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A mostrar mensagens de Junho, 2011

Sopa com sobremesa à brasileira

Esta semana fomos a um restaurante brasileiro. Para eu saciar a nostalgia das minhas raízes e para ele conhecer a picanha. Pi quê? Nao, Piqué nao. Esse está de férias com a Shakira. P-I-C-A-N-H-A.
Sao escassos os catalaes que conhecem o significado deste deleite carnívoro. Tudo o que vá mais além do pao com tomate e das batatas bravas já é demasiado complexo.
Vamos acabar com o mistério. Venha de lá essa picanha, mas antes uma crema. Do que é mesmo a crema? De calabaza (abóbora). Ah sim, perfeito, crema e picanha por favor.
Entao, do mistério da picanha nasceu a intriga da crema de calabaza. A crema chegou, antes da picanha, servida numa taça de sopa com uma bola de gelado verde no meio.
Enganaram-se, pensei eu.
“É gelado de pistachio” disse ele. Sempre mais optimista.
E olha que eu perguntei do que era a crema. Mas o garçon achou que a bola de gelado nao era relevante o suficiente para ser mencionada. Uma pequena redundancia. Verde!
Com a colher trémula, arrisquei a saúde do meu palada…

O book

“Espero que goste de Virgílio Ferreira” disse-me o vendedor da única livraria na cidade de Barcelona com livros em português. Uma meia duzia deles. Quase todos do Virgílio com algum Saramago já lido pelo meio. Nao senhor, nao gosto de Virgílio Ferreira. Trauma de infância (nada pessoal).
Chamava-se “ A Apariçao” e foi o único livro que a professora mandou ler e eu nao gostei. Achei enfadonho, sem sal. Claro que está bem escrito. A Constituiçao da República também está bem escrita e até foca temas que me afectam directamente, mas eu nunca a li nem a tal aspiro.
De ânimo cabisbaixo, acompanhando os joelhos que roçavam o chao para alcançar a prateleira da literatura portuguesa (versao original), encontrei um achado - “O Cais das Merendas” de Lídia Rorerrê, como a chamam por estas bandas.
Há muito tempo que a queria para meu disfrute literário. Temos o Algarve como denominador comum e uma vez li-lhe um poema. Foi na sua visita oficial ao meu liceu, há mais anos atrás do que os que eu gost…

Good news is bad news...

Aqui está ele outra vez. Chegou como se foi, sem avisar. Veio com atraso. Já o esperávamos desde finais de Março. Mas ele sabe que é bom e então faz-se de difícil. Para mim a inauguração foi na sexta-feira, feriado de São João, fim de semana prolongado. Fui para Sitges, cidade de praia próxima a Barcelona, ponto gay por excelência. E toda a gente sabe que os gays têm bom gosto. A praia estava uma delícia! E deu-me uma cor que atesta a minha veia brasileira, pálida e tímida até então. Ontem troquei a Sitges gay pela Costa Brava turística, o Algarve catalão com águas mais frias e areias mais rudes. Hoje deixo o sal do mar em pausa e vou à pool party do Hotel ME. Mas mais daqui a pouquinho porque agora está montado lá fora um calor tão tépido que nem o iceberg de Freud aguentaria de pé.
A senhora do tempo avisou. Disse que as temperaturas iam disparar no fim de semana. E como provavelmente faltou à aula em que ensinam que os Media devem evitar causar o pânico, também disse que estas…

