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A mostrar mensagens de Julho, 2011

It's my party you'll eat cheese if I want to...

Ontem foi o aniversário de uma amiga norueguesa que vive em Barelona. Talvez a conheçam de vista do catálogo da Desigual, da Custo Barcelona ou de uma qualquer revista de moda onde os seus traços exóticos e figura esguia são presença constante. Sim, ela é modelo. Super-modelo. Daquelas que achamos que não existem. Que é photoshop. Não. A única coisa que as suas fotos escondem e a luz do dia reafirma, é que ela tem mais de 1m80.
Sair com ela pode ser frustrante. Uma pessoa sente-se baixa e gorda. Mas a companhia compensa. Não é a típica modelo superficial e tonta. Não tem uma atitude prepotente e interessa-se mais por trabalhar e aprender idiomas que por comprar roupas e sapatos de marca.
É uma pessoa adorável. Tem apenas uma pequena peculiaridade. É que na Noruega existe um culto massificado a um queijo de cabra com côr de caramelo (vulgo côr de cocó de pombo). É um queijo meio salgado meio doce. E os noruegueses consideram-no perfeito para todas as mesas, todas as horas e todas as…

É Verão. Onde?

Hoje assisti com extremada atenção e o coração aos pulos de esperança, aos 15 minutos de previsão do tempo para Espanha. Foi quase tão triste como ver o telejornal.
Prestei um olhar tão minucioso que posso agora afirmar com segurança que as radiações ultra violeta continuam fortes por toda a Península.
E que em Sevilha haverá transformações radicais nas temperaturas: algures na próxima semana passarão de 38 aos 37 graus centígrados.
Mas mesmo com tanta perícia analítica não consegui discernir o passar do tempo por Barcelona. A apresentadora enredava-se num esforço inútil para dar-nos boas notícias, acabando invariavelmente engolida pelas baixas pressões. Pois é, não consegui separar os dias por previsões. Mas é indiferente. Em todos os gráficos Barcelona apareceu coberta por nuvens e gotinhas, em alguns casos substituídas por raios amarelos.
Cada manhã passo pela Sagrada Família e vejo aquela fila imensa de pessoas com mais câmaras que os paparazzi. Perfeitamente alinhadas para entrar…

Oslo

Nao sabemos porque é que estamos aqui. Nao sabemos se já estivemos antes, se voltarems a estar depois. Nao sabemos se as nossas vidas têm um objectivo ou se o destino as arrasta como se fossem graos de areia. Porque nem sequer sabemos se o destino existe.
A única coisa de que temos certeza nesta vida, é a morte. E desconhecemos os seus dados pessoais. Nao temos hora nem lugar marcados. É quando ela quiser.
E mesmo assim vivemos felizes, como se tudo nao fosse efémero. Ou pelo menos tentamos. Saímos no sábado à noite, vamos à praia no domingo se o tempo deixar. Comemos doces e coisas más para o colesterol porque nos dao prazer.
Nao precisamos de saber muita coisa para sermos felizes.
Mas um dia alguém acorda e acha que tem uma missao a cumprir. Explodir um par de avioes, uma meia duzia de comboios ou uns quantos carros. Matar 80 pessoas a sangue frio.
Porque sim. Porque tem de ser assim. Porque eles sao os que sabem tudo. Sao os melhores. Nós? Nós nao percebemos nada do mundo. Nós só quer…

