam sempre toda a gente muito impressionada, souvenirs para que ninguém se esqueça de que ele foi viajar (nem de lhe trazer uma prenda na próxima viagem) e a típica frase dogmática que perdurará por toda a vida “Porque lá/em/lá em…” era assim.
Desta vez, eu trouxe uma flor de Barcelona. Uma flor para o cabelo!
“Porque lá em Barcelona” a minha flor para o cabelo era um sucesso declarado. Um acessório na moda mas não demasiado visto, que recebia atenção e elogios de toda a gente. E quando digo toda a gente incluo desde raparigas catalãs até senhores irlandeses de meia idade, passando por rapazes australianos, amigas minhas de Londres ou da Argentina e o meu próprio chefe. Para quem a mais bela harmonia estética consiste numa garrafa de cerveja fresquinha.
E eu lá vim…

Cheira bem

As árvores não parecem as mesmas
Prédios, cada vez há mais
Os vizinhos mudam-se
E as estrelas nunca estão iguais.
As novidades viajam
Suculentas de boca em boca
Às vezes é coisa para tanto
Às vezes é coisa pouca.
Mas todas as coisas se sabem
E todas as coisas se esquecem
Menos as de importância duvidosa
Que com muita imaginação se endurecem.
Na varanda passa a rua
E tudo passa, efémero
Por ali.
Só este cheiro é que não passa
Sempre cheira a “eu vivi aqui”.

E é um cheiro singular
Com fragrâncias sem nome
Que fazem o tempo voltar.

Coisas de emigrante

Ouvir certas músicas que, no nosso ambiente natural, nunca nos passariam pelos ouvidos.



E gostar e ouvir outra vez!

Menos mal que amanhã já durmo em casa.
Assim, todos poderemos dormir tranquilos, sabendo que não chegarei ao ponto de colocar no blog vídeos da Ana Malhoa ou do Michael Carreira.

O âmago das batatas

Afinal não vinham da janela da cozinha, nem do “puticlub” clandestino do rés do chão, nem dos canos. Mas diz a vizinha de cima que há que continuar a deitar-lhes lixívia (aos canos) para não cheirarem mal.
Fiquei conhecida no prédio como “aquela que tem mosquitos na cozinha” mas compensou porque, graças a uma das conversas com os vizinhos, descobri o útero da praga!
“De certeza que não têm, sei lá, às vezes acontece, uma cebola podre?”. Eu, na minha inocência, disse que não. Mas quando cheguei a casa rebaixei-me às prateleiras metálicas onde estão as cebolas e não só tínhamos uma cebola podre como limões, alhos e, principalmente, batas podres. Vou poupar-vos à descrição do buraco negro infestado que havia nas batatas. Digamos que era aí que estava a questão existencial de todas aquelas coisas voadoras que se multiplicavam a cada dia.
As batatas não eram minhas, nem os limões porque eu não compro limões. Eram de alguém que se foi embora e se esqueceu delas ali. Não sei se foi o rapaz gay…

A cozinha da vizinha é melhor que a minha

A cozinha da vizinha tem um microondas e cheira sempre bem. Cheira a bolos e a assados, cheira à comida que fazem as nossas mães.
A minha cozinha tem uma praga de mini-moscas (depois de uma tarde a pesquisar serviços de desinfestação no Google não consegui descobrir o nome cientifico) e cheira a insecticida barato.
E depois tem-me a mim, com um pano branco em punho, a matar desenfreadamente tudo o que voa. Pa pa pa pa, remexo-me e volto-me a remexer, pa pa pa, aponto em todas as direcções, elas insistem, são muitas, mas eu também não desisto,pa pa, continuo a fazer manobras arriscadas com o pano branco (assim se foi o íman do frigorifico em forma de pretzel e qualquer dia vai a Sagrada Família), pareço o Jackie Chan, pa!

E a cozinha da vizinha não tem mini-moscas, porque eu já lá foi perguntar.

