Mensagens

A mostrar mensagens de Abril, 2015

A lenda de Sant Jordi

Imagem
Ainda estavam a montar as bancas na Rambla quando saí de casa de manhã, pela fresquinha. A persiana da livraria já estava levantada, em sinal de preparação para o grande dia. A esquinas ainda eram só cimento, mas meia hora depois e lá para os lados da praia, já começavam a despontar as rosas vermelhas. Não havia pressa, ainda era cedo. Não estava exatamente na expectativa, mas esperava pelo menos uma. De algum amigo, de algum admirador, de algum colega de trabalho. Na pior das hipóteses, de alguma promoção de rua, de algum espontâneo tomado de golpe pelo espírito da “Diada de St. Jordi”. Mas o dia foi passando e as rosas foram desabrochando e eu continuava sem a minha. Quando cheguei a casa para almoçar, a Rambla vazia tinha dado lugar a uma enchente pulsante de gente, saltitante entre bancas de livros e rosas, num colorido primaveril digno de um quadro de Matisse. Uma atmosfera vibrante e alegre! E eu sem rosa.... Atravessando a multidão, o coração, que tinha acordado grande e c…

25 DE ABRIL SEMPRE

Imagem
Por muito abatido que esteja o país. Por muito falidas que estejam as esperanças. Por muito frustrados que estejam os sonhos. Por muito desiludidos que estejam os sorrisos do povo. O 25 de Abril é esse post it na memória da nossa história que mostra que as coisas podem mudar. Essa coragem, essa determinação, essa utopia de cravos que nos devolveu a Liberdade. Dizem que desde 74 até hoje se esqueceram pelo caminho do que quer dizer Liberdade. De porque é que a quisemos tanto. De para que é que servia. De como realmente não podemos viver sem ela. E eu pergunto, não estamos nós aqui para lembrar-lhes? Não sabemos o que está mal? Não estamos prontos para sair à rua, marchando, se for preciso? Não podemos escrever? Não podemos cantar? Não temos direito a rir? Que eu saiba ainda existem cravos em Portugal. E existem jovens idealistas, e existem pessoas trabalhadoras, e existem crianças que merecem um futuro melhor. Para mim, o 25 de Abril é o nosso feriado mais bonito e mais inspirad…

Sou muito fã!

Imagem
Em tempos que já lá vão, eu jogava ténis. Mas jogava assim mesmo a sério. Era federada, ia a torneios e cheguei até a fazer parte da seleção nacional. Ok, Portugal não é exatamente uma potência na modalidade, mas pronto, na altura os meus pais ficaram todos babados. O meu pai até foi ao ciclo (Escola EB 2 3 D. Afonso III!) falar com o meu Diretor de Turma, o professor de Educação Visual, a quem carinhosamente chamávamos de Bulldog. O Bulldog achava um despautério o pedido da Federação Portuguesa de ténis para eu me ausentar durante uma semana a fim de jogar um torneio em França, representando a nação. Imagine-se, logo eu, que tinha 5 a tudo! Verdade seja dita, nunca tive 5 a Educação a Visual... Mas os meus pais achavam um máximo e por isso eu lá fui. Porém, não é para falar dessa viagem que comecei a escrever este post. É para contar que, nesses anos de glória e troféus (lá em casa há um armário cheio deles), conheci e treinei com muita gente. Dessa gente toda houve uma pessoa que v…

Notícias tão doces que me fazem mal!

Aconteceu uma hecatombe às portas do Verão e à porta de minha casa! Ao lado da minha porta para ser mais precisa. Se a localização fosse outra, não seria uma catástrofe.  Mas é sair de casa e lá está ela, qual tragédia Shakesperiana. Antes havia ali uma inocente loja de relógios que não me pressuponha qualquer problema. Reparei que estava fechada e pensei que estivessem a reformar. Não dei importância até que da noite para o dia, aquilo abriu outra vez e nem sobra de um tic-tac! É agora  uma das minhas lojas preferidas: Crepes de Barcelona. Crepes senhores, crepes!!! Com queijo, com salmão, com Nutella, com pedaços de chocolate, com o que eu quiser. Saio de casa e cheira a crepe. Vou ao supermercado e vejo crepes. Vou deitar o lixo fora e apetece-me comer crepes. Até já vou pelo passeio de olhos fechados, para me tentar auto -enganar.  Duvido que consiga resistir muito mais tempo... E estamos quase no Verão, porque se estivéssemos em Novembro não era tão grave, que havia muita gol…

