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A mostrar mensagens de Setembro, 2009

Gerard

Quando nos apresentamos a alguém costumamos dizer um nome e ,normalmente, acabamos optando por dizer o nosso, salvo Inocêncios e Hermengildas, casos extremos em que se entende perfeitamente a utilização de uma alcunha ou diminutivo.
Mas, em geral, cada um diz o seu nome porque, ainda que não seja exclusivo, é o que nos identifica e condensa a concretude do nosso ser. Toda a gente sabe que as coisas sem nome não existem. Não podem existir. Podem haver nomes sem coisas mas não podem haver coisas sem nomes.

O curioso são aquelas pessoas cuja identidade é melhor definida pelo nome de outrem do que pelo seu próprio nome.
Por exemplo: o namorado da Madonna, a mulher do Figo, a irmã da Letizia Ortiz, aquela que saiu com o Cristiano Ronaldo (estas são quase mais que as Anas), etc.
Ainda assim, o mais curioso são aquelas pessoas que, elas mesmas, se auto-identificam e apresentam com o nome outrem.
Este Sábado tive o prazer de conhecer um exemplar desta peculiar espécie de pessoas (Credo! Parece …

Acabou ou começou?

Para sempre é muito tempo
Mais tempo do que o tempo tem.
Nem tudo é para sempre
Nem nada nem ninguém.

O vento varreu o sol, o cinzento apagou o azul resplandecente. Os 30 graus baixaram a pique do dia para a noite. As sandálias e os chinelos transformaram-se em botas, os braços já vão mais recatados e as pernas mais tímidas em mostrar o bronze.
Os leques, que até há bem pouco tempo eram o acessório indispensável para qualquer “outfit”, não tanto pelo “outfit” em si como pelo calor insuportável, foram substituídos em massa pelos guarda-chuvas.
À noite, já não se vê as estrelas a brilhar mas raios que rasgam o céu carregado, conjugados com os rugidos dos trovões que dão asas à imaginação.
Acabou-se a praia ao fim de semana mas pelo menos os chocolates já não derretem.
As lojas esperneiam novas colecções e as bebidas quentes relançam carreira, fazendo inveja à ventoinha, que inicia o seu ciclo de decadência.
Já está toda a gente em Barcelona outra vez, como se a água da chuva tivesse devolvido…

A infiltrada

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Ali estava eu. Os lábios comprimidos com força para não soltar um esfuziante “Kakààà”. Também conhecido como o “puto mierdas ese que es muy bueno coño!” pelos adeptos do “Mágico Espanyol”.



Afinal, em Barcelona nem toda a gente é do Barça. Há pelo menos 39.000 pessoas que são do Real Club Esportiu Espanyol. Eu estava contada entre elas, sobre o nome de Adrià Rollan.
Claro que o senhor que controla a entrada deu pelo facto de eu não ser o Adrià Rollan. Olhou o cartão de sócio, olhou para mim. Eu olhei para ele com a frieza de uma autêntica Mata-Hari. Por segundos, quase que até eu acreditei ser o Adría Rollan 1m85 com barba.
Mas não. Era uma luso-brasileira simpatizante do Barcelona no campo do rival directo da Catalunha e ansiosa por ver as estrelas da equipa adversária, nomeadamente, o Cristiano Ronaldo e o dito Kakà. E mais, não estava simplesmente no campo do Espanyol estava na bancada dos ultras! Aquela bancada por onde descem os panos gigantes com o logo do club para as câmaras da …

Não à discriminação!

A indústria alimentar discrimina descaradamente as pessoas solteiras que vivem sozinhas. Não é uma mera opinião, é um facto: a carne embalada vem suficiente para alimentar um rancho de filhos quando eu só queria um bifinho, as melancias, ou se come todos os dias a toda a hora, ou então, metade vai fora (com os cachos de banana é semelhante) e agora até as bolachas Maria!
Eu, na maior das inocências (porque até era diet), comprei um frasco de compota de morango e , como tal, tinha de comprar bolachas Maria para comer com a compota de morango (diet!).
Em Espanha há bolacha Maria (e em Barcelona também).
Aliás, o que não falta aqui são bolachas Maria. A oficial e as falsificações, a vegetal e a light.
O problema de todas elas é o packaging. Não vêm em embalagens menores que 800gr.
Mas o que é que eu, sozinha e desconhecedora de qualquer receita de doces, vou fazer com quase 1kg de bolacha Maria? Só se for propor ao puticlub lá debaixo que compremos a meias e elas ficam com metade para s…

