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A mostrar mensagens de Dezembro, 2009

Ensaio sobre as cores

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Depois das crónicas de Natal, parcas mas largas o suficiente para encher tanto como filhoses, sonhos e lampreia de ovos, decidi escrever sobre cores.
Vou ser breve e concisa, porque as cores são breves e concisas. Também são levianas e depravadas, sempre a misturarem-se umas com as outras, mas eu prefiro ser breve e concisa.
Porque as melhores cores são assim.

Como o vermelho apaixonado dos embrulhos de Natal que caiem do céu.




O branco metalizado da neve que nunca chega a Lisboa.




O amarelo explosivo dos elevadores que vão até ao andar das nuvens e fazem faísca nos arredores.




O preto sóbrio do rio encantado que dorme debaixo da ponte.




E não me venham dizer que o preto e o branco não são cores porque isso não é nada poético.
Que se formos a ver então toda a cor é uma ilusão. Um mutante intermitente em constante fotossíntese.
Esqueçamos, por favor, esses pormenores científicos e enfadonhos já que eu prometi ser breve e concisa.
E,na verdade, só queria dizer que não sei se será a luz do Inver…

2ª Crónica de Natal

O pinheiro artificial


- Ah muito bem, está muito bonito, não vai durar uma semana, mas pronto…
- Vai sim senhor! Está atado à porta!
Pfff… só me faltava, o da contabilidade a agoirar a minha decoração de Natal. Não que o pragmatismo das vivencias catalãs não lhe confira algum fundamento, até posters já nos roubaram de dentro do bar, mas falta-lhe sensibilidade. A sensibilidade de entender que com os pinheirinhos artificias empinocados de lacinhos dourados que o Ayuntamento plantou ao longo das ruas (e sem qualquer protecção anti-furto), a suceder um roubo, é um daqueles que vai. Não o nosso, meio tosco e sem luzinhas. Está fora do bar, sim, mas atado à porta com 3 nós!
E depois, com o frenesim constante de entra e sai e os dos flyers sempre ali, como é que alguém pode levar o nosso pinheiro de Natal e passar despercebido? É que ele é artificial mas tem presença! E pesa!
Não, impossível.
E estando eu irremovível das minhas convicções, o pinheiro ali ficou, do lado de fora do bar, atado à p…

Primeira Crónica de Natal

Este Natal decidi fazer uma compilação das melhores demonstrações, momentos ou alusões ao delicioso espírito que marca esta quadra.
Pequenas coisas que, no mínimo, nos fazem entender o quão as pessoas se estão realmente borrifando para o nascimento de Jesus.

O Natal nos autocarros

Entrei no autocarro. Senti logo um cheiro pútrido a substancias pouco poéticas. Olhei ao redor, mentira, bastou olhar para a frente e lá estava ele, o Big bang daquela emanação odora. A barba por fazer, o cabelo pouco cuidado (eufemismo), glicose a mais e camisa de manga regata. È verdade. O senhor da meteorologia disse que ia estar uma temperatura agradável. Mas se formos a ver, -10 graus é uma temperatura agradável no Alasca, daí a relatividade do termo. Pelo que a manga regata era um exagero de agradabilidade, na minha opinião. Se bem que nos autocarros, por esta altura do Natal, eles gostam de fingir que Barcelona, quase nos Pirenéus, é na verdade um país tropical.
Mas algo apelava à condescendência n…

Acabou-se!

Ontem, num filme chamado “Princesas”, que discorria sobre a vida dramática de duas prostitutas, a personagem principal, uma prostituta sonhadora e de boa índole, dizia que havia um dia, um dia em que tudo corria bem. Um dia em que acontecia tudo o que queríamos. Um dia que despertava com a nossa canção favorita ao ligar a rádio!
E era preciso estarmos atentas, para não perder esse dia.

Eu, que levo uma vida menos dramática mas nem por isso menos sonhadora, digo que para cada um dia desses, há todos os outros. Todos os outros em que tudo corre mal! Em que pensamos "agora só faltava que..." e pimbas! Já não falta, porque acontece tudo o que não queríamos, como não queríamos, onde não queríamos e com quem não queríamos!
Como na Sexta-feira passada, dia da entrega da tese de mestrado.
Tudo começou com uma guerra para fazer o índice porque, inconcebivelmente, sou capaz de escrever toda uma tese de mestrado mas não sei fazer índices no Word de forma automática. Deve ser o problema do…