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A mostrar mensagens de 2014

Natal na Revista

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No dia de Natal, entre tartes, tortas, mousses, chocolates,  bolos, lampreias de ovos, perús, bacalhaus, galinhas recheadas e carne de porco em vinha de alhos, pusemos os talheres de lado durante umas horas e fomos ao teatro. Portugal à Gargalhada, a nova revista do la Féria, foi o aperitivo ideal para digerir o Natal com  alegria (e uma pitada de carne de porco em vinha de alhos que insistia em mandar suspiros pelo esófago acima). Rir é sempre o melhor remédio, a melhor terapia e até mesmo a melhor protecção de estômago. Nunca se viu ninguém a rir e a sofrer de dôr de barriga ao mesmo tempo. Não é um musical da Broadway, está claro, mas é o que se faz por cá e merece reverência, se considerarmos a escassez de apoios à cultura e o público em decadência. A idade média dos espectadores rondava os 65 anos.  O que é uma pena, por este andar em duas décadas já não há Revista, nem teatro, porque não haverá ninguém para ir ver.  A meia dúzia de pessoas que lá estavam, com menos de 50 anos,…

Sem número nem prefixo

Ao telefone com a Vodafone:
-  Olá, eu enganei-me no meu pin ,fiquei com o telefone bloqueado e agora não sei o puk... - Ah não faz mal, como é que se chama? - Alexandra. - Senhora Alexandra, diga-me então o seu número de telefone. - É o  913867796. - Ah mas este telefone não está no seu nome. - Então experimente  o nome do meu pai e o da minha mãe. - Também não. - Ora essa, mas então está a que nome? - Essa informação não lhe posso dar senhora Alexandra.                     - Pffff... - Diga-me lá o número de contribuinte. (debito número de contribuinte) - Não, este telefone não é desse número de contribuinte. - E o do meu pai e o da minha mãe. - Não, não, não é de nenhum desses números de contribuinte. - Só se eu me tiver enganado no número de telefone, porque eu tinha dois números... hum...Veja lá este 916476575. - Então mas espere lá, a senhora Alexandra não me ligou para consultar um número e agora já é outro??? Isso não pode ser. - Olhe,  eu liguei porque tenho um catão da vo…

A aterragem

Assim que aterrei em Lisboa e a boa da minha irmã me foi buscar à Portela, a primeira música que ouvi no rádio do carro (o jeep vermelho que os meus pais me compraram quando tirei a carta e andava nos meus early 20's), foi um ritmo de cavaquinho com uma letra melódica e folclórica.   Não conhecia a canção. A letra falava da Laurinha e soava a azulejos brancos e azuis com acordes de pedras da calçada. Embalava os ouvidos em portuguesismos esquecidos pela ponta da minha língua, desencadeando o movimento assimétrico e ondulante de ombros e pescoço. As palavras levavam-me a um tempo feliz e longínquo, aos anos do ciclo e do liceu, lá para os lados dos Algarves. Tirando fumar às escondidas, que para isso nunca me deu, eu também fui a Laurinha.  Chegar a casa para o Natal é sempre esse solavanco de saudade, memórias e pessoas, e o tempo é sempre escasso para rever todas.
Mas ligar o rádio e ouvir o Miguel Araújo a cantar em vez de uma qualquer Taylor Swift é o bingo das boas-vindas.…

Um drama televisivo

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Não é por estar escrito em catalão. Poderia estar esccrito em russo e o grau de pânico seria o mesmo. Que jovem mulher independente não entra em desespero ao deparar-se com um A4 colado no espelho do elevador, que diz que lhe mudaram todos os canais televisivos, portanto, se pretender ver alguma coisa além de estática, tem de resintonizar a televisão?! Assim, à papo seco.  Como se fosse a mesma coisa que dizer  “estivemos a pintar as escadas, por favor, não toque no corrimão”. Como grandesíssimos raios, é que se resintoniza uma televisão??? Destas coisas não ensinam na Universidade, que eu estudei em 3 diferentes e nada de nada. Destas coisas não explicam nas A4 que colam nos espelhos dos elevadores. Custava muito acrescentar um parágrafo com dicas úteis? Para quê, não é? Toda a gente que vive neste prédio tem, obivamente, uma formação específico-técnica em electrónica e audiovisual, de modos que basta avisar que os canais mudaram e deixar que os senhores engenheiros se façam à vid…

