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A mostrar mensagens de Novembro, 2014

Supresa?!

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Gosto sempre de ver Portugal na televisão espanhola. Mesmo que seja a propósito de termos um ex-primeiro ministro no xilindró. Aparece a bandeira das quinas de fundo e ouço frases em português por de trás do espanhol. Símbolos e estímulos que deixam uma imigrante como eu comovida, principalmente a menos de um mês de voltar a casa para passar o Natal. Nem me importa que as frases em português sejam proferidas pelo Sócrates, com aquela entoação nasal a tocar as barbas do irritante. Também não tenho nenhum tipo de vergonha por ele ter sido preso, se alguém tem de ter vergonha é ele, que está preso.  A minha vergonha, guardo-a para coisas mais dignas, como passar o dia com um pedaço de espinafre entalado no meio dos dentes da frente.
Quanto muito, a vergonha pode alastrar-se às pessoas que depositaram nele o seu voto de confiança para comandar o país (o que também não é o meu caso), e ao Mário Soares (o que já é um caso perdido).  Surpresa? Sim, alguma, ainda que antagónica. Não me …

Às vezes, parece que acordamos num programa dos apanhados

Que melhor coisa que abrir a pestana para  receber uma mensagem da companhia telefónica Orange, a dizer que o nosso banco devolveu a factura deste mês, que por favor contactemos com a copanhia. Oi? Como é que é??? Eu não mandei devolver nada. O Banco não me informou de nenhuma devolução. Começo então o dia a falar com a grvação de voz do serviço telefónico da Orange. Em vão, porque me pede para digitar o meu número de identidade, por razões de segurança, mas não me deixa digitar letras. E o meu número de identidade espanhol tem duas letras. Ligo ao Banco. Não, não o Banco não devolveu nada, foi a Câmara europeia de não sei o quê, um erro do programa não sei das quantas, que é uma chatice esse programa, todos os dias ha incidèncias sabes... Ah, pois... Desta vez devolveram 4.500 facturas, “só” 4.500 já viste! Hum-hum... Tu és Orange? Pois eu também, eu também e também recebi a mensagem. Já tentaste falar com eles? O que é que te disseram? Acho que ainda não devem ter diretrizes sob…

O teletransporter

Todas as marcas querem inventar alguma coisa diferente. Todas as marcas querem ser originais . Todas as marcas querem fazer o seu target sorrir, para conquistar e fidelizar. Mas só algumas conseguem,  porque isso de mover-se por números e provocar emoções não é assim tão fácil. Se o out of the box estivesse dentro, toda a gente podia ir lá buscá-lo não é verdade? Aqui fica um exemplo que é também uma ideia revolucionária com potencial para mudar o mundo e fazer toda a gente mais feliz... Porque essa é a verdadeira premissa da publicidade.

Um vício pouco ortodoxo

Estou completamente viciada numa série chamada How to get away with murder. Espero que esta declaração não afaste conhecidos e amigos, nem alarme as pessoas mais chegadas.   É tudo culpa de um marketing asfixiador a que fui submetida aquando da minha última visita a NY, em Setembro. A publicidade à série, então prestes a estrear, chamou-me a atenção, porque era impossível não chamar.  Cobria os metros, aparecia nos televisores dos táxis (sim, em Ny todos os táxis têm pequenos teelevisores incorporados nos assentos), estava na televisã e, basicamente, onde quer que se fosse. A Viola Davis, nomeada duas vezes aos Oscars, encabeçava o cartaz, com cara de má. Surpreendeu-me a aposta de colocar uma senhora negra de meia idade, que não é a Oprah nem parece uma modelo da Victoria’s Secret, como protagonista de uma série. Achei arriscado, mas, ao mesmo tempo, extremamente intrigante. Tanto os teasers como a escolha do casting e os próprios personagens, já que o trailer deixava antever tórri…

Correr no parque

Esta semana tive uma ótima ideia. Em vez de ir correr pela minha rua, na faixa das bicicletas e em constante sobressalto entre carros, peões e esplanadas, fui correr para um parque. Para o Parque da Ciutadella, onde tenho as aulas de box e que parece ter-se convertido numa meca declarada dos grupos de bootcamp e jogging. Toda a gente vai para lá correr ao fim do dia. Respira-se ar puro, não há cá carros nem semáforos e os caminhos são de terra, o que é menos agressivo para as pernas. Há só um pequeno detalhe que eu não tive em conta aquando da minha ótima ideia: o parque está apinhado de cachorros. Eu tenho pânico de cães. Não sei quando nem porquê, mas é um medo que incumbei durante muitos anos e agora não consigo soltar. Ora imaginem o horror, de começar a correr e ver cães a brincar, a saltar pelos ares e a correr ferozmente, saboreando a liberdade da trela. Um pesadelo! Mudava de direção, subia, descia, virava à esquerda, abrandava. Em uma ocasião cheguei mesmo a voltar apara tr…

