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A mostrar mensagens de Janeiro, 2011

"O que é que a baiana tem?"

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Concordo que a publicidade tem um objectivo manipulador e económico que a destroça como arte. Mas quanto vale um quadro do Picasso? E um bilhete para um concerto? E para o teatro? Quanto arrecadam os filmes que sao nomeados para os Óscares? E os museus? E a editora de Saramago?

Porque é que um bom anúncio nao merece a mesma reverência que um bom actor? Cantor, pintor, escritor...

Pois é, aqui estou eu para fazer justiça a um Senhor Spot.

“Que tenim?” em português “que temos?” (melhor nao responder) recupera, provavelmente sem saber, uma ideia de Carmen Miranda na sua homenagem às baianas. No caso, a Baiana chama-se Catalunha.

É um anúncio que nao fala do seu producto, fala do sentimento de quem o consome. Um anúncio que nao conta uma estória mas sim A história. Um anúncio que condensa a Catalunha em um minuto e meio. Um minuto e meio! Os Pirinéus, o Barça e a Masia, as cidades, a Costa Brava, os escritores, os cozinheiros, os arquitectos, os monumentos, a comida, as tradiçoes, o caganer…

E se nao tivéssemos Presidente?

Quando nos ensinam os poderes do Estado Democrático dizem-nos, por outras palavras, que o Presidente da República nao manda nada de nada e que só serve para enfeitar. Na altura pareceu-me muito bem que tivessemos um enfeite em nome de Portugal. Primeiro, porque o número de poderes do Presidente era proporcional ao número de coisas que tinhamos de estudar para o teste, segundo, porque falamos de um tempo em que as minhas preocupaçoes eram tais como comer o meu pacote de filipinos às escondidas para nao ter que dividi-lo com a escola toda.

Hoje, como boa conhecedora de maus salários,crise, impostos, maus salários, crise, desemprego, corrupçao, crise, boys e maus salários, acho que mudei de ideias. Nao precisamos de um representante (porque hoje já nao fica bem chamar-lhe enfeite).

Verifiquemos os factos:
1 -Neste momento, nao temos assim tantas coisas boas para representar. Chamam-nos PIGS, pelo amor da Santa!

2- Na América do Norte e em muitos outros pontos dipersos pelo globo pensam …

À lo grátis

Há quem use os descontos do supermercado, do posto de gasolina, do cartao FNAC, do cabeleireiro (ao décimo corte). Eu levo a pechincha mais além e assumo-me como uma utilitária regular do “grátis”, do “for free”, do “custo 0”. Tanto, que já nao me fico pelos bens essenciais como os jantares com bailarinos de breakdance e as mesas vip com garrafas de champanhe. Nao. Eu vou onde o grátis me levar! Completamente “free” para voar! Por isso este Sábado lá estava a marcar o sapatinho no campeonato do mundo de snowboard.
Visitas à neve: duas vezes na vida. Conhecimento geral do desporto em questao: -1.
Mas agora já sei que os competidores se chamam “riders” que têm 3 tentativas, que a última conta obrigatoriamente e que dao uns trambolhoes valentes e esfalfam a neve falsa que é um gosto. O problema é que depois de ver meia dúzia de saltos a coisa começa a ficar monótona. Portanto sugiro aos senhores juízes que em vez de penalizarem as caídas irregulares, as sobre-pontuem. Porque sao es…

Uma terrível mudança

De vez em quando lembro-me de palavras portuguesas de que gosto. Normalmente sao palavras pouco vulgares, estranhas talvez. Coitadinhas. Hoje lembrei-me de rocambolesco. Porque o autoclsimo do meu novo escritório faz um barulho rocambolesco. Parece que vao sair as Tartarugas Ninja de dentro da sanita.
Por outro lado é um meio de comunicaçao muito eficaz: toda a gente fica a saber que o wc está prestes a ser desocupado.
Mas eu nao estou satisfeita.
O lugar onde aluguei casa, o mapa dos transportes, as aulas de dança, as aulas de catalao. Montei toda a minha vida pensando em trabalhar no centro do centro de Barcelona. Habituei-me às manifestaçoes de revoltosos na praça do ayuntamiento e descobri todos os menus por menos de 10€. Mesmo que isso envolvesse tacos de tofú.
É como se já nao estivesse em Barcelona se nao estou ao lado das ramblas, se nao vejo a catedral todos os dias. Ainda que esteja sempre em obras.
Nao há nada melhor que pôr o pé fora do trabalho e estar na rua das lojas,…

Vamos esquiar!