Ladrão que rouba ladrão, tem 100 anos de perdão

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No liceu mandaram-nos ler um livro chamado Le petit Nicolas. E eu gostei daquilo à brava, quase nem reparei que estava tudo em francês. O Petit Nicolas era um pequeno bacano! Cheio de questões e introspecções divertidas, como são todas as dúvidas vitais aos 6 anos de idade e cuja resolução costuma acabar em trapalhada. Nunca mais me lembrei dele, até que Espanha ressuscitou o nome do livro e o transformou no cabeçalho de todos os noticiários. Não sei se em Portugal o “pequeño Nicolas” tem o mesmo mediatismo que aqui mas a história, em traços gerais, é assim: um miúdo de 20 anos, militante das juventudes do PP,  ludibriou vários empresários e políticos espanhóis e sacou-lhes dinheiro em troca de “influências” que nunca exerceu, porque não as tinha. Influências para mediar casos de corrupção, decidir negociações avultadas, garantir concessões de licenças. Utilizou como arma principal selfies com todos os políticos que se lhe atravessaram no caminho, nas muitas vezes em que se “colou” …

Vida dupla

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Pareço um shuttle de aeroporto, num vai-vem entre dois trabalhos e castings. Longe estão os tempos em que uma pessoa emigrava para conseguir um trabalho. Agora, as pessoas emigram para conseguir dois ou três, porque só um não chega para pagar o aluguer. A maioria das pessoas entre os 20 e os 30 anos, apróximadamente, são uma coisa assim p’ra lá de espetacular (desenhador, escritor, fotógrafo , actor, músico, pintor, DJ...) mas que não dá dinheiro nenhum, e outra coisa qualquer que não lhes interessa minimamente (bartender, empregado de mesa, empregado da Zara, recepcionista de qualquer coisa, hospedeiro de eventos, dançarina de discoteca, hostess de club) mas que paga as contas.  Normalmente, as duas profissões são ainda intercaladas com estudos académicos, aprendizagem de idiomas e uma carreira de modelo que nunca vai chegar a acontecer.  Porque hoje em dia toda a gente é modelo (e blogger de moda)!
Imagino que a Gisele Bundchen se sinta mais ou menos como eu, atarefada e dividida …

"I don't want a lot for Christmas..."

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Há uns dias a minha mãe perguntou-me o que é que eu queria de prenda de Natal, da parte dela, do meu pai e da minha irmã. Eu, apanhada de surpresa, respondi as primeiras coisas que me vieram à cabeça: um livro, um perfume e um baton. Mas agora, depois de meditar melhor sobre a questão, percebi que se calhar havia umas duas coisinhas que eu queria de prenda de Natal em vez do livro, do perfume e do baton. São dois trapinhos, só dois em vez de três coisas e estão à venda online, nem sequer é preciso sair de casa. Poupa-se tempo, gasolina e paciência que, de outra maneira, se gastaria a tentar encontrar lugar para estacionar o carro e a efrentar as filas das compras de Natal. Porque eu penso sempre em vocês! Então é assim mãezinha, se ainda for tempo para trocar, de prenda de Natal gostava muito de receber estes dois vestidos...
Um singelo Balmain branco da nova coleção, que custa só um bocadinho mais de 3.000€


