Mensagens

A mostrar mensagens de Fevereiro, 2010

Quando a terra se revolta...

Sábado de chuva e preguiça aguda. Decido abrir o facebook, para comunicar-me com o mundo exterior. É então que vejo, com as batidas do coração apertadinhas “Paula - Por favor si alguién sabe algo de mi família escribánme…”. Passo os comentários um por um para tentar fazer algum sentido do que acabei de ler. Não, não se percebe bem. Foi alguma tragédia mas por aqui indiscernível se um atentado terrorista se um desastre natural. Jornal online. Tudo explicado. “Parece o fim do mundo. Sismo no Chile mata 120 pessoas. Maior sismo da história do Chile há 50 anos.”
A minha amiga é chilena e está a viver em Barcelona mas toda a família dela vive no Chile. Diz que ainda não conseguiu falar com ninguém. Digo-lhe o que toda a gente já deve ter dito mas que sabe sempre bem ouvir, que avise se precisar de alguma coisa, que de certeza estará tudo bem e que rapidamente já vai conseguir contactar com a família.
Depois, num impulso de identificação com a sua causa, digo-lhe que se fosse comigo, se tives…

Vocês não sabem o que eu vi!

Entrei na Starbucks da Calle Ferran, uma perpendicular da Rambla de Barcelona. Embora soubesse perfeitamente ao que ia, um chocolate pequeno e uma cookie de chocolate, pus-me a deliciar a “montra” onde, desavergonhadamente, os doces se exibem.
Havia os muffins de chocolate, os brownies de chocolate, a cookie de chocolate branco, as fatias de bolo de chocolate tamanho dor de barriga… e de repente vi-os! Ali! Eles estavam ali!
Dei um passo atrás, num pequeno sobressalto. Não, não pode ser. Abri amplamente os olhos, tentando fazer um zoom daquela imagem, só para ter certeza que eram mesmo eles.
Tanto podia ser que sim, eram mesmo eles. No cantinho da “montra”, meio desajeitados num pratinho improvisado, jaziam 4 pastéis de nata.
Imersos entrou os outros doces, parecia um daqueles jogos de crianças em que temos de encontrar o elemento dissonante de um determinado conjunto.
Findo o espanto inicial, um looping de sentimentos e argumentos contraditórios inibiu uma reacção imediata da minha parte.

Quem disse que as reuniões de trabalho são uma seca?

Estamos em crise. Não obstante, a cada segunda-feira o meu chefe chega anunciando a abertura de um novo negócio. Desta feita é um restaurante. O restaurante já existe, um bistro catalão com cozinha mediterrânea. Coisa fina.
O meu chefe quer transformá-lo num american dinner com take away.
O negocio não está ao rubro e nós vamos entrar para ressuscitar os lucros. Ninguém vai investir porque ninguém tem dinheiro. O que, à primeira vista, já me parece um obstáculo à compra de embalagens e sacos para o take-away. Sem falar na mudança do letreiro da entrada, nos novos menus, materiais promocionais, etc. Naaa, com certeza será tudo roubado porque ninguém vai gastar “ni un duro!”.
Então hoje tivemos uma reunião. O dono e chef do restaurante, eu e o meu próprio chefe.
O dono do restaurante não quer “clientela de baixa qualidade”, quer gente que gasta 30€ numa refeição. O meu chefe quer aqueles viajantes de mochila às costas, que compram um hambúrguer por 3€ e se sentam no passeio a come-lo. E…

