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A mostrar mensagens de Setembro, 2015

Olha mãe, sou eu!

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Há uns dias um amigo que não vejo há algum tempo mandou-me uma mensagem pelo facebook “acho que te vi num anúncio na televisão”. E eu não dei importância, deve-se ter confundido coitadinho.  Pegou-lhe uma partida a vontade de me rever, normal em qualquer pessoa que padece de longos períodos com a minha ausência na sua vida. Foi então que me lembrei, espera lá,  que eu filmei um anúncio de televisão para a rádio! Estranho? Pois é, mas foi mesmo. Filmei um anúncio para um programa de rádio famoso, que faz parte do mesmo grupo que vários canais de televisão espanhóis.   Aliás, lembro-me bem, foi a convite do apresentador do programa de rádio e protagonista do anúncio, num dia Invernoso, num hotel maravilhoso. Também me lembro de me terem trocado de cena e me terem mudado as falas e que, de repente, em vez de uma palavra tinha que dizer a frase mais complicada do anúncio inteiro. Foi um processo doloroso, porque eu tenho um sotaque que não se adapta bem aos ”s”, “c” e “z” espanhóis. O di…

Eu gosto é do Verão...

O casaco de cabedal fora do cabide. O lenço ao pescoço. Os leggings a cobrir cada cm de perna e as botas a subir pelos pés acima. Tudo culmina com o Frenadol em pó e o pacote de lenços na mesa de cabeceira. É oficial: acabou-se a papa doce. Entrámos na contagem decrescente para 6 meses de gripes e apostas em quem consegue arrancar mais olhos com o seu guarda-chuva. Seis meses de termómetros deprimidos, sem ultrapassar os 20 graus, e cabelos enleados nos cachecóis e nas golas dos casacos. Seis meses em que ser perde todo o trabalho do Verão, tantos dias de praia para nada, que o bronze não dura nem sequer para as festas de Natal e ano novo. Chegam as noites enquanto ainda é de tarde, embrulhadas no edredom de penas e nos lençóis de flanela. Chegam dias inteiros, semanas inteiras, de céu cinzento e poças de água, em que a televisão e o computador voltam a ser os nossos melhores amigos.
Em Agosto o mundo para e em Setembro parece que anda para trás!

Sim, mas não.

Ora diz que o sim ganhou. Mas toda a gente quer ser independente? Não. Então, não há maioria absoluta. Nem sequer há maioria juntando os dois partidos do sim. Na verdade, o grande partido do sim, Junts pel Si, teve menos votos do que nas últimas eleições, sendo que desta vez contava com mais partidos na sua formação.  Então, nem o sim ganhou nem o não perdeu, nestas eleições para o parlamento catalão que se transformaram em referendo pela independência. A democracia fez um brilharete e os catalães mostraram que querem decidir e que não vão em catigas, pelo menos a maioria.  O mediatismo da campanha do senhor Artur Mas deu-lhe cadeiras para se sentar, mas não deu no que tinha que dar. E a questão da independência continua no ar. E, entretanto, as questões que afetam a vida da população diariamente continuam a ser ignoradas. Cá andamos a nadar em águas de bacalhau, como se diz em bom português. Já escrevi várias vezes a minha opinião sobre a estória da independência e foi com cert…

O fémur da Gioconda

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Hoje vi uma notícia no telejornal que me deixou profundamente baralhada. Primeiro, o apresentador anunciou que arqueólogos italianos achavam que tinham encontrado o esqueleto da Gioconda de Da Vinci. Achei estranho, assim de repente, porque é que alguém iria descobrir um esqueleto e dizer tem pinta de ser a Gioconda?!
A notícia desenvolveu-se apenas por algum segundos, creio que por falta de mais sustento mas, basicamente, não havia esqueleto nenhum e o que aconteceu foi que encontraram um fémur num convento em Florença. Encontraram um fémur num convento em Florença... Porque é que acham que justamente esse fémur tem cara de ser o fémur da Mona Lisa e não de uma qualquer freira ou monja é algo que me transcende.  A notícia diz que vão fazer provas de ADN para confirmar que é, efetivamente, o fémur da musa de Leonardo. E aqui o meu cérebro já deu um nó. Confirmar o ADN??? Perdonaaa??? Mas então querem lá ver que a Gioconda está registada na base de dados de algum hospital de Florenç…

