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A mostrar mensagens de Junho, 2010

A la calle!

Estou triste. Estamos todos. E eu que estava crente de que em Barcelona não havia espanhóis. Afinal há mais do que eu pensava. Não estavam a ver o jogo no mesmo bar que eu. Não. No meu bar estavam dezenas de americanos armados de camisetas vermelhas e impropérios para dirigir ao Cristiano. Era só o que nos faltava depois do Villa marcar!

A ausência de golos lusos não nos deixava muitos argumentos para os calar. O único ponto de exclamação foi mesmo o Eduardo, Eduardo mãos de tesoura, que cortou tantos golos quantos pode. O resto foram reticencias. É verdade que houve alguns parêntesis ( Coentrão, Hugo Almeida, Tiago, Pepe e Simão, ás vezes) mas nunca houve um ponto final parágrafo. E não digam que é culpa do Cristiano. Primeiro, porque Espanha tem, irrefutavelmente, melhores jogadores que Portugal e do que quase todas as outras selecções também. E segundo, porque quando o próprio treinador joga contra nós, o talento individual não chega para os milagres. A propósito, adorei o desempen…

Porque ainda não tinha escrito nada sobre o mundial!

Os erros da arbitragem deste mundial e os erros dos próprios jogadores, vão penalizar seriamente os lucros dos bares onde eu, orgulhosamente, trabalho. Sendo a grande maioria do nosso público proveniente do Reino Unido e dos EUA digam-me lá quem se apresenterá para ver um jogo do Gana? E temos 4 bares para encher!
Sem falar no confronto imediato entre Espanha e Portugal que nos vai cortar a afluência dos locais (note-se que bem imbuída que está a total falta de imparcialidade). Não de todos, porque ao estarmos em Barcelona as pessoas sentem-se mais identificadas com a equipa do Messi que com “La roja” (ou “la coja”, como alguns catalães gostam de lhe chamar).
Eu, de momento, estou satisfeita com os resultados da minha dupla nacionalidade e delicio-me com as transmissões dos jogos de Portugal pela BBC. Os comentadores do afamado canal citam, sempre quebrando a unicidade sonora dos nomes, jogadores como Mai-re-lexxx, Si-máu ou Cu-én-tráu.
Mas voltando às contas do negócio, há que ob…

Ou então não...

Aparece a imagem do eléctrico na televisão, vai abrindo até se ver o castelo e volta a fechar, focando os carris. O senhor era do Ribatejo mas é a ponte 25 de Abril que enche o ecrã quando dizem que amanhã volta à pátria. Saramago é, muito provavelmente, o único escritor português que os espanhóis conhecem. E Lisboa deve ser a única cidade portuguesa que são capazes de identificar por imagens. Confesso, eu também não tenho nenhuma referencia visual para a Azinhaga. Tinha uma referencia literária, morreu hoje. Ou então não.
Uma vez vi um livro cuja contracapa destacava um alto elogio de José Saramago, ele dizia, referindo-se ao autor, que devia ser proibido alguém tão novo escrever tão bem. O “novo” já ia na casa dos 30 e isso deixou-me descansada. Tenho tempo, pensei. Ainda tenho tempo para um dia ter um comentário dele, tão ou mais eloquente que este, na contracapa do meu livro.
O meu livro, chegando algum dia, já não virá a tempo. Mas sou eu que fico triste, porque estou convencida…

Queremos mais Quim Barreiros!

