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A mostrar mensagens de Janeiro, 2015

Começar o dia

Nunca me senti tão encaixada na humanidade como hoje.  Oito e meia da manhã, o metro  lotado, os passageiros engalfinhados uns nos outros como um puzzle perfeito que se desmancha a cada paragem e rapidamente se reagrupa, imutável. O paradigma das cidades: a solidão na multidão. Ombro no cotovelo do desconhecido ao lado, cotovelo na a anca do desconhecido do outro lado. O toque da proximididade separado pela distância da coincidência, que nunca mais vamos ver. Ser parte da amálgama e continuar a ser único, entre dois bocejos e um telemóvel.   Sentir o calor corporal, não obstante o vento matinal de Janeiro. E desejar, ardentemente, que ninguém à nossa volta esteja a sofrer prisão de ventre.


Muito pouco observadora

Ontem à noite instalou-se um vendaval na cidade Condal. Uma coisa barulhenta e aterradora, que revolveu guarda-sóis, sofás e mesas de jardim e fechou estradas e rotas de barcos. Enquanto verificava que todas as janelas estavam trancadas, decobri que havia uma que não trancava. Ainda andei ali às turras com ela, mas sem sucesso. Olhei em volta e avistei o que parecia ser a fivela de uma persiana. E não é que era mesmo! Fechei a persiana pela primeira vez em 7 meses que vivo neste casa.
Estou dividida entre o orgulho e a vergonha.

Eu sabiaaa!

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Ora eu bem disse que era estranho a Irina não ter ido à  Bola de ouro . Disse, ou não disse?! E agora cá está, notícia confirmada por tudo o que é imprensa cor de rosa. O Deus do futebol e a musa da moda estão, oficialmente, separados. Googlei, assim por alto, e uns dizem que foi porque a Irina não pode ter filhos, outros culpam a má relação com a família dele. Acho a segunda bem mais provável do que a primeira, a Irina não encaixava no retrato familiar dos Aveiro nem com pregos. De um lado as pimbalhocas das manas Ronaldas, do outro a Dona Dolores, cujo nome fala por ela, e pelo meio os cunhados com cara de mafiosos. Não devia ser uma vida fácil, explicar às manas porque não devem combinar estampado de tigreza com botas vermelhas, ou usar números de roupa abaixo do seu tamanho. Ainda assim, não percebo porque é que a relação não pode, simplesmente, ter acabado. Sem uma razão em concreto, mas por um conjunto de circunstâncias. Nem muito menos, porque é que parece primordial saber os …

A estrela de CC

A TVI pode gabar-se de ter entre as suas fileiras de apresentadores pelo menos um, uma neste caso, que fez um curso de Ciências da Comunicação. E não um curso qualquer, não, fez o curso da FCSH da Universidade Nova de Lisboa, o tradicional, o primeiro, o mais difícil de entrar. Também conhecido como o curso onde o José Rodrigues dos Santos ensina jornalismo televisivo numa folha A4 dividida em duas colunas. Toda uma arte! A Universidade Nova tentará erradicar qualquer prova de tal ligação, já que a sua linha de ensino (pelo menos no meu tempo) era anti-Manuela Moura Guedes y vad retro TVI. Oh Meu Deus! Soubessem os professores de semiótica, sociologia, mutação dos media e por aí além, que estavam a formar a futura co-apresentadora de reality shows /programas da tarde da TVI, e teriam-na chumbado com valores imorais. Mas cá estou eu para confirmar que é verdade.  Soube recentemente, depois de 6 anos sem qualquer tipo de contacto com uma ex-colega,  que afinal ela é toda uma celebrid…

Uma grande oportunidade!

Há já alguns anos que as ofertas de trabalho em Comunicação são para lá de hilárias. “Oferecem” trabalho não remunerado e pedem formação académica, experiência, falta de vida própria, baixa auto-estima e  uma personalidade sem defeitos. Hoje, vi no facebook de uma ex-colega da faculdade (devidamente escandalizada), este pequeno escárnio, publicado no site carga de trabalhos:
O projecto LxModa procura uma blogger/co-fundadora (em regime de voluntariado) com experiência em Facebook/Pinterest/Instagram,etc. para publicação de conteúdos e comentários diários. O que pretendemos:
– Espirito empreendedor e alguma noção de Startups.
– Multi-tasking e carradas de proatividade+produtividade.
– O sexto-sentido…ninguém na equipa é mulher :( .
– Ser muito cool e/ou retro e estar á vontade para falar de marcas desde Alexander McQueen ao Dino Alves cá do sitio.
– Ter Iphone ou Android com conta Instagram.
– Escrever preferencialmente á moda antiga (não privilegiando o novo acordo ortográfico). O que o…

O email do dia!

