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A mostrar mensagens de 2013

Para não pensar...

O penúltimo dia do ano é um bom dia para pensar. Porque o último dia do ano é uma azáfama imensa, um corre-corre em contagem descresente, um desenfreado engolir de uvas passas  para não perder os desejos da meia noite.   O penúltimo dia do ano é, pois, o dia para pensar por excelência. Pensar no que fizemos, no que não fizemos, no que deixámos por fazer. Pensar no que acabámos,pensar no que começámos. Pensar no que ficou a meias. Pensar nas pessoas que conhecemos, nas que já conhecíamos mas de alguma forma perdemos e, em como cada uma delas nos trouxe ou nos deixou  alguma coisa. Uma experiência, um lugar, uma estória, uma ideia, um post it...Ou então não! Porque também há pessoas planas e vazias que passam por nós sem mais nem menos. Nessas, não vale a pena pensar. Pensar nos momentos supremos,  únicos e irrepetíveis, em que o mundo parou no ponto da perfeição. Contá-los a conta gotas, com a esperança de que tenham sido mais que os momentos tristes, em que o mundo encravou e parecia nã…

Um conto de Natal

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Era uma vez uma menina pequenina, mas grande para a sua idade. Os olhos de um castanho intenso  e o cabelo cortado à tigela, pequena maldade que todas as mães fizeram aos filhos nos anos 80. No Natal, o pai levava-a ao circo. Ela tinha uma antítese de opiniões em relação ao circo. Gostava, porque todas as crianças gostam. Mas não achava assim tanta piada aos palhaços, temia pela vida dos trapezistas e tinha medo dos leões e dos tigres. Porque começou a ser céptica desde cedo e não acreditava que aquelas grades bamboleantes fossem um sistema de segurança muito efetivo.  Mas não dizia nada porque olhava para as outras crianças, para os pais e para a irmã, que era mais nova, e mais ninguém parecia partilhar o seu cepticismo. As crianças, porque ainda não sabiam o que isso era, os pais porque sabiam que, muito provavelmente, as feras tinham sido devidamente tranquilizadas antes do espetáculo. Sofria pois, ali sentada horas a fio ( que no tempo das crianças 20 minutos são duas horas), se…

Um Não Natal

Sempre tive Natais felizes. De pouca desarrumação, de pouca gente. Onde a tradição do bacalhau e do perú se misturaram, para grande contento meu, com a lasanha e o bolo de chocolate recheado de laranja. Natais de mais ou menos frio, de mais sol ou menos chuva, de mais ou menos presentes, de mais ou menos folclore na árvore, dependendo de quem a decorasse.  Sempre em Lisboa, sempre em família. Atigamente, o meu pai comprava pinheiros naturais, até ao ano em que descobrimos os de plástico, made in china, e nunca mais quisemos outra coisa. São imensamente mais práticos, é só tirar e pôr na caixa,  sujam muito menos e são mais ecológicos. Se bem que eu acho que o motivo de força maior é mesmo porque o meu pai já não tem a tenacidade para andar, para cima e para baixo, com um pinheiro natural às costas.  Quando era pequena, dava voltas e voltas à árvore numa excitação assanhada, tentando desvelar o que escodiam os embrulhos. No dia 25 acordava às 7 da manhã, ou antes, e os meus pequenos pés…

Bye-bye

Diz a letra de uma canção que “Leaving NY is never easy”. Pois não. Não chorava num avião desde 2007, quando acabei o Erasmus em Siena e voltei para Portugal. Eu até estava contente de voltar a Barcelona, onde a vida é mais fácil e o sol brilha mais forte. Onde a praia se vê todos os dias e onde estão as pessoas que fizeram de Barcelona a minha cidade nos últimos 5 anos.
Pois é, eu até estava contente. Mas, de repente, ao entrar no controlo de segurança depois de ter um ataque de nervos  no self-check-in da American Airlines e querere degolar 5 inglesas que traziam 20 malas cada uma, comecei a chorar. Parei. Sentei-me na porta de embarque e... lá veio a lágrima no canto do olho outra vez. Parei. Apalanquei-me no avião e pimba, abriu-se a torneira e o chuveiro e a mangueira! Foi uma decisão sensata não ter pintado os olhos nessa manhã, ou toda eu teria sido um bonito  panda com leggings de leopardo. Parei. Pensei, porquê? Siena continua no top da melhor experiencia da minha …