Portugal vs Argentina

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Vá, confessem lá que já tinham saudades das minhas bacoradas futebolísticas.  Pois que ontem o Teatro dos Sonhos, Old Trafford para os menos letrados na matéria da bola, se transformou no Teatro dos Deuses. Ohhhh!!! Nada exagerado, claro está, apenas uma hipérbolesinha básica para referir o choque dos Titans: Cristiano vs Messi.   A expectativa foi altamente alimentada e instigada por meios de comunicação de todas as partes. Ia ser um jogão! E o choque deu-se, sim senhor que se deu,  mas foi mais pequeno que os que eu dava quando  andava nos carrinhos de choque da feira de Santa Iria. Portugal começou com o pé esquerdo e torcido, se não sofreu golo nos primeiros minutos foi por mero acaso do destino. Depois, lá se decidiu a jogar com os dois pés, mas entre as quinas e os celestes não havía chama nem faísca, nem sequer fumo.  Era um futebol sensaborão, como bolachas de água e sal. Verdade seja dita,  desde o Euro 2004 e o Mundial 2006 que não temos uma equipa a sério, assim mesmo a …

The B word

E de repente... apareceram os rabos. São os shorts de cintura alta que deixam espreitar as bochechas do rabo, são os maiôs em forma de fio dental, são os jeans e os leggings push-up. É a Kim Kardashian por todos os lados. E, se calhar fui só eu que reparei, mas a Jennifer Lopez e a Nicki Minaj lançaram dois vídeo clips iguais.  A única diferença é que um é protagonizado pelo grande rabo da pequena Nicky e, o outro, pelo interminável rabo da eterna JLo. Sim, também é verdade que o “Anaconda” é praticamente um filme porno, enquanto o “Booty” é só extremamente sensual e provocador. Porém, a mensagem é a mesma: upa, upa, viva os rabos grandes, vamos todas abanar o pandeiro como se não houvesse amanhã! A bem da verdade,  não é assim grande novidade, já que o tema foi recentemente abordado pelo Jason De Rulo e o Snoop dog com o profundo “Wiggle wiggle - you know what to do with that big fat butt”.

Também temos a fofinha da Meghan Trainor, com o animado “All about that bass”, que diz a m…

Urban boxing

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No outro dia, aliciada por uma amiga, comecei a ter aulas de box. Depois do filme Million dollar baby e dos vídeos e fotos no instagram das modelos da Victoria's Secret a praticar a modalidade, o box ficou em voga. É o que está a dar, juntamente com o yoga.   Diz que o box é bom para tudo.  Principalmente para partir o nariz. A minha primeira aula foi extremamente prometedora, o professor pediu-me para exemplificar um exercício com ele que consistia em praticar o desvio do golpe. Eu golpeava, ele desviava. Eu, reticente, em vez de golpear só estirava o braço na direção dele. Ele, inconsciente, disse para eu golpear de verdade. Está-se mesmo a ver o que aconteceu: eu decidi golpear a sério, no preciso momento em que não era suposto, e ele levou um soco no meio da cara. Com certeza já levou socos piores, não é preciso compadecerem-se, porque isto é uma pessoa que nos manda fazer séries de abdominais e sprints e saltar à corda sem parar. E isso é só para aquecer... aquecer ao ar li…

True fact

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Mulher que é mulher já teve esta conversa com as suas calças de ganga...


E se...

