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A mostrar mensagens de Dezembro, 2014

Natal na Revista

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No dia de Natal, entre tartes, tortas, mousses, chocolates,  bolos, lampreias de ovos, perús, bacalhaus, galinhas recheadas e carne de porco em vinha de alhos, pusemos os talheres de lado durante umas horas e fomos ao teatro. Portugal à Gargalhada, a nova revista do la Féria, foi o aperitivo ideal para digerir o Natal com  alegria (e uma pitada de carne de porco em vinha de alhos que insistia em mandar suspiros pelo esófago acima). Rir é sempre o melhor remédio, a melhor terapia e até mesmo a melhor protecção de estômago. Nunca se viu ninguém a rir e a sofrer de dôr de barriga ao mesmo tempo. Não é um musical da Broadway, está claro, mas é o que se faz por cá e merece reverência, se considerarmos a escassez de apoios à cultura e o público em decadência. A idade média dos espectadores rondava os 65 anos.  O que é uma pena, por este andar em duas décadas já não há Revista, nem teatro, porque não haverá ninguém para ir ver.  A meia dúzia de pessoas que lá estavam, com menos de 50 anos,…

Sem número nem prefixo

Ao telefone com a Vodafone:
-  Olá, eu enganei-me no meu pin ,fiquei com o telefone bloqueado e agora não sei o puk... - Ah não faz mal, como é que se chama? - Alexandra. - Senhora Alexandra, diga-me então o seu número de telefone. - É o  913867796. - Ah mas este telefone não está no seu nome. - Então experimente  o nome do meu pai e o da minha mãe. - Também não. - Ora essa, mas então está a que nome? - Essa informação não lhe posso dar senhora Alexandra.                     - Pffff... - Diga-me lá o número de contribuinte. (debito número de contribuinte) - Não, este telefone não é desse número de contribuinte. - E o do meu pai e o da minha mãe. - Não, não, não é de nenhum desses números de contribuinte. - Só se eu me tiver enganado no número de telefone, porque eu tinha dois números... hum...Veja lá este 916476575. - Então mas espere lá, a senhora Alexandra não me ligou para consultar um número e agora já é outro??? Isso não pode ser. - Olhe,  eu liguei porque tenho um catão da vo…

A aterragem

Assim que aterrei em Lisboa e a boa da minha irmã me foi buscar à Portela, a primeira música que ouvi no rádio do carro (o jeep vermelho que os meus pais me compraram quando tirei a carta e andava nos meus early 20's), foi um ritmo de cavaquinho com uma letra melódica e folclórica.   Não conhecia a canção. A letra falava da Laurinha e soava a azulejos brancos e azuis com acordes de pedras da calçada. Embalava os ouvidos em portuguesismos esquecidos pela ponta da minha língua, desencadeando o movimento assimétrico e ondulante de ombros e pescoço. As palavras levavam-me a um tempo feliz e longínquo, aos anos do ciclo e do liceu, lá para os lados dos Algarves. Tirando fumar às escondidas, que para isso nunca me deu, eu também fui a Laurinha.  Chegar a casa para o Natal é sempre esse solavanco de saudade, memórias e pessoas, e o tempo é sempre escasso para rever todas.
Mas ligar o rádio e ouvir o Miguel Araújo a cantar em vez de uma qualquer Taylor Swift é o bingo das boas-vindas.…

Um drama televisivo

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Não é por estar escrito em catalão. Poderia estar esccrito em russo e o grau de pânico seria o mesmo. Que jovem mulher independente não entra em desespero ao deparar-se com um A4 colado no espelho do elevador, que diz que lhe mudaram todos os canais televisivos, portanto, se pretender ver alguma coisa além de estática, tem de resintonizar a televisão?! Assim, à papo seco.  Como se fosse a mesma coisa que dizer  “estivemos a pintar as escadas, por favor, não toque no corrimão”. Como grandesíssimos raios, é que se resintoniza uma televisão??? Destas coisas não ensinam na Universidade, que eu estudei em 3 diferentes e nada de nada. Destas coisas não explicam nas A4 que colam nos espelhos dos elevadores. Custava muito acrescentar um parágrafo com dicas úteis? Para quê, não é? Toda a gente que vive neste prédio tem, obivamente, uma formação específico-técnica em electrónica e audiovisual, de modos que basta avisar que os canais mudaram e deixar que os senhores engenheiros se façam à vid…

