Mensagens

A mostrar mensagens de Maio, 2014

This one is a keeper!

Imagem
Estou de mudança outra vez. É a quarta ou quinta vez em menos de um ano. Já perdi a conta de quantas vezes andei a pendurar ou a despendurar tudo. A esvaziar malas, encher armários e vice versa. Cada vez vou descartando mais peças. Peças que realmente já não uso, por muito que queira acreditar que um dia talvez sim. Peças que até podia usar, mas no fundo sei que não vai acontecer. Peças de que afinal não gosto. Peças que afinal não dão jeito nenhum. Quando é para fazer as malas mais leves qualquer desculpa é válida. Estou pois, a preparar esta mudança em modo déspota, com pulso firme, até porque vou ter de carregar com tudo sozinha. Já não me serve bem, encolheu, arrugou, já não gosto, saiu de moda há 10 anos, fora da minha vida! Até que descobri uma sewater completamente cheia de borbotos e com um tom tão desbotado que já é mais cor de pele do que cor de rosa.  Tem manchas, tem 7 anos e eu já não uso, muito menos agora que supostamente vem aí o Verão. Fitei-a, primeiro com frieza, …

O amor é cego

Imagem
Sei que já é um comentário fora de horas, mas por motivos técnicos (é o que dizem sempre quando o metro pára a meio da linha, portanto parece-me uma desculpa oficial) não me foi possível publicá-lo antes. Uma falta de timing que em nada altera essa conhecida verdade universal: o amor é cego. Não vê, não ouve, não come, não dorme. Como uma criança a fazer birra. A diferença é que dali a pouco começa o Monsters High e quando acabar a criança já se esqueceu de porque é que estava a fazer birra. Já os sintomas do amor são eternos e infalíveis, sem remédio, cura ou analgésico.  O amor catapulta o ridículo para bem longe, até ele se perder do sentido.  Deixando-nos assim, como dizer, estúpidos. O amor embriaga qualquer noção de nitidez.  Choca de frente com o propósito. Desinstala  a conveção, substituindo-a por um estado de niilismo interno incompreendido.  De certa forma como os génios, mas geralmente sem nenhuma produtividade útil. O amor faz a medida das coisas perder peso, deixando…

Não 'tá fácil

Imagem
Não sei por onde começar a escrever a lista de coisas de NY das quais tenho saudades. Também não sei porque razão escreveria essa lista, posto que seria uma deprimente tortura. Mas sei que entre as lojas com roupas maravilhosas, o refúgio sonhador do Central Park, o brunch de fim-de-semana, o sem fim de restaurantes deliciosos, as aliciantes festas que cada noite me piscavam o olho e os magnânimes eventos desportivos e artísticos que vão da Broadway ao Madison Square Garden, há uma coisa de que sinto mesmo, mesmo, mesmo muita falta. A Biblioteca do Bryant Park. A bem da verdade, é mais um pack que uma coisa só. Por um lado, a biblioteca, com a sua imponência palacial, os corredores e as escadas de mármore, contrastando com os candeeiros dourados e a madeira das prateleiras.  Os passos que ecoam no ar, cheios de si mesmos, até ao tecto elegantemente pintado e trabalhado, de onde pendem refinados chandeliers, tão bonitos que não merecem que lhes traduza o nome.  As filas de mesas lo…

"Acreditar, acreditar e voltar a acreditar"

