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A mostrar mensagens de Dezembro, 2013

Para não pensar...

O penúltimo dia do ano é um bom dia para pensar. Porque o último dia do ano é uma azáfama imensa, um corre-corre em contagem descresente, um desenfreado engolir de uvas passas  para não perder os desejos da meia noite.   O penúltimo dia do ano é, pois, o dia para pensar por excelência. Pensar no que fizemos, no que não fizemos, no que deixámos por fazer. Pensar no que acabámos,pensar no que começámos. Pensar no que ficou a meias. Pensar nas pessoas que conhecemos, nas que já conhecíamos mas de alguma forma perdemos e, em como cada uma delas nos trouxe ou nos deixou  alguma coisa. Uma experiência, um lugar, uma estória, uma ideia, um post it...Ou então não! Porque também há pessoas planas e vazias que passam por nós sem mais nem menos. Nessas, não vale a pena pensar. Pensar nos momentos supremos,  únicos e irrepetíveis, em que o mundo parou no ponto da perfeição. Contá-los a conta gotas, com a esperança de que tenham sido mais que os momentos tristes, em que o mundo encravou e parecia nã…

Um conto de Natal

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Era uma vez uma menina pequenina, mas grande para a sua idade. Os olhos de um castanho intenso  e o cabelo cortado à tigela, pequena maldade que todas as mães fizeram aos filhos nos anos 80. No Natal, o pai levava-a ao circo. Ela tinha uma antítese de opiniões em relação ao circo. Gostava, porque todas as crianças gostam. Mas não achava assim tanta piada aos palhaços, temia pela vida dos trapezistas e tinha medo dos leões e dos tigres. Porque começou a ser céptica desde cedo e não acreditava que aquelas grades bamboleantes fossem um sistema de segurança muito efetivo.  Mas não dizia nada porque olhava para as outras crianças, para os pais e para a irmã, que era mais nova, e mais ninguém parecia partilhar o seu cepticismo. As crianças, porque ainda não sabiam o que isso era, os pais porque sabiam que, muito provavelmente, as feras tinham sido devidamente tranquilizadas antes do espetáculo. Sofria pois, ali sentada horas a fio ( que no tempo das crianças 20 minutos são duas horas), se…

Um Não Natal

Sempre tive Natais felizes. De pouca desarrumação, de pouca gente. Onde a tradição do bacalhau e do perú se misturaram, para grande contento meu, com a lasanha e o bolo de chocolate recheado de laranja. Natais de mais ou menos frio, de mais sol ou menos chuva, de mais ou menos presentes, de mais ou menos folclore na árvore, dependendo de quem a decorasse.  Sempre em Lisboa, sempre em família. Atigamente, o meu pai comprava pinheiros naturais, até ao ano em que descobrimos os de plástico, made in china, e nunca mais quisemos outra coisa. São imensamente mais práticos, é só tirar e pôr na caixa,  sujam muito menos e são mais ecológicos. Se bem que eu acho que o motivo de força maior é mesmo porque o meu pai já não tem a tenacidade para andar, para cima e para baixo, com um pinheiro natural às costas.  Quando era pequena, dava voltas e voltas à árvore numa excitação assanhada, tentando desvelar o que escodiam os embrulhos. No dia 25 acordava às 7 da manhã, ou antes, e os meus pequenos pés…

Bye-bye

Diz a letra de uma canção que “Leaving NY is never easy”. Pois não. Não chorava num avião desde 2007, quando acabei o Erasmus em Siena e voltei para Portugal. Eu até estava contente de voltar a Barcelona, onde a vida é mais fácil e o sol brilha mais forte. Onde a praia se vê todos os dias e onde estão as pessoas que fizeram de Barcelona a minha cidade nos últimos 5 anos.
Pois é, eu até estava contente. Mas, de repente, ao entrar no controlo de segurança depois de ter um ataque de nervos  no self-check-in da American Airlines e querere degolar 5 inglesas que traziam 20 malas cada uma, comecei a chorar. Parei. Sentei-me na porta de embarque e... lá veio a lágrima no canto do olho outra vez. Parei. Apalanquei-me no avião e pimba, abriu-se a torneira e o chuveiro e a mangueira! Foi uma decisão sensata não ter pintado os olhos nessa manhã, ou toda eu teria sido um bonito  panda com leggings de leopardo. Parei. Pensei, porquê? Siena continua no top da melhor experiencia da minha …

Sexta-feira negra

Havia um anúncio na televisão que eu não percebia. Começava com uma senhora afro-americana, aos berros pelo corredor de sua casa e a bater as mãos para acordar os miúdos quando, nitidamente, ainda era de noite. E não é que os estivesse a acordar para ir para a escola, não, era porque ela queria ir às compras e estava ali numa agonia para meter a família toda em formação militar. (Para ir às compras!)  No fim do anúncio aparecia um senhor a dizer-lhe que podia estar descansada da vida e comprar online, que isso de acordar as crianças de madrugada para ir às compas não valia a pena. Bom, até aí, também lhe podia ter dito eu. A primeira vez que vi o aúncio pensei ter percebido mal, ou ter perdido qualquer detalhe chave. Redobrei a atenção na segunda toma, mas não, a mesma coisa. Lá veio a senhora afro-americana a estrebuchar pelo corredor afora outra vez, com o mesmo propóstio.   Ouvi-a gritar e bater as mãos tanta vez que entrei em modo de economia de energia intelectual “ah, é aquele…