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A mostrar mensagens de Dezembro, 2010

Uma semana no meu país

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Cheguei a Lisboa num dia em que chovia e faltava açúcar nos supermercados.
Também havia trânsito na segunda circular, mas isso é tão característico e permanente como as pedras da calçada portuguesa.



Portanto não me surpreendeu. Para dizer a verdade não foi uma semana de surpresas.
Podia fazer-me de vítima e dizer que a balança me pregou uma grande surpresa, todo 1 kg de surpresa! Ai Meu Deus que eu não estava nada à espera! Mentira. Com a quantidade enfardada de bolos, chocolates e comida da mamã, mais magra é que eu não podia ficar…



De resto, a torre de Belém ainda não foi demolida em prol da construção privada, as iluminações de Natal da baixa são as mesmas do ano passado, continua a haver bacalhau e bolo rei na noite da consoada e a classe média está lixada.
Enfim, está tudo mais ou menos no mesmo sítio, com menos dinheiro e a gasolina mais cara.
Há um restaurante novo (pelo menos para mim) ao pé do Marquês, que recria um american dinner, apesar de servir bifinhos de peru com natas…

A Senhora Barbie

Foi um choque. Não estava preparada. Já me tinham contado coisas parecidas. Mas no caso que me contaram tratava-se de uma criança de 4 anos e então eu ri-me. Não imaginava o que as estrelinhas tinham reservado para quando chegasse a minha vez. Foi numa tarde de grande reboliço no Chiado, em pré- véspera- de- Natal, com o estado do tempo hesitante, entre chuvas torrenciais e sol de inverno. Isso sim, sem direito arco-íris porque os céus este ano também estão em contenção.
Entrei nos provadores da H&M. Um grupo de adolescentes estava a fazer uma prova conjunta de vestidos para a passagem de ano. Não indiferentes à minha chegada, uma das jovens diz “Oh, então, deixa a senhora passar.” Observei o meu reflexo no espelho, não havia ninguém atrás de mim. A senhora era eu. Efectivamente. PIM!PAM!PUM! A minha alma estilhaçou-se em pedacinhos de indignação. Mas em vez de apontar-lhe o despautério, a barbaridade que acabava de pronunciar, disse-lhe “obrigado” com um sorriso amarelo torrad…

Quem é que não gosta?

Dizem que é impossível agradar a todos. Há quem não goste de Saramago, há quem ache que o Brad Pitt não é nada de especial, há quem goste das roupas da Lady Gaga. Há até, imagine-se, quem não goste de chocolates!
Tenho certeza de que há quem não goste de mim, quem me ache antipática, entre muitas outras coisas. Da mesma maneira que há pessoas que seguramente são excelentes e eu acho-as intragáveis.
Quando se trata de jogadores de futebol então, o ódio por parte das equipes rivais é garantido. Principalmente sendo um dos melhores.
Mas há uma pessoa, um jogador de futebol que está nomeada para o prémio de melhor do mundo, de quem toda a gente gosta. É, a meu ver, um fenómeno de gostabilidade inexplicável. Reúne santos e pecadores, harmoniza claques, é bem quisto desde todos os lados e põe fotos caseiras no facebook, onde é amigo de toda a gente.
Os anúncios preferem-no a ele que a ao que marca mais golos ou ao que é mais bonito. Porque este, baixinho, de cabelo rapado e de um tom de pele…

O "caganer"

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Desde que entrei nesta vida parcialmente errante de país em país, que a minha capacidade de adaptaçao ganhou uma elasticidade digna de campea olímpica de ginástica rítmica. Eu, que nunca consegui tocar com as maos nos pés.
E quando pensei que a última coisa que nao entendia nesta Catalunha pouco espanhola eram as sandes de tortilla (que prazer se pode tirar de duas fatias de pao com uma volumosa omelete de ovo e batatas no meio, sem mais nada?) descobri o “caganer”.
Foi há alguns dias atrás, numa incursao ao Mare Magnum, único centro comercial aberto aos Domingos. Como nao podia deixar de ser, todas as ruas, casas, lojas e,” por supuesto”, centros comerciais, estao decorados com motivos natalícios. Por motivos natalícios entendem-se pinheiros, pais natal, estrelas, sinos, presentes, trenós, bambis e bonecos do Maradona para colocar no presépio, caso estejamos em Nápoles.
Aposto que no meio do Colombo há um pinheiro gigante, a casa do Pai Natal, crianças excitadas a ver se lhes cai algu…

Las chicas woohoo!

