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A mostrar mensagens de Agosto, 2011

Recaída

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Naquele instante de precisão, faltou previsão. O de repente não deu tempo. Uma imagem, mil lembranças em torrente.
As nuvens ao fundo, trazem o vestido branco com manchas negras das poças que saltitávamos. Lembram a chuva na janela daquele quarto que albergou mais felicidades do que roupa nos armários. Lembram um frio gostoso, derretido na Tea House. Era assim que se chamava?
A torre do relógio, altiva e esguia, destaca como uma top model. As suas badaladas marcam as noites que passámos diante dela ,esquivando o sono com uma garrafa na mão, e as tardes que adormecemos ao sol.
O pensamento corre pelos caminhos misteriosos de pedras encantadas, de tantos séculos de passadas, com argolas de ferro na parede, para os cavalos.
Repousa no parque, vê ao longe os montes verdejantes e a Universidade, antigo Hospital Psiquiátrico.
É uma loucura.
Todas as casas têm a mesma cor.
Parece um quadro renascentista. Só que o ar é feito de gargalhadas, aventuras e desventuras. E cheira a gelados, a …

A outra ilha

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Quem quer terminar as férias ponha a mão no ar. Pois é, imagino que se levantem precisamente tantos braços como quantos acreditam que Mourinho não agrediu o segundo treinador do FCB, porque, segundo ele mesmo afirma, nem sequer sabe quem é. Foi no entanto com bastantes braços no ar que Ciutadella, ex capital de Menorca, aplaudiu esfuziante o final da Super Copa de Espanha onde mais uma vez o Barcelona ganhou e o Real não soube perder, começando pelo treinador português.
Da mesa do restaurante seguíamos os golos pelos gritos das pessoas que sofriam na praça em frente às televisões. Estava emocionante. E a euforia final confirmou quem são os turistas que vão a Menorca. São catalães. Ou italianos, sim, também havia muitos italianos. Mas não se enganem, Menorca não é como Ibiza. Ibiza é universal, Menorca é exclusivo. Começando pelo facto de que quem não tem barco se tem de enfrentar a travessias saarianas de largos minutos e por íngremes caminhos para chegar a qualquer praia. Para vi…

Covas d'en Xoroi

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Diz-se que o descobriram quando nevou em Menorca. Seguiram as pegadas que deixara para trás sem saber. Passo por passo chegaram às grutas onde o indigente se albergava. E aí, nesse palácio rochoso com infinitas assoalhadas e vista para o mar, encontraram-na. A rapariga que já ninguém dava por viva. Afinal, tinham passado 10 anos desde que ele a raptou e escravizou. Porque ele tinha uma profissão à margem da lei, ladrão, e vivia dentro dos benefícios naturais da separação da Pangeia, mas no fundo era uma pessoa convencional. Portanto precisava de mulher e filhos. Como não era exatamente o que se chama um bom partido, uma das vezes que foi roubar batatas roubou também uma moça da aldeia. Fácil. Nada que possa chocar as nossas mentes futuristas conhecedoras de casos em que pais prendem filhas nas caves e constituem uma família paralela com elas. O curioso desta estória é que o afamado delinquente não tinha uma orelha. E isso valeu o nome às grutas mais famosas de Menorca: Covas d’en Xoro…

Meeting the parents

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Há pessoas que nas férias do Verão aproveitam para organizar os livros por ordem alfabética. Para mudar de casa. Para fazer mergulho. Eu aproveitei para apresentar o namorado aos progenitores. Ele disse que queria conhecer o Algarve. Pois bem, conheceu Faro, Sagres, Vilamoura, Portimao, Manta Rota, Ria Formosa, Ilha do Farol papai e mamãe. Correu bem. Ele trouxe chouriços e vinho. O meu pai embebedou-o cada noite e a minha mãe assegurou-se de que não regressaríamos a Barcelona com o mesmo peso. O portunhol fluiu pela casa que nem as Cataratas do Iguaçu, excepto por algumas pedras na tradução como quando meu pai disse ao Carlos (o namorado) que ele tinha uns “pezones” grandes.” Pezones” são mamilos em espanhol e não pés grandes, como papai pretendia. Também houve uma certa dificuldade para que o namorado assimilasse que “graça” e “engraçado” não tinha nada que ver com gorda e oleoso. Detalhes. Tirando isso tudo bem. Menos o Pego do Inferno. O nome não previne o suficiente. A resplan…