Sexta-feira negra

Havia um anúncio na televisão que eu não percebia. Começava com uma senhora afro-americana, aos berros pelo corredor de sua casa e a bater as mãos para acordar os miúdos quando, nitidamente, ainda era de noite. E não é que os estivesse a acordar para ir para a escola, não, era porque ela queria ir às compras e estava ali numa agonia para meter a família toda em formação militar. (Para ir às compras!)  No fim do anúncio aparecia um senhor a dizer-lhe que podia estar descansada da vida e comprar online, que isso de acordar as crianças de madrugada para ir às compas não valia a pena. Bom, até aí, também lhe podia ter dito eu. A primeira vez que vi o aúncio pensei ter percebido mal, ou ter perdido qualquer detalhe chave. Redobrei a atenção na segunda toma, mas não, a mesma coisa. Lá veio a senhora afro-americana a estrebuchar pelo corredor afora outra vez, com o mesmo propóstio.   Ouvi-a gritar e bater as mãos tanta vez que entrei em modo de economia de energia intelectual “ah, é aquele…

O teto pelo chão

Para aquelas pessoas que se queixam de que sempre que lavam o carro chove (olá pai!), aqui fica uma consolação: ontem limpei a casa e o teto espalhou-se pelo chão.  Tudo começou com um estrondo repentino a meio da noite, daqueles que nos acordam em sobressalto. Daqueles mesmo fortes, que nos fazem levantar da cama para ir ver o que se passa, não obstante os 2 graus centígrados fora dos lençóis.  Podia ter sido a caída do secador, do straightner, do telemóvel, de um anjo, de um fantasma, de um espírito diabólico! Mas não, foi só um pedaço do teto. Ah! Então pronto, está tudo bem... . Estaria, se tivesse sido coisa de uma noite, descomprometida e informal. Mas pela manhã continuou a cair, tranquila e estrondosamente. Não é o teto em si que cai, é a pintura do teto.  Recém-pintada após uma infiltração acidental que me inundou a casa no mês passado.  Sim, também a tinha limpo no dia em que cheguei e descobri que em vez de um hall e uma sala tinha então uma piscina interior, onde os sac…

MoMA

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Esta semana, as cortinas abriram-se para ver nevar pela primeira vez, depois do Verão. Era uma neve miudinha, que já não deixava rastro. Quem abriu as cortinas mais cedo, ainda viu o asfalto da côr do algodão. Eu não. Menos mal,  porque para mim a neve é uma deceção. Não acho piada nenhuma a termómetros abaixo de zero,  narizes a pingar e nós no cabelo, cortesia do gorro e do cachecol. A neve é muito bonita sim senhor, para quem não tem de sair de casa. Enfim, não se pode esperar que alguém meio portuguesa (que vivia no Algarve) e meio brasileira, morra de paixão pela neve, pelo ski ou pela patinagem no gelo. É como esperar que os camelos queiram aprender a nadar ou que os ursos polares fiquem morenos. Tudo isto para dizer que no dia dos primeiros flocos de neve em NY, eu estava mesmo entusiasmada era com a composição em vermelho azul e amarelo do Piet Mondrian, em exposição no MOMA. Queria ver a “fonte” do Duchamp, mas o urinol não estava lá. Esperava mais côr nos quadros do Matis…

No Madison Square Garden

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O japonês (supondo que era japonês mas podia muito bem ser coreano ou chinês) ajoelhou-se e abriu a caixa. A japonesa (supondo que era japonesa mas podia muito bem ser coreana ou chinesa) viu o anel e não respondeu logo. Olhou-o como uma cara de “eu até gostava de ti mas agora que me fizeste isto estou  reticente e com alguma vontade de te estrangular”. Ele não percebeu, ficou ali ajoelhado com um sorriso bobo debaixo dos óculos. À espera.... Ela lá disse que sim, porque imagino que seja difícil dizer que não em frente a 20.000 pessoas.
O Magic Johnson e o Mc Enroe bateram palmas. Um grupo de criancinhas vestidas de Snoop Dog meets 50 Cent, dançaram hiphop. O que não sensibilizou o público em absoluto, porque depois continuaram a gritar BULLSHIT! BULLSHIT! BULLSHIT!. Um rapaz ganhou 1.000$ porque acertou dois lances livres. Podia ter ganhou muito mais se tivesse conseguido encestar desde a linha do meio campo. Vou-me informar sobre como participar porque encestar desde o meio campo,…

Graduation time!