Activista passiva

Uma amiga minha escreveu “Estou a comer uma salada com pepino. Gosto de emoçoes fortes.” No meu caso a frase seria “Estou a passar pelo centro de Barcelona. Gosto de emoçoes fortes”. Tais como, ser avassalada por uma correria de gente em fuga, seguida de uma perseguiçao furiosa dos Mossos d’esquadra.
Pois é. Eu estive ali, no sitio certo à hora certa (ou nao) depende do ponto de vista.
Inadvertida, lancei-me na recta final de uma manifestaçao a roçar o violento. Confesso que a minha participaçao involuntária nao foi nada gloriosa. Assustei-me, soltei um grito e desviei-me para a direita.
O importante era atravessar a rua. Estava a atrasada para o cabeleireiro! Urgia reavivar as minhas higlights, cortar e pentear. A noite prometia festao: Bob Sinclar in the house. Nós com ele e a sua crew na cabine do Dj e uma garrafa de Absolut na mesa. Grátis, evidentemente, que as highlights já sao caras o suficiente.
Eu até vi que as ruas estavam cortadas e até ouvi, claramente, todos os carros a …

Ai la virgen!

Tal como nós dizemos “ai mae” ou “ai meu deus” aquí em Espanha diz-se “ai la virgen”.
E a Virgen del Rocio constituiu a noticia mais divertida e cariata do noticiaário deste oportuni feriado catalao de segunda-feira. Foi uma notícia divertida até aparecerem as imagens das pessoas numa choradeira desenfreada, com uma tristeza desmedida, como se fossem parentes do rapaz da noticia anterior. Que morreu nas corridas dos touros. Que é outra coisa que eu nao entendo. Para quê soltar touros pelas ruas e correr ao lado deles? Mas enfim, a Virgem do Rocio nao pode completar o seu desfile perante as 118 mil pessoas que a esperavam de pé, porque um dos paus que sustentava o seu altar ambulante se desmoronou. Acreditem, as imagens pareciam sacadas das colectâneas dos melhores momentos do ano. Uma multidao imensa, a virgen a flutuar pelas maos erguidas e de repente Puff – rompe-se o pau e lá vai a virgem céu abaixo.
E depois a noticia passa a ser caricata. As pessoas que nao viram a virgem aparece…

Fast and glamorous

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Eu nao me queria levantar. Compreensível. Quem é que se quer levantar num Domingo chuvoso às 8 da manha? Mas pediram-me por favor e prometeram-me festa e eu mais as minhas ramelas lá nos deixámos convencer para ir ao Circuito de Moto GP da Catalunha. Eu nem sequer gosto de motos. O ponto de encontro era num hotel onde nos serviam o pequeno-almoço e nos embarcavam em autocarros rumo à pista de Montmeló. Quando nos começámos a aproximar do circuito nao podia crer nos meus olhos: filas e filas de carros, aglomeraçoes de pessoas caminhando, filas para comprar bilhetes. Fiquei escandalizada. Há centenas de pessoas que madrugam num Domingo, andam à chuva e ainda por cima PAGAM para ir ver umas corridas de motos.



A mim davam-me buffett livre e bar aberto e eu levantei-me a contra-gosto. E ainda tive vontade de pedir para baixarem o ruído dos motores, que é um som extremamente perturbante.No lounge VIP da Ducati tinhamos Djs, actuaçoes de hiphop,esplanada, jogos, vista priveligiada do circuit…

1 de Junho

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Mais ou menos a partir dos 15 anos começa a ser difícil ser criança. Primeiramente porque as crianças nao podem entrar nas discotecas e na maturidade dos 15 ninguém quer ficar de fora. Depois é a altura das escolhas das áreas de estudo, das Unviersidades, dos exames nacionais. E num piscar de olhos uma pessoa já tem de se preocupar com contratos, trabalhos, ou falta dos mesmos, impostos, contas, manutençao do espaço habitacional e recheio da dispensa. Uma cahtice perspegada.
As bonecas e os carrinhos dao lugar a secadores de cabelo, telemóveis touch screen e carros de verdade. Todos com as consequências adjacentes: seguro, avaria, acidente, mensalidades... (Porque depois dos 18 já nada vem sem consequências).
Sair pela rua a correr como se isso fosse a melhor coisa do mundo é pertinentemente substituído pela espera do autocarro e o trânsito às 9 da manha e às 6 da tarde.
As birras e choradeiras desenfreadas sao engolidas por um “cala e come” das estruturas laborais, estudantis e gov…