Sparta

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Qualquer pessoa que tenha visto o filme “300” da Warner Bros, sente um arrepio pela espinha perante a visita eminente a Sparta. Como se fossemos todos o grande Leonidas e o seu pequeno exército, a lutar contra os invasores com os seus elefantes e rinocerontes e o gostoso do Rodrigo Santoro, vestido de rei-deus mauzão, irreconhecível. Diria que a magia do cinema foi muito bem conseguida com este filme, que de Sparta tem muito pouco roçando o nadinha de nada (foi filmado do Canadá).   Confesso, pois, que o meu imaginário se rachou em mil cacos ao passear pelos destroços da acrópole e do teatro do que um dia haverá sido a temida Sparta. Nem sequer eram ruínas, eram mesmo destroços, espalhados pelo chão arenoso. Colunas caídas, pedras esburacadas e nenhum tipo de descrição ou explicação pelo caminho. Se não fosse pelas majestosas montanhas no horizonte, incisivas e imponentes, cuja entrada Leonidas e os 300 defenderam até à morte, aquilo tanto podia ser Sparta como podia ser São Brás de…

As grutas de Kapsia

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Gosto de grutas. Sei que são frias e húmidas, sei que têm aranhas colossais e outros insetos pouco apetecíveis. Sei que são escuras e claustrofóbicas, mas o que é que eu posso fazer, gosto de grutas. Há algo de viajar a uma dimensão diferente quando entramos numa gruta. Um burburinho de excitação e uma curiosidade por algo secreto e centenário. Uma estalactite cresce 1 cm cada 100 anos. Quando entramos numa gruta e vemos metros de estalactites a pender do teto e outros tantos de estalagmites a romper o chão, sabemos imediatamente que estamos a percorrer um caminho de milhares de anos. Já visitei várias grutas, porque sempre que há grutas na jogada lá vou eu.  Umas mais profundas, umas mais místicas, outras mais bonitas, outras mais secas,  mas nenhuma tão grande como a gruta de Kapsia, onde uma guia privada nos contou toda a história por detrás daquelas rochas. A gruta de Kapsia chegou ao mundo antes de Cristo, há mais de 3.000 anos, e tal como indicam os restos de cerâmica que pod…

A outra Grécia

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Todos os dias ouvimos falar da Grécia. Da crise da Grécia. Dos empréstimos da Grécia. Do desemprego da Grécia. Das manifestações da Grécia. Da saída da Grécia da União Europeia. Desliguem essas televisões, fechem esses jornais, porque ninguém nos está a contar as coisas realmente interessantes do país de Sócrates, de Aristóteles, das Olimpíadas e do queijo feta, huuum tão bom!!! Já tinha estado na Grécia há uns anos, mas apenas nas ilhas de Creta e Santorini. Achei Creta um pouco seca, com muitas rochas e pouco verde e sem grandes motivações. Já Santorini é um sonho de ilha, parece um floco de neve com cobertura de pepitas azuis, com o mar à espreita de todos os recanto. Gostaria de voltar algum dia, mas ainda não foi hoje. Hoje fui a Tolo, uma praia na zona de Nafpliou, relativamente perto de Atenas. Uma tranquilidade de praia, com pouca gente, um mar tão calmo que mais parecia uma piscina, a água morna e transparente com tons esmeralda, salpicada por ilhas aqui e ali e montanhas no…

