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A mostrar mensagens de Fevereiro, 2015

Uma amiga a menos no gang das solteiras

Na semana passada fui a um casamento secreto. Quer isto dizer que não podia contar a ninguém quem se casava. Agora já posso, mas também não interessa nada porque vocês não conhecem. Foi uma cerimónia simples, apenas com os noivos e as 10 pessoas a quem confiaram o seu segredo. Decorreu pelo civil, numa sala um quanto tanto austera, grande e cheia de cadeiras vazias, com um palanque de madeira no meio em jeito de palco. O sistema de som, em vez de ajudar a criar uma atmosfera romântica deu, literalmente, o berro. Mas quando a noiva entrou a sala encheu-se de emoção e o vazio preencheu-se com a sua presença. Estava linda, as noivas estão sempre lindas,  com um vestido branco de última hora que nem teve tempo de provar mas que lhe assentou como se tivesse estado a vida toda à espera dela.  O buquê a condizer com os olhos que continham as lágrimas. Entrou devagar e nervosa, como entram todas as noivas, seja numa igreja, numa sala da câmara municipal o no Four Seasons do Bosphurus.  Ni…

Poesia de rua

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Gosto da possibilidade infinita das palavras nos trejeitos imprevistos de serem elas mesmas, sendo de pessoas diferentes. Gosto de poderem ser poesia em qualquer parte, gravada no consentimento do universo, ao lado dos mistérios por descobrir. Gosto de serem homónimas com significados secretos. Gosto do inesperado niilista que as governa, fazendo-as de todas e de ninguém, transcendentes nas suas sílabas. Gosto das conjugações das letras nas coreografias das tipografias. Gosto de nos permitirem tudo e de nos darem ainda mais, sem pedir nada em troca. Ou, tão somente uma vírgula aqui e um ponto final ali, para que possam retomar o fôlego da entropia. Gosto de que nos abram os olhos para ver o invisível que está mesmo à nossa frente, e de que nos sussurrem aos sentidos e não só aos ouvidos. Gosto de nos seduzirem sem autorização.  Gosto da complexa simplicidade com que se encontram umas às outras nas frases.  Gosto de estar a ler Saramago, intercalado com Walt Whitman, e de repent…

A festa

Ontem cheguei a casa cansada.
Tinha em cima o peso de uma semana de trabalho com mais horas que um relógio e em baixo a dor dos saltos altos. Eram uma e pouco da manhã e não via a hora de enfiar-me na minha cama, dormir o sono dos justos e babar na almofada. Eis se não quando, reparo que do outro lado do pátio interior há umas janelas com luzes tipo discoteca. E gente a dançar. Sem esforço, ouço a música a bombar. OH NÃO!!! É UM FESTA!!! TENHO UM VIZINHO A FAZER UMA FESTA NO SÁBADO À NOITE!!! AAAAAAAARRRRRRRGHHHHHHHH!!! Foi um momento inédito na minha vida, normalmente estou no outro lado da janela, no que tem de pedir desculpas aos vizinhos e fazer olhinhos aos polícias. Nunca tinha estado do lado do vizinho chato que se queixa porque quer dormir e não pode. O que, confesso, foi uma sensação deprimente. Ponderei chamar a polícia, mas não sabia como explicar que estavam a fazer um festão com decibéis para lá do aceitável,  no prédio do outro lado do pátio interior... Além disso,…

080 fashion week Barcelona

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Não há tanta moda em Barcelona como há em Milão, Paris ou Nova-Iorque, mas quando há è a GRANDE! A semana passada foi a 080 fashion week, que desfilou desprendendo glamour no Museu Marítimo de Barcelona, com vários nomes conhecidos e emergentes, gigantescos barcos de madeira à mistura e uma coleção de festas que compuseram um sério obstáculo entre o meu ser e o meu horário laboral. Só fui a um desfile, o da MANGO, que era o que eu mais queria ver porque é uma marca de que gosto, mas principalmente, porque tem sempre a melhor after party!

Ainda assim, e frisando que não sou experta em moda, acho que o desfile não arrebatou corações. A espera foi prolongada, ainda que acompanhada por copos de champanhe, e o acesso ao catwalk foi toda uma convulsão. Muita expectativa para 10 minutos de uma coleção hippie, onde todas as peças gritavam 70’s com sabor a Primavera. Não é que as roupas não fossem bonitas, mas quando estamos em frente a uma passarela bombardeada por incontáveis flashes e câm…

"O que é Nacional é bom!"

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Uma das razões pelas quais fique desiludida  com o Mercado da Ribeira foi o Nacional. O Nacional é um mercado no Passeig de Grácia de Barcelona que, tal como o Mercado da Ribeira, foi recentemente remodelado. Mas enquanto o Nacional foi transformado num misto de palacete real com jardim de plantas exóticas, o Mercado da Ribeira foi transformado num misto de cantina da escola primária com  o Colombo. Basicamente, entrar no mercado da Ribeira depois de ter entrado no Nacional, é como ir a uma praia na costa da Grã Bretanha depois de ter estado nas Maldivas. E a comida é tão boa como o espaço. Há um restaurante de comida light e rápida, um de tapas, um de peixe e um de carne, no qual um filé mignon se derreteu na minha boca. No centro, há um bar com queijos e enchidos e outro com uma enorme variedade de ostras e um tataki de atum delicioso. Pensei que uma quarta-feira a dar quase as 11 da noite aquilo estivesse às moscas. Enganei-me. Havia lista de espera em todos os restaurantes. O a…