O "handicap" do Sergio Ramos

Imagem
Os jogadores de futebol não têm de falar inglês. Não têm. Ninguém lhes exige isso, não são avaliados em nenhum tipo de exame, nenhum clube lhes pede o TOEFL antes de os comprar e, convenhamos, quando já foram campeões nacionais, mundiais e europeus, por equipes e por seleção, não estão propriamente a pensar candidatar-se à Universidade.
Há sempre tradutores nas conferências de imprensa, há sempre legendas nos filmes, aliás, em Espanha até são dublados que é para ninguém precisar de aprender a falar inglês. Vamos ao que vamos. Eu até simpatizo com o Sergio Ramos, mas cada vez que ele abre a boca torna-se impossível de defender. Simplesmente impossível. Então oh Sergio, você já tem um escasso domínio do espanhol, para que é que se vai complicar a vida a mandar bitates em inglês?  Em que universo é que isso tem probabilidade de dar certo, diga-me lá?! Zero, meu querido. A probabilidade é zero. Aqui, no infinito e no mais além também.
É para parecer mais intelectual é? Deixe-se disso, fo…

Queixa formal

Imagem
Exmos. Senhores do Ministério de Turismo de Itália e da Comune de Roma, que é como quem diz Câmara Municipal, venho por este meio comunicar o meu descontentamento e requerer uma indemnização imediata. Cheguei à Fontana di Trevi, munida de mochilinha, garrafa de água e telemóvel em punho, que nem turista exímia, cheia de desejos para pedir e moedinhas para atirar de olhos fechados, e qual não foi o meu espanto quando vi que não havia fonte. Porque a Fontana di Trevi está sem água. O cimento cinzento, outrora cheio de azul, jaz agora vazio, enredado em palanques, pó e plataformas de construção. Um ultraje, uma blasfémia meus Exmos. Senhores! Parece-me ótimo que restaurem as esculturas. Parece-me divino mesmo. O que não me parece aceitável é que levem meio ano a restaurar a fonte mais famosa de Itália que, nos entretantos, deixa de existir. Onde antes havia fonte, resta apenas uma ponte de madeira com uma fila de turistas encavalitados uns nos outros, perseguindo a melhor foto das esc…

Uma noite em Roma...

Imagem
Uma noite em Roma, sob o olhar atento das estrelas e ao som da corrente do Trastevere. Uma noite em Roma, depois de jantar no Ímago, um autêntico camarote de contemplação da cidade, no rooftop do Hotel Hussler. Uma noite em Roma, num pátio ao ar livre, uma junção de mesas pouco articulada reunia uma larga dezena de pessoas. Americanos, na maioria, e alguns italianos. Menos nós. Todos tinham um ponto em comum que transcendia a assimetria das mesas pouco articuladas: a sequela de um filme que estavam a rodar em Roma. Menos nós. Todos trabalhavam, de alguma maneira, em cinema. Todos tinham um je ne sais quoi de Hollywood, Fellini ou Almodóvar. Menos eu. Uma noite em Roma, olhei em volta e vi caras conhecidas, que nunca antes tinha conhecido. Estava numa animada conversa com o Cal, o prometido da Rose que viajava com ela na primeira classe do Titanic. Do outro lado, sorridente, o Greg Focker a quem o sogro fez a vida negra para deleite de todos nós. A seu lado, loiro como sempre, …

Férias, ai que booooom........

Finalmente estou de férias, 5 abençoados dias sem trabalhar de dia, sem trabalhar de noite e ainda para mais... em Roma! A primeira coisa que fiz foi mudar o despertador das 8 da manhã para as 10. Em vão, porque os fofos do pátio debaixo de minha casa decidiram remodelar o dito cujo e contrataram uns senhores que estão desde as 8 da manhã até ao meio dia a perfurar a tijoleira do chão. Uma delícia de barulho ensurdecedor para estrear férias, mesmo, mesmo gostosa! Huuuum!!! Obrigada a levantar-me, fui então recolher um vestido da corda, que tinha lavado à mão ontem, expressamente para levá-lo de viagem comigo hoje. Qual não é o meu espanto quando vejo que o vestido está mais sujo do que quando eu lavei, cortesia de algum pombo com diarreia que lhe dejetou 3 cocós em cima. Diz que dá boa sorte!
Vamos lá ver se é verdade...

