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A mostrar mensagens de Março, 2011

E depois?

"O primeiro ministro de Portugal José Sócrates pediu demissao, agora o resgate externo é eminente. Calcula-se que custaria setenta milhoes de euros. Mas também nao é preciso salvar todo o país.Podiam salvar só as coisas mais bonitas: o Porto e a namorada do Cristiano Ronaldo" - in El intermedio - programa humorístico do canal La Sexta.

Foi assim que descobri que o Senhor Nao Engenheiro já nao governava a naçao. Revoltou-me. Porque Lisboa e o Algarve sao muito mais bonitos que o Porto. E porque a namorada do Cristiano, se ainda for a mesma, é de nacionalidade russa.
Quanto à demissao do nosso PM, era previsível. Ainda na semana passada me perguntavam o que é que eu achava que ia acontecer e eu respondi o que aconteceu. Entao perguntaram-me: "E depois?". Esse ponto de interrogaçao derrubou a minha convicçao. Senti-me estúpida. Nao tinha pensado nisso. Mais ou menos como quando fiz uma lasanha, camada por camada, num pirex que nao cabia no micro-ondas.
E depois?
Eleiçoe…

Era uma vez uma música portuguesa com certeza...

Hoje foi um dia triste para a cultura portuguesa, ainda que ninguém o saiba.
Apontei no google maps “A casa portuguesa” de Barcelona. “A casa portuguesa” desenrolou uma mostra de solidariedade étnica com a entoaçao do fado “É uma casa portuguesa com certeza”. Bonito, enternecedor. Mas a actuaçao “live” rápidamente deu lugar a uma completa reproduçao no youtube e ao seguinte comentário “é uma casa portuguesa com certeza, é com certeza uma casa portuguesa, ahhh, no fado vocês trocam sempre a ordem da frase. Ahhh é só mudar a ordem da frase e é um fado!” – Sacrilégio.
“Nao, nao é nada. É só nesse fado.” – em vao, já era tarde de mais.
“O fado é como as sevilhanas!” – Entusiasmo! Cara de quem descobriu a pedra filosofal.
Ângustia – “Nao é nada como as sevilhanas, é lá agora como as sevilhanas” – Revolta!
“Queres ver, queres ver, vou-te mostrar.” – Cara de quem descobriu a pedra filosofal. (Duas vezes).
E de repente, tudo deu lugar a uma performance de sevilhanas by youtube featuring colegas d…

A bailarina e o espelho

Posso dizer que ontem aprendi a dançar. Levo anos definhando com os pés e tropeçando nas melodias do ballet clássico, do corridinho algarvio, do remix dos Djs e da dança do ventre.
Até ontem, a minha maior alegria nas aulas de dança era o espelho. Podiam passar as horas que quisessem com a professora a tentar convencer-nos de que girar a anca para o lado esquerdo enquanto se roda o corpo para o direito é algo orgânico. Porque eu me podia olhar o espelho. De frente, de lado, de costas, desdobrada em 100 poses e posturas diferentes.
Na minha casa há mais espelhos do que portas. Na rua aproveito as montras, as janelas dos carros (as dos autocarros nao porque deformam demasiado a figura) e o vidro que cobre os outdoors de publicidade, para olhar-me. Parece-me injusto que sejamos a pessoa com quem mais tempo estamos e a que menos vemos.
Mas agora há uma coisa nas aulas de dança que me emociona ainda mais do que o meu reflexo vaidoso e egocentrico. Sao as diagonais! Ontem quebrámos o espaço…

Uma noite em Siena, uma noite em Barcelona...

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Uma noite em Siena, quando eu ainda tinha 20 anos, num bar chamado Barone Rosso que já nao existe, um bêbedo veio falar comigo em inglês. “Please, please tell me to go away or I won’t go because you are too beautiful”. O bêbedo era italiano, com um nível de ingles surpreendentemente bom, uma pick up line com piada e uma estatura que também estava acima da média. Mas continuava a ser um bêbedo. E eu disse-lhe para ir embora.
Dois dias depois, num capo de basket que ainda existe em Siena, conheci um rapaz italiano alto que falava bem inglês. Era o bêbedo, sóbrio. Nao se lembrava de mim. Entao conhecemo-nos outra vez, em italiano e sem pick up lines. E a partir daí comecei a ver o bêbedo sóbrio pela cidade frequentemente. Era de Siena mas jogava basket em Milao e tinha vindo passar um mês de férias a casa. Tinha uma irma mais nova, chamada Margheritta, como a pizza, e ele chamava-se Tommaso, como tomate.
E de repente nunca mais o vi. Voltei para Portugal e fui para o Brasil e voltei a v…

Ooohhhhhh!

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A noite estava cheia para o vendaval que tomou conta da cidade. “Mas não há tanta gente como na inauguração da Flower Power. Isso sim foi uma loucura, eram filas e filas e tapete vermelho.” - reclamava um assistente indignado. E provavelmente daltónico, porque o tapete da entrada era, claramente, vermelho. Sim, talvez se esperasse mais gente na festa de entrega do ”Award” dos melhores “Clubs” do mundo. Não obstante, a malta que havia era suficiente para inibir qualquer espaço de mobilidade num raio de 10 milímetros de distância do próprio corpo.
E nós lá estávamos, amalgamados num dos melhores “Clubs” do Mundo. Onde, tirando esta noite, vamos uma ou duas todas as semanas. Por isso cumprimentamos com dois beijos os porteiros que se queixam do frio. Por isso nos oferecem daiquiris grátis. Que normalmente são bons mas esta noite o meu estava ligeiramente intragável. Um mau daiquiri num dos melhores Clubs do mundo!Oooohhhhh!
O pouco espaço apertava-se ainda mais quando os figurantes de…

Lá vem ela linda e bela

A Primavera assobia por entre os canaviais de plantas verdes do terraço da vizinha. A república independente de malmequeres do meu próprio terraço cresce desgarradamente. A propósito, duvido que sejam malmequeres. Alguma sirene rivaliza ao longe com a música do meu computador. Queria dizer com o canto dos pássaros de Barcelona mas o único bando de pássaros que avisto são as pombas de pedra branca incrustadas na Sagrada Família e resguardadas por 4 gruas amarelas.
Hoje é feriado e o sol deve ser dos poucos que decidiu trabalhar. O povo agradece e eu quase que consigo ver os turistas suecos a enrolarem-se nas ondas da praia da Vila Olímpica.
Já os catalães estarão todos de excursão nas montanhas.
Eu estou a meio caminho entre a montanha, à minha direita, e o mar, à minha esquerda. Um meio termo entre o l’étranger e o catalão sem acabar concretamente em nenhum dos dois. De frente para as pombas e as frutas que Gaudí esculpiu, com o meu chapéu de palha do Brasil na cabeça. Estou a ver s…