Cidade fanstasma

Segunda quinzena de Agosto. Barcelona, zona residencial de L’Eixample. Sábado à tarde.
Desde que cheguei a esta cidade (Outubro do ano passado) e até ontem, os super-mercados sempre estiveram abertos de Segunda a Sábado atés às 9 da noite. Hoje deparei-me com eles fechados. Como se não fosse indecente o suficiente o facto de estarem fechados ainda tiveram o descaramento de deixar a placa com o horário “De segunda a Sábado das 10.00 às 21.00”.
Vi-me obrigada a avançar mais duas ruas para um abastecimento de emergência no minimercado dos marroquinos. Não me cruzei com viva alma. Parece que nem sequer os cães estão cá este fim-de-semana e os sem abrigo devem ter aproveitado o dia de calor para ir à praia tomar banho.
O mini-mercado dos marroquinos tem um surtido muito reduzido, que deve compensar no alargamento dos preços (exorbitantes). Cheira mal e as frutas, em vez de um campo agrícola, parece que vieram de um campo de guerra. Comprei duas maçãs.
Além deste estabelecimento, em toda a amp…

Crises existenciais aos 23, serei normal?

Talvez o problema seja esse mesmo, ser normal!

Falei com uma amiga (xiigrandabolta.blogspot.com) que está há algum tempo de viagem pelo mundo, desde a India às montanhas do Perú. Agora diz que quer ir viver para o Havai.
Sempre foi assim, maluqinha, e sei que ela toma isto como um elogio.

Foi então que dei por mim a pensar se não serei demasiado comercial.
Afinal, exactamente a quantos outros milhares de pessoas não corresponderá também a
seguinte descrição:

Viagem de Sonho: NY
Serie de culto: Sex and teh City
Lojas: Zara,H&M, Bershka, Mango, Stradivarius, Oysho, Calzedonia…
Comida: Made in Italy
Estudos: Comunicação marketing e publicidade
Profissão: Comunicação marketing e relações públicas
Desporto: basquetebol, ténis, futebol.
Sonho: Escrever um best-seller
Paixões: Viajar, ler, escrever, ir ao cinema, fazer compras
Hobbies: Dança do ventre
Redes sociais: Facebook, Hi5


A elevada possibilidade de um elevado número de pessoas, ainda mais elevado que a própria possibilidade, encaixarem nest…

Oh mãe já não gostamos do Messi porque ele quer jogar pelo seu país!

Lio Messi, super estrela do FC Barcelona, pediu a Pep Guardiola, treinador bem quisto do clube, para se ausentar no primeiro jogo oficial do campeão da La liga, da Copa del Rey e da Europa também.
O adversário da partida em questão é, nem mais nem menos, que o grande Sporting de Gijón.
Messi tem jogo marcado pela Argentina contra o eterno rival, Brasil, a contar para o apuramento para o mundial 2010.
É, no mínimo, compreensível que peça para se ausentar a fim de se preparar devidamente com a sua selecção para o grande épico, alguns chamam-lhe o maior clássico do futebol mundial, que será disputado na sua cidade natal.
Pois os catalães acham que não. Que é um pedido totalmente descabido e que a resposta tem, iminentemente, que ser negativa.
Os argumentos são sempre os mesmos: É o Barcelona que lhe paga o salário no fim do mês e, convenhamos, um milhão de euros não está nada mal; se abrirem excepção para ele terão que abrir para todos os outros jogadores; os jogos com as equipas mais peq…

NOVO BLOG!

É um blog sem nome. Bem, chama-se blog.ryanspubs.com que é o mesmo que não ter nome, já que Ryans é o nome do bar. Fez-se este copy e paste por falta de sugestões que gerassem unanimidade.
Sempre está melhor que antes. Antes chamava-se blog2. Isto porque o informático do bar teve um período de indecisão aguda durante o qual mudou direcções do blog e passwords dos seus usuários, repetidas vezes. Foi um período interessante…