e um deslumbrante Herve Leger dourado, muito mais em conta que o Balmain…

As Marinas

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Quando entrei na faculdade conheci uma rapariga que tinha algumas coisas em comum comigo. Primeiro, também se chamava Marina, ela de primeiro nome, eu de segundo. Coisa que menciono agora, por motivos excecionais, mas que depois deste post podemos esquecer por completo. Alexandra Marina não é uma coisa para ser lembrada.
Adiante, a Marina também tinha pais braileiros, também era mais alta que a maioria das pessoas, ainda mais alta que eu, e também gostava de doces e de chocolate. E também tinha que apanhar o metro e o comboio da linha para se transportar entre casa e a faculdade. Estávamos a fazer o mesmo curso, ambas falávamos italiano e queriamos fazer Erasmus em Siena. Durante os anos de faculdade vimo-nos quase todos os dias, dentro e fora das aulas.  Lembro-me de noites de Santo António épicas, de dias de praia deliciosos em São João Do Estoril, de cafés nas Avencas e de lhe oferecer uma almofada...
Até que um dia, nunca mais nos encontrámos. Acho que a última vez que nos vimos …

O pinheiro do Pep

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No outro dia deparei-me com o Pep, o nosso porteiro, a montar uma árvore de Natal na entrada do prédio. Mas uma coisa profissional, grande, com bolas, estrelas e luz. E o Pep olhava para aquilo indeciso, como se fosse um balcão do McDonalds com o menú escrito em russo. Notando o seu desconforto, elogiei a árvore, para lhe dar mais confiança. Mas ele olhou para mim com aquela cara de peixe fora de água, muito pouco convencido. - Sim, achas que está bem? É que isto não é nada o meu tipo de coisa... Pois, também não imaginei que fosse. Montar a árvore de Natal não costuma ser uma prioridade de machos, nem desperta grandes paixões entre eles. É bem mais o chamado “frete” ou “seca”.  E o Pep não é exceção. Peçam-lhe para cortar um tubo para pendurar as cortinas do duche, peçam-lhe para arranjar uma porta, peçam-lhe para mudar as luzes, peçam-lhe para desentupir os canos, mas não lhe peçam para meter a estrela no topo da árvore de Natal, que isso não é lá com ele. Como eu tinha de ir tra…

Este é o espírito!!!

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pais vs filhos

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O que os nossos pais pensam daquilo que nós pensamos é proporcionalmente inverso ao que nós pensamos e perpendicular ao que nós pensamos que eles pensam.

Exemplo:

O que os meus pensaram, quando eu lhes disse que tinha começado a fazer boxe:







O que eu pensei, quando comecei a fazer boxe:











A minha irmã avisou-me que eles estavam muito preocupados, com medo que eu me magoasse. E eu diss-lhe que os deixasse estar, que os pais quando não têm nada com que se preocupar pelos filhos, aborrecem-se. Pelo menos assim, a pensar que alguém me vai partir o nariz ou arrancar uma orelha, estão mais entretidos...

À rasca...

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Sexta à noite houve jogo. De Basket. Que é do melhor que há, mesmo não sendo da NBA. Armani Jeans Milano contra o FC. Barcelona, jogo da Euroliga, emoções fortes. Na primeira parte os da casa deixaram-se levar e os pontos subiram a quase 20 de diferença. A derrota parecia eminente. Mas eu já sei o que é que a casa gasta e, normalmente, é  assim, começam a jogar mal e acabam bem. E quando começam bem, acabam mal. Digamos que não é uma equipa que prima pela consistência no seu jogo. Portanto, tal como eu havia previsto, no fim do terceito período já estavam à frente do marcador por um ponto. E os últimos 10 minutos passaram, tensos,  na corda bamba dessa diferença: ora ganha o Barça por um ponto, ora ganha o Milão por um ponto. Triplo daqui, falta dali e eu aflitinha para ir fazer xixi. Mas não havia maneira de sair dali sem ser atacada por todas as pessoas que tinha de atravessar para chegar à casa de banho, e depois, para me voltar a sentar. Foram momentos de sofrimento para todos…

Supresa?!