Será que estamos a ficar velhos? É a pergunta que surge depois do desaire popular de sábado à noite. Desaire é capaz de ser demasiado vá, depois da expectativa não excedida. Viemos 4 de 4 diferentes cidades europeias para ver Lisboa em festa. Porque o Sto. António é a melhor festa de todas! Porque rimos, dançamos e cantamos música pimba toda a noite até chegar a hora de correr para apanhar o primeiro comboio da manhã.
Ou pelo menos era assim que costumava ser…
Este ano até conseguimos lugar para jantar sem esperar muito tempo. As bifanas estavam óptimas! E ofereceram-me flores e havia uma senhora a gritar “oh menina olha ó manjerico!” com uma banquinha cheia de manjericos verdes e poéticos e bandeiras de Portugal. “Eu sei eu sei és a linda portuguesa com quem eu quero casar” chegava-nos aos ouvidos vinda do recinto de um dos incontáveis arraias que coloriam as ruas. Mais tradicional e popular que isto era impossível.
Por isso é que não percebo bem porque é que não foi como nos outros an…

Quando os 25 são 24

Sinto-me ultrajada. Lembro-me bem quando, nessa aula de economia da Universidade, o Professor perguntou se alguém sabia em que ano Portugal tinha entrado na União Europeia (juntamente com Espanha). A turma respondeu em uníssono e com convicção “86!”. O Professor ficou surpreendido e nós, todos sorridentes e orgulhosos pela nossa jovialidade, explicámos “Foi o ano em que nós nascemos!”.
Ora se não me falham as contas, e note-se que eu tenho mantido um registo celebrativo anual da ocasião, este ano eu vou completar 24 anos. Vinte e quatro e não vinte e cinco. Portanto, qual não é o meu espanto quando ligo a televisão para ver as notícias e me deparo com os 3 canais a reportar a celebração dos 25 anos da adesão de Portugal à CEE. E de Espanha também! Está ali o senhor o Zapatero a discursar, alinhado com Sócrates, Durão Barroso e Cavaco Silva. Estão todos no Mosteiro dos Jerónimos.
Eles e um pequeno pódio para discursar onde se lê “1985” como a data da inclusão de Portugal. Afinal não se…

Uníssono

A varanda do nosso escritório dá para o chinfrim dos protestos de todas as minorias, desempregados e cidadãos desfavorecidos da Catalunha. A carrinha da TVE é quase um monumento tão presente na Plaza Sant Jaume como o palácio do Ayuntamento de Barcelona. Hoje foi uma manifestação da UGT e uma orquestra de música clássica.
Depois de mais um ano e meio de agitação social constante, sobretudo quando está bom tempo, é a primeira vez que escuto tal coisa. Os megafones da revolta ampliando injustiças sociais, intercalados com interpretações de Mozart e Beethoven ao vivo. Havia pois, dois maestros: o do megafone e o da orquestra.
Não sei se estavam juntos, mas combinaram nos tons. Os cartazes eram amarelos e os instrumentos musicais também, só um bocadinho mais torrado, assim a jogar para o dourado.
Parece-me de boa índole e grande demonstração de pacificidade trazer uma orquestra para uma manifestação. Mas também me parece que a orquestra coincidiu por acaso com a manif porque havia um ovo a…

Feliz dia da criança

“Dediquei toda a minha vida a saber pintar como uma criança” Pablo Picasso

Quando somos pequenos queremos ser grandes e quando somos grandes queremos nunca deixar de ser pequenos. Pode ser a eterna insatisfação da natureza humana, pode ser um poema de Pessoa sobre o não sentir que é pensar.
Só eu sei o quanto gostava dos móveis de plástico da minha cozinha e do esparguete à bolonhesa feito com rasgos de um vestido velho da minha mãe. O vestido tinha uns tons avermelhados, para manter a coerência com o prato.
E hoje o que eu dava para chegar a casa e ter a comida feita. Ou poder andar nos baloiços dos playgrounds sem medo de rebentar o assento e aterrar de rabo no chão.
Antes, eu ficava contente por ganhar as corridas ao meu pai. Agora já só acredito na metafísica do chocolate.
Lembro-me de um dia da criança em Faro, nos tempos da escola primária. Não tivemos aulas, fomos rebolar-nos nos insufláveis que puseram no jardim da Alameda. O mesmo local onde a Guida, aquando da celebração d…