Mas a ideia é louvável: um blog, não um catálogo de promoções, destinado a conectar as pessoas com os bares de uma maneira saudável e divertida e escrito em 4 idiomas distintos, por 4 autores de inigualável talento.
Falo de mim mesma, claro está, espalhando a língua de Camões pelo mundo e, portanto, escrevendo posts que ninguém lê porque ninguém percebe português.
Do meu estimado chefe que, um dia, eventualmente, irá fazer um post em catalão ou espanhol. (resta-nos continuar à espera).
Do meu colega de trabalho que não assimilou bem a parte de um blog mais divertido e …

Dedicatórias

Este Domingo fui a um bar perto de casa. Tocava o namorado de uma amiga brasileira do mestrado.
O bar é pequeno e não estava cheio, abriu só porque ia haver música. É assim o Verão em Barcelona: deserto em todo o lado, das ramblas para cima. Lotado à beira-mar.
O namorado da minha amiga é italaino e faz um duo com outro amigo italiano, que chegara a Barcelona no dia anterior. De mota. Porque vir de carro era demasiado confortável. 15 horas de mota e quando chegou, dizem, não conseguia sair daquela mesma posição.

Mas isto são preâmbulos. Sejamos concretos: o duo italiano faz covers de músicas em inglês, com um repertório extenso.
No decorrer da actuação, um rapaz aproximou-se deles para pedir uma canção dedicada à sua namorada. Só nos apercebemos quando eles disseram ao microfone, “esta é para a Judite” do já não me lembro o nome.
Então toda a gente olhou para a Judite e a Judite corou mais vermelho que o equipamento do Benfica e trocou um sorriso cúmplice com o namorado, como quem diz, “e…

A estrela deste Verão!

Imagem
(não, não é a Maya na capa da FHM)

...

O perfume dos guarda-chuvas
O esconderijo debaixo das saias rodadas
Os pecados das rosas
A teimosia dos chapéus
Que insistem em voar
O doce mistério das queijadas
As palavras suicidas da boca para fora
A solidão das meia sem par
A dor da última fatia
Do bolo de chocolate
O jeitinho de dançar das borboletas
As nuvens que sabem mímica
A música das ondas do mar
Os mexericos das paredes com ouvidos
A alquimia dos poemas de amor
A loucura dos artistas
A coragem do iô-iô
A magia das fontes que mudam de cor
As caixinhas de surpresas dos apaixonados
A timidez das estrelas
A adrenalina dos candeeiros intermitentes
O grito de socorro dos beijos roubados
A entropia das bonecas russas
O sabor irresistível das folhas dos jornais,

Quando nada dura para sempre
É bom saber que há coisas imortais…

Em Barcelona não há feias!

Tentando ignorar a minha urticária aguda com picos, descrita e documentada extensivamente no post anterior, embrenhei-me pelos blogs vizinhos. E inspirada por http://opontodoi.blogspot.com/2009/07/os-misterios-da-fealdade.html e por http://margemdeerro.blogspot.com/2009/07/venga.html , fiz eu mesma uma reflexão conjugando a suposta beleza de uma pessoa e as expressões multiculturais.

Eu ficava feliz quando me chamavam “guapa”. Sentia-me confiante. Era a guapa das guapas com tantas vezes que o ouvia, e todas num mesmo dia, a cada dia!

Pouco a pouco, fui-me apercebendo que em Barcelona é muito difícil e extremamente improvável ser feia. Chamam “guapa” por tudo e por nada, a todas as raparigas.
“Vale guapa” Gracias guapa” Hola guapa” “Adiós guapa” Qué tal guapa?” são só alguns exemplos que comprovam como 5 em cada 10 frases têm de acabar a dizer que alguém é “guapa”.

Senti que todos os “guapa” que tinha escutado até então se esvaziavam a meus pés. Eu ser “guapa” não passava de uma mera…

Urgências

Mais uma visita e tenho certeza que me dão o Cartão VIP do Hospital Clinic com direito a desconto de 5 minutos por cada hora de espera.

Na Sexta-feira foram 2 horas, em muito devido à diversidade de sobrenomes com que me baptizaram e ao desconhecimento, por parte dos recepcionistas dos serviços de saúde de Barcelona, quanto aos acordos comunitários da segurança social.

