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A mostrar mensagens de Maio, 2015

A invasão do Norte

Barcelona está a ser conquistada pelos Bascos. Plaza de Espanya, Plaza Catalunya, Ramblas e Paseo de Grácia, tudo engolido por uma imensa maré branca e vermelha, cheia de esperança de ser o David que consegue derrubar Golias na sua própria casa. Por seu lado o Barça sonha com o “triplete” – liga, copa e champions. Não deixa de ser irónico que as duas comunidades mais independentistas de Espanha estejam nesta disputa acérrima pela Copa do Rei. Tivesse eu sido prevenida que este fim de semana íamos receber a final da Copa, o festival Primavera Sound e o concerto de ACDC e tinha alugado a minha casa por um preço simbólico, que simbolizasse não ter de trabalhar o resto do Verão. Barcelona está lotada, ensolarada e maravilhosa, mesmo com os Bascos todos a cantarolar por aí. Eu não vou a jogo porque trabalho, também não fui ao concerto de AC/DC pela mesma razão e só mesmo no Primavera Sound é que pus um pezinho. Ou um salto, melhor dizendo. Erro crasso, mas completamente justificável. Sa…

As miss fitness

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O Verão traz sempre  à baila o meu lado mais fitness, basicamente porque também mostra sempre mais de mim. E toda a gente quer mostrar um ventre plano, umas pernas esculturais, enfim, uma figura digna de qualquer modelo da Victoria’s Secret.  Até aí tudo bem, vai de ir às aulas de boxe e sair por aí a correr e a fazer squats e abdominais como se não houvesse amanhã. Seria um plano perfeito, não fosse a parceira que me saiu na rifa para esta empreitada. Somos melhores amigas e partilhamos as mesmas motivações bem como o mesmo idioma, já que ela é baiana. E aqui poderia fazer várias piadas, mas se algum dia ela for ler isto vou com certeza perder uma amiga, portanto, o melhor é ficar caladinha. Tenho então ido correr com a minha amiga Natália Sena, uma das pessoas mais divertidas com quem tenho o prazer de comungar a minha vida catalã. Ora a Nati não está habituada a correr. Tem uma app toda jeitosa para contar km ótimos, uns conjuntos de roupa desportiva to die for e umas vitaminas…

Quase nos 30 a cantar como aos 12

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No outro dia conheci o Cody Simpson. Muito provavelmente, o nome não vos diz nada, a menos que sejam uma miúda na faixa etário dos 12 aos 14 anos (ou sejam os pais da miúda).  O Cody é a versão australiana do Justin Bieber: um loirinho de 18 anos com pinta de surfista que canta musiquinhas fofinhas para adolescentes com um cavaquinho ou lá como se chama aquela viola pequenina. E com a brincadeirinha já deve ter ganho mais dinheiro que eu e vocês juntos. Mas vamos ao que é realmente pertinente, disse-me o jovem que eu parecia a Alessandra Ambrósio e foi suficiente para ficar logo fã dele! Agora cá ando, quase com 30 anos, a ouvir músicas iguais às que ouvia quando tinha 12 e era fã incondicional dos Moffatts.  As canções ainda podiam ter assim um nome profundo, como tinham as dos Moffatts: If life is so short, ou I miss you like crazy ou, ainda, Girl of my dreams.  Mas não, a minha preferida do Cody chama-se “La Da Dee”, que não quer dizer nada de nada e na melhor das hipóteses pare…

A praga do Verão

Dia 1: 01.30 da manhã - cheguei a casa esfomeada, com um donnut de chocolate acabadinho de comprar, para me deliciar refastelada no sofá. Abri a porta, acendi a luz e soltei um grito de pavor. No chão, em frente ao frigorifico, enorme e vermelha (se calhar nem era ssim tão grande mas o primeiro choque tem sempre tendência a exagerar) uma barata. Outra vez as baratas. È sempre a mesma lenga lenga em Barcelona, começa a fazer calor e as baratas saem por aí para apinhar sol. A esta altura da vida já tive tantos encontros imediatos que depois do primeiro impacto de desagrado, já agarro num sapato e parto para bingo. O problema é que, enquanto eu avançava para bingo, a barata pareceu ler-me os pensamentos e escapuliu-se por debaixo do frigorifico. 01.35 da manhã – perdi a fome. Guardei o donnut no armário. 01.36 da manhã- a tirar o frigorífico do sítio à procura da barata. Nem rastro da vagabunda. 02.00 da manhã-sentada no chão do hall da entrada, com todas as luzes apagadas exceto a do…

