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A mostrar mensagens de Novembro, 2009

Domingo de derby

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Odeiam-no até à morte.
E adoram espernear até exaurir o ar para expressar o quanto o odeiam.
Por isso é que quando o CR9 foi substituído no derby de Domingo o jogo perdeu a piada.
Já não podiam gritar “Esse português hijo puta es”.
E agora?

Chamar o Sérgio Ramos de maricón e vaiar o Casillas cada vez que ele respira não é a mesma coisa que o uníssono de 100.000 vozes, entoando aquele versinho fofo, em jeito de quadra de manjerico nos santos populares. Há falta de melhor há sempre o árbitro, que é mesmo para ser insultado que ele lá está, mas são impropérios descoordenados e sem ritmo.
O jingle do Cristiano não! Esse tem melodia, é catchy e pleno de sentimento!
Até eu me entusiasmava toda cada vez que os pés dele se aproximavam da bola só para ouvir aquele coro evangélico. Não admira que às tantas tenha começado a pingar.
Isso sim, sentia-se um frio na curva da porta 90 que me fez lembrar esse saudoso Verão na Noruega.

A propósito do Norte da Europa, ao nosso lado estavam sentados uns s…

Luis, Bien-venido a tu casa...

Já fazia 8 anos que não vinhas a Barcelona.
Pudera, gostam tanto dele aqui como do Bin Laden em Nova York e eu de beringelas.
Ah e tal foi por motivos de trabalho, a jogar em Itália não dava muito jeito.
Claro, porque Barcelona dista anos luz de Milão, não é como o Algarve que está muito mais perto (de África) e portanto ir lá passar todos os Verões é caminho.
Mas vais torcer pelo Barça não é, pelo teu grande amigo Guardiola e porque vamos, confessa, o Barça está no teu coração.
No coração dele está o Sporting e nem esse amor foi suficiente para cobrir a oferta de uma grande equipa do Qatar, ou era algum outro país famoso pela sua tradição futebolista? Isso agora também não interessa nada, amor ao clube tem o Rui Costa pelo Benfica e assunto encerrado!
É amigo do Guardiola… Faz ele muito bem, eu também queria ser amiga do Guardiola!
Mas vem como embaixador do Inter de Milão, pode lá dizer na televisão, mesmo que fosse verdade, que quer que o Barça ganhe!
O Luís lá solta mais meia dúzia de …

"Sentido de Comunidade"

Um ex profesor meu da universidade de Siena está fascinado com o “Sense of community” da Purdue University em Idiana – EUA, onde se encontra actualmente.
Diz que os professores lhe fizeram uma recepção pessoal, que há encontros e saídas semanais entre todos os alunos para “construir equipa” e que os estudantes americanos contribuem largamente para a integração dos estudantes estrangeiros.
Tudo muito bonito até ele mencionar que em Itália, nomeadamente em Siena, não seria assim.

SCUSA??? MA CHE CAZ**** DICI?

Quando o seu companheiro de quarto chinês lhe perguntar “O que é que queres que eu te roube do supermercado?”, como o meu room mate espanhol fazia, então sim, ele vai ter argumentos válidos para discutir a noção de comunidade no ambiente universitário de Siena.
Onde nos encontrávamos todos os dias e todas as noites e cada vez reagíamos com tanta felicidade como se não nos víssemos há anos. Sabíamos os nomes e nacionalidades de centenas de pessoas e, todos juntos, fazíamos viagens a s…

To unfriend

"Unfriend" just became the 2009 Word of the Year in the New Oxford American Dictionary. It's a verb, as in "You can unfriend people by clicking 'Remove from Friends' at the bottom of their profiles."


Então a palavra deste ano é “desamigar”, por assim dizer em português. Refere-se sobretudo à possibilidade de “desamigar” amigos nas redes sociais da internet, nomeadamente o facebook.
Mas qual é o antónimo de “to unfriend”?
O antónimo de “to unfriend”não é, porque não há. Só há “add a friend” cujo antónimo é “remove friend” – expressão antepassada da trendy e gloriosa unfriend.

A verdade é que fazer amigos no facebook passou a ser como jogar às quintas no facebook: aqui ponho umas batatas, aqui umas couves, agora planto rosas vermelhas no cantinho, ofereço uma vaca à vizinha e cada vez tenho mais cercas e tractores. Mentira, jogar às quintas no facebook é muito mais complexo do que fazer amigos no facebook. Para os amigos basta um click de “aceitar”. As quin…

Demasiado exigentes

Criança de 8 anos – Tens namorado?
Rapariga de 23 anos – Não.
– Porquêêêê?
- Porque não há ninguém que eu goste assim muito para ser meu namorado.
- Está ali o Ibrahim! - (outra criança de 8 anos)
- Mas o Ibrahim é muito pequenino.
- Uhm… Então há o meu irmão ele é mais alto! - (melhorou bastante, criança de 12 anos).
- Não, não é por causa do tamanho. È que eles são muito novos para mim.
- Mas tens ali o Sergi. – (o Sergi é mais alto e mais velho, mas não demasiado velho, da idade correspondente. O match perfeito portanto).
- Aaah… também não…

A criança de 8 anos fez o melhor que pode para satisfazer exaustivamente os requisitos constantemente colocados como obstáculos pela rapariga de 23 anos. Insistente, com boa vontade, perspicaz na assimilação das qualidades necessárias e lógico no raciocino. Louvável o esforço infantil.
Evidentemente arranjar namorado não é complicado. Está claro que o que não faltam são candidatos!
Mas com raparigas de 20 e poucos anos tão exigentes… como é que não hav…

ha ha ha...