O lindo dia de São Valentim

Imagem
Diz o meu colega de trabalho cheio de ilusão no olhar: “Vamos festejar o dia de São Valentim! Podemos dar nomes especiais às bebidas por exemplo shots Romeu e Julieta”.
O meu colega de trabalho arranjou uma namorada recentemente. E nem anda exageradamente feliz, por sorte, a namorada é daquelas insuportáveis. Mas, pelos vistos, não é insuportável o suficiente...
Revirei-o com o meu olhar acutilante. Disse-lhe que não.
Não vamos fazer um dia de São Valentim. É ridículo! Somos um bar irlandês! Carnaval do Brasil não há problema. Terças de comida mexicana e sextas de galinha tikka masala também encaixam perfeitamente, mas dia de São Valentim é, nitidamente, um despropósito. Motivos pessoais? O facto de eu saber de antemão que não receberia rosas nem bombons? Nada a ver. Aliás, vetei a proposta em defesa dos interesses de todos os enamorados de Barcelona: quem tivesse como plano trazer a namorada para uma caneca de Guinness seria ostracizado imediatamente pela dita cuja!
Então o que é que…

"Sesión de presentación del proyecto final del Master DCEI"

Imagem
11 minutos e 23; 9 minutos e 14; 8 minutos e 56.
Foram tentativas e tentativas contra o relógio. Como se estivesse a treinar afincadamente para as provas de atletismo para os Jogos Olímpicos. Mas em vez de pernas e pés ao descalabro, corriam as palavras e as mãos em gestos meio perdidos, à procura de um sentido nos slides do power point.
Como apresentar 150 páginas de tese em 12 minutos? Com um vídeo que ocupa 2 minutos e 41 segundos? Primeiramente estava toda contente coma ideia do vídeo, que assim eram menos 2 minutos e 41 que tinha de falar em espanhol, sozinha, diante dos jurados e restante multidão. Mas afinal, se 12 minutos já era pouco para condensar toda a informação, 9 minutos e 59 segundos iriam, com certeza, estabelecer um novo recorde.
E não se tratava só de apresentar um trabalho, como nas teses normais. A pessoa chega e explica o que fez, sem demais complicações. Não, quem estuda comunicação não pode chegar e explicar o que fez, tem de chegar e vender o que fez. Tem que e…

Um amor proibido

Todos queríamos ser jornalistas. Porque o jornalista é uma espécie de super herói anónimo com queda para as letras.
Queríamos contar o mundo ao mundo! Denunciá-lo, em alguns casos.
Sim, tínhamos o desejo prepotente de ser executadores do tão almejado Quarto Poder. De vigiar o Estado, proteger os cidadãos e traçar uma linha de comunicação clara e transparente entre ambos. Tal como nos pregaram na faculdade!
E, de vez em quando, receber entradas grátis para as antestreias do cinema.
Mas um a um, lentamente, fomos desistindo.
Porque afinal o jornalismo é publicidade dissimulada. Um rol de anúncios enviados pelas agencias de comunicação. Tenho provas: assessoria de imprensa e clipping são profissões.
Claro que o jornalismo não se resume a anúncios das agencias. Porque os meios de comunicação têm donos e os donos têm interesses próprios. Então o jornalismo transforma-se numa passerelle de lobbys com design de ferramenta de instrumentalização política. Ou então num trasnformador da realidade…

Notícia de uma notícia

Quando uma equipa de basquetebol, supostamente profissional, não vence há 50 jogos e ocupa o último lugar da classificação com -8 pontos, algo se passa.
Pediram-me para averiguar o que poderia ter acontecido ao clube de basket do Nápoles, para uma notícia de desporto no i.
Porquê a mim com tanto jornalista no mar, estarão vocês a perguntar?
Não, não creio que tenha sido pela minha graça e ínfimo talento não reconhecido. Acho que foi mais por ter vivido em Itália, pela possibilidade de contacto directo com jogadores e ex jogadores, conhecimento de causa sobre Nápoles e o desporto em questão. Ah! E domínio de italiano suficiente para estar a traduzir entrevistas, à uma da manhã, de pessoas com nomes parecidos a Papaia.

Enfim, averiguação feita, se quiserem saber o que foi que aconteceu é só comprar o i ou clicar aqui http://www.ionline.pt/conteudo/44916-napoles-uma-equipa-so-com-juniores--beira-um-ataque-nervos