Temporada inaugurada

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Foi uma decisão fácil: e porque não hoje? O sol está mesmo a pedi-las, o tempo não tem mais nada importante para fazer e as sandálias estão na porta à espera, ansiosas. O vestido era de alças e multiusos, pelo que servia perfeitamente. O primeiro dia de praia é sempre uma ocasião marcante, por muito que se repita todos os anos.  Realmente não há grande coisa para contar, apanhámos o metro, subimos pelo paseo Joan de Borbón até à Barceloneta, estendendo o nosso caminho um pouco mais, até a Hotel W, porque é uma zona mais sossegada. Estreei biquíni novo e um páreo verde que me trouxeram de Bali. De resto, a praia estava igual a si mesma. A areia continua cheio de grãos e o  Mediterrâneo conserva o sabor a sal.  Não havia ondas , não havia muita gente, se bem que em Barcelona podemos sempre contar com pessoas de idade avançada a luzir palmito, que é como quem diz, a fazer nudismo.  Não entendo muito bem a lógica, eu pessoalmente acho que com 70 anos não vou querer andar por aí de bundin…

3 - 0

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Os ânimos estavam à flor da pele para o último grande jogo desta temporada no Camp Nou: as meias finais da Champions league onde o F.C. Barcelona defrontava o Bayern Munich. O regresso do filho pródigo a casa, mas do outro lado do banco. Um estádio abarrotado de gente onde já ninguém grita por ele, porque estão todos encadeados com Messi.  Os gritos deste nome em uníssono e jeito de oração a Deus, arrepiam a alma.  



Ontem, uma pessoa entrava no campo e respirava Barça. A energia intoxicante, a excitação do público, as vibrações dos jogadores, tudo comungava num fim de tarde de futebol à temperatura ideal.


O azul e o grená enchiam os cânticos dos adeptos, daqui, dali e de todo o mundo. Uma festa que se fez esperar até abrir o champanhe, com várias tentativas numa primeira parte de empate. Uma celebração que parecia que não ia arrancar. Até que arrancou, pelos pés do argentino mais sublime do planeta. A partir daí foi um bailinho que só parou nos 90, depois do pezinho de dança do Neyma…

A melhor publicidade

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Já tinha visto aqui e ali, nos espasmos fotográficos do Instagram, uns biquinis todos pimpões. Fascinada pelas cores e a promessa de uma parte de baixo brasileira, porque o que encontro à venda fora do Brasil assenta-me que nem um culote da avó, fui espreitar o site. Vi, gostei, pareceu de fiar, preço ok, comprei. Vamos lá experimentar e seja o que Deus quiser. Ainda que, muito provavelmente, Deus não se ocupe das minhas escolhas de swimwear para a época balnear 2015.   Mandei um email a perguntar quando receberia o pedido e responderam-me, prontamente, que no dia seguinte já o teria. E, efetivamente, no dia seguinte de manhã, em menos de 24 horas, o carteiro bateu-me à porta. O envelope vinha com corações, os biquínis vinham em perfeitas condições e tão lindos como nas fotos do Instagram. São todos handmade em Barcelona, os materiais são agradáveis, o fit é bom e as medidas e eu encaixamos que nem lego.   As etiquetas estavam personalizadas com o meu nome, o que eu achei um detalhe…

A la carte

Todos os dias fazemos escolhas que mudam a nossa vida. Às vezes não as vemos mas, como sombras indissociáveis do nosso destino, elas estão lá. Às vezes são coisas pequenas, tão pequenas que enganam. Não se deixem enganar, porque é nas entrelinhas das coisas pequenas que se escrevem as maiores afirmações. Outras vezes são escolhas que carregam o mundo nos ombros, daquelas que sentimos o peso como um murro no estômago. Escolhas que nos fazem rodopiar em looping na almofada em vez de dormir. Essas escolhas são lixadas, felizmente, não acontecem todos os dias. Só em ocasiões especiais. Depois há as escolhas espontâneas, que se apresentam sem serem anunciadas, escolhas que nos caíram em cima sem que as pedíssemos aos céus e requerem decisão imediata, no epicentro do momento. São escolhas inquietantes e, provavelmente, as mais dolorosas, mas também são as que passam mais rápido. Todas as tipologias de escolhas têm uma coisa em comum: não vêm com marcha atrás incorporada. Uma vez escol…

Corrupção agressiva

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Ainda que com um relativo atraso, não podia deixar de manifestar o meu desagrado com o combate de boxe da madrugada de Sábado. Agora que sou uma adepta da modalidade, posso dizer que foi uma grandessíssima aldrabice. Aliás, posso dizer que quando acabaram os 12 assaltos fui-me embora dormir, convencidíssima de que o resultado só poderia ser um. Não havia dúvidas, há falta de knock outs, Pacquiao era  o justo vencedor e nenhum árbitro do mundo poderia dizer o contrário. Seria um escândalo ainda maior que as arbitragens do Porto! De resto, verdade seja dita, o combate do século deixou muito a desejar e fez este século parecer imensamente aborrecido. Bocejei mais do que os upper cuts que pude contar e isso, para quem não conhece a terminologia, é mau. Tanto sururu, tanto blá blá blá, as engrenagens do marketing e da publicidade a fazerem o mundo girar de expectativa durante semanas e a provocarem o desabamento de quantias surreais de dinheiro em apostas. Hoje em dia, uma pessoa organiz…