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A mostrar mensagens de Agosto, 2014

O meu mundial

Hoje começa o mundial de basket em Espanha. Ninguém sabe. Ninguém quer saber. Não há cerimónia de inauguração no estádio principal retransmitida em 200 países. Portugal não joga. Não há fotografias no instagram nem estados altamente patrióticos no facebook. Não há ninguém a moldar melâncias com as caras dos jogadores. A Shakira não fez uma canção. (O que não que dizer que não haja uma canção, já vão ver...) A televisão não anda a seguir a seleção desde o pequeno almoço até às pausas para ir à casa de banho. As pessoas não estão a combinar nada para ver o Brasil – França, mais logo. É chocante ver a falta de mediatismo que tem o mundial de basket em comparação com o de futebol.  Até mesmo sendo em Espanha, um país onde a modalidade tem uma representação forte. Um país cheio de jogadores na NBA e equipas sempre presentes na Final Four da Euroleague. Ninguém sabe. Ninguém quer saber. Se não fosse por medirem dois metros, os jogadores de basket passariam completamente despercebido…

Aquele Verão de 2014

Amiguinhos, lembram-se daquele Verão em que acordámos ao som das gotas de chuva e com o inconsciente ainda nauseabundo e dormente, saltámos da cama para ir recolher a roupa que se afogava na corda? Aquele Verão em que não era preciso meter o chocolate no frigorífico e não apetecia assim tanto comer melância. Aquele Verão em que, relutantes e inconsoláveis, tivemos de comprar um guarda-chuva. Aquele Verão em que olhámos para o ar condicionado e pensámos, se calhar é melhor subir a temperatura. Aquele Verão em que não dispensámos o cobertor de Inverno. Aquele Verão em que o casaquinho de meia estação foi o nosso melhor amigo.   Aquele Verão em que houve uma quebra drástica no consumo de ventoinhas e leques. Aquele Verão em que na praia só estavam a areia e o mar. Aquele Verão em que olhávamos pela janela e voltávamos para a cama, deprimidos. Aquele Verão em que as montras das lojas de roupa, com as suas vanguardistas coleções de outono e inverno em Agosto, faziam sentido pela primei…

Um acessório menosprezado

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Sorrir não é high fashion, Nem fashion só. Sorrir distorce os traços, parecendo que o rosto deu um nó. Sorrir pronuncía as rugas E mostra demasiados dentes. Sorrir faz os olhos pequeninos E os cantos da boca inclementes. Sorrir põe acento no nariz E os narizes não são sexy! Porque sexy não é parecer feliz. Sexy  é fazer beicinho, Boca de pato  Ou um ar de chateadinho.
Sorrir está fora de moda, Porque desmonta o sensual. Porque sorrir é simpático E Sorrir é natural. Mas sorrir não é inantingível, Nem é divino Nem irrepetível...
Sorrir é a doce alegria espermida, Que os lábios sorveram sedentos Em laivos de cem sonhos por cumpir Com gotas que sabem a vida, Quando resvalam nas transcendências a infrigir!
O high fashion é descartável. A moda não requer sentido. Ser fotogénico não é algo preciso.
Por isso, a melhor maneira de usar um vestido,
é com um sorriso.

Ser feliz é grátis

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Todos os dias, os telejornais mostram centenas de imigrantes a tentarem cruzar a fronteira entre Marrocos e Espanha.  Aparecem sentados, com as pernas abertas, em cima das redes que demarcam a fronteira. Não se mexem. Desafiam a semiótica, cuja interpretação definiria o arame farpado como um claro signo de um sítio onde não é suposto sentarmo-nos. Como é evidente, repampinfla-lhes a semiótica, o arame farpado e as pernas dormentes. Enquanto estiverem ali, estão a salvo. Não podem ser deportados, mas também já não podem ser apanhados por seja o que for de que estão a fugir. São inofensivos. Arriscaram a vida a cada passo da viagem para entrar neste lado do mundo, sem nada mais que esperança.  O que me faz imaginar quão terrivelmente má tinha que ser a vida aí onde estavam, para chegarem aqui mutilados, esfomeados, doentes, desidratados, mas felizes, por terem chegado. Nas vezes em que a polícia não os afugenta a tiros e pauladas, sorriem para as câmaras de televisão, acenam como se fo…

