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A mostrar mensagens de Março, 2015

Um bebé de idade avançada

Com 28 (quase 29) anos de vida, apercebi-me de uma coisa: o meu metabolismo continua a ser como o de um bebé de um ano. Preciso de dormir 10 horas por noite e preciso de comer bem. Porém, trabalhando de dia e de noite, durmo aproximadamente 6 horas por noite e não tenho tempo de tomar o pequeno-almoço nem de lanchar, nem de almoçar e jantar como deve ser, ou de todo.   Como resultado, passo os dias arrastando-me num misto deambulante de zombie rabugento com anoréxica histérica. Basicamente, a versão Romeu e Julieta do século XXI. Faço erros estúpidos, atípicos no meu perfeccionismo laboral, esqueço-me de coisas que não me deveria esquecer, ando com as mãos enfeitadas com cruzinhas e asteriscos feitos a esferográfica, para me lembrar das coisas de que me vou esquecer.   A minha irritabilidade fica extremamente sensível e qualquer coisinha antecipa logo um penhasco de depressão. Sou chata. Som sim senhores. E se me chatearem então, também sou antipática e desagradável. Não, na verdad…

Carpe Diem

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E de repente, numa manhã qualquer entre dois e-mails e algum desabafo, cai um avião. As arrelias com o chefe passam a segundo plano. Os dramas que não nos deixam dormir em paz desfazem-se na ideia de que, pelo menos, estamos vivos para ter insónias. Aquele esquecimento de ir ao supermercado, a internet que não funciona, o carro que não arranca, o pombo que nos fez cocó em cima, aquela pessoa que nunca mais disse nada, aquele amigo que nos deve dinheiro, o outro que nos deixou pendurado, as estrias e a celulite, o esparguete que nos manchou a camisa branca. Tudo são borboletas. Porque enquanto nós nos estávamos a queixar de alguma coisa que parecia o fim do mundo, havia 150 pessoas para quem o mundo se estava a acabar. Assim, aleatoriamente, só porque sim.  Porque o copiloto daquele voo estava deprimido e achou que espetar o avião nos Alpes franceses era a melhor opção. Sem que ninguém pudesse fazer nada. Pessoas que deixaram de ser donas do seu destino para passarem a ser vítimas …

#iwasthere

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O jogo foi bom. Foi muito bm. Não se esperava outra coisa quando jogam as duas melhores equipas do mundo. Se bem que os melhores jogadores não foram os melhores, segundo o que vi e ouvi. Pese a indiscutível magia de Messi ou a pujança de Ronaldo, os melhores em campo foram os defesas de ambas as equipas. Piqué, Mathieu, Marcelo.  Piqué o meu preferido, por motivos óbvios. O estádio estava a rebentar de gente, ainda que a maioria fossem estrangeiros, asiáticos, russos, sul-americanos. O contraste de idiomas sobrepunha-se ao catalão. Talvez por isso a animação não tenha sido tanta com pede um clássico. Poucas canções e ainda menos insultos. O que é de um jogo de futebol sem insultos senhores?!! Diz que agora há multa por qualquer coisinha menos católica que se diga aos jogadores. Desta vez eu até estava preparada para cantar “Ese português, hijo puta es!”, porque foi. Marcou o golo e foi logo a correr mandar calar os adeptos culés, numa provocação clara, infantil e desagradável. No fi…

Ainda não é Primavera, mas é Domingo de Clássico!