Pela independência da independência

Qualquer dia acordo e já não vivo em Espanha, nem na União Europeia, e em vez de euros tenho francos catalães. Ainda se fossem libras esterlinas! Os meus pais disseram-me que viram na televisão a concentração independentista da Diada Catalã, na passada sexta-feira 11 de Setembro, dia da Catalunha. Eu também a vi de relance nas notícias e não quis ver mais. Para imigrantes como eu, é uma coisa que não só não faz sentido mas também já começa a incomodar, porque não tenho direito de voto na matéria e não acho graça nenhuma a que me mudem de país contra a minha vontade. Mais do que isso, acho que uma Catalunha independente não vai resolver nenhum problema, só vai dificultar o desenvolvimento económico e prejudicar o investimento estrangeiro, com a saída da União Europeia. De resto, os políticos catalães não são melhores que os espanhóis, o circo é sempre o mesmo e tanta manifestação quando realmente não vivemos num estado oprimido, já é palhaçada. Eu que até sou de esquerda e apoio a 1…

Dilemas à beira mar plantados

Apesar do tempo invernoso, ainda é Verão, pelo que me parece pertinente lançar um tópico que, com certeza, é comungado por mais usuários solitários da praia. É, na verdade, uma questão de segurança pública e amor ao próximo. Passo a explicar: uma pessoa chega à praia, estende a sua toalha, despe a roupa e põe-se a fritar ao sol qual bife panado. Vai daí quer ir à agua. Surge então o dilema: vão roubar-me as coisas se for dar um mergulho? A solução mais comum é pedir ao vizinho do lado, da frente, ou de trás, para, por favor, dar uma olhadela às nossas coisas. Eu faço isto, toda a gente faz isto e vai ao seu banho descansado da vida, que tem ali um guara-coisas privado. No entanto, esta situação levanta-me imensas angústias: primeiro, se alguém na praia é um potencial ladrão, como é que eu sei que não são aquelas pessoas a quem pedi que cuidassem dos meus pertences? Só porque estão à volta do meu diâmetro deixam de ser suspeitos? Porque têm um biquíni mais bonito ou porque trouxeram a…

No Arco da Rua Augusta

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Foram muitas as vezes que passei pelo arco da Rua Augusta. Umas vezes vinda da Baixa-Chiado, outras vezes da Praça do Comércio. Desde o Camões até ao Cavalo do D.José, passando pela duvidosa estátua de D.Pedro e pelas paragens do elétrico, este azulejo de Lisboa é uma das minhas zonas preferidas, juntamente com Belém e o Castelo. E Sintra, se formos falar dos arredores. O Pessoa continua sempre ali sentado no mesmo sítio, dá gosto vê-lo ler aquele jornal parado no tempo. Mas há sempre alguma loja nova, alguma coisa diferente, algo que anda não tinha visto apesar de todas as vezes que passei por ali. No Natal foi a Manteigaria, no Largo Camões, a única loja do mundo que tem pastéis de nata tão bons como os de Belém, antes disso tinha sido o Museu do Design e antes não me lembro. Desta vez surpreendi-me com a mudança de organização de andares da H&M, onde antes havia uma coleção de roupa e acessórios há agora uma coleção para o lar, e com o elevador do arco da Rua Augusta. Não, não…

Don Giovanni

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O Don Juan é um bom conhecido de todos nós. Um Zézé Camarinha à espanhola que, verdadeiramente, era italiano, com uma lista de conquistas impressionantemente vasta em Espanha. Um personagem idolatrado por muitos e que em todos desperta curiosidade. Mozart elevou o seu estatuto a ópera e agora há uma interpretação portuguesa que fomos ver, em família, ao teatro Thalia. Não posso contar o final para não estragar a surpresa, mas, acreditem, “não é o que parece”. Posso dizer que a minha personagem preferida é o Leoporello, o fiel criado do Don Giovanni, que tenta convencê-lo a mudar o seu life style de womanizer, sem sucesso mas com muita graça. Outra coisa que me chamou a atenção foi o espaço em si, um palco humilde imbuído nas paredes em ruinas, com pedras que nos transportavam mesmo a uma qualquer noite de tempestade da Veneza do séc. XVII. O cenário ganhava vida com um jogo de luzes de maestro e a orquestra em vivo. Não fazem falta mais personagens nem complexidades no argumento pa…