Tendo a puxar pelos mais fracos. A chorar nas cenas mais pirosas dos filmes mais lamechas.  Sou fanática dos finais felizes para sempre. Nunca me identifiquei a 100% com a estória da Cinderela, porque ela falava com ratos, mas excetuando essa pequena falta de higiene, sou adepta do conceito. O sonho da menina pobre e trabalhadora, o príncipe encantado e, principalmente, um soberbo par de sapatos! A Cinderela é baseada no mesmo princípio do sucesso de Tom and Jerry ou de Obelix e Asterix.  Quem não quer que os romanos levem uma tareia? Quem não quer o Jerry escape ao Tom?  Este complexo de puxar pelo mais coitadinho é uma coisa extrapolada ao máximo nos filmes e nas séries, com os heróis e anti-heróis que continuamos a querer ser quando formos grandes. Mesmo que não cresçamos mais. Este ano, esse complexo alargou-se ao futebol no cenário mais improvável - Barcelona.   Houve Cinderela no Camp Nou, pouco convencional, por ser madrilenha e vestir de vermelho. Esse Atlético de Madrid h…

Desde Espanha com amor...

Esta é uma noite de murmúrios de Verão com sabor a dejá vu. Poderia ser algo extremamente romântico, não fosse eu falar de futebol. Ainda que desperte paixões exacerbadas, esta noite a história teve um final Shakesperiano, ao mais puro estilo Romeu e Julieta. Há quem lhe chame uma maldição. Eu sou demasiado empírica para acreditar nessas coisas.  Eu acredito em acreditar.  Hoje, a esperança fez-me acreditar outra vez, precavida que estava com os desaires do ano passado. Mas depois do último minuto da útima parte do prologamento, o céu era o limite! Tudo era possível! O sonho enchia-se de cores e formas cada vez mais palpáveis.  Os nervos tremelicavam, agarrados ao cachecol. Esse cachecol que serviu mais vezes de lenço para acalmar as desilusões, que para proteger do frio. E hoje não foi exceção. Que prazer tão grande teria sido ouvir o silêncio dos comentadores espanhóis. Calar aquelas vozes irritantes, que me atormetaram durante 122 minutos.  Que gritavam de alívio cada vez que o B…

AC na TV!

Imagem
Cinco anos e meio em Barcelona e nunca tinha visto o António Costa na televisão espanhola.  Cinco anos e meio em Barcelona e nunca tinha reparado que nunca tinha visto o António Costa na televisão espanhola. Até ontem. De repente, em menos de 24 horas, lá estava ele, com aquele bronzeado inconfundível, de fazer inveja aos melhores solários. Tão moreno e sorridente, que mais parecia que fosse o presidente da Câmara do Dubai, que o da nossa humilde Lisboa. Primeiro, foi no Matser Chef Espanha, sim, sim, eu vejo o Master Chef Espanha. Estavam em Lisboa a cozinhar bacalhau e pastéis de Belém (originalidade suprema) e lá apareceu  o Toni para dar o seu aval e papar uns petiscos à borla. Era todo sorrisos, abraços e segredinhos com os apresentadores, com a apresentadora em especial, e uma simpatia só com os concorrentes. Hoje, estava em todos os noticiários, porque veio a Madrid. Fazer o quê? Isso eu não percebi.  Deu as chaves de Lisboa à alcadesa Ana Botelho, recebeu em troca uma bande…

#comountigre

Há já algum tempo que queria escrever sobre isto, mas era confidencial. Dito assim, até parece uma coisa importante, o desvelar da verdade sobre quem matou o Kennedy ou a derradeira confirmação de que o homem pisou a lua em 1969. Pois, não. Temos pena. O meu é um confidencial extra-governamental. Um confidencial comercial, sem suma importânica para os assuntos de estado e desprovido de interesse público. Eu diria mesmo, que não é interessante de todo. Mas foi tão giro que vou contar! Uma certa manhã, em Barcelona, recebi uma chamada a perguntar se queria participar como extra num anúncio. Hesitei, mas acabei por dizer que sim porque o dinheiro não anda por aí a desabrochar com as flores da Primavera. Além do que, sendo extra, não devia ter de fazer grande coisa nem aparecer muito... Às 7 da tarde chegámos a uma casa numa zona residencial fora de Barcelona. Já havia uma equipa de gravação em ação e o cenário era impactante. Gruas, câmaras, tendas, holofotes, carris para as câmaras, um…