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A mostrar mensagens de Julho, 2015

Ironias da vida

Tenho, por normal geral, não acreditar em políticos e não acreditar em política. Acho que as redes de interesses e lobbies estão tecidas como uma malha de ferro impenetrável e eletrificadas com alta voltagem, de tal maneira que nem as melhores intenções as podem romper. Ainda para mais estando em Espanha, que é onde vivo mas não é o meu país nem voto aqui, passava-me um pouco ao lado se o Alcalde de Barcelona sabia falar catalão ou não. Ainda assim, tenho uma inclinação para a esquerda, para o proletariado, para a luta de classes, para a igualdade de benefícios e oportunidades, independentemente da classe social. É o conceito que me parece mais próximo da uma sociedade justa e de um Estado de bem-estar.  Mas este blog está longe de ser um fórum político e respeito a máxima de que opiniões são como os rabinhos, cada um tem o seu. Ora aconteceu que no passado mês de Junho uma senhora chamada Ada Colau foi eleita nova alcadesa de Barcelona, pela plataforma Barcelona en Comú, que agre…

Bom fim de semana!

Ultimamente, consulto a minha conta bancária online todos os dias. Sempre na esperança de que a Visa me tenha restituído o dinheiro usado com o meu cartão roubado, ou de que tenha entrado uma transferência de um trabalho que fiz há mais de um mês, ou de que a segurança social me tenha devolvido o dinheiro que me tirou “por engano”. Este é um exercício deprimente por duas razões: primeiro, porque todos os dias me deparo com um saldo insuficiente para mandar tudo às ortigas e ir viajar pelo mundo, ou para comprar ruma casa, ou um carro, ou uma mala Birkin. Aliás, às vezes também me deparo com um saldo insuficiente descendente, porque me passaram o recibo do telefone; e,  segundo, é deprimente porque todos os dias verifico que ninguém me ingressou, nem me  devolveu, nem me transferiu um único cêntimo. Até hoje! Esta manhã, ao executar o já rotineiro processo de consulta deprimente do saldo bancário, deparei-me com um valor mais avultado que o de ontem. Com os olhos muito arregalados e…

Um dia destes vou presa parte II

Voltei  à esquadra da polícia no Domingo de manhã. Voltei a ter de explicar que podia denunciar a estafa do meu cartão de crédito sem apresentar os últimos 6 meses de movimentos da minha conta. Voltei a ser informada de que havia uma espera de duas horas para fazer uma denúncia. Pedi a folha de reclamações. Tal e qual, toma lá vai buscar, trigo limpo farinha amparo, mandando rodar a baiana con dos huevos! O que lhe quiserem chamar, na gíria do idioma que mais vos agrade. Pedi a folha de reclamações. O senhor agente fitou-me, perplexo, com cara de esta louca era só o que me faltava. E logo assim, de manhã, pela fresquinha, para começar bem o dia! Ah mas eu não estou nem aí! Parece-me óbvio que se dois dias seguidos há uma espera de duas horas para fazer uma denúncia, quer dizer que alguém não está a fazer bem o seu trabalho e deixo-vos uma pista, eu não sou. Se não conseguem manter a segurança da cidade, então pelo menos que reforcem o número de agentes nas esquadras de maior afluên…

Um dia destes vou presa...

Não sou uma pessoa que prima pela paciência. A minha mãe costuma dizer que nasci à pressa, tão rápido que a própria enfermeira não acreditava que eu já vinha a caminho, até que me viu a vir e foi a correr buscar a médica. Tenho muitas virtudes mas, realmente, saber esperar, ter calma e aguardar, não fazem parte da panóplia. Eu sou mais impulsos, rompantes, emoções à flor da pele. O aqui e o agora (já!) são as minhas leis de vida. Isto tudo para dizer que qualquer dia vou presa por impertinência e desacato à autoridade. Como expliquei no post anterior, o meu banco mandou-me ir à polícia para denunciar a cópia e uso fraudulento do meu cartão de crédito. Acontece que o senhor agente que me atendeu insistiu em dizer-me que  eu tinha de apresentar os movimentos bancários dos últimos 6 meses par poder  fazer a denúncia. Claramente um despropósito. Eu tinha os movimentos que o Banco disse que eram precisos, mais um email do departamento de fraudes fiscais que explicava tim-tim por tim-ti…

Micro câmeras e teclados falsos

Há coisas que só me acontecem a mim. Aparentemente, esta não é uma delas. É muito frequente, acontece todos os dias, disse-me o senhor do departamento de fraudes fiscais, ao telefone, num bonito Sábado à tarde. A primeira coisa que pensei foi: eu sou inocente! E depois pensei que era algum trote, alguma piadinha, algum esquema. O que é que é suposto alguém pensar quando o telefone toca (num sábado à tarde!) e a voz do outro lado diz: “Boa tarde, estou a ligar-lhe do departamento de fraudes fiscais...” Pior ainda é quando a voz do outro lado começa a dizer que o meu cartão de crédito foi copiado numa caixa automática e que estava a ser utilizado nos estados unidos. Mas não se preocupe que já cancelámos o cartão e agora só tem de ir ao Banco na segunda-feira pedir para lhe devolverem o dinheiro roubado. E o que é que eu posso fazer para que isto não volte a acontecer? Nada. Ah, pronto, ficou muito mais descansada então. A minha conta bancária foi desfalcada sem eu dar por ela, não pos…

Ainda nos 20!

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Digamos que depois dos 25, ficar mais velha é coisa que já não tem muita piada nem carrega grande motivação. Mas todos os anos lá chega o dia, como um alarme de cuco que não se pode reprogramar e que não cala o bico. Este ano, mais uma vez, passou por mim o 9 de Julho.  E foi tão divertido que quase, quase, que valeu a pena ficar mais velha! Um dia de relax na piscina com direito a água de côco, uma sessão de cabeleireiro grátis, um jantar com espetáculo de música e dança, e uma noite de festa de arromba!





Um momento embaraçoso com 5 rapazes espadaúdos a carregarem duas garrafas de champanhe na minha direção, adornadas com velas gigantes, para que não passasse despercebido nem a quem estava a limpar os pratos dentro da cozinha.









Imensas mensagens cheias de amor e presentes maravilhosos, de entre os quais tenho mesmo que destacar o par de sapatos Louboutin, um pequeno sonho que os meus pais fizeram realidade! Obrigado!



Foi uma rambóia completa e toda a gente adorou.  Em definitiva um an…

O Verão

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Que dizer desse calor que nos incentiva à preguiça em estado puro? Que dizer do sol que nos derrete até as dúvidas mais bicudas da alma? Que fazer com o suor de vida que escorre pelo corpo sem pedir autorização? Misturar tudo e deitá-lo ao mar, num mergulho, na sétima onda, em jeito de pedido de desejo a Iemanjá. Praia e piscina são as duas opções possíveis de debater nesta altura. As janelas abertas são indiscutíveis, a menos que o ar condicionado esteja no on. O tom da pele, intenso, diz tudo, sem esperar pelas perguntas. Os suspiros das estrelas ecoam nos sorrisos despidos, frisando que ninguém usa casacos. Damos corda às sandálias, contamos os grãos de areia perdidos pelo chão da casa, separamo-nos em definitiva do edredom e comemos melancia em deliciosos tragos, como se fosse o maior prazer deste mundo.
E assim, anestesiados desse espírito de dolce far niente, gozamos da melhor estação do ano.