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Gosto sempre de ver Portugal na televisão espanhola. Mesmo que seja a propósito de termos um ex-primeiro ministro no xilindró. Aparece a bandeira das quinas de fundo e ouço frases em português por de trás do espanhol. Símbolos e estímulos que deixam uma imigrante como eu comovida, principalmente a menos de um mês de voltar a casa para passar o Natal. Nem me importa que as frases em português sejam proferidas pelo Sócrates, com aquela entoação nasal a tocar as barbas do irritante. Também não tenho nenhum tipo de vergonha por ele ter sido preso, se alguém tem de ter vergonha é ele, que está preso.  A minha vergonha, guardo-a para coisas mais dignas, como passar o dia com um pedaço de espinafre entalado no meio dos dentes da frente.
Quanto muito, a vergonha pode alastrar-se às pessoas que depositaram nele o seu voto de confiança para comandar o país (o que também não é o meu caso), e ao Mário Soares (o que já é um caso perdido).  Surpresa? Sim, alguma, ainda que antagónica. Não me …

Às vezes, parece que acordamos num programa dos apanhados

Que melhor coisa que abrir a pestana para  receber uma mensagem da companhia telefónica Orange, a dizer que o nosso banco devolveu a factura deste mês, que por favor contactemos com a copanhia. Oi? Como é que é??? Eu não mandei devolver nada. O Banco não me informou de nenhuma devolução. Começo então o dia a falar com a grvação de voz do serviço telefónico da Orange. Em vão, porque me pede para digitar o meu número de identidade, por razões de segurança, mas não me deixa digitar letras. E o meu número de identidade espanhol tem duas letras. Ligo ao Banco. Não, não o Banco não devolveu nada, foi a Câmara europeia de não sei o quê, um erro do programa não sei das quantas, que é uma chatice esse programa, todos os dias ha incidèncias sabes... Ah, pois... Desta vez devolveram 4.500 facturas, “só” 4.500 já viste! Hum-hum... Tu és Orange? Pois eu também, eu também e também recebi a mensagem. Já tentaste falar com eles? O que é que te disseram? Acho que ainda não devem ter diretrizes sob…

O teletransporter

Todas as marcas querem inventar alguma coisa diferente. Todas as marcas querem ser originais . Todas as marcas querem fazer o seu target sorrir, para conquistar e fidelizar. Mas só algumas conseguem,  porque isso de mover-se por números e provocar emoções não é assim tão fácil. Se o out of the box estivesse dentro, toda a gente podia ir lá buscá-lo não é verdade? Aqui fica um exemplo que é também uma ideia revolucionária com potencial para mudar o mundo e fazer toda a gente mais feliz... Porque essa é a verdadeira premissa da publicidade.

Um vício pouco ortodoxo

Estou completamente viciada numa série chamada How to get away with murder. Espero que esta declaração não afaste conhecidos e amigos, nem alarme as pessoas mais chegadas.   É tudo culpa de um marketing asfixiador a que fui submetida aquando da minha última visita a NY, em Setembro. A publicidade à série, então prestes a estrear, chamou-me a atenção, porque era impossível não chamar.  Cobria os metros, aparecia nos televisores dos táxis (sim, em Ny todos os táxis têm pequenos teelevisores incorporados nos assentos), estava na televisã e, basicamente, onde quer que se fosse. A Viola Davis, nomeada duas vezes aos Oscars, encabeçava o cartaz, com cara de má. Surpreendeu-me a aposta de colocar uma senhora negra de meia idade, que não é a Oprah nem parece uma modelo da Victoria’s Secret, como protagonista de uma série. Achei arriscado, mas, ao mesmo tempo, extremamente intrigante. Tanto os teasers como a escolha do casting e os próprios personagens, já que o trailer deixava antever tórri…

