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A mostrar mensagens de Maio, 2011

"Sale el sol" (onde???)

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Eu gosto da Shakira desde que ela saiu do mar com o cabelo seco para rebolar na lama enquanto cantava “Whenever, wherever we’r meant to be together I’ll be there and you’ll be near and that’s the deal my dear”. Nao era a coisa mais bonita do mundo mas eu gostava, nao havia nada a fazer. E ao longo dos anos continuei a gostar. Cada vez mais. Adoro os ritmos, amo as danças. Boa ou má é música alto astral e o corpo nao fica indiferente. Por tudo isto, quando mon petit-amie me ofereceu duas entradas para a sua tournée “Sale el sol” no Estádio Olimpico de Barcelona eu fui ao rubro. Shakira ao vivo deveria ser o culminar da animaçao, o cantar até romper o último fio de voz, o dançar até ter que pedir ao namorado que nos leve ao colo. Deveria ser mas nao foi. Esperava ter abandonado o recinto suada, afónica, histérica e com calores. Como depois de um concerto de Ivete Sangalo.
Em vez disso, saí de casaco, desiludida e com fome.
O concerto começou da pior forma possível: com uma hora e qua…

Maio 11

E de repente ouvi um barulho estranho lá fora. Pensei que fosse só um momento. Já dura há meia hora. E ao barulho estranho juntou-se a vizinha do lado e a do prédio na esquina, e o casal debaixo e os do prédio no outro lado da rua e as buzinas dos carros. Estavam todos a bater panelas. Menos as buzinas. Mas não era um bater de panelas como no fim do ano.
Porque as pessoas não estão contentes. Provavelmente já não estavam esta manhã quando acordaram, apesar de ser sexta-feira. E o facto da polícia ter ido bater nos estudantes que montaram acampamento na Plaza Catalunya foi a gota que fez transbordar a barragem. O preço do ensino, das hipotecas, das contas, das viagens de férias. O salário mínimo. O desespero do fim do mês. O desespero do desemprego. A discussão com o namorado. O filho que fazia birra. Todas estas razões eram motivo de revolta das panelas. O prédio todo, o bairro inteiro, a rua de ponta a ponta. Parou a cidade para escutar as panelas. Fortes, sincronizadas e imparáv…

Votar

O exercicío desta liberdade basilar da democracia é, por norma, bem mais difícil que aquilo que o verbo em si deixa entrever. Vota aqui, vota ali , vota em mim. Vota, vota, vota. Eu vou votar. Tu em quem é que vais votar? Vamos todos votar. A beleza do direito ao voto em todo o seu esplendor.
Até o dia em que recebemos uma carta da Direcção Geral da Administração Interna: Exmo emigrante, dirija-se ao consulado português a partir de 6 de Junho. Lemos a carta outra vez, fazemos uma breve pesquisa no Google. Supomos que a carta da Administração Interna deve saber melhor que nós quando sao as eleiçoes em Portugal. Nao? Pois nao. E entao nao temos outro remédio se nao comprazernos pelo facto de que o nosso país está extremamente interessado em saber qual teria sido o nosso voto. Para a estatística suponho.
Persistente, fui investigar a informaçao no site do consulado. Voto antecipado 24 e 26 de Junho. Ora aqui está, ou quase: militares, médicos, enfermeiros, estudantes, diplomatas, missoes …

Olá Messi, tu por aqui?

“Nao é o que parece” encerra um dos maiores clichés da história das cenas dramáticas. E já vimos essas cenas repetidas tantas vezes em telenovelas, filmes e séries que nos custa a acreditar que um dia sejamos nós os protagonistas. Nas palavras que se seguem despojo a minha dignidade para partilhar um dos momentos mais embaraçosos de que alguma vez terei memória.
Quantas vezes na vida é que decidimos entrar surrateiramente na casa de banho dos homens e à saída somos surpreendidas por Leo Messi?