Nao. Eu nao vou. Que mania. Em Barcelona toda a gente vai esquiar, porque toda a gente teve aulas desde pequenino. Como se saber esquiar fosse tao importante como saber nadar. E entao eu explico e replico que na Serra do Caldeirao, a Serra mais próxima de onde eu vivi a minha juventude, nao há pistas de ski. Há sobreiros, azinheiras e cegonhas.
Nao chega. Dizem que me ensinam. Que vou aprender e que vou gostar. Nao vou nada!
Já me tentaram ensinar uma vez, em Itália. Foi toda uma avalanche de desastre que desabou na pista infantil das montanhas de Roccaraso. Eu nao deslizo, eu caio para o lado. Eu nao vou para a frente, eu vou para trás e atropelo crianças inocentes. E depois morro de frio. Frio nas maos, frio na cara, frio nos pés, acho que até tive frio nos dentes. Tenho frio só de me lembrar.
Esquiar para mim foi um martirio. Na verdade, tudo o que se relacione com montanhas e neve numa versao mais realista que filmes e postais de Natal, nao está na minha lista de desejos. Eu sou um…

Uma alegoria?

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Entramos sem saber o percurso e nao acertamos à primeira. Onde estaria o desafio, o prazer da conquista, o risco da derrota, se acertássemos à primeria?
Andamos às voltas sem saber. Saltamos poças de barro, cruzamo-nos com mais gente perdida, separamo-nos. Andamos, andamos, andamos e afinal vamos parar ao mesmo sitio. Começamos de novo. Voltamo-nos a encontrar!
Mas a saída, essa, permanece um enigma bem guardado entre as cebes cerradas. Às vezes seguimos quem vai mais à frente, às vezes achamos que nao, que nós é que sabemos. Às vezes temos razao. Outras nem tanto. Invariavelmente pensamos: e se tivessemos ido por ali? Um pequeno desvio para a esquerda ou uma entrada à direita teriam mudado tudo. Onde chegamos, como vamos e com quem nos cruzamos.

Esbarramos com opçoes sem saída. Nao resta alternativa se nao voltar atrás, corrigir o passo em falso e voltar a tentar. Tentamos, tentamos,tentamos e de repente conseguimos chegar! Ainda nao é a saída mas já é alguma coisa. Alguma coisa que q…

Ano Novo, vida velha

No meu primeiro ano da universidade tive a infeliz ideia de fazer um trabalho sobre a semiótica da minissaia. O trabalho até ficou bom e eu gostei de faze-lo. O que tem muito mérito. Não é fácil gostar de fazer um trabalho sobre semiótica. O problema é que o professor de semiótica era monge e a minissaia não estava, propriamente, no seu top 10 de temas de eleição. Se fosse hoje, com mais sensibilidade e escola de vida, faria um trabalho sobre a semiótica da passagem de ano. Ocorreu-me ontem, ao olhar pela janela, que o dia, era só mais um dia sem sol. Que os prédios continuavam todos de pé, o mar no seu sítio aos pés do céu e o céu a olhar-nos desde lá de cima com certa arrogância. Olhei para as árvores. As árvores estão-se pouco marimbando que seja o último dia do ano, desde que na Primavera tenham a sua nova colecção de folhas e flores. Os cães fizeram cocó à noite sem nenhum traje a rigor. E os chineses não comeram 12 uvas, nem 12 passas, nem lançaram flores a Iemanjá, nem andaram …