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Há tanto tempo que queria isto e agora já está feito. Está aqui na mesa da sala, com 116 páginas e um título provisório.  Recebemos um diploma, fizemos um mini lanche, levámos flores e bombons à professora (ficámos amigos dela no facebook). Escrevemos um guião. Não será o guião de um Óscar, não será a versão final do guião e o mais provável é que nem sequer seja um filme. Mas é o nosso primeiro guião.  O nosso bebé. O que mais queríamos acabar e o que nos deixa com uma lágrima a pender dos olhos por já termos acabado. Foi o fim de oito semanas de sequências, beat sheets, private moments, centenas de cenas, diálogos e personagens. Fictícios e verdadeiros. Oito semanas a almoçar em superfícies de plástico. Oito semanas de luta com a impressora da escola. Oito semanas de quarta-feiras no Rathbones porque fazem uma promoção com as chicken wings. Sabe a pouco acabar assim... em oito semanas. Queria prolongá-las um  por aí, pela imsensidão do tempo sem medida. Que é, mais ou menos, quan…

6 semanas e uma comédia...

Parece que NY já não se levanta dos 14 graus centígrados. As manhãs já não dizem bom dia e as tardes caem na noite antes da última aula acabar. Às vezes o frio é bonito, principalmente quando  estamos bem abrigados ou temos alguém que nos aqueça.  Aqui, agora, não tenho nem uma coisa nem outra. Portanto, terei de ir às compras. O que não é uma desgraça completa, se ignorarmos a o saldo da conta bancária. A chegada do frio marca essa sútil passagem do tempo, que o extrato da conta bancária também expressa, não tão sutilmente. Cheguei de vestido e sandálias, já não saio de casa sem cachecol. Cheguei sem saber onde estava nem para onde ia. Agora até já acerto nas saídas do metro. Quem me conhece sabe que isso é, per se, um triunfo imenso. Não me perguntem onde está o norte nem para que lado é o este. As minhas coordenadas serão sempre esquerda, direita, cima e baixo, em Nova Iorqe ou em Nova Deli. Cheguei com o sonho americano e todas as seasons do Sex and the City e dos Friends na c…

Jets 6 - Steelers 19

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Hoje fui ao meu primeiro jogo de futebol americano: Jets v Steelers. Os jets jogavam em casa mas essa vantagem não lhes chegou para ganhar a uns Steelers que, além de um touch down, tiveram quase tantos supporters como os Jets. O fan número um estava sentado atrás de mim. Quando o senhor gritava DEFENSE até a estátua da Liberdade ouvia. Eu estava a pensar apoiar os Jets, por serem a equipa de NY, talvez até comprar um boné, quem sabe... Desisti logo da ideia, por motivos de segurança. O jogo em si não foi a coisa mais emocioante do mundo. Não houve luta, se não contarmos um breve momento em que alguns jogadores se engalfinharam num combate extra jogo. Também não ajudou a minha falta de percepção sobre futebol americano em geral, não obstante as exaustivas explicações do meu colega Steve, um adepto declarado. Ainda assim,  consegui assimilar que cada equipa tem 4 tentativas para avançar 10 yards, se não perde a posse a bola. Que o touch down vale 6 pontos e o kick 3, mas se for depois…

The US Government is temporarily closed. We are sorry for the inconvenience.

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Este post ia ser sobre a NY Public Library. Um símbolo da cidade, uma meca dos livros e, para todos os seguidores do Sex and The City, o lugar onde o Big deixou a Carrie plantada, qual tenro rábano, no dia do casamento. Verdade seja dita, a biblioteca pública de NY é bem mais um sítio de silêncio que um salão de eventos. Apesar do burburinho dos turistas que desfilam pelos corredores e tiram fotografias, descaradamente, em frente aos sinais que dizem “Proíbido tirar fotografias”. Eu também tirei uma, sim senhor, mas sentei-me ao fundo da sala, a milhas dos sinais de proibição, e ainda me escondi atrás do candeeiro da mesa. Tudo muito discreto, com o telemóvel sem som e a máquina sem flash, ninguém deu por ela.