"The imitation game"

Imagem
Desde que estudei cinema em Itália com o Dino di Noi e estudei guionismo na New York Film Academy, que tento estar a par das melhores obras da sétima arte, para ir acompanhando o meu currículo académico. Foi por isso (e pelo Jude Law) que decidi ver o “Grand Hotel Budapest”, nomeado aos Óscares.  Passados 10 minutos considerei que se era para ver o Jude Law mais valia ver o “Alfie” outra vez.  Passei ao seguinte, o grande ganhador dos homenzinhos dourados ,“Birdman”. Aqui já havia qualquer coisinha mais cativante, fui vendo aos soluços, no pouco tempo em que tinha tempo, e até agora não chegou o entusiasmo para ver como acaba a embrulhada do protagonista que, tanto quanto captei, tem para ali um probleminha meio inquitante com uma dupla personalidade esquizofrénica. Andava sumida nesta depressão cinematográfica, quando me recomendaram “The imitation game”, que esse sim é que era mesmo bom, que esse é que devia ter ganho os Óscares. Não acreditei muito mas vá, let’s give it a chance.

Mazurek!

Quando já tinha dado a Páscoa por liquidada, uma colega de trabalho polaca trouxe um bolo de Páscoa típico da Polónia, o Mazurek. Assim, de repente, devo confessar que aquilo não era o bolo mais bonito do mundo. Meio desajeitado coitadinho, com o recheio a sair por fora, sem nenhum decoro. Mas estava ali mesmo à frente e eu não sou pessoa de rejeitar um bolo só porque é feio. Aliás, não existe no mundo uma razão matematicamente válida para que eu cogite negar-me a provar um bolo.  E ainda bem que assim é porque, meus amigos, o Mazurek é o melhor bolo de sempre! Sem querer ofender a minha mãezinha, mas aquele bolo tinha tudo o que eu gosto: bolacha crocante, cobertura e meandros de chocolate e recheio de leite condensado. Depois também tinha que dar um ataque diabético, mas só uma vez ao ano não faz mal, que sobram todos os outros dias para comer salada de quinoa com tofu e algas.  

Feliz Páscoa!

Imagem
Nem quaresmas, nem fulares, nem ovos pintados, nem coelhos, nem ovos escondidos.
A minha celebração pascoalícia foi humilde mas gostosa: ovo de chocolate gigante da Guylian, recheado de pequenos Guylian frutos do mar.
Oferecido à minha pessoa por mim mesma, com todo o carinho que levo dentro.
Degolado em dois dias, com imenso prazer.  
Posso apenas desejar que a vossa Páscoa tenha sabido tão bem como a minha!



One Ocean

Imagem
Hoje almoçámos ao sol, à beira mar, rodeadas de iates. Vistas para Montjuic e para o Colombo, imponente no princípio da Rambla, supostamente apontando o caminho para a América, mas quem pode realmente saber se é verdade? Ali, o que se vê quando se segue o indicador do navegador é o centro comercial Mare Magnum. Tanto quanto sei o caminho para a América é na direção da Praça de Espanha, que é para esse lado que fica o aeroporto.  Enfim, coisas em que tropeçam os pensamentos quando temos o privilégio de não ter mais nada em que pensar. O último dia das férias da Páscoa deste ano, das quais não usufruí se não hoje, foi uma espécie de Verão prematuro. Um pedido claro para estar esparramada ao sol, comer um entrecôte e beber um copo de vinho branco. Ok, se calhar o entrecôte foi mais um pedido claro do meu estômago que do Verão prematuro em si, mas eu mereço, há 10 anos que não vivo com a minha mãe! Fomos experimentar o One Ocean Club pela primeira vez, um sítio novo, com o conceito muit…

Mercado de Domingo

Imagem
Acho que não ia assim ao mercado de Domingo desde os tempos de Erasmus em Siena, quando faziam um mercado meio manhoso já nem me lembro bem onde, mas sei que era tudo uma pechincha. Agora, nos arredores de Barcelona, no primeiro Domingo de cada mês montam um mercado num misto de jardins com armazéns, chamado Palo Alto. Há várias diferenças entre o mercado das pechinchas de Siena e este de que vos conto, a primeira sendo que este, mais que um mercado, é um evento. E por isso está a triunfar! A arrasar geral! O congestionamento de pessoas na fila para entrar e uma vez adentro, é caótico.  O sítio é giro, há uma variedade muito grande de pequenos stands, e uma variedade ainda maior de food trays, que são aliás o grande atrativo do evento. Ninguém sai dali sem comprar comida e cerveja! Quanto ao resto, não me pareceu que se vendesse por aí além. Há roupas, chapéus, óculos, quadros, móveis, decorações e provavelmente mais coisas que não me lembro. Tudo em coexistência numa transgressão f…