Overdose

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Não sabia que era a última vez que a ia ver. Não pensei nisso. Afinal já era uma sorte conseguir vê-la naquela noite. Durante 30 minutos a dúvida assombrou a Bela Vista. Mas a brisa que sopra o dia para o mar lá a trouxe até nós. Um vulto desengonçado, tropeçando nos saltos, demasiado altos para a reduzida taxa de sobriedade. O copo de vinho na mão, sempre certo, como o Big Ben tem o relógio. A soberba extensão no cabelo perfilava entre os holofotes e avistava-se desde as últimas filas. As tatuagens gritavam o desequilíbrio dos pés à cabeça.
Indiferentes, como bons reles mortais fascinados com a rock star, aplaudimos e gritámos de histeria. Ela estava ali. Bêbeda mas viva. Ela estava li. Estava mesmo? Cada minuto menos. Cada minuto mais: desvanecida. E outro gole. Não sei se para resgatar a voz se para afogá-la de vez. Não dizia coisa com coisa. A letra escapava-se lhe da boca. Falava do marido e da prisão. Mas o povo queria ouvir a Valery, não o Blake. Um por um os milhares de pes…

Maldito gato branco

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Avistei de longe um forrobodó antitético sobre os exames nacionais de Português do 12º ano. Senti-me identificada com quem crítica a suposta ausência de savoir faire na hora de identificar o sujeito de uma frase. Mas não me senti menos identificada com quem argumenta que saíram obras que a matriz se esqueceu de avisar.
No meu 12º ano, com um domínio quase paranormal de tudo o que formasse palavras, ou assim pensava eu, despenhei-me num 16,2 no exame nacional de Português. Dito assim não parece grande coisa, eu sei. Mas foi um hecatombe para quem vinha de uma maré alta de vintes e queria entrar no curso de Ciências da Comunicação com a média mais alta do país e um dia ser escritora. E tudo por causa do gato branco. Alguém achou que a coisa mais importante de “Os Maias” era o gato branco. Não era o retrato social de uma época, não era o desenvolvimento dos personagens, não eram os sinais ocultos de presságio nem as ironias cómicas dos diálogos. Tão perfeitas. Não, não, não. A pergunta…

A pressão dos 25

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Achei estranho quando os vendedores da Óptica não me deixaram comprar os óculos de sol. Porque não era o modelo que eu tinha apontado no papel que lhes dei. Ah mas não faz mal. É muito parecido, levo estes. Não. E tiraram-me os óculos da mão.
Mas nem com toda a fruta da minha imaginação poderia haver cogitado que isto era só o princípio de algo que envolveria champanhe e cupcakes às cores.
Na segunda óptica disseram que avisavam quando os óculos chegassem. Não aconteceu. E era ele a dar-lhe com a óptica do amigo que nos fazia desconto. E eu, intransigente, que não, que não era preciso, que já os tinha reservado. Mas o teu amigo paga-te comissão ou quê?
Facto é que muitas ópticas depois, o dia do meu aniversário amanheceu triste, sem os óculos de sol que eu queria.
Então ele,vendo o meu olhar de cão abandonado no sofá, trouxe um presente. Os meus óculos de sol!Ai o trabalho que me deste. Tive de ligar e ir a todas as ópticas para cancelar cada reserva que fazias. Ainda duvidei entre dar-…

1/4 de século

Lembro-me de escrever uma carta ao Pai Natal com o meu pai. Bem, na verdade ele é que escrevia porque eu ainda não sabia. Eu sabia o que queria. Por isso eu ditava a carta. Hoje sei escrever. Mas já não estou tão segura daquilo que quero. Queria tantas coisas e sonhei ainda mais. Inventei uma espécie de meta etária para cumpri-las e abandonar as dúvidas existenciais que poluem as nossas decisões nos momentos cruciais. Os 25. Aos 25 eu já ia saber tudo, já ia ter publicado um livro e já ia ter a vida encaminhada para sempre. Hoje faço 25 anos. Um quarto de século. E a minha vida anda a deriva entre Barcelona e qualquer outro país do mundo onde surja uma boa oportunidade. Pelo menos o livro foi publicado, em co-autoria, mas publicado. Quanto a saber tudo, parece-me que sabia mais quando ditava cartas para o Pai Natal. Paradoxalmente, são lembranças como essa que tocam aquele alarme que soa imponente e diz “alto e para o baile, porque ele há cá uma coisa que tu sabes muito bem”- Foram 25…