Problemas de primeiro mundo

Andava imersa nos meus problemas de primeiro mundo:  quero escrever um filme de terror original; a minha ex caseira não me devolve a fiança; não posso ir à praia no pico de Agosto porque está a chover; que telemóvel comprar, Samsung ou iphone? Eis se não quando, tive um ataque de consciência, um reality check, um momento de relativizar a perspetiva. Há um grupo terrorista que não arranjou coisa melhor para fazer que perpetuar um massacre da Síria ao Iraque, decapitando pessoas e comendo os seus corações. Tudo devidamente gravado e disponibilizado no youtube. Conteúdos posteriormente removidos por infringirem a política anti-violência do canal. A sério, acham mesmo que infringe???! ISIS, este grupo de animais (peço desculpa aos porcos, vacas, leões e toda a fauna que se possa sentir ofendida com a comparação), não está só a infrigir a política de anti-violência do youtube, está a infrigir todas as leis dos direitos humanos e a própria humanidade. Está a levar a cabo um crime chamado h…

Terroooor

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O professor percorreu a sala aluno por aluno. Um a um tivemos de apresentar o nosso género e a nossa logline, em meio minuto. Depois de nos ouvir debitar todos aqueles Óscares em potência,  o professor suspirou o  inconfundível “Hum...” que vem com a arrogância da sabedoria. Fitou-nos com um misto de satisfação e de patinhos, não percebem nada disto. “Hum... interessante... nenhum de vocês vendeu um guião, no entanto ,ninguém está a escrever o género mais fácil de vender. Alguém sabe qual é?” Entreolhámo-nos como patinhos que realmente nos sentimos e dissemos em uníssono: “Terror”. O professor sorriu e abanou afirmativamente a cabeça, onde luzia um boné da New York Film Academy, nesse estilo corporate sport, tão americano. “Porque os filmes de terror têm sempre um nicho garantido, há sempre um público que não falha nunca para ver os filmes de terror, não importa se são maus ou bons, aliás, quanto piores melhor, mais vendem!” E eu tive um flash back das tardes com as amigas e as pe…

Pequenos vícios

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Poucas coisas me motivam tanto como montras de bolos cheios de chocolate, diante das quais me derreto em baba, a cair suavemente pela boca. Entre essas escassas coisas, estão prateleiras de livros. Não babo, é um facto. Mas perco-me na imensidão das lombadas, em busca de títulos que me agarrem, autores que não conheço e velhos amigos das minhas horas mais solitárias. Gosto de folhear, abrir páginas ao acaso, ler as notas biográficas dos autores e julgar minunciosamente cada capa. Coisa que, como sabem, nunca se deve fazer (mas toda a gente faz).  Depois de inspecionar todos os elementos, desde as novidades à literatura estrangeira, passando pelos romances históricos, a poesia, a ciência e ficção, e tudo mais que se me cruze no caminho, chego à conclusão de que quero comprar todos. Até mesmo os das capas mais duvidosas. É uma sensação que não experimento quando vou comprar sapatos ou roupa. A trabalheira que é descalçar, calçar, apertar, despir e vestir repetida e incessantemente, con…

Vamos a banhos!

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Já tinha ouvido falar, mas desta vez decidi experimentar. O acesso é extremamente limitado  e só com marcação. Os telemóveis não são permitidos. Não há luz, só velas. O ar é quente,  mas os pulmões habituam-se rapidamente. O chá é grátis. Cheira bem.    São assim os banhos árabes de Barcelona. Piscinas ladealas por colunas e paredes de pedra, onde a despreocupação é o mote e o relax o único objetivo. São 90 minutos de circuito livre entre banhos de água salgada, morna, quente e gelada. O choque entre a piscina de água quente e a de água gelada é toda uma adrenalina nas veias.  Há também o banho de hidromassagem, com bolhinhas a rebetar por todo o corpo, e a sauna. Não experimentei a sauna, primeiro porque acho difícil de respirar mas, principalmente, porque uma amiga me disse que a sauna não se podia fazer só por uns minutinhos (que seria o máximo que eu aguentaria), com a consequência da pele não reagir bem. Segundo a experiência dela, o calor abre os poros eestes libertam a eventua…