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A mostrar mensagens de Julho, 2009

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O perfume dos guarda-chuvas
O esconderijo debaixo das saias rodadas
Os pecados das rosas
A teimosia dos chapéus
Que insistem em voar
O doce mistério das queijadas
As palavras suicidas da boca para fora
A solidão das meia sem par
A dor da última fatia
Do bolo de chocolate
O jeitinho de dançar das borboletas
As nuvens que sabem mímica
A música das ondas do mar
Os mexericos das paredes com ouvidos
A alquimia dos poemas de amor
A loucura dos artistas
A coragem do iô-iô
A magia das fontes que mudam de cor
As caixinhas de surpresas dos apaixonados
A timidez das estrelas
A adrenalina dos candeeiros intermitentes
O grito de socorro dos beijos roubados
A entropia das bonecas russas
O sabor irresistível das folhas dos jornais,

Quando nada dura para sempre
É bom saber que há coisas imortais…

Em Barcelona não há feias!

Tentando ignorar a minha urticária aguda com picos, descrita e documentada extensivamente no post anterior, embrenhei-me pelos blogs vizinhos. E inspirada por http://opontodoi.blogspot.com/2009/07/os-misterios-da-fealdade.html e por http://margemdeerro.blogspot.com/2009/07/venga.html , fiz eu mesma uma reflexão conjugando a suposta beleza de uma pessoa e as expressões multiculturais.

Eu ficava feliz quando me chamavam “guapa”. Sentia-me confiante. Era a guapa das guapas com tantas vezes que o ouvia, e todas num mesmo dia, a cada dia!

Pouco a pouco, fui-me apercebendo que em Barcelona é muito difícil e extremamente improvável ser feia. Chamam “guapa” por tudo e por nada, a todas as raparigas.
“Vale guapa” Gracias guapa” Hola guapa” “Adiós guapa” Qué tal guapa?” são só alguns exemplos que comprovam como 5 em cada 10 frases têm de acabar a dizer que alguém é “guapa”.

Senti que todos os “guapa” que tinha escutado até então se esvaziavam a meus pés. Eu ser “guapa” não passava de uma mera…

Urgências

Mais uma visita e tenho certeza que me dão o Cartão VIP do Hospital Clinic com direito a desconto de 5 minutos por cada hora de espera.

Na Sexta-feira foram 2 horas, em muito devido à diversidade de sobrenomes com que me baptizaram e ao desconhecimento, por parte dos recepcionistas dos serviços de saúde de Barcelona, quanto aos acordos comunitários da segurança social.

Estava capaz de agredir com pouca suavidade a próxima pessoa que me perguntasse se não tenho o cartão europeu de saúde (não, não tenho porque já pedi mas ainda não o enviaram!), em que rua é que eu moro ou se comi qualquer coisa estragada.
Foi então que me disseram algo novo e surpreendente “Tem sorte porque o sistema de facturas se avariou, se não, tinha de pagar a consulta”.
Qual consulta??? Aquela em que me auscultaram para constatar o que eu já tinha constatado em frente ao espelho e em que me disseram para continuar a tomar os comprimidos que já estava a tomar?
É que nem sequer tive a honra de um nome cientifico para …

O novo Harry Potter!

Não obstante o último post, quero deixar claro que o Cristiano Ronaldo é um excelente investimento de marketing!
O último grito em 15 minutos de fama na televisão italiana e , anteriormente, na espanhola.
Há certo cepticismo em relação às capacidades cognitivas das dezenas de supostas namoradas do número 7, mas de auto-promoção e gestão mediática sabem elas muito!
Gosto especialmente da última, uma ex-concorrente do Big Brother italiano, que está a oferecer a sua virgindade por um milhão de euros e proclama que só beijou um rapaz na sua vida. Quando deve ter beijado pelo menos metade do sul de Itália, segundo fontes fidedignas que a conhecem desde quando ainda não havia Big Brother. A todo este teatro somam-se rumores de envolvimento com o jogador. Resultado: grande projecção mediática e papéis na televisão.
O que me leva a indagar se, para escrever o próximo best-seller do século, com direito a filme no cinema e sequelas, bastará intitulá-lo “O meu romance tórrido com Cristiano Rona…

Português na televisão espanhola

Qual não é o meu espanto quando, na íngreme travessia pelos canais da televisão espanhola, ainda por cima feita sem telecomando, esbarro com alguém a falar português.
Era um anúncio ao BES e “alguém” era, nada mais nada menos, que Cristiano Ronaldo.
Detive-me alguns instantes, porque quando vivemos no estrangeiro temos sempre aquela satisfação inexplicável pelo reconhecimento de algo familiar.
Vamos lá ver o que ele diz, pensei.
No segundo seguinte, dei por mim a ler as legendas em espanhol para perceber o que ele estava a dizer.
Não sei se lhe disseram que tinha de falar sem abrir a boca ou, se ainda estava a mastigar a sobremesa do almoço, mas o rapaz aparece a falar português com tão boa dicção como a Nelly Furtado.
O problema não era o sotaque, que o sotaque madeirense é o meu preferido e não se fala sem mexer a boca!
O problema eram os rrshshsdrshshpdsh que lhe saíam em vez das palavras. Qualquer um que não fosse conhecedor da língua portuguesa poderia pensar que o anúncio estava …

E pela primeira vez em 23 anos... CHUVA!

Em Barcelona a partir de Junho nunca chove, disseram-me.
Choveu a 9 de Julho, provavelmente o único dia de chuva de todo o verão da Catalunha este ano.
“Não fiques assim, de certeza que à tarde faz sol” (seguiu-se o CABUM de um trovão).
Efectivamente, não houve um único raio de sol.
“È sinal de sorte” “Lava a alma” “Traz felicidade”…
Balelas! Mentiras que se inventam para consolar os infelizes!
Eu cá gosto de sinceridade. Que ninguém me venha dizer que o facto de fazer sol ou chuva no meu aniversário tem alguma influencia relevante na predisposição do meu destino. Ainda se tivesse havido um arco-íris!
Qual quê, o mais colorido que atravessou o dia foi o camisa amarela do tour de france.
Ui! Queria ver irem dizer que “a chuva lava a alma” ao Ayuntamiento de Barcelona que pagou ridiculamente caro para ter bicicletas a chapinhar pelas ruas ensopadas e o transito cortado.
Quem quer lavar a alma vai para um retiro espiritual, não fica à espera que chova!

Enfim, eu cá encaro a realidade de …

Chegou a Carolina

Há não muito tempo atrás, andávamos por aí a rir nos cantos.
Íamos ver os jogos de futebol dos rapazes e descíamos as escadas de cócoras, para o vizinho não nos ver.
Tínhamos jogos de basket todos os fins-de-semana e treinos depois das aulas. Escrevíamos bilhetes de amor e descíamos os rápidos da Ilha Mágica. Ela tinha medo e gritava. Mas depois queria andar outra vez.

Trocavam-nos os nomes. Como se fossemos gémeas. Diziam que era por sermos as duas grandes. Como toda a gente que chama torre Eiffel à estátua da Liberdade e Estátua da Liberdade à torre Eiffel. Porque são as duas grandes!
Ela ainda era mais alta que eu e, embora não parecesse, um ano mais nova. Esquecia-me disso frequentemente, como as mais velhas que nós se esqueciam que eram mais velhas.
Agradavam-lhe as fotografias a preto e branco e nunca tinha borbulhas, só uma esporadicamente, quando lhe aparecia o período. Doía-lhe muito, não a borbulha, a barriga e as costas. Lembro-me que ficava de cama.
E lembro-me que via mal a…