O primeiro dia de Primavera em Barcelona foi uma desgraça. Brindado com uma tempestade de vento e chuva, que só entusiasmou essa raça de gente louca que são os surfistas. Fizeram-se às ondas, gigantes para o que o Mediterrâneo costuma ter, que é nada. Não obstante o mau tempo, há uma enchente de gente na cidade,  as ruas, os restaurantes, os bares, as discotecas, as lojas, os metros, está tudo cheio a todas as horas. E porquê? Perguntam vocês. Ora, porque este é o fim de semana do clássico. Provavelmente o jogo de futebol mais importante do mundo. Esse Barça-Madrid que não é só um derby.  É um duelo político, é uma rivalidade entre os dois melhores jogadores do mundo e é um burburinho de excitação, mesmo para quem não gosta de futebol. Mesmo para quem não sabe o que é um fora de jogo. Porque toda a gente sabe o que é um Barça –Madrid. E por isso eu estou aqui aos pulinhos, num sururu precoce de adrenalina, porque hoje, daqui a bocadinho, vou ao Camp Nou ver ao vivo e em direto, mais…

Manas

“O Zézé Camarinha bateu no José Castelo Branco e por isso não vi quem saiu do Gran Hermano VIP”. Estava eu na cama, a meio passo entre uma tosse compulsiva e um pacote de lenços para me assoar, quando a minha querida irmã soltou esta pérola.   A frase teve mais efeito que o Frenadol, o Ibuprofeno e o Paracetamol juntos. Fartei-me de rir e fungar ao mesmo tempo. - Como é que é? Diz lá outra vez... E ela repetiu, toda entretida. Cada conjunção da sua sentença é um pequeno deleite. Os nomes, o suigeneris da ocorrência e as drásticas consequências que daí se desencadearam. Mostrou-me o vídeo em que o Camarinh ataca o Castelo Branco e a Teresa Guilherme bate palminhas. Ai as saudades que eu já tinha da Teresinha! E rimos juntas. E não nos preocupámos em descobrir quem saiu do Gran Hermano VIP até porque, realmente, não conhecemos ninguém, ela ainda menos que eu. Depois do Zé contra Zé, mostrou-me a Piradinha, um grande sucesso musical que eu desconhecia, mas que consta que saltou à ri…

Eu vejo branco e dourado e preto e azul...

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A estas alturas já toda a gente ouviu falar do vestido branco e dourado que afinal é preto e azul. A banal história de uma mãe que envia à filha a foto de um vestidopreto e azul para usar no dia do seu casamento, ao que a filha responde que o vestido é branco e dourado. Começa a polémica  no núcleo familiar e, de repente, através das redes sociais,  o mundo inteiro parece daltónico . Confesso que quando vi no facebook não prestei atenção, pareceu-me estúpido, era óbvio que o vestido era branco e dourado e que quem via preto e azul estava a ver outra foto. Até que ontem, a minha irmã me contou-me a história toda e mencionou que lá em casa toda a gente vê preto e azul. Oh diabos! Vamos a ver e se calhar eu é que sou a estúpida... Pedi-lhe que me voltasse a mostrar a tão famosa foto e mais uma vez eu vi branco e dourado, claro como neve e estrelas cadentes. Virei-me para fazer qualquer coisa e quando voltei a olhar par ao telefone dela, vi outra foto.  “ Ah vês, nessa foto já vejo p…

Brodas Bros em "Concierto Concepto"

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Se há sítio onde gosto de ir é ao teatro! Os meus pais incutiram-nos o hábito desde pequenas e eu, felizmente,  também soube apreciar quando as peças deixaram de ter abóboras transformadas em carruagens a descer do teto. Mas lembro-me até hoje do tremendo impacto desse momento, na peça Cinderela, quando não deveria ter mais de 6 anos e fiquei fascinada para sempre. Para mim, o teatro vai sempre ser o sítio onde acontecem coisas mágicas.  Tal como há dias escrevi aqui sobre as palavras, o teatro também tem essa capacidade camaleónica de ser muitas coisas diferentes de cada vez, e às vezes, em simultâneo. Uma metamorfose ambulante, como cantava o outro. Quarta-feira foi dia de première no Teatro Coliseum de Barcelona. Troquei as luvas de boxe pelo “Concierto Concepto” dos Brodas Bros e não me arrependi.  (Não se preocupem se não estiverem a ver quem são, eu também não conhecia). Mesmo não sendo a Madonna, a sala estava cheia, o que não deixou de ser uma agradável surpresa, conhecendo…