Depois escrevi. Escrevi até apagarem as luzes e nos expulsarem às 17.45 em ponto. A biblioteca fecha às 18.00. Mas este post já não vai ser sobre biblioteca porque, entretanto, outros assuntos de maior relevância se levantaram. Então não é que fecharam o Governo dos Estados Unid…

Coisas típicas

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Na desarrumação das grandes cidades, e das pequenas também, está sempre cada coisa no seu sítio. Algumas coisas são turistas e podem estar em muitos sítios. Como pastéis de Belém em São Paulo ou um restaurante típico portugês ao lado de Times Square.  Mas há certas coisas que conservam uma resistência à réplica, que se deixam imitar mas não se deixam copiar. Coisas que só SÃO, se forem ali, no lugar onde têm de ser. Podem ter uma Torre Eiffel em Las Vegas que as pessoas não deixarão de querer ir a Paris. Podem vender água de côco em pacote nos supermercados de Nova Iorque, que o gosto nunca vai chegar perto do côco verde aberto à nossa frente. E mesmo os pastéis de Belém em São Paulo, são pastéis de nata e não de Belém. Enquanto cá estou, quero fazer o maior número possível dessas coisas que se não fizer aqui, não vou fazer em lado nenhum. Como andar nos barcos a remo do Central Park, onde a fila desafia a fila da própria Estátua da Liberdade. Doze doláres dão direito a uma hora de …

NYFA

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Pela primeira vez, quando me perguntam o que estou a estudar, as pessoas percebem a resposta. Porque não são ciências da comunicação. Porque não é direção de comunicação empresarial e institucional. É screen writing. E screen writin é claro, é fácil de entender e quando acabamos de dizer writing o nosso interlocutor ainda se lembra do screen. Coisa que não acontece com direção de comunicação empresarial e institucional. Screen writing é hot! Portanto, em vez de um “ah...o que é isso?” a pergunta seguinte é “Uauuu! Onde?”. Na New York Film Academy. E pronto, aqui acaba-se o entusiasmo. A audiencia quer ouvir NYU ou Columbia. Ironicamente, a New York Film Academy não aparece nos filmes. Eu também gostava imenso de ter um student id da NYU ou da Columbia. Mas não tenho 20.000€ para pagar por semestre, não encaixo em nenhum tipo de bolsa académica nesta área, nem me posso dar ao luxo de não trabalhar durante um semestre. A New York Film Academy oferece work shops intensivos em 2 meses, a…

If you can make it in NY...

Comecemos enquanto ainda é Verão em New York. Enquanto o sol ainda nos condimenta a cor da pele, o Central Park está cheio e as sandálias e sapatos abertos são os reis do asfalto. New York como turista e New York como habitante são um matrix de realidades.  Quando estive cá de férias a vida era um mar de rosas, com várias peripécias, sim, mas nada que se compare aos affaires do dia a dia. Nada que se compare a ter alugado um apartamento online, perto da universidade, chegar ao destino e receber outro. No mesmo bairro, mas isso já não importa nada porque, entretanto, as aulas da universidade mudaram de sítio. O pânico.  Sendo que passados 3 dias afinal as aulas  são onde era inicialmente previsto e o novo apartamento é melhor que o tínhamos visto online. Foi só uma pequena praxe – welcome to New York! Aqui não vale a pena fazer planos, não vale a pena achar que temos tudo controlado e não vale a pena desesperar porque as coisas não saem à nossa maneira. Simplesmente não vale a pena. …

Give it a try

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Cheguei a Barcelona vazia.  Leve, sem planos nem expectativas mais além do mestrado. Saio de Barcelona cheia. Cheia de 5 anos de vida, de trabalho, de pessoas, de lugares. “Um dia, vou saber os caminhos de trás para a frente”pensei, na primeira vez que dei uma volta pelo bairro. “Um dia, vou ser aquela rapariga que conhece toda a gente, que não faz filas e que dança nos espaços vip” pensei, na primeira vez que saí à noite. “Um dia, vou ganhar mais de 1.000€” pensei, quando consegui um part-time.  “Um dia, vou ter amigas como as que deixei em Portugal e como as que encontrei em Siena”pensei, quando todas as amigas que tinha em Barcelona se foram embora. “Um dia, aquele rapaz podia ser meu namorado” pensei, na primeira vez que vi o meu namorado. Assim, pouquinho a pouquinho, devagar, devagarinho, eu fui conquistando Barcelona e Barcelona foi-me conquistando a mim.  Agora somos íntimas. Tudo o que eu fui pensando, foi acontecendo com avidez. Sem um ritmo marcado, com um compasso incert…