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Parecia um episódio do Sex and The City. Um grupo de amigas, lindas maravilhosas e perfumadas, juntou-se para almoçar no clube mais chique da cidade. Loiras, morenas, negras. Da Holanda, da Noruega, da Colombia, de Portugal, do Brasil, da Espanha, da Islandia, da Alemanha, da Etiópia! Belezas exóticas, riqueza de idiomas e culturas, praticamente um Congresso das Naçoes Unidas. Puseram-nos nas melhores camas (nos clubes chiques nao se come em mesas), ofereceram-nos as entradas, a tábua de doces, os vinhos, o champanhe, os mojitos de morango. A conta, que deveria ser de mais de 100€ por cabeça, ficou-se pelo preço de um menu do meio dia. Rimos, comemos, brindámos, tirámos fotos e gritámos woohoo muitas vezes, demasiadas vezes. Whoohoo é essa explosao de fertilidade feminina sem ataduras sociais. WOOHOOO!
É multitasking, como o “prego” em italiano. Um brinde, WOOHOO, mais uma amiga que chega, WOOHOO, algum statement brilhate sobre os homens WOOHOO, outra rodada grátis WOOHOO HOO HOO! To…

Stefani Joanne Angelina Germanotta

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Não admira que alguém que se chama Stefani Joana Angelina tenha mudado o nome para Lady Gaga. È mais curto, mais catchy e soa a marca de fraldas para bebés em vez de cantora pimba.
Já os bilhetes haviam esgotado há 3 meses para o seu espectáculo em Barcelona e eu ainda nem sequer sabia que ela cá vinha. Para que fique claro o quanto me emociona esta artista.
Mas o meu cabeleireiro (importante resguardar que não é gay) tinha bilhetes grátis e queria ir ver os penteados e os vestidos, ou pelo menos isso dizia. Também se não fosse por isso não vejo pelo que poderia ser porque canções dela ele não conhecia nenhuma.
Ai que é um grande espectáculo, que são os bilhetes mais caros, que já está tudo esgotado, que vai ser o evénement do mês e lá me convenceu. Fomos. Acho que não via tanta gente aglomerada num sítio desde as filas da Expo 98. É que nem o Papa conseguiu juntar tanta massa humana quando cá esteve no mês passado e note-se que ir ver o Papa era grátis! Suponho que, em grande parte…

Uma profissão de risco

As pessoas andavam chateadas. Por causa da crise, do trânsito, do frio, do desemprego, do trabalho, da sogra e do filho que não pára de chorar. E de repente ilumina-se a luz ao fundo do túnel. Fim de semana com 3 dias de prolongamento! Segunda e Quarta é feriado, terça faz-se ponte. Foi um massivo comprar de viagens e fazer as malas. A alegria voltava a cara dos espanhóis na mesma semana que se acendiam as luzes de Natal pelas ruas.
Então um bando de marmelos pensou: o que é que era mesmo fixe para irradiar o espírito de Natal e fazer com que toda a gente voltasse a estar chateada?
Greve. Greve dos controladores de voo! Esses fofos.
Pois é, numa de vamos lixar a malta e o Zapatero, os controladores de voo não pensaram duas vezes: querem ir viajar? Pois vão ficar a querer e a dormir no aeroporto. Crueldade pura e dura, eu diria.
Mas funcionou. Caos, estado de crise declarado e gente muito, muito chateada. (E o F.C. Barcelona que teve de apanhar o AVE e ainda não se sabe se vai chega…

Um balde de água fria

Um balde não. Um Kremlin. De gelo!
E a Espanha que sofreu um humilhante 4-0 contra Portugal, para nada. Isto não se faz.
Logo agora que se tinham juntado dois países historicamente arqui-inimigos. Logo agora que o Estádio do Algarve ia voltar a servir para alguma coisa que não fossem jogos da terceira divisão. Afinal não. Ganhou a Russia. E o Qatar!
Uma coisa que eu não entendo muito bem é como é que os jogadores vão andar a passar dos estádios no meio do deserto para os estádios com neve nas linhas de pontapé de canto e vice-versa. Um jogo com luvas, um jogo com protector solar. Um dia com um rial do quatar na carteira, outro dia com um rublo na mão. Bom , desde que não haja vuvuzelas acho que já vamos ficar todos muito agradecidos.
Ainda assim não me conformo. Eu queria ir ver os jogos ora bolas!
Sei perfeitamente que estamos no Natal, mas esta mania da FIFA de se armar em UNICEF já me começa a irritar. E depois, se queriam MEEEEEEESMO ajudar algum país, que melhor opção que Portug…