Eu tenho um problema com as anedotas. À parte a discordância óbvia e por todos conformadamente encoberta entre a forma de pronunciar e a forma de escrever anedotas. Ou seja, andotas.
(Mas porquê? Porquê??? Como se o “e” fosse um dos afilhados do Primeiro Ministro que só está ali para enfeitar e temos todos de levar com ele e calar)!

Emendo, tenho 2 problemas com as anedotas.
Vamos ao segundo: a expectativa.
Quando alguém conta uma anedota só nos restam duas opções: rir ou fingir que rimos. Porque se não demonstrarmos um esboço de graça ou passamos por intelectualmente limitados “Não percebeste?” ou por rudemente mal educados. Como quem não bate palmas depois de um grande espectáculo. Porque é isso que os contadores de anedotas esperam! Um alvoroço de gargalhadas e aplausos após o seu hercúleo esforço para nos animar.
É simpático contar anedotas, a intenção é boa e tudo. Mas a mim dá-me stress! É a obrigação de estar a ouvir com a máxima atenção algo que, provavelmente, é demasiado lon…

Para a Neuza, porque gostamos de ti!

Como é que se dizem coisas delicadas sem partir a boa vontade e nobre ilusão de outra pessoa?
Quem é que nunca viu uma amiga a engordar desalmadamente ou uma pessoa querida com um roupa lastimável? Quem é que nunca recebeu uma prenda horrenda (oferecida com todo o amor e carinho) por parte do namorado, dos pais, etc?
E quando as ideias geniais que nos contam, em busca de apoio e incentivo, são o correspondente a um passo em frente desde o alto do Cabo da Roca?
A sinceridade é primordial mas extremamente difícil de dosear. Está cientificamente provado que o excesso de sinceridade pode resultar em terríveis efeitos colaterais irreversíveis.

E hoje este é o tema pendente cá em casa. Desde que a Neuza, após unânime acordo de que queriamos incenso cá em casa, chegou contente e triunfante com o incenso que comprou na lojinha do chinês. É de morango. A Rita diz que se vê logo que não podia ser bom porque nada que queima pode cheirar a fruta (mas pode cheirar a rosas). O facto é que não chei…

Um susto de pronúncia

A tartaruga ninja disse olá. Coitada, já não podia com a carapaça. O robin e o batman pediram uma tesoura emprestada enquanto o Ozzy osbourne subia e descia as escadas. O Indiana Jones estava mais tranquilo que o habitual e a Branca de Neve resolveu beber. Não pode ser pior que uma maçã envenenada certo?
E de qualquer modo havia enfermeiras de plantão e freiras até, que dá sempre jeito, sabe Deus quando vai ser preciso chamar por Ele.
A bailarina estava a dançar house no meio das bruxas e do Conde Drácula.
As gatas andavam à solta pelos passeios, porque isso dos telhados dá vertigens.
Também havia muita gente estranha, até o polícia dos anos 80 comentou.
Mas o que foi mesmo muito chato foi o espantalho, deixou feno por todo lado! Que inconveniente!
Depois houve muita gente, de diferentes faixas etárias e nacionalidades, que perguntou o que é que se passava. Se havia festa, se era em todo o lado e porquê. Pareciam muito confusos…
E então eu pergunto-me, o que é que estas pessoas pensam qu…

Integração integrante

Em Barcelona há várias instituições sem fins lucrativos que promovem a integração de imigrantes extra-comunitários. Recentemente decidi voluntariar-me numa delas
que, de momento, trabalha principalmente com crianças marroquinas.
Não poucas vezes já me perguntaram se as ia ensinar a vender cerveja na rua ou se as elucidaria sobre o negócio do contrabando.
Piadas inocentes cujo teor nunca passará nos sábios conhecimentos que a instituição transmite.
Tirando a vez em que a Neuza, vencida pela supremacia energética de rebentos marroquinos com 5-7 anos de vida, começou a gritar-lhes:
“Parados! Parados!”.
Parado em espanhol significa desempregado.
As crianças não tomaram como insulto, tendo prosseguido afincadamente com as suas corridas desenfreadas.
A Neuza apercebeu-se do erro.
De facto, é estranho ter pessoas não espanholas e completamente iletradas em catalão, que ainda por cima são péssimas em trabalhos manuais e estão acomodadas à calculadora do telemóvel, a desenvolver este tipo de acti…