Correr no parque

Esta semana tive uma ótima ideia. Em vez de ir correr pela minha rua, na faixa das bicicletas e em constante sobressalto entre carros, peões e esplanadas, fui correr para um parque. Para o Parque da Ciutadella, onde tenho as aulas de box e que parece ter-se convertido numa meca declarada dos grupos de bootcamp e jogging. Toda a gente vai para lá correr ao fim do dia. Respira-se ar puro, não há cá carros nem semáforos e os caminhos são de terra, o que é menos agressivo para as pernas. Há só um pequeno detalhe que eu não tive em conta aquando da minha ótima ideia: o parque está apinhado de cachorros. Eu tenho pânico de cães. Não sei quando nem porquê, mas é um medo que incumbei durante muitos anos e agora não consigo soltar. Ora imaginem o horror, de começar a correr e ver cães a brincar, a saltar pelos ares e a correr ferozmente, saboreando a liberdade da trela. Um pesadelo! Mudava de direção, subia, descia, virava à esquerda, abrandava. Em uma ocasião cheguei mesmo a voltar apara tr…

Portugal vs Argentina

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Vá, confessem lá que já tinham saudades das minhas bacoradas futebolísticas.  Pois que ontem o Teatro dos Sonhos, Old Trafford para os menos letrados na matéria da bola, se transformou no Teatro dos Deuses. Ohhhh!!! Nada exagerado, claro está, apenas uma hipérbolesinha básica para referir o choque dos Titans: Cristiano vs Messi.   A expectativa foi altamente alimentada e instigada por meios de comunicação de todas as partes. Ia ser um jogão! E o choque deu-se, sim senhor que se deu,  mas foi mais pequeno que os que eu dava quando  andava nos carrinhos de choque da feira de Santa Iria. Portugal começou com o pé esquerdo e torcido, se não sofreu golo nos primeiros minutos foi por mero acaso do destino. Depois, lá se decidiu a jogar com os dois pés, mas entre as quinas e os celestes não havía chama nem faísca, nem sequer fumo.  Era um futebol sensaborão, como bolachas de água e sal. Verdade seja dita,  desde o Euro 2004 e o Mundial 2006 que não temos uma equipa a sério, assim mesmo a …

The B word

E de repente... apareceram os rabos. São os shorts de cintura alta que deixam espreitar as bochechas do rabo, são os maiôs em forma de fio dental, são os jeans e os leggings push-up. É a Kim Kardashian por todos os lados. E, se calhar fui só eu que reparei, mas a Jennifer Lopez e a Nicki Minaj lançaram dois vídeo clips iguais.  A única diferença é que um é protagonizado pelo grande rabo da pequena Nicky e, o outro, pelo interminável rabo da eterna JLo. Sim, também é verdade que o “Anaconda” é praticamente um filme porno, enquanto o “Booty” é só extremamente sensual e provocador. Porém, a mensagem é a mesma: upa, upa, viva os rabos grandes, vamos todas abanar o pandeiro como se não houvesse amanhã! A bem da verdade,  não é assim grande novidade, já que o tema foi recentemente abordado pelo Jason De Rulo e o Snoop dog com o profundo “Wiggle wiggle - you know what to do with that big fat butt”.

Também temos a fofinha da Meghan Trainor, com o animado “All about that bass”, que diz a m…

Urban boxing

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No outro dia, aliciada por uma amiga, comecei a ter aulas de box. Depois do filme Million dollar baby e dos vídeos e fotos no instagram das modelos da Victoria's Secret a praticar a modalidade, o box ficou em voga. É o que está a dar, juntamente com o yoga.   Diz que o box é bom para tudo.  Principalmente para partir o nariz. A minha primeira aula foi extremamente prometedora, o professor pediu-me para exemplificar um exercício com ele que consistia em praticar o desvio do golpe. Eu golpeava, ele desviava. Eu, reticente, em vez de golpear só estirava o braço na direção dele. Ele, inconsciente, disse para eu golpear de verdade. Está-se mesmo a ver o que aconteceu: eu decidi golpear a sério, no preciso momento em que não era suposto, e ele levou um soco no meio da cara. Com certeza já levou socos piores, não é preciso compadecerem-se, porque isto é uma pessoa que nos manda fazer séries de abdominais e sprints e saltar à corda sem parar. E isso é só para aquecer... aquecer ao ar li…

True fact

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Mulher que é mulher já teve esta conversa com as suas calças de ganga...


