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A mostrar mensagens de 2012

Os presentes de Natal

Aqui estou eu embrulhada num deles: um robe da Oysho quentinho, peludinho e fofinho, como Deus quer, ou deve ter querido no seu momento, em vez dos maços de palha, do hálito do burro e do estrume da vaca. Engraçado, como nos presépios o milagre do nascimento de Jesus parece muito mais poético. Não falte nunca a poesia, ou prosa no caso, que este Natal culmina com 4 livros novos, dois em inglês, do Ken Follet, e dois em português, bens preciosos quando se vive em Espanha e em Barcelona e todos os livros são em espanhol e em catalão. Da língua de Camões escolhi Saramago e uma nova descoberta, uma senhora que estudou na Nova e só por isso merece algo de compreensão.  Curiosamente, as temáticas são todas muito históricas, o Ken fala da Primeira e Segunda guerras mundiais, Saramago do cerco de Lisboa e a da Nova conta a história da Marquesa de Alorna. Este último comprei-o no aeroporto, tendo em mente a nota que o meu tio me escreveu no postal de Natal “Os trocos não são para comprar trap…

Xmas shopping

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As compras de Natal têm pior fama que o filme de terror em que a Paris Hilton entrou.
Por isso, uma pessoa já vai preparada: sapatos rasos e confortáveis, casaco fácil de despir para o caso de ser necessário um corpo a corpo pelo último jogo de lego, o último par de botas 36 ou o último exemplar do livro que ensina a fazer cupcakes, e uma dose gigante de paciência dentro da mala, tao necessária quanto o dinheiro ou o cartão de crédito.
Pasme-se a surpresa, tirando a fila de embrulhos da FNAC, vivia-se um ambiente de grande pacificidade na baixa-chiado, durante a tarde do domingo pré-natal.
Não sei se será a contenção ou a boa previsão de compras antecipadas, mas a multidão com que se esbarrava na rua, diluía-se nas lojas. Meio cheias, quase vazias, vazias de todo. De tal modo que uma senhora que nos atendeu pode tomar o seu tempo, apróximadamente meia hora, para nos fazer dois embrulhos pequenos, com muito aprumo e rigor. Claramente, não está qualificada para trabalhar no balcão de embru…

O sítio do Natal

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O mundo não acabou, não ganhámos a lotaria de Natal (nem o segunde prémio, nem o terceiro, nem o quarto, nem o quinto...) e as malas demoraram meia hora a sair no aeroporto da portela.
Nenhuma novidade, portanto.
Sentada em frente à porta de embarque, a ouvir o senhor que ligava a pedir a alguém que não se esquecessem de o ir buscar ao aeroporto, e a contar que tinha vomitado no autocarro, senti-me bem. Primeiro, porque eu não tinha vomitado, segundo, porque aquela pessoa, e todas as outras pessoas naquele perímetro, eram como eu. Porque são do Porto, do Benfica ou do Sporting, porque sabem que as irmãs do Cristiano Ronaldo são pindéricas, porque acham piada ao Ricardo Araújo Pereira, porque vivem numa República, porque conhecem pelo menos uma canção do Quim Barreiros, porque sabem a que sabe um pastel de nata e porque comem bolo rei no Natal. Porque sabem o significado da saudade. Que mais ninguém sabe. Pessoas que nunca tinha visto, pessoas que nunca voltarei a ver, pessoas que me f…

Yo, yo, yo!

Inscrevi-me num ginásio novo porque é ao pé de casa e tem funky. E o que é o funky perguntam vocês? De acordo com a web do ginásio novo, o centre d’esport municipal da Sagrada Familia, o funky é uma aula estilo aeróbica, cardiovascular com música, saltinhos, coreografias e muita diversão. De acordo com o professor, sim O professor (primeiro alerta de que algo está mal), o funky é uma dança inspirada no hiphop e não é nada aeróbica nem cardiovascular. Realmente, só faltou mandar-nos  pôr a cabeça no chão e começar a girar, como nos videoclips do JayZ.   É uma dança toda yo-yo-yo, toda atitude, toda from the block. O prof, yah o prof yo, vem vestido como se fosse jogar basket, t-shirt gigante e calções largos de cintura baixa, que vão até debaixo do joelho (segundo alerta). Eu, com raízes no ballet clássico, na dança do ventre e no rancho folclórico, senti-me um pouco fora de lugar. Mais que isso,  posso dizer que não passava por uma humilhação tão grande desde que levei a mochila da B…

É Natal? Onde?

O meu espírito natalício está abaixo de mínimos. Desde o roubo do iphone, sucederam-se pequenos desastres que a organização e burocracia espanholas se encarregaram de tornar devastadores. Primeiro, fiquei sem internet em casa e demorei 4 dias, uma deslocação à loja, duas chamadas e duas horas ao telefone, para conseguir que me abrissem uma incidência. Depois, foram mais 4 dias para que resolvessem o problema que era deles, da central deles e de mais ninguém. Entretanto, também fiquei privada dos serviços de chamadas e de internet no meu telemóvel, por um erro aleatório de configuração. Sem adsl, sem telemóvel e sem nenhum tipo de conexão à internet, o chão da cozinha começou a expulsar água, manifestando a sua raiva. Cada lavado de loiça equivale a uma pequena inundação. O que seria uma desculpa excelente para não lavar a loiça, mas não seria sustentável a longo prazo. Quando ponho a máquina de lavar é todo um manancial que desliza até a casa de banho onde, das raízes da retrete també…

Dizem que foi uma chapada na cara

Os jornalistas vieram de todos os cantos e recantos. E porquê? Porque é que na França e na Holanda e em Portugal querem saber o resultado de umas eleições regionais de Espanha? Uma correspondente do Japão, sim do Japão, sumarizou bem a resposta: porque não entendemos como é que a Catalunha pode ser independente, nós somos muitos, vivemos todos no mesmo país e ninguém se quer separar. Ora ai está o busílis da questão, os Catalães também vivem num mesmo país, estas não eram umas eleições regionais, eram nacionais. E o resto do mundo teve de vir cá espreitar, para tentar explicar, tentar entender. Não é uma questão de falta de espaço ou metros quadrados. É uma questão de cultura e sentimento. O controlo das suas próprias finanças é o único argumento lógico desta luta e, ainda que extremamente válido, porque é verdade que o governo central tira dos catalães para dar aos espanhóis, a independência não vem do bolso, vem do coração. Com isto em mente e as questões lógicas deixadas de lado,…

Fashion night out

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Different phone same number

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Treino de resistência CC

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Terça-feira foi dia de brainstorming. Mais de 7 horas de ideias, discussões, opiniões e conclusões. Poucas mas boas. Ainda assim, os intervenientes foram-se prostrando com o passar das horas. Um até teve uma baixa de tensão. Outro decidiu divagar pela arte do desenho, outro começou a pensar em problemas pessoais práticos. No fim, estávamos todos mas só sobrávamos dois. Eu e o líder de projecto. Para o que desse e viesse. Para mais 7 horas de reunião se fosse preciso. Acho o brainstorming estimulante. Gosto de questionar, discutir, responder. Gosto de aprender. Sempre gostei. Lembro-me do dia em que a minha mãe disse que já não estudava mais comigo, que eu era muito chata, porque não parava de lhe pedir para me fazer perguntas sobre uma matéria que já sabia de cor e salteado. Foi no quinto ano. A partir daí, as únicas perguntas que minha mãe me voltou a fazer foram as do Trivial Pursuit, versão familiar.   Eu gostava das aulas de história e dos testes de inglês e de português. Gostava de…

Querida Apple,

iThief