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A mostrar mensagens de Junho, 2009

Está oficialemente aberta a época dos amores de Verão!

Amores de Verão, na verdade, há o ano todo. Sobretudo desde que inventaram as low cost e o programa Erasmus.
Suspeito também que a introdução e massificação do conceito de fast food tenha ajudado a impulsionar a coisa, pela popularização do imediato (ainda que em forma de hambúrguer).
Mesmo assim, terão havido sempre os ditos "amores de Verão" e outros com as mesmas características mas em outras estações do ano. Sim, estou convencida que existiram ao largo de todos os tempos, em fogosas fantasias de paixões tão arrebatadoras quanto impossíveis a largo prazo.

Há quanto tempo se diz que os marinheiros têm um amor em cada porto?

Pois é, desde que há marinheiros.

Mas só agora é que chegou o videoclip!

Que, ao contrário do que até aqui fiz parecer, não é, exactamente, a banda sonora do soneto de Camões, que arde sem se ver, mas uma campanha publicitária muito bem conseguida.
Exactamente porque nos envolve de surpresa e nos apaixona em menos de 3 minutos...

E no fim do verão passará à …

Para quê o curso? Já somos todos jornalistas...

Que há muito que se conspira a morte do jornal impresso , não é novidade.

Estranho, é que já haja uma informação digital, não oficial, o que portanto exclui jornais e agencias on line (e as notícias do sapo também) que nos ponha a par do que se passa no mundo, instantaneamente.

Desde convites para todos os tipos de eventos, até reacções políticas, novidades musicais, titulares sobre desporto e actualidade, pensamentos introspectivos ou as cusquices dos outros, deleite da humanidade. Tudo comentado pessoalmente, com direito imediato de resposta e ilustração à base de vídeos e fotos, desimpedidos para partilha.

Chamam-lhe rede social. E eu chamo a isso uma síntetese mal feita.
É um canal de promoção pessoal, onde só se transmite aquela parte de nós que interessa transmitir: olha que espectacular que eu estava nas ilhas Fiji e de caminho vê que estou numa relação séria com este que é tão espectacular como eu; um catálogo de pessoas para conhecer potenciais caras metade; um meio de publici…

o "Mar"

Foram 22 anos de lúcida ilusão.
Da Caparica à Ilha de Tavira, da Praia da Rocha à das maçãs. De Porto-Covo aoFarol, do Farol a Paúba e de Paúba a praticamente todos os excertos litorais do Nordeste brasileiro.

Morena, apologista radical da praia, sobretudo quando em dúvida com o campo. Simpatizante de surfistas bronzeados, especialista em tipos de areia e coleccionadora esporádica de búzios e conchinhas.
As bandeiras vermelhas são para desbravar, cautelosamente, as amarelas são susceptíveis de causar irritação porque não são nem sim nem não.

E, no entanto, foi a primeira vez que entrei no mar.
Foi no Mediterrâneo. Praia de Badalona, arredores de Barcelona.
De resto, já tinha ido a 2 continentes mas nunca além do Atlântico.
Não obstante, passei todo este tempo a fingir que sim. Uma vida inteira a ouvir e a perguntar “Vamos ao mar?”

Mas consigo entender o porquê do engano propositado.
Será porque dizer “vamos ao oceano” é mais cansativo e menos poético (e nada em voga).
E, portanto, detona…

O regador

O Regador

Eu tinha um cor-de-rosa, insinuante. Aquele era azul e discreto. Saltitava por entre as mãos que precisavam ser duas para o agarrar. Assustava os pombos que vagueavam distraídos.
Oxalá os tivera afogado!
Se há sítio onde os pombos deviam ser proibidos, além de todos os sítios em geral, esse sítio é a praia. (Mesmo que a areia seja de pó e os guarda-sóis acrobatas assassinos).

E de repente esgotou-se-lhe a magia…

Ela podia aguentar tudo. Podia aguentar os ganchinhos que lhe escorregavam pelo cabelo
e o cabelo que lhe escorregava pelo rosto, e o peso da família numerosa e ruidosa e o sopro do vento que insistia em deitá-la a baixo e com o qual se debatia, destemidamente.
Mas que se acabasse o cultivo de flores na areia de pó com adubo de resíduos de plástico; que fosse obrigada a cessar a confecção de crepes chineses à base de deliciosos grãos de areia molhada (que a menina do guarda-sol vizinho comia feliz sem que ninguém desse por ela) isso é que não!
- Papááááá!
Foi aí que, mais u…

Eu não!

Podia ter acontecido assim:

- Tenho uma ideia nova para vendermos móveis. Talvez seja um pouco radical mas tenho certeza que é genial!
- Então conta lá.
- Bem, primeiro, vamos deixar de fazer móveis bons e duradouros.
- Ah sim?
- Sim, sim, está claro. O que vai estar na berra são móveis com estilo mas qualidade que não ultrapasse os 2 anos. Assim as pessoas vêm à loja mais vezes para comprar móveis novos.
- Mas os móveis são caros, têm de ser duradouros!
- Ah mas os nossos móveis vão ser baratos. Os mais baratos do mercado! Como as lojas do chinês.
- Ahhh! Pode funcionar…
- Sim, mas para funcionar também é preciso mudar o ponto de venda, fazer uma coisa estilo armazém.
- Estilo armazém?
- Sim, um espaço grande e fora da cidade. Num ponto com pouca acessibilidade. Só para quem tem carro. Ah e os móveis não estão em exposição!
- Os móveis não estão em exposição?
- Não, não estão. Mete-se uns cenários das divisões da casa, que vão ficar desgastados e feios com o tempo e os clientes a passarem e a …

Regionalismos

Tínhamos aquela sensação de quem descobriu a pólvora. Mas claro, como já estamos na era da energia nuclear, a explosão não teve o impacto previsto.
A premissa era simples: a forte identidade das pessoas da Catalunha é uma oportunidade para a venda de produtos agrícolas, com um selo de qualidade da rede de parques naturais da Catalunha. O slogan era fofinho: “productos de nuestra tierra”. A expressão utilizada foi catastrófica: “fuerte sentimiento de regionalismo”.

BOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOM!

Vê-se logo que não somos daqui e não sabemos o que estamos a dizer porque, na verdade, esta afirmação tem uma conotação negativa e insultuosa, para não mencionar a sua falsidade. Foi este o âmago do comentário que recebemos por parte do grupo ( de catalães) que analisava o nosso projecto.

Mas ainda houve réplicas! Insurgiu-se o senhor professor (catalão e motard) contra comentários inúteis sobre os projectos. Coisas do género: a formatação das tabelas, se a mascote é um javali ou um colibri e o malfadado…