A coisa tinha boa pinta. Domingo à noite, festa privada com imprensa e jogadores do FCB para celebrar a conquista da Liga Espanhola.Convidou-me um amigo, que é o director do Grupo que detém o local onde a festa decorreu. Para dar boa imagem à festa, disse-me.
A festa era por si mesma a imagem de um harem. Só havia raparigas, todas produzidas e babosas à volta dos jogadores como abelhinhas ao redor do mel. E eles contentes da vida, claro está. Eu estava com o meu amigo e o irmao dele. Ora jogava u…

A socialite

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Ontem houve uma festa da Pronovias que era “A” festa da noite, the place to be. Recheada de vestidos glamorosos, gente bonita e famosos. “Nomes na lista?” “Temos pulseira” “Ah passem, passem”. A pulseira não era nossa, era de um amigo que já estava lá dentro e pediu a um desconhecido que saía para, discretamente, passar-nos o testemunho. E o desconhecido assim fez, na escadaria, mesmo em frente aos seguranças e às hostess. Colámo-nos na festa em pleno tapete vermelho. No topo do Mont-juic, com vista sobre a cidade iluminada. Famosos só reconheci dois. Porque eu não sei quem é a filha do Julio Iglésias, nem o cantor de tal nem a actriz de qual. O jet set espanhol transcende grandemente os domínios do meu conhecimento.
O primeiro famoso que vi assim que pus o sapatinho no recinto, foi o Gerard Piqué. Conhecido em Barcelona por ser jogador do Barça. Conhecido no resto do mundo por ser o novo namorado da Shakira. Como ele está sempre em todas, não foi surpresa encontrá-lo. Agora o segundo…

Que visão...

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Foi por acaso. Estava a fazer zapping e de repente vi a Hungria a cantar. Olha é o Festival da Eurovisão, vamos lá ver se Portugal perde outra vez. Se bem que este ano, com o mauzão do FMI e a amaldiçoada crise talvez o júri se comova e incentive a quebrar a consecutiva história de participações não premiadas dos nossos cantores nacionais. Que podem não ser os melhores, mas oh por favor, a Finlândia na final com aquele senhor que parecia um teletubie com uma guitarra? E o Azerbaijão que eu, ignorante crassa, jurava a pé juntos que estava mais na Ásia que na Europa?
Buuuuh! Fooora! Fooora! Fooora!
Citando um português famoso e mal quisto aqui em Barcelona
“Porquê? Porquê? Porquê? Porquê?”...
É certo que quem vê assim de repente aquela pandilha de caricaturas nacionais a cantar na bonita língua de Camões, com os rrrsssshrrrrshhhh em todo o seu esplendor, pode ficar assustado. O nome Falâncio e os cartazes multi-idiomas a dizer “a luta é alegria” não ajudam. Digamos que a cena das guerras…

Bye Bye Bin

O mundo gira de contente com a morte de Bin Laden.
Em Barcelona, a alegria depois da derradeira derrota contra o Real e a bota na final da Champions atravessa a chuva, cintila mais que os relâmpagos e cala os trovões. Que se tornam difíceis de diferenciar dos foguetes. E pensar que hoje de manhã pus as rosas vermelhas na varanda porque estava um lindo dia de sol. Agora estão ali à beira do lavatório com as pétalas a pingar.
Eu estou particularmente feliz porque a Orxateria da esquina reabriu. Uma Orxateria tem tudo o que tem uma geladaria, mais orxatas, que são a bebida tradicional do Verão catalão. Eu gosto de Orxatas.
Também gosto que o Barça esteja na final, são vários benefícios adjacentes: mais um jogo com os bares lotados e, queira o Senhor, esvaziamento de todas as caixas de cerveja, e extremo bom humor do meu chefe. Ainda que aquele golo anulado ao Madrid, porque sim, não me tenha parecido nada justo. Mas isso fica cá entre eu e vocês porque para os “culets” como o meu chefe …