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A mostrar mensagens de Abril, 2014

A pressão da liberdade

As imagens, em preto e branco, dos tanques na rua e da marcha do povo ao som dos acordes de Zeca Afonso. O contraste dos cravos com a palavra revolução.  O 25 de Abril arrepia, faz estremecer os sentidos, enche-nos de orgulho. Há 40 anos que somos livres. Obrigado. Antigamente, não se podia dizer, nõ se podia ler, não se podia ver. Não havia humoristas nem sátira nas peças de teatro. As coisas eram em linha recta, não se permitiam obliquidades. E quem desse uma ligeira curva, sofreria severas consequências.  Era proibido pensar, inovar, desafiar. Antigamente, não havia filosofia e a história era interesseira. Antigamente, não havia eleições. Antigamente, morria-se pelos valores que se defendiam. Somos uns privilegiados. Podemos dizer o que bem nos apeteça, temos acesso aos livros, aos filmes, às músicas e às peças que quisermos. Podemos rir com os humoristas que fazem piadas sobre os políticos. Rir é um poder mais importante do que parece. Podemos usar roupas arrojadas, maqu…

A deslenda de St. Jordi

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Foi dia dos namorados outra vez. O St. Jordi encheu as ruas de rosas e esvaziou as prateleiras de livros. É sempre um dia especial, onde a fantasia da princesa e do dragão se mistura com a  cultura e a tradição catalanas.  Este espírito contagía miúdos e graúdos, catalães, espanhóis e estrangeiros. E é aqui que faço a minha reflexão. Vi dois casais asiáticos a passear pela praia, contentes e apaixonados. Iam abraçados e cada um dos rapazes carregava uma rosa de St. Jordi na mão.  As rosas de St. Jordi distinguem-se porque têm sempre algum detalhe da bandeira catalã. Parece-me pouco provável que as namoradas lhes tenham comprado a rosa. Parece-me bem mais que, no decorrer do seu passeio turístico, repararam que havia bancas de rosas por todo o lado e pediram uma. Como quem pede um pão com tomate ou uma sangria. Porque é típico, porque toda a gente tem, porque aquelas riscas amarelas e vermelhas a enfeitar o invólucro são mesmo giras! O meu argumento é fácil: não só não sabem as core…

Páscoa vermelha

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As melhores memórias de Páscoa são aquelas manhãs à procura dos ovos kinder que os meus pais tinham escondido. Atrás de uma moldura, debaixo da almofada, na cesta das frutas... eram tantos! E nós rejubilávamos! Primeiro a vasculhar a casa, depois a dar um fim condigno e saboroso a todos aqueles chocolates. Com o passar dos anos, a caça ao kinder foi substituída por um ovo gigante da Guylian, que recebo sempre que passo a Páscoa em família. O problema é que isso não acontece há muito tempo. Este Domingo de Páscoa foi particularmente aborrecido, sem família, nem amigos, nem ovos gigantes, nem ovos pequenos. Barcelona estava de chuva e eu na cama com gripe, a lembrar com nostalgia outras Páscoas mais felizes. A Páscoa de Erasmus em Siena, com os amigos de Portugal que vieram visitar e a mãe do meu roomate que cozinhou tortilla para todos. A Páscoa em Nova Iorque, desde o  topo do Rockefeller e do Empire State, na minha primeira visita à cidade mais espetacular do mundo. A Páscoa em To…