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Hoje estalei de preplexidade. A minha mãe enviou-me um email em que cada parágrafo acabava com um smiley animado. Isso mesmo que acabaram de ler, não só um smiley, vulgo carinha amarela expressiva. Nananinanão! Carinhas amarelas em movimento, que saltam, que piscam os olhos, que mexem as mãos, e uma azul, que chora.   Não sei por onde começar a explicar todas as razões pelas quais isto não é normal. A primeria de todas será, certamente, o facto de que a minha mãe não sabe pôr smileys nos sms. Alheia aos chats e apps dos telemóveis, que usa quase exclusivamente para chamadas e olhe lá, nunca na vida pôs uma figura de qualquer estripe ao lado de uma palavra. Gostava de saber de onde é que desencantou aquelas caras para o email, repito, uma por parágrafo e animadas. A segunda razão é empírica. A minha mãe é uma pessoa empírica. É filha das ciências exactas, é numérica,  lógica e é a rainha do sudoku. Por princípio, seria a primeira pessoa a questionar a utilidade de um smiley animado pe…

A bola de ouro 2015

A gala da bola de ouro deve ser das poucas coisas, a nível mundial, que rivaliza com o cozido à portuguesa. Pela quantidade de chouriço que metem lá p’ra dentro, numa panóplia de prelúdios que não interessam nem ao menino Jesus. Um verdadeiro massacre de minutos, com uma actuação musical a romper o ritmo pesado das palavras vazias, mas sem réstia desse ritmo artístico chamado carisma. As pessoas não estavam ali para ouvir música, nem para ouvir o não sei que vice-presidente de não sei quê da Fifa, nem para ver os 11 jogadores do “dream team”, até porque só vieram 8 (oooh, não percebo como é possível que não tenham querido assistir a este evento tão emocionante!). Foram duas tortuosas horas para dizer que o melhor jogador do mundo é português.  O nosso CR7 ganhou o seu terceiro balón de ouro, como dizem por cá. A Dona Dolores desmanchou-se em lágrimas, o filho assomou-se-lhe à perna e da Irina nem a sombra se viu. Não chegou com ele, não a filmaram uma única vez e não recebeu nem um…

Afinal, diz que amarelo é fashion...

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Ora bolas pá! Não comprei aquele Herve Leger amarelo na sample sale do Soho porque achei que amarelo não era uma cor propícia para um vestido. Onde é que eu ia usar um vestido de alta costura amarelo??? Na altura fiquei em branco. Agora, 3 meses e um oceano depois, tenho aqui a resposta na ponta da língua. É só ver as fotos da red carpet dos Golden Globe Awards 2015:








Suspiro...  Está visto que a antecipação de tendências não é o meu forte. 



Je suis Charlie

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A religião é o ópio do povo. A religião é um partido político. A religião é a desculpa mais usada para entrar em guerra, desde os tempos das Cruzadas. De certa maneira, a religião é uma serial-killer, que o julgue a Inquisição no tribunal do Santo Ofício. Tanto faz se é Deus Alá ou Maomé, se é o Papa, o Buda ou o Dalailama. A fé deve ser respeitada, enquanto fé. Nunca como desculpa para atacar, mutilar, torturar, matar. E, no entanto, cá estamos outra vez. Em pleno século XXI e dois fanáticos da fé atacaram um jornal no país que fundou a liberdade de expressão.   Ao que parece mataram, entre 12 pessoas, 4 cartoonistas. Os cartoonistas eram o verdadeiro alvo do atentado “para vingar o profeta”, por serem autores de banda desenhada satírica sobre os muçulmanos, publicada pelo jornal em questão, o semanário Charlie Hebdo.   Não sei o que é mais assustador: andarem por aí aos tiros no meio de Paris, tão descansados da vida, ou acreditarem que o que fizeram está completamente legitimado…

