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A mostrar mensagens de Outubro, 2009

A economia do romantismo

Pergunto-me se o amor também estará em crise. Se os beijos vão caindo a pique na bolsa. Se há cada vez mais mãos dadas no desemprego e se o preço dos olhares amantes também vai ser afectado.
Parece que o número de solteiros já está a desequilibrar a balança comercial e que a dívida pública gerada pelos divórcios é intransponível.
Contudo, li em qualquer lado de referencia que, segundo os especialistas, a grande preocupação é a questão do romantismo.
Parece que o gap entre os românticos e os não românticos vai triplicar nos próximos anos e que o romantismo médio per capita está cada vez mais deteriorado. Sem falar nos empréstimos de romantismo a crédito aos filmes lamechas.
De acordo com a mesma fonte, o PIB das cartas de amor é inferior à media da União Europeia e o Banco Central Europeu está a estudar a hipótese de um empréstimo mas como não têm papel perfumado é complicado.
As pessoas acabam por buscar soluções mais económicas como conhecer-se e namorar pelo facebook o que, conseq…

O dia em que o chefe a chamou

Quando o chefe pediu para conversarem ela não suspeitou de nada. A sala de reuniões estava ocupada pelo que se intrometeu o convencional “queres um café?” antes da conversa. Sim, era normal, eles estão sempre todos a beber café. Na cozinha estava o dos músculos e das dietas de hidratos de carbono a comer uma pratada de massa às 10.30 da manhã. Diz que lhe dá um prazer tremendo e que se tem de controlar até ao último apelo do estômago no Verão. Porque é quando deixa de ir ao ginásio. Agora que voltou à sua actividade física pode finalmente resgatar o delicioso hábito de comer doses generosas de esparguete ou de arroz a meio da manhã. Quando o resto das pessoas come uma sandes ou, precisamente, bebe um café.
“Mas tu participas em competições ou isso é só para exibir?” – perguntou o chefe .
“Não, não, eu faço isto por mim!” – respondeu ele, orgulhoso e não altruísta.
È justo, eu por mim compro chocolates ou, desde a intoxicação alimentar com a Nutella, latas de leite condensado para come…

Denmark!Denmark!

Foi fácil perceber que o bar ia esvaziar quando fosse o jogo de Portugal. Em cores fluorescentes e fonte desproporcionalmente grande brilhavam os nomes ENGLAND e DENMARK – SWEDEN. No fim do quadro escuro, em tons neutros e com cerca de 1 milímetro quadrado de espessura por letra, aparecia o pequenino Portugal – Hungria.
Mas enquanto a nossa selecção não jogava, a Dinamarca jogava por ela e nós apoiávamo-la fervorosamente, de pé, fora do bar, observando o ecrã com atenção.
Não sabemos uma única palavra em dinamarquês, nem o nome de nenhum jogador para poder impressionar. Não temos lá nenhum amigo nem nunca visitámos o país. Mas somos tão altruístas que pulámos, esperneámos e celebrámos o golo dos dinamarqueses tão efusivamente como se fossemos genuinamente de Copenhaga. E esprememos os nervos até ao último segundo da partida, não se fossem os suecos lembrar de marcar nos descontos.
Perdemos o hino de Portugal, mas ganhámos uma mesa só para nós diante da televisão. Era um facto, ninguém…

"A Loucura é uma questão de maioria"

“E a vida é uma convenção”.

Incompreensível e louco, afinal, são sinónimos. E a loucura é democrática. Quem diria?
Toda a gente que comunga um certo modo universalmente alargado de interpretação.
Não interessa que a mesa se pudesse chamar cinta adelgaçante e que só não se chama cacto pacato em flor porque não. E é loucura insistir em trocar as coisas que são porque são como são.
Como eram loucos aqueles que diziam que a Terra não era redonda e que Deus podia estar em todo o lado mas não no centro do Universo. E os primeiros que abriram restaurantes de fast food e os que acreditavam que o homem podia voar. Bem como os que preconizavam que as pessoas iriam conversar e conhecer-se instantaneamente, à distancia de tantos países e oceanos quanto o mundo tem.
Como são loucos os que morrem de amor. Ou o “L’étranger” de Camus e todos os outros que que não choraram nos funerais das mães. Doidos varridos!
Enfim, qualquer pessoa é perita em identificar loucos e a loucura de conceito abstracto tem mu…

Olimpíadas 2016

Quando a Rosa Mota apareceu no noticiário da TVE em representação da delegação de Tóquio, já era um prenúncio de que algo estranho se passaria.
Dizem que foi a primeira derrota do Obama e os espanhóis estavam crentes que iriam vencer. Ficaram com o conhecido “grande melão” porque as Olimpíadas 2016 foram para a Cidade Maravilhosa. Como bem notou um dos jornalistas “Não vamos reclamar porque podia ter sido a Eslováquia…Portanto serem no Brasil não está nada mal!”.

Às 3 da manhã acordei sobressaltada. Tinha explodido uma bomba, partiu-se uma janela. Não foi a minha mas o coração quase parava de tanto que batia. Na sala, a Neuza também tinha ouvido. “Se calhar foi um tiro. Se calhar mataram uma das prostitutas do andar de baixo”.
Aqui há que introduzir um pequeno flashback: Na semana passada, fui abordada por uma das inquilinas do andar de baixo, conhecido como puticlub por todos os moradores do edifício, embora a campainha diga “infantário”.
“O que é que se passa com tantos rapazes a s…

Uma questão de fé?

A cidade deixou de ser cidade. Durante 5 dias foi um festival lotado com um palco em cada canto, desde os suspiros do mar aos pés do Colombo, até às torres infinitas da sagrada família. Electro-Rock, Celta-gaélico, italiano, espanhol, português, sueco, música à la carte, todas as noites e de graça.
Quem chegava de repente não sabia a sorte que tinha. As ruas com os castellers e os carrefocs, os museus de “portas abertas”, magia no castelo.
O sol não quis perder a festa e foram muitos os mergulhos que se recusaram a acabar com os últimos dias de Setembro.
Houve feriado, como não podia deixar de ser. Ainda não percebo como é que esta comunidade autónoma vai para à frente se de cada duas em duas semanas têm um feriado com fim-de-semana prolongado.
As celebrações encerraram com um magnânime espectáculo pirotécnico, onde as coloridas águas da font mágica dançavam com os fogos de artificio, numa coreografia de mais de meia hora, aos som de grandes clássicos do cinema. Sem palavras, sem fôle…