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A mostrar mensagens de Outubro, 2015

Os opostos atraem-se

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Vi uma foto da Sara Sampaio em frente a um photocall com as marcas Balmain Paris e H&M. A Balmain vende vestidos por 2.000€, a H&M por 20€. Pensei uuuui, a Balmain não deve estar nada contente com esta associação, o seu logo de haute couture lado a lado com o da simplória H&M. Quando estudamos comunicação e marketing aprendemos que as marcas procuram associar-se a outras marcas com o mesmo nível de prestígio.  Por exemplo, a Milka com a Oreo ou com as Tuc, que é a associação mais deliciosa que me vem à cabeça. Teoricamente, a Balmain embarcar numa colaboração com a H&M, seria como o Mc Donalds lançar hambúrgueres de um Chef com estrelas Michelin. Mas a vida tem muito pouco de teoria e a comunicação não é medicina, portanto aquilo que aprendemos na universidade pode ser desconstruído que não morre ninguém. E a Balmain e a H&M fizeram-no no que parece ter sido o maior evento mediático de Nova Yorque esta temporada. Apresentaram uma coleção de luxo a preços acessí…

A rotina do tupperware

A rotina do tuperware começa com o despertador. O som do alarme é o primeiro indício de que vivemos dentro de uma rotina. O segundo é não ter lugar para nos sentarmos no metro. Não, peço desculpa, o segundo é o sol ainda estar por raiar quando nos levantamos da cama. Felizmente essa escuridão já não se abate sobre mim. A falta de lugar do metro sim. Bom, na verdade tem dias, às vezes de manhã tenho sorte.  Na rush hour das 6 da tarde vou sempre de pé. Mas a parte mais marcante da rotina do tupperware é esse momento em que estamos a fazer  o jantar e o almoço ao mesmo tempo. Seja porque cozinhamos dois pratos distintos, ou porque cozinhamos em abundância para o dia seguinte. Ou dias (às vezes faço esparguete à bolonhesa para uma semana). Depois já se sabe, é colocar a comida no tupperware e enfiá-lo na mala, mesmo se for uma Michael Korrs ou uma Kate Spade NY, porque no final de contas, se elas andam de metro também podem carregar tuppers. O micro-ondas do trabalho é uma peça chave n…

Sete anos

A contar pelos dedos, apercebi-me de que este mês completo sete anos de imigração em Barcelona. Sete anos são uma vida. Sete anos numa mesma cidade é uma primeira vez.  Até este Outubro de 2015 o recorde estava guardado em Faro, dos 12 aos 18.   Percebo agora que é normal que as palavras em espanhol atropelem as portuguesas sem que eu me dê conta do incidente. É normal que as expressões não sejam as mesmas e que, ao escrever, as letras dancem sevilhanas em vez do corridinho. É normal que já não conheça os jogadores do Benfica nem da seleção, mas saiba os nomes do 11 principal do FCB e de Espanha.  São sete anos a vê-los ganhar tudo. Sete anos que começaram com um mestrado e se desenrolaram em trabalhos que me fizeram ficar. Sete anos intercalados com 3 meses em NY que mudaram tudo em Barcelona.   Sete anos que me fazem pensar: e se tivesse envergado pela carreira jornalística, o que teria acontecido? E se tivesse ficado em Lisboa, estável e tranquila, a trabalhar na Jerónimo Martins…

O dia de Espanha

Hoje foi o dia de Espanha, um feriado que calhou mesmo bem, prolongando o fim se semana. Houve muita gente a representar o orgulho nacional com marchas e bandeiras de Espanha, incluindo em Barcelona. As grandes celebrações ocorreram em Madrid com um desfile com as forças militares, aviões a rasgar o céu às cores, o Rei, a Rainha, a Princesa, a Infanta e o Presidente do Governo. E milhares de espanhóis a aplaudir nas ruas, muitos dos quais estavam desde madrugada a guardar lugar para ver o desfile desde a primeira fila. A malta estava feliz. Até que vieram os políticos separatistas, os independentistas, os anti-sistema, pôr veneno na felicidade do país. Dizem que as celebrações custaram 800.000€, que é um estapafúrdio. Dizem que os espanhóis não descobriram a América, antes efetuaram um genocídio ao que chamaram de colonização. Dizem que o dia de Espanha é uma vergonha pespegada. E dizem, também, que não se sentem parte de Espanha.   Eu digo give me a break senhoras e senhores! Fech…

Reler é reviver

Resolvi juntar todos os posts sobre o meu Erasmus, para ver se saía dali alguma coisa com potencial editorial. Copiei todos os textos para um doc Word, imprimi e agora estou a ler e a rever um por um, aplicando as correções que me parecem pertinentes. È engraçado ver certas manias literárias que tinha na altura, expressões que usava constantemente, palavras que aprendi na universidade e, entretanto, se perderam no dicionário da memória a longo prazo. Mas o mais engraçado é reviver tudo outra vez. Relembrar as pessoas, as aventuras, as situações mais caricatas, os detalhes mais deliciosos as manifestações mais hilariantes. A primeira vez que joguei ao Parchis, o brasileiro que se chamava Douglas e a Ana o chamava de Taurus. O dia em que um padre entrou pela casa adentro e benzeu os hotéis do monopólio que estavam a ser usados como fichas de poker.  A vez em que acheguei a casa e o Menchaca estava de balde e esfregona em punho, porque a máquina de lavar tinha inundado a casa de banho. …