Estava capaz de agredir com pouca suavidade a próxima pessoa que me perguntasse se não tenho o cartão europeu de saúde (não, não tenho porque já pedi mas ainda não o enviaram!), em que rua é que eu moro ou se comi qualquer coisa estragada.
Foi então que me disseram algo novo e surpreendente “Tem sorte porque o sistema de facturas se avariou, se não, tinha de pagar a consulta”.
Qual consulta??? Aquela em que me auscultaram para constatar o que eu já tinha constatado em frente ao espelho e em que me disseram para continuar a tomar os comprimidos que já estava a tomar?
É que nem sequer tive a honra de um nome cientifico para …

O novo Harry Potter!

Não obstante o último post, quero deixar claro que o Cristiano Ronaldo é um excelente investimento de marketing!
O último grito em 15 minutos de fama na televisão italiana e , anteriormente, na espanhola.
Há certo cepticismo em relação às capacidades cognitivas das dezenas de supostas namoradas do número 7, mas de auto-promoção e gestão mediática sabem elas muito!
Gosto especialmente da última, uma ex-concorrente do Big Brother italiano, que está a oferecer a sua virgindade por um milhão de euros e proclama que só beijou um rapaz na sua vida. Quando deve ter beijado pelo menos metade do sul de Itália, segundo fontes fidedignas que a conhecem desde quando ainda não havia Big Brother. A todo este teatro somam-se rumores de envolvimento com o jogador. Resultado: grande projecção mediática e papéis na televisão.
O que me leva a indagar se, para escrever o próximo best-seller do século, com direito a filme no cinema e sequelas, bastará intitulá-lo “O meu romance tórrido com Cristiano Rona…

Português na televisão espanhola

Qual não é o meu espanto quando, na íngreme travessia pelos canais da televisão espanhola, ainda por cima feita sem telecomando, esbarro com alguém a falar português.
Era um anúncio ao BES e “alguém” era, nada mais nada menos, que Cristiano Ronaldo.
Detive-me alguns instantes, porque quando vivemos no estrangeiro temos sempre aquela satisfação inexplicável pelo reconhecimento de algo familiar.
Vamos lá ver o que ele diz, pensei.
No segundo seguinte, dei por mim a ler as legendas em espanhol para perceber o que ele estava a dizer.
Não sei se lhe disseram que tinha de falar sem abrir a boca ou, se ainda estava a mastigar a sobremesa do almoço, mas o rapaz aparece a falar português com tão boa dicção como a Nelly Furtado.
O problema não era o sotaque, que o sotaque madeirense é o meu preferido e não se fala sem mexer a boca!
O problema eram os rrshshsdrshshpdsh que lhe saíam em vez das palavras. Qualquer um que não fosse conhecedor da língua portuguesa poderia pensar que o anúncio estava …

E pela primeira vez em 23 anos... CHUVA!

Em Barcelona a partir de Junho nunca chove, disseram-me.
Choveu a 9 de Julho, provavelmente o único dia de chuva de todo o verão da Catalunha este ano.
“Não fiques assim, de certeza que à tarde faz sol” (seguiu-se o CABUM de um trovão).
Efectivamente, não houve um único raio de sol.
“È sinal de sorte” “Lava a alma” “Traz felicidade”…
Balelas! Mentiras que se inventam para consolar os infelizes!
Eu cá gosto de sinceridade. Que ninguém me venha dizer que o facto de fazer sol ou chuva no meu aniversário tem alguma influencia relevante na predisposição do meu destino. Ainda se tivesse havido um arco-íris!
Qual quê, o mais colorido que atravessou o dia foi o camisa amarela do tour de france.
Ui! Queria ver irem dizer que “a chuva lava a alma” ao Ayuntamiento de Barcelona que pagou ridiculamente caro para ter bicicletas a chapinhar pelas ruas ensopadas e o transito cortado.
Quem quer lavar a alma vai para um retiro espiritual, não fica à espera que chova!

Enfim, eu cá encaro a realidade de …