11 de Setembro

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O mundo inteiro relembra o atentado terrorista de 11 de Setembro de 2001. Especiais na televisão, novas teorias , homenagens às vítimas.
Mas na Catalunha vai-se um passo á frente. As lojas fecham em sinal de luto (até os marroquinos). O letreiro luminoso do puticlub está apagado. Parece Agosto outra vez.
Os parapeitos gritam cor, das janelas e varandas pende a bandeira amarela e vermelha que nunca se pode confundir com a de Espanha.
Pelo centro, caminham triunfantes manifestações não sei bem do quê, são em catalão cantado. Mas consigo perceber que falam de liberdade.
As pessoas que não foram de fim-de-semana também estão nas ruas dos burburinhos, todas envergando aquela bandeira nas costas, estilo Super-homem. Às crianças são mais as bandeiras que as envergam a elas mas suponho que estão contentes por não terem de ir à escola.
O Ajuntamento e a Generalitat enfeitaram os balcões principais com uns tapetes estranhos e claro, a bandeira, com 20 metros por 15, no mínimo.
As pastelarias têm …

O templo

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As míticas fotografias dos livros de história tornaram-se realidade! As colunas estavam ali, diante dos meus olhos.
Tirando os guias de guarda-chuva no ar e os extensos grupos de turistas que se arrastavam pelo pó das ruínas, eu sentia-me como uma musa grega acabada de sair do “Hércules”!
O templo de Knossos, um palácio construído a pedido do rei dos minoanos nos remotos tempos antes de Cristo, foi destruído 3 vezes e algumas partes ainda se aguentam em pé.
Há os quartos da rainha e do rei, a sala do trono e uma casa de banho (com A banheira lá dentro)!
Mas o mais impressionante são as canalizações. Quase 2.000 anos antes de Cristo os minóicos já andavam a tomar banho com água canalizada. Aliás, só o facto de já andarem a tomar banho, sabendo que muitos séculos depois os nossos reis nem sequer consideravam essa hipótese, já me parece impressionante. Pena que os gregos não se deram ao trabalho de aperfeiçoar o sistema e, nos dias que correm, a água quente da torneira sai amarela.
O r…

O berço de Zeus era húmido e de pedra

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Na gruta onde, alegadamente, nasceu Zeus, há uma Senhora que, como se ela mesma estivesse prestes a parir, grita furiosamente “ Nô flash, nô flash!!!”. É para as pessoas que não viram o aviso à entrada e estão a danificar a pintura das estalactites milenares com os seus flashes indiscretos (como eu).
Conta a lenda que o oráculo disse a Cronos, pai de Zeus, que um dos seus filhos o iria matar. Pelo que Cronus, revelando grande capacidade proactiva, matava logo os seus filhos antecipadamente. À nascença. Por isso Rhea, mãe de Zeus, fugiu para a gruta Dikteon a fim de dar luz ao seu rebento em segurança. A Cronus, entregou um bebé de pedra embrulhado num lençol e parece que ele não achou estranho o excesso de peso e a falta de dinamismo do seu filho recém-nascido. Para assegurar a sobrevivência do pequeno Zeus, ele foi escondido numa outra gruta, onde cresceu forte e saudável, bebendo mel e leite das produções da região demarcada de Creta. Quando atingiu a maioridade foi ao Olimpo, ma…

Ficava a caminho...

O mapa surgiu no ecrã minúsculo: Turim, Milão, Siena, Roma, Nápoles.
A risquinha vermelha já tinha deixado para trás a Sardenha e, antes dela, Palma de Mallorca.
O Mediterrâneo estava prestes a dar lugar ao Adriático e lá longe podiam ver-se Moscovo, S.Petersburgo e Bagdad. Mas isso seriam outras 4 horas e meio, no mínimo. E, convenhamos, S. Petersburgo e Bagdad não estão exactamente uma ao lado da outra.
A risquinha vermelha avançava a centímetros largos. Depois do golfo de Nápoles, do lago sem fundo onde a lenda conta estar a entrada para o inferno, dos planaltos rochosos do “mezzogiorno” e do Vesúvio, volta a ser tudo azul outra vez. Com breves apontamentos de branco (nuvens autistas).
Não houve turbulência mas eu sentia-a na mesma. O primeiro tremor foi ao ver Siena, a minha Terra do Nunca, ainda que consideravelmente longe da risquinha vermelha. As réplicas vieram com as recordações do Coliseu e da Fontana di Trevi, da Mole de Turim, dos amigos de Milão e da peculiaridade de Náp…