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A mostrar mensagens de Janeiro, 2009

Candeeiro a petróleo

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Candeeiro a petróleo podia ser um poema.
Porque candeeiro a petróleo é um algoritmo literário elaborado foneticamente por melódicos iei ó ei, interceptados pelos graves pe e tró. Que podiam ser chefes da máfia.
Candeeiro a petróleo surgiu no século XIX e era termo de casas abastadas. Quem diria que um dia seria substituído pelo candeeiro do IKEA?
Quem não nota a descida de qualidade da poesia?

Esta semana as portas estremeceram, os vidros irromperam pelo céu, as motas e bicicletas foram derrubadas e as estradas e ligações de transportes públicos cortadas. Os caixotes do lixo renderam-se ao asfalto e a antena da televisão caiu do pedestal.
Ouviram-se camiões de tiro. Mas afinal era só o vento. O vento indiscreto que espreitou pela janela do quarto e me acordou de sobressalto.
O vento ou um ciclone, como dizem as pessoas qualificadas para falar do tempo.

Eu só queria falar do candeeiro a petróleo. Porque em diversas zonas do “território nacional” de Espanha, faltou a electricidade.
Então,…

Roubada sim, desconfortável nunca!

O local é amplamente conhecido, até o condutor do camião do lixo já nos tinha dado a localização exacta. Por falar em camião do lixo, passam muitos mais desses do que carros da polícia.
Uma Quinta-feira à noite nas ramblas e apenas um carro da guardia de segurança contabilizado.
Entende-se perfeitamente, afinal há prioridades clara sobre o patrulhamento das ruas de maior movimento nocturno de Barcelona. Como socorrer todas as chamadas telefónicas de vizinhos incomodados com alguma festa de estudantes ou passar multas e chamar gruas para rebocar carros mal estacionados.

A entrada do local é concorrida, não há segurança à porta mas o recepcionista pede com altivez que as pessoas se afastem e aguardem a sua vez. O processo segue por senhas, como se estivéssemos na fila para pedir 200 gramas de queijo manchego e um jamon ibérico (às 3.30 da manhã).
A sala de espera é ampla e confortável, já prevendo a grande adesão do público, na sua maioria estrangeiros, bem como a morosidade do serviç…

Matrimónio em território Espanhol

Não é fácil apanhar conversas a meio, sobretudo quando ao embalo ruidoso do comboio se junta o arrastar cantante do sotaque sul-americano. Os sul-americanos têm uma maneira diferente de falar que extravasa as dissonâncias de pronúncia. Eles falam sem cerimónias: dizem o que pensam, perguntam o que querem saber. Mas, como já dizia o Rui, há sempre um lado lunar, e, às vezes, a sua maneira de falar é desarmada pelo seu próprio à vontade e nem mesmo eles, sabem o que responder…

9 da noite de Quarta-feira
Comboio Campos da Universidade – Barcelona
O professor convidado acompanha-nos no regresso a casa. É um argentino de modos corteses e aspecto cuidado, o que disfarça a idade, provavelmente além da sexagenária. A aula foi muito interessante, cada coisa que ele dizia era um tiro em cheio no alvo. Tratava-se de um dos mais cotados e respeitados consultores de comunicação e imagem que já anda nesta vida há toda uma vida. Mas nem assim é minimamente arrogante e a sua simpatia decorre numa animad…

O Metro de Lisboa em pelota

Percebo que estou alienada da realidade e que urge começar a comprar jornais espanhóis (e quiçá estrangeiros) e a ver o telejornal da TVE, quando fico a saber das notícias de Portugal pelo blog da minha amiga de São Paulo...

www.complie.blogspot.com

A neve

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Quem não tem a melodia do let it snow let it snow let it snow a soar em algum gramofone da memória auditiva? Quem nunca viu um filme de Natal com os pinheiros brancos, e as pessoas com casacos quentes, e os carros cobertos de neve como bolos com cobertura de açúcar, e as ruas brancas, contrastando com as noites escuras, interrompidas apenas por pequenos flocos (às vezes até em forma de estrela) que caem suave suave, como se fossem algodão doce…
Quem nunca sonhou em fazer um boneco de neve?
Sim, como é bela a neve idílica e utópica, a neve das canções melódicas, a neve dos filmes românticos, a neve dos postais de Natal e da Patagónia.
Mas a neve da montanha, algures no topo da “Piccola Svizzera” da Itália, tem outros contornos que escapam à comum apreciação de neve a distância.
E os bonecos de neve não são todos fofinhos!



Seria mentira dizer que à primeira vista não é impressionante, para alguém que está habituado ao clima mediterrâneo e às praias do Brasil.
A primeira vez que neva é melho…

As meias-noites

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Há coisas que só acontecem uma vez na vida. A meia-noite da passagem de ano não é uma delas.



As primeiras 12 badaladas seguiram com 12 uvas oferecidas pelo dono do restaurante italiano, que ninguém conseguiu engolir a tempo de fazer desejos. Mas depois das consecutivas pratadas de salada, pasta, lasanha, enchidos, pizza e carne assada do menu de 25€, o único desejo possível era que levassem dali os pratinhos com fatias de tiramisú.
A segunda cava foi aberta numa humilde carruagem do metropolitano de Barcelona, entre olhares estarrecidos de espanhóis alternativos (conflito étnico-social para descobrir um termo adequado e não insultuoso) e espanhóis status quo (porque se disser normais vai implicar que os alternativos não são normais). Eram as 00 portuguesas, e só aí, pudemos entrar verdadeiramente em 2009!



Nos dias antecedentes, elas foram à Sagrada Família e à Pedrera, eles foram ao Camp Nou (parece-me digno registar que a visita guiada ao Camp Nou é mais cara que as entradas da Sagrad…