Ladrão que rouba ladrão, tem 100 anos de perdão

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No liceu mandaram-nos ler um livro chamado Le petit Nicolas. E eu gostei daquilo à brava, quase nem reparei que estava tudo em francês. O Petit Nicolas era um pequeno bacano! Cheio de questões e introspecções divertidas, como são todas as dúvidas vitais aos 6 anos de idade e cuja resolução costuma acabar em trapalhada. Nunca mais me lembrei dele, até que Espanha ressuscitou o nome do livro e o transformou no cabeçalho de todos os noticiários. Não sei se em Portugal o “pequeño Nicolas” tem o mesmo mediatismo que aqui mas a história, em traços gerais, é assim: um miúdo de 20 anos, militante das juventudes do PP,  ludibriou vários empresários e políticos espanhóis e sacou-lhes dinheiro em troca de “influências” que nunca exerceu, porque não as tinha. Influências para mediar casos de corrupção, decidir negociações avultadas, garantir concessões de licenças. Utilizou como arma principal selfies com todos os políticos que se lhe atravessaram no caminho, nas muitas vezes em que se “colou” …

Vida dupla

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Pareço um shuttle de aeroporto, num vai-vem entre dois trabalhos e castings. Longe estão os tempos em que uma pessoa emigrava para conseguir um trabalho. Agora, as pessoas emigram para conseguir dois ou três, porque só um não chega para pagar o aluguer. A maioria das pessoas entre os 20 e os 30 anos, apróximadamente, são uma coisa assim p’ra lá de espetacular (desenhador, escritor, fotógrafo , actor, músico, pintor, DJ...) mas que não dá dinheiro nenhum, e outra coisa qualquer que não lhes interessa minimamente (bartender, empregado de mesa, empregado da Zara, recepcionista de qualquer coisa, hospedeiro de eventos, dançarina de discoteca, hostess de club) mas que paga as contas.  Normalmente, as duas profissões são ainda intercaladas com estudos académicos, aprendizagem de idiomas e uma carreira de modelo que nunca vai chegar a acontecer.  Porque hoje em dia toda a gente é modelo (e blogger de moda)!
Imagino que a Gisele Bundchen se sinta mais ou menos como eu, atarefada e dividida …

"I don't want a lot for Christmas..."

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Há uns dias a minha mãe perguntou-me o que é que eu queria de prenda de Natal, da parte dela, do meu pai e da minha irmã. Eu, apanhada de surpresa, respondi as primeiras coisas que me vieram à cabeça: um livro, um perfume e um baton. Mas agora, depois de meditar melhor sobre a questão, percebi que se calhar havia umas duas coisinhas que eu queria de prenda de Natal em vez do livro, do perfume e do baton. São dois trapinhos, só dois em vez de três coisas e estão à venda online, nem sequer é preciso sair de casa. Poupa-se tempo, gasolina e paciência que, de outra maneira, se gastaria a tentar encontrar lugar para estacionar o carro e a efrentar as filas das compras de Natal. Porque eu penso sempre em vocês! Então é assim mãezinha, se ainda for tempo para trocar, de prenda de Natal gostava muito de receber estes dois vestidos...
Um singelo Balmain branco da nova coleção, que custa só um bocadinho mais de 3.000€


