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A mostrar mensagens de Março, 2010

Sant Giuseppe

Queria dizer-lhe obrigado numa letra bonita. Queria escrever que me lembro do primeiro dia que me levou à escola e dos passeios no Jardim da Estrela. Queria expor oficialmente o meu apreço por ele achar que somos as mais lindas do mundo e gostar incorrigivelmente, irremediavelmente, de quase tudo o que fazemos. E de todas as prendas que lhe damos. E olhem que eu já ofereci uma retrete em miniatura e um crocodilo de madeira!
Queria pois, comprar o melhor postal para lhe desejar um feliz dia do pai.
Mas tudo o que encontrei foram postais com elefantes, girafas, hipopótamos e outros mamíferos não humanos.
Parecia uma colecção de panfletos do zoo de Lisboa!
Todos ali arrumadinhos um detrás do outro. “Feliz dia do pai” e um elefante aos saltos com a bicharada toda a olhar para ele.
Eu que estudei comunicação pergunto, qual é a mensagem?
Assim de repente, ocorrem-me várias possibilidades de mensagem e nenhuma delas lisonjeadora.
Na melhor das hipóteses consigo encaixar um “Feliz dia do pai! Quer…

Texto e imagem contam a história de um beijo

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Diz o sapato cor de rosa à sapatilha desbotada:
- Não combinamos nada!
- Mas andamos tão bem juntos que as lantejoulas do vestido quase não se importam.
- São cá umas arrogantes essas lantejoulas! Sempre a chamar a atenção, sempre a brilhar mais que os outros!
- Eu não gosto de lantejoulas…
- Eu também não! Gosto de flores e lacinhos e desejos de coisas impossíveis. Por isso é que os saltos altos dão mais jeito, para guardar tudo.
- Tudo menos os beijos. Guardar beijos é um desperdício atroz. Um beijo guardado pode ser um sorriso perdido. Um daqueles sorrisos grandes e rasgados, daqueles que extravasam os lábios e obrigam os olhos a cintilar como quando escutam desejos segredados.
- Não te sabia com cordões tão românticos...
- Vá, não me faças desabotoar… no fundo é uma questão prática: um beijo guardado não é reutilizável nem reciclável. Basicamente, não serve para nada. Não foi, já era! É tão inútil como os dentes do siso e, em alguns casos, pode chegar a ser mais incomodativo. Porque pass…

A encruzilhada de Peter Pan

Peter Pan vive na Terra do Nunca. Mas vai à escola e joga basket. É moreno, magro e mentiroso. (Como todas as crianças). Fica melhor de barba mas insiste em faze-la.
E vai voando por Barcelona, sim o Peter Pan é de Barcelona, ciente de que é o mais bonito de todos os príncipes sem cavalo.
Uma noite, enquanto sobrevoa a cidade, Peter Pan despista os olhos num vestido azul. Podiam ter sido os frutos exóticos das torres da Sagrada Família, que até já lhe chamam Carmen Miranda, mas foi mesmo num vestido azul, ou verde, não se sabe bem.
Muito lentamente, Peter Pan aproxima-se. Primeiro com os seus olhos de sonho, depois com o sorriso que faz covinhas. Até chegar tão perto do vestido azul que só há uma coisa a fazer: puxar-lhe o braço!

Wendy tinha notado o rapaz que caiu ali no meio, de repente, quando a noite já se parecia ter rendido às batidas daquela música inorgânica e aos rapazes aborrecidos de camisa e sapato. Wendy não gostava de rapazes de camisa e sapato…
E do nada mais que nada, i…

Palmeiras com chantilly

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Está mais frio do que o que eu pensava. E esta chuva, que estranha, está mais grossa do que o normal. Não, não é granizo. Molha mas não magoa.
O meu chefe liga-me. Esqueceu-se da reunião a pesar de eu lhe ter mandado um mensagem recordatório. Não viu. É sempre a mesma coisa. Vai demorar mais de meia hora porque está do outro lado da cidade. E antes de desligar acrescenta “está a nevar!”.




Então é isso. A chuva estranha, é neve! E as pessoas a assomarem-se à janela num rodopio de excitação… é para ver a neve!






As escolas fechadas, as estradas cortadas, os transportes públicos que param a meio. Pessoas que não conseguirão voltar a casa no fim do dia. É por causa da neve!







Bolas brancas a voar no lugar dos pombos. O manager irlandês que inicia uma snow ball fight contra a varanda do nosso escritório. As crianças rindo nos trenós. Alguém mais bem preparado a deslizar de skis pela rambla. É a magia da neve!





Principiou miudinha e discreta mas, lentamente, foi cobrindo as ruas, os carros e os telh…

"Eu quero ouvir báruuuulho!!!"

Gostaria de reformular o meu penúltimo post: primeiro veio o Saramago, depois o Cristiano Ronaldo, em seguida os pastéis de nata, e agora, a música da Popota na versão original.
Assim, com mestria subtileza e "Kuduro", a Espanha vai sendo conquistada por Portugal.

Duas portas ao lado da Starbucks que vende pastéis de nata, numa das mais movimentadas transversais da Rambla Catalunha, escutava-se a alto e bom som.
Entrou-me no ouvido, reconheceu-se-me no cérebro algures entre o hipotalamo e a amígdala. Aaaaaaaaaaaah! E esta hein?
“Adivinhem que música de um grupo português é que eu ouvi porque estavam a passar na Desigual da calle Ferran?”
Para meu espanto e desencanto, como Colombo quando pensou que tinha chegado à Índia, elas responderam em uníssono sem rastro de emoção “Buraka, wegue wegue”.
“Mas como é que vocês sabem?”
Sabiam, de facto, porque é a música que passa de 15 em 15 minutos no ginásio e é a música que põem no comboio (fiquei eu a saber), quando não estão os senhores …