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Era uma vez uma borboleta com asas quadradas, como as ideias das pessoas que não têm sonhos. Mas eram asas com remoinhos de imaginação e cores de céu rasgado com estrelas cadentes, numa noite de Verão. Eram asas com aroma de magia e algodão doce. Eram asas tão grandes, que podiam abraçar o mundo, mas jovens demais para o saber. Só não eram asas em forma de coração, como as das outras borboletas. Por isso, a borboleta das asas quadradas, não se atrevia a voar. Saltitava, de desejo em desejo, para não se magoar. E ao pôr-do-sol parava, para ver as outras borboletas voar, naquele alvoroço de alegria, naquele bater de asas extasiante, que deixa um rastro quente de fantasia pelo ar. “Um dia vou voar!”, pensava. Mas esse dia nunca chegava. E ela era feliz, sim, era feliz no seu jardim. Onde conhecia todos os recantos e encantos, onde era rainha e senhora, onde nada mau lhe podia acontecer.   Mas não era verdadeiramente feliz, porque ali já tinha visto tudo o que havia para ver. Como uma …

Aristrocracia

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Comecei a ler um livro novo. E o meu livro novo começa assim:




É um conceito de aristocracia que nunca me tinha passado pela cabeça.
Aristocracia faz-me lembrar jóias caras e tiaras com diamantes.
Aristocracia tem a marca da Marie Antoinette all over it.
A aristocracia é impagável, inatingível, absolutamente exclusiva aos privilegiados de berço.
A aristocracia é uma forte oponente, antagonista, e um literal antónimo, da democracia. Por isso, quando a vi utilizada como um sinónimo,  desprotegida e desmontada num parágrafo, pareceu-me genial.


Invernando

Como diria o poeta, “de repente, não mais que de repente”, o Verão desmanchou-se no Inverno, sem parar para acariciar o Outono. As tardes entardeceram na noite cerrada, onde as estrelas tremem de frio.  Os dias envelheceram e o céu chorou torrencialmente. As galochas suplantaram as havaianas e os grãos de areia hibernaram sob a fúria de um mar revoltado, por ter sido abandonado. Os passos na calçada são agora mais rígidos e apressados, e por isso as árvores despem-se de elogios e as flores desnudam-se de pétalas, porque sabem que ninguém vai olhar para elas. As janelas já não querem ouvir o que o vento tem a dizer. A cama, coroada com um endredon de penas, grita, esperneia, implora pela presença de um corpo quente. Torna-se impossível resistir. E deitados nesse leito de melancolia, a inspiração sussurra-nos fantasias ao ouvido, versos que cortam a respiração, palavras sedentas de amor, de um amor de perdição. Bebemos uma taça de chocolate quente. Depois de meses de rejeição, o …

Ale's NY Guide- chapter 7 - other favorite spots

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Depois de vos ter contado e ilustrado o meu  number 1 spot em NY, Bryant Park/NY Public Library, chegou a altura de falar de outros sítios especiais, ainda que turísticos. Há um sítio em NY que brilha mais que todos os outros, uma praça que dispensa o sol porque ali é sempre de dia. Um ponto de engarrafamento de carros, pessoas e personagens  fofinhos que cobram por cada fotografia que tiramos com eles. Times Square é o um desafio ao défice de atenção, porque é praticamente impossível focar em alguma coisa, com tudo em constante movimento.  A minha recomendação é conseguir um espacinho nas escadas vermelhas e olhar à volta com calma. Imbuir-se dessa dinâmica de luzes, flashes e rostos e encontrar nela o verdadeiro puctum, como o que Barthes procurava nas fotografias. Porque ele existe em Times Square, mas é preciso saber parar para o encontrar. É preciso travar as buzinas e as sirenes, abrandar os passos, ver os outdoors em câmara lenta e então sim, desde as escadas vermelhas, vislum…

Hallowinning

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Oh o Halloween! Uma das minhas noites preferidas, por estar rodeada de uma aura de doces, filmes de terror e gente mascarada. Quem me conhece sabe que eu não dispenso um bom disfarce! Que o diga a senhora minha mãe, costureira oficial dessas importantes ocasiões, criadora exímia de princesas, formigas, bananas, estrelas do mar, fadas sininhos, deusas gregas, super mulheres, e eu sei lá mais o quê.  Entre Carnavais e Halloweens tenho uma considerável colecção de fantasias, como dizem no Brasil, espalhada por armários de Faro a Barcelona.   Este Halloween, como não podia deixar de ser, lá me mascarei outra vez. A roupa em si, era simples e dispensava adereços mais além de umas pistolas de crianças que comprei numa lojinha do chinês por 2€ e meio. A produção foi básica, bastou um bocadinho de laca para fixar o penteado mítico.  Para dar um toque mais assustador, deixei que me maquilhassem no braço um corte com texturas, relevo e sangue, digno de filme de acção.  Tão digno, que não podi…