e um deslumbrante Herve Leger dourado, muito mais em conta que o Balmain…

As Marinas

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Quando entrei na faculdade conheci uma rapariga que tinha algumas coisas em comum comigo. Primeiro, também se chamava Marina, ela de primeiro nome, eu de segundo. Coisa que menciono agora, por motivos excecionais, mas que depois deste post podemos esquecer por completo. Alexandra Marina não é uma coisa para ser lembrada.
Adiante, a Marina também tinha pais braileiros, também era mais alta que a maioria das pessoas, ainda mais alta que eu, e também gostava de doces e de chocolate. E também tinha que apanhar o metro e o comboio da linha para se transportar entre casa e a faculdade. Estávamos a fazer o mesmo curso, ambas falávamos italiano e queriamos fazer Erasmus em Siena. Durante os anos de faculdade vimo-nos quase todos os dias, dentro e fora das aulas.  Lembro-me de noites de Santo António épicas, de dias de praia deliciosos em São João Do Estoril, de cafés nas Avencas e de lhe oferecer uma almofada...
Até que um dia, nunca mais nos encontrámos. Acho que a última vez que nos vimos …

O pinheiro do Pep

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No outro dia deparei-me com o Pep, o nosso porteiro, a montar uma árvore de Natal na entrada do prédio. Mas uma coisa profissional, grande, com bolas, estrelas e luz. E o Pep olhava para aquilo indeciso, como se fosse um balcão do McDonalds com o menú escrito em russo. Notando o seu desconforto, elogiei a árvore, para lhe dar mais confiança. Mas ele olhou para mim com aquela cara de peixe fora de água, muito pouco convencido. - Sim, achas que está bem? É que isto não é nada o meu tipo de coisa... Pois, também não imaginei que fosse. Montar a árvore de Natal não costuma ser uma prioridade de machos, nem desperta grandes paixões entre eles. É bem mais o chamado “frete” ou “seca”.  E o Pep não é exceção. Peçam-lhe para cortar um tubo para pendurar as cortinas do duche, peçam-lhe para arranjar uma porta, peçam-lhe para mudar as luzes, peçam-lhe para desentupir os canos, mas não lhe peçam para meter a estrela no topo da árvore de Natal, que isso não é lá com ele. Como eu tinha de ir tra…

Este é o espírito!!!

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pais vs filhos

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O que os nossos pais pensam daquilo que nós pensamos é proporcionalmente inverso ao que nós pensamos e perpendicular ao que nós pensamos que eles pensam.

Exemplo:

O que os meus pensaram, quando eu lhes disse que tinha começado a fazer boxe:







O que eu pensei, quando comecei a fazer boxe:











A minha irmã avisou-me que eles estavam muito preocupados, com medo que eu me magoasse. E eu diss-lhe que os deixasse estar, que os pais quando não têm nada com que se preocupar pelos filhos, aborrecem-se. Pelo menos assim, a pensar que alguém me vai partir o nariz ou arrancar uma orelha, estão mais entretidos...

À rasca...

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Sexta à noite houve jogo. De Basket. Que é do melhor que há, mesmo não sendo da NBA. Armani Jeans Milano contra o FC. Barcelona, jogo da Euroliga, emoções fortes. Na primeira parte os da casa deixaram-se levar e os pontos subiram a quase 20 de diferença. A derrota parecia eminente. Mas eu já sei o que é que a casa gasta e, normalmente, é  assim, começam a jogar mal e acabam bem. E quando começam bem, acabam mal. Digamos que não é uma equipa que prima pela consistência no seu jogo. Portanto, tal como eu havia previsto, no fim do terceito período já estavam à frente do marcador por um ponto. E os últimos 10 minutos passaram, tensos,  na corda bamba dessa diferença: ora ganha o Barça por um ponto, ora ganha o Milão por um ponto. Triplo daqui, falta dali e eu aflitinha para ir fazer xixi. Mas não havia maneira de sair dali sem ser atacada por todas as pessoas que tinha de atravessar para chegar à casa de banho, e depois, para me voltar a sentar. Foram momentos de sofrimento para todos…