Dia sem dente e noite sem fada

Chegou finalmente o dia. Hoje, fui arrancar o dente do siso. Lembro-me que em criança vivia uma plena emoção quando um dente caía, arrancava-o mesmo se fosse preciso, sem mariquices. Tudo para receber a visita da fada dos dentes e acordar com dinheiro debaixo da almofada em vez de um dente de leite ensaguentado. Não era uma troca muito justa mas a fada dos dentes lá sabe de si.  Desta vez não tenho o dente em minha posse, a fada não me vai deixar dinheiro debaixo da almofada e por enquanto as reações não são as melhores: onde antes não me doía nada, tenho agora um inchaço em potência, pontos e alguma dor. Só posso “comer” líquidos frios, o que faz com que tenha passado o dia todo esfomeada. Se falar ou tentar abrir a boca, então dói mais. Nnguém disse que arrancar um dente era uma volta na montanha russa. Se bem que eu sei de gente que era bem capaz de preferir arrancar um dente que subir-se à montanha russa. Não é o meu caso.  Arrancar um dente é estranho. A anestesia na boca, os ruído…

Caminhos...

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Na semana passada superei-me a mim mesma. Espanto-me com esta minha habilidade para ainda me perder no caminho a casa, depois de quatro anos nesta cidade. Fez-me lembrar uma série de pontapés na porta da minha casa em Siena, um dia em que nao a conseguia abrir. Basicamente porque não era a minha porta. A minha porta já tinha passado há umas quantas portas atrás. É que o meu sentido de orientação é tão bom como o de um cavalo marinho cego. A maioria de vós já deve ter tido a oportunidade de observar cavalos marinhos num aquário. Não têm a mais pálida ideia do que estão a fazer! Viram à direita, viram à esquerda, voltam a virar à direita e à esquerda, e à direita outra vez. Sempre em síntesis de movimentos curtos e secos, como se estivessem a sofrer pequenos espasmos nervosos. Ou a dançar hip-hop. Agora imaginem um cavalo marinho cego. Esse sou eu! Após duas saídas do metro frustradas, dei por mim no meio de uma rotunda entre dois bairros de escassa boa fama, chamados Glóries e Encants a…

Porquê não atender o telefone a desconhecidos

"Se essa rua, se essa rua fosse minha..."

Recebi um email da minha mãe com uma notícia constrangedora. Mudaram a morada da nossa casa. Durante 6 anos vivi, com os meus pais e a minha irmã, no Vale da Amoreira, 8000 Faro. Depois, mudaram o código postal, mas as cartas continuaram sempre a ir lá ter. Eu saí de casa e, quando voltei para passar as férias, também já tinham posto um nome à rua. Que Vale da Amoreira era muito vasto. E agora, como não tem mesmo nenhum assunto mais importante em que investir o seu tempo, a Câmara Municipal mudou o nome da rua, outra vez. Para quê? Para as pessoas irem todas em pregrinação à oficina do cidadão, que aposto que está com funcionários reduzidos em razão das férias de Verão. Mas os que lá estão, com certeza estavam aborrecidíssimos e estarão agora cheios de vontade e genica para mudar os documentos de toda a gente que morava no Vale da Amoreira e noutros bairros afectados.  E continua a morar. E, no entanto, não. Pergunto-me se, estando Portugal na banca rota, sendo os seus políticos alarde…

Arroz com lulas a troços

Quarta-feira à noite. Estava eu descansadinha da vida a jantar, um arroz con lulas a troços, quando de repente, não mais que de repente, começou-me a doer um dente. Engalfinhou-se o arroz com o troço de lula pela cavidade do dente. Fui logo abrir a boca ao espelho para ver o que se passava. Uma imagem de um sexappeal inimaginável. O que se passava era que me estava, está, a despontar um dente do siso. O pânico! O dente estava ali, entalado entre a gengiva e a parede da boca, e doía. Oh meu deus e agora, e agora o que é que eu faço? Vai doer mais e vou ter de operar e vou ficar com a cara inchada e vou parecer a popota e não vou poder ir trabalhar e vai doer muito!... Fiz o que qualquer pessoa de 27 anos faria. Liguei à minha mãe. Falei com a mãe, com o pai e com a irmã, que se revelou a maior experta no tema. Diz que tirou os 4 dentes do siso, 1 por operaçao e 3 arrancados. Diz que arrancar nao dói nem incha, que isso só acontece quando se opera, mas como o meu dente já esta a sair nao …

Quando 26 já são 27

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