E se...

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Era uma vez uma borboleta com asas quadradas, como as ideias das pessoas que não têm sonhos. Mas eram asas com remoinhos de imaginação e cores de céu rasgado com estrelas cadentes, numa noite de Verão. Eram asas com aroma de magia e algodão doce. Eram asas tão grandes, que podiam abraçar o mundo, mas jovens demais para o saber. Só não eram asas em forma de coração, como as das outras borboletas. Por isso, a borboleta das asas quadradas, não se atrevia a voar. Saltitava, de desejo em desejo, para não se magoar. E ao pôr-do-sol parava, para ver as outras borboletas voar, naquele alvoroço de alegria, naquele bater de asas extasiante, que deixa um rastro quente de fantasia pelo ar. “Um dia vou voar!”, pensava. Mas esse dia nunca chegava. E ela era feliz, sim, era feliz no seu jardim. Onde conhecia todos os recantos e encantos, onde era rainha e senhora, onde nada mau lhe podia acontecer.   Mas não era verdadeiramente feliz, porque ali já tinha visto tudo o que havia para ver. Como uma …

Aristrocracia

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Comecei a ler um livro novo. E o meu livro novo começa assim:




É um conceito de aristocracia que nunca me tinha passado pela cabeça.
Aristocracia faz-me lembrar jóias caras e tiaras com diamantes.
Aristocracia tem a marca da Marie Antoinette all over it.
A aristocracia é impagável, inatingível, absolutamente exclusiva aos privilegiados de berço.
A aristocracia é uma forte oponente, antagonista, e um literal antónimo, da democracia. Por isso, quando a vi utilizada como um sinónimo,  desprotegida e desmontada num parágrafo, pareceu-me genial.


Invernando

Como diria o poeta, “de repente, não mais que de repente”, o Verão desmanchou-se no Inverno, sem parar para acariciar o Outono. As tardes entardeceram na noite cerrada, onde as estrelas tremem de frio.  Os dias envelheceram e o céu chorou torrencialmente. As galochas suplantaram as havaianas e os grãos de areia hibernaram sob a fúria de um mar revoltado, por ter sido abandonado. Os passos na calçada são agora mais rígidos e apressados, e por isso as árvores despem-se de elogios e as flores desnudam-se de pétalas, porque sabem que ninguém vai olhar para elas. As janelas já não querem ouvir o que o vento tem a dizer. A cama, coroada com um endredon de penas, grita, esperneia, implora pela presença de um corpo quente. Torna-se impossível resistir. E deitados nesse leito de melancolia, a inspiração sussurra-nos fantasias ao ouvido, versos que cortam a respiração, palavras sedentas de amor, de um amor de perdição. Bebemos uma taça de chocolate quente. Depois de meses de rejeição, o …

Ale's NY Guide- chapter 7 - other favorite spots

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Depois de vos ter contado e ilustrado o meu  number 1 spot em NY, Bryant Park/NY Public Library, chegou a altura de falar de outros sítios especiais, ainda que turísticos. Há um sítio em NY que brilha mais que todos os outros, uma praça que dispensa o sol porque ali é sempre de dia. Um ponto de engarrafamento de carros, pessoas e personagens  fofinhos que cobram por cada fotografia que tiramos com eles. Times Square é o um desafio ao défice de atenção, porque é praticamente impossível focar em alguma coisa, com tudo em constante movimento.  A minha recomendação é conseguir um espacinho nas escadas vermelhas e olhar à volta com calma. Imbuir-se dessa dinâmica de luzes, flashes e rostos e encontrar nela o verdadeiro puctum, como o que Barthes procurava nas fotografias. Porque ele existe em Times Square, mas é preciso saber parar para o encontrar. É preciso travar as buzinas e as sirenes, abrandar os passos, ver os outdoors em câmara lenta e então sim, desde as escadas vermelhas, vislum…