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A mostrar mensagens de Agosto, 2012

O sorteio

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Cala Morisca

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As coisas que inventam!

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Depois do “video-clip” da Fany  eu achava eu que já tinha visto tudo.  Até que um homem voador aquático rompeu a tranquilidade do meu horizonte.  Sim,  um homem voador aquático subia e descia na crista da onda, naquele sereno entardecer de Agosto que se debruçava sobre a Praia da Barceloneta. Não era um golfinho, não era um sereio, não era o super-homem a gozar umas merecidas férias. Parecia um ciborgue por causa dos tubos que o sustentavam. Mas não, vai-se a ver e era mesmo um homem, comum e corrente, a voar no mar. Havia gente que já tinha visto enquanto para outros, como eu, era a primeiríssima vez. Nesse momento adivinhei como se devem ter sentido as gerações passadas, quando viram a primeira lâmpada a dar luz, a primeira televisão a acender-se ou o King Kong no cinema. Embora seja totalmente consciente que, se um dia contar aos meus netos que no remoto Verão de 2012 se voava na praia com uns tubos, eles vão rir-se da minha cara, do alto dos seus patins voadores a motor, que compraram…

Episódios tropezianos 2

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No segundo dia já nos deixámos enganar. Já sabíamos as manhas das ruas, os caminhos a tomar, as entradas dos parkings e como chegar às praias de verdade: Pampelonne aqui vamos nós! Também não nos quisemos arriscar mais com tentativas de poupar e reservámos a grande e à francesa, nunca melhor dito, mesa para 2 no Le Club 55, o preferido de mademoiselle Bardot. Impossível sem reserva, apesar de se parecer mais com um qualquer restaurante da Manta-rota que comumo Blue Marlyn Ibiza, como seria esperado. 


O cenário era irrefutavelmente paradisíaco, com o mar tão transparente que parecia mesmo o espelho do céu. 


A fila para chegar ao Boulevard do Club 55 era imensa, o parking público estava completo, o a que estas alturas já não sorpreende ninguém não é? Como tínhamos reserva um vallet (pensámos nós) disse que podíamos deixar o carro ali no meio da rua que ele estacionava. Felizes que nem perdizes por sair do carro e evitar uma hora de fila para estacionar, deixámos-lhe o carro, as chaves e fo…

Episódios tropezianos 1

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Já sabíamos que o hotel não era um 5 estrelas, mas havíamo-nos esquecido da existência desse programa que desvirtua realidade e que se chama photoshop. O dono do hotel compensou a coisa, com uma simpatia e hospitalidade pouco frequentes nos les bleus. Depois de 6 horas de viagem já estávamos a laurear a pevide pelo Port de Saint Tropez. Os iates, senhores absolutos de Saint Tropez, repousavam a um lado, enquanto do outro bares, cafés, restaurantes e lojas variadas viviam a azáfama e o burburinho da hora de jantar.

Passámos pelo famoso restaurante club Papagayo, que era bonito sim senhor mas parecia uma lar de idosos. O que nos vinha recomendado era o Le Quai e foi aí que entrámos, esperámos e fomos ultrapassados por amigos da casa, mas a sorte de principiante fez-se ver e conseguimos uma mesa com a vista da esplanada com o porto de fundo. O jantar era animado por música ao vivo e bailarinas de cabaret que faziam parar o trânsito. A decoração moderna e divertida, o ambiente seleto e an…

Saint Tropez - um mundo à parte e à la carte

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Saint Tropez não é um destino turístico, é uma marca de luxo criada pela Brigitte Bardot. 

Quatro dias fizeram-me pôr as coisas em perspectiva: mesmo se tivesse ganho o sorteio da Once dos 20 milhões não seria, afinal, milionária. 20 milhões de eurosnem sequer chegam para comprar um desses barquinhos que abundam no Porto de Saint Tropez, cujo preço só para encher o tanque de gasolina equivale ao que eu considero um excelente salário. Vivemos num Matrix: existem mesmo dois mundos paralelos. Num mundo vai-se a Saint Tropez de carro, no outro de avião privado ou helicóptero com destino ao heliporto do iate que brilha resplandecente nas águas transparentes.

Num mundo, enfrentam-se os terríveis congestionamentos nas entradas e saídas da vila, qual segunda circular em hora de ponta, mais os parkings escassos e “completos”,e os labirintos pelas ruelas de sentido único, nitidamente não preparadas para o intenso fluxo de turistas que por elas almeja circular. No outro mundo, tem-se um chofer ao vo…

Os 20 já eram

Agora podia estar a calçar as sandálias de salto e a pôr o gloss, em gesto de celebração. Podia estar a preparar a minha carta de demissão e avisar que amanha à noite não vou trabalhar (e de dia também não). Podia estar a telefonar aos meus pais para lhes dizer que se podiam aposentar, ir viajar e viver numa mansão à beira-mar. O meu pai teria finalmente a autorização para ter um cão em casa, porque em apartamento a minha mãe não deixa. Podia estar a alugar um iate em Saint Tropez, depois de comprar o jet privado que me levaria até lá, com o namorado. Podia, mas não posso. Há alguém que neste momento é milionário. E não sou eu. Sinto-me ultrajada! Não sou milionária e também não ganhei o segundo prémio, nem o terceiro, nem o quarto, nem o quinto, oh pelo amor de Deus, nem sequer aquele que dá direito ao mísero reembolso do dinheiro investido! A publicidade é mesmo enganosa. Deixei-me levar por um anúncio giro com toda a gente a pular de felicidade ao som de uma música catchy e ago…

"Os 20..."

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Ir passar o fim do ano ao Rio de Janeiro é bom. É muito bom. É maravilhoso! Mas é uma grande chatice quando estamos em Agosto, como é o caso. Toda a gente à minha volta ( e à volta do meu facebook) está de férias ou vai estar de férias. Toda a gente pergunta quando é que EU vou de férias. Não vou. Naaoo??? Não. Só em Dezembro. Aaah… um esgar de pena, como se padecesse de alguma doença terminal. A verdade é que eu também tenho pena de mim mesma e sofro, ai como sofro, com esta letargia a 30 graus, com o metros que agora demora sempre 5 minutos em chegar, com o autocarro que agora demora sempre 25 minutos em chegar, com o escritório vazio sem ninguém a quem me queixar de como o metro e o autocarro demoraram a chegar e com o elevado índice de humidade, que deixa a pele oleosa e destrói todo o propósito de alisar o cabelo. Assim se passam os meus dias de Verão, em passeios de metro/autocarro casa-trabalho-casa-mais trabalho-casa, com um livro do Ken Follet na mala que é fantástico mas …

Crítica literária

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Não é uma crítica, digo-vos já, antes de que ponham as vossas expectativas lá no alto. É um post sobre um livro que acabei de ler há umas semanas, mas um título pomposo vende mais. E se tivesse posto "Sexy crítica literária" aposto que duplicava o número de visitas do blog. Que o diga este livro, ao qual chamaram "Emergency sex and other desperate measures - true stories from a war zone". As duas primeiras palavras são o quíntuplo do tamanho das demais, depois há a foto de um tanque de guerra, mas quase não chega ao tamanho de "SEX" e qualquer pessoa pensará que se trata de uma novela erótica.


Pergunto-me quantos consumidores se haverão sentido enganados quando começaram a ler relatos na primeira pessoa de guerras civis em África e alguns dos maiores massacres da história contemporânea. Os preliminares deste livro são crianças com metralhadoras e buracos com centenas de corpos, previamente assassinados com menos piedade que num campo de concentração. Mas …