Um dia de Reis diferente

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Não me lembro de grandes tradições no dia dos Reis em Portugal, além de comer bolo rei. Lembro-me de ir por aí cantar as Janeiras com a minha turma da primária “Vimos cantar as Janeiras, vimos cantar as Janeiras...” e de nos darem um lanchinho, menos num sítio em que nos mandaram embora e a professora ficou muito ofendida. Verdade seja dita, não cantávamos assim tão bem e as pessoas estavam a tentar trabalhar.   Aqui em Espanha isso não aconteceria, porque 6 de Janeiro é quando se recebem os presentes de Natal. São os reis os responsáveis por decidir quem se portou bem e quem se portou mal. Portanto, dia 6 é feriado e ninguém trabalha. Menos eu. Eu fui trabalhar. Mas foi um trabalho diferente. Hoje andei a distribuir presentes! Tudo começou há um mês atrás, quando me pediram uma campanha de “buzoneo”, que quer dizer deixar publicidade nas caixas de correio (buzones) das pessoas. Acho que falo por toda a gente, quando digo que odeio abrir a caixa de correio e encontrar um mar de anúnc…

Destinos 2015

Não sou de fazer listas com resoluções de ano novo, mas há uma lista que não dispenso: a das viagens para o ano todo! Começa sempre hipotética e sonhadora mas, pouco a pouco, ano a ano, lá se vão realizando. O ano passado não foi nada de desdenhar, com o México (Riviera Maya) à cabeça, seguido por um extravagante casamento na Turquia (Bodrum), Nova York para rematar o Verão em beleza e a minha amada Lisboa para passar o Natal. Mais algumas pequenas viagens pelas proximidades. Quer isto dizer que, para este ano, a fasquia está alta.  Gostava de fazer uma viagem grande,  duas semanas no mínimo, à California e à Florida. Na California para visitar Hollywood, Beverly Hills, Santa Monica e Malibu, e para ir aos Universal Studios, ao parque temático 6 flags e a um jogo dos Lakers! A Florida seria, basicamente, para tirar as dúvidas sobre todo esse sururú ao redor de Miami e South Beach e para me reencontrar com o meu pequeno eu no Disney World e no Sea World, em Orlando. Não sei se algum…

O resumo da semana

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Há quase uma semana que voltei a Barcelona e ainda não tive tempo de vos contar tudo sobre a minha semana em Lisboa. Já sabem que descobri novas músicas portuguesas, que deixei de ser cliente da Vodafone e que fui ao Politeama ver a revista do La Féria. Mas faltou contar esses passeios de turista que me enamoram, com direito a fotos do Castelo desde a Praça do Rossio, a fotos no Terreiro do Paço, a fotos da descida a pique do Chiado, toda enlaçada (cuidado, aqui há trocadilho) com as iluminações de Natal, lá do Fernando Pessoa até aos Armazéns.



Faltou contar o vá de enfardar pastéis de nata, numa traição ilícita aos pastéis de Belém com um sítio novo (pelo menos para mim) chamado Manteigaria, no largo Camões.


Faltou contar o reencontro com os amigos da Universidade, os poucos que conseguimos reunir numa noite gélida em que provámos croquetes com sabores tão radicais como: bacalhau com chouriço, choco com tinta, alheira com grelos ou, em edição limitada, perdiz com qualquer coisa q…

Bom ano!

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Os segundos, os minutos, as horas, os dias, as semanas, os meses, os anos... Inventámos uma unidade de medida da vida, chamámos-lhe tempo e demos-lhe significado.  Maquilhámos o tempo com sorrisos e ele esborratou o eyeliner com lágrimas, mas deixou-nos as lembranças permanentes e os sonhos a longo prazo.  Soam as badaladas e eles estão ali, as lembranças e os sonhos, embrulhados na esperança que a partir das 00.00 começamos outra vez. As páginas estão em branco e os lápis estão afiados (ou o computador está carregado e as teclas estão expectantes). Tudo é possível. O céu é o limite! A lua não sabe de nada, as estrelas brilham da mesma maneira que outra noite qualquer e o sol vai voltar a nascer pelo mesmo lado, indiferente ao tchin-tchin dos desejos que ecoa pelas ruas. Mas nós sabemos que os fogos de artifício estilhaçaram o céu e que cada pessoa agarrou um pedacinho. Esperemos que dê sorte e que possa ser tão imenso como queremos.
Feliz 2015 a todos!