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A mostrar mensagens de Dezembro, 2015

A fuga das flores

Fala-se muito na fuga de cérebros, mas ninguém se lembra da fuga de flores. Afinal, além dos neurónios, há mais boas qualidades dos portugueses e portuguesas que se estão a perder, devido aos fenómenos migratórios. O país não só está a ficar mais velho como, muito provavelmente, está também a ficar mais feio. Quem me alertou para este facto foi o simpatiquíssimo senhor do check-in da TAp, no meu voo de regresso a Barcelona. A genialidade vem de onde menos se espera, quando a única esperança que acalentamos é que não nos cobrem extra por excesso de peso nem percam a mala pelo caminho. E, a poder ser, que o avião não caia. Que é uma coisa que dá sempre jeito. Mas então o senhor disse-me assim: - Vai para Barcelona? - Sim. - E porquê? - Porque vivo lá. - Ah vive lá? Mas então e Lisboa, não? - Não, não. Há muitos anos que não. - Oh! Vão-se as flores e ficam os vasos! Lá está, coisa nunca antes assinalada. Porque há demasiado foco no talento e na inteligência.  Há um grande temor de se es…

Planeamento familiar

Queríamos passar um dia em família fora de casa. Fazer alguma coisa longe da televisão e do écran do computador.  Sair daquela apatia natalícia e passar mais de meia hora sem comer. A minha primeira tentativa foi convencê-los a ir fazer patinagem no gelo, parece que havia um ringue na Praça do Comércio. A moção foi chumbada sem debate. Entre “tenho medo de cair e que alguém me passe em cima dos dedos com os patins” e “até aos 30 anos sempre quis fazer, nunca fiz. Mas se for fazer agora quebra tudo” era iminente mudar de plano. Vamos ao Oceanário ver os pinguins! E assim vemos o rio e passeamos pelo parque das Nações. Esta proposta já angariou mais votos. Ainda se ouviu um “Tenho uma ideia melhor, vamos ao museu do design”, mas ninguém achou que essa ideia fosse melhor. Porém, houve uma contra-proposta  para ir ao Zoo, que dividiu as hostes.   Eu já estava ela por ela, o importante era desgarrar-me do sofá, por mim até podíamos ir ao bosque apanhar cogumelos! Todos prontos para ir …

Crónicas de voo

No avião de Barcelona a Lisboa, calhou-me o assento B. Toda a gente sabe que os assentos B e E são os menos cotizados por serem os do meio. Mas é sempre assim: sempre que faço o check in com uma senhora vou parar ao meio, sempre que é um senhor tenho a janela ou o corredor. Talvez seja só coincidência, talvez seja essa lendária solidariedade feminina, que até hoje nunca ninguém viu. O caso é que, estando no meio, até nem estava mal, entre duas senhoras aparentemente normais. Lembro-me de uma vez em que estava no assento  do corredor e a senhora do meio começou a cortar as unhas dos pés. Não foi um espetáculo agradável de ver, nem bonito de cheirar. Depois da descolagem o sol entrou pela janela e rebentou-nos as retinas a mim, e à do assento C, enquanto a da janela gozava a vista. Mas a do assento C fez para ali um teatro, uma tragédia grega, praticamente a tentar tapar os olhos com os cotovelos, que a da janela se sentiu constrangida, desceu a mini persiana da janela e pediu desculp…

O Brunch já não é o que era, agora é muito melhor!

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Depois da moda do brunch, essa fusão entre pequeno-almoço e almoço à inglesa, chegou a moda das brunch parties, a meu ver muito mais deliciosa. É algo que se passa cada Sábado em Nova York, na minha festa mais preferida de todas as festas, o Lavo brunch, e agora acontece em Barcelona aos Domingos. Começámos na festa Retox, com o delicioso buffet do Hotel W, que nunca deixa a desejar na apresentação e qualidade dos produtos. Tudo muito bom, tanto para a vista como para o paladar. Havia tanta coisa que não sei como resumir. Andei ali a saltitar entre uma mesa enorme cheia de sobremesas e doces e outra com vários apetizers e tapas, sem que faltassem panquecas cm nutella e batidos de fruta e chupa-chupas gigantes cheios de cores! Tudo  divinamente “cookie”. O dia de sol estendia-se pela piscina e pela praia, num ambiente lounge distendido, ideal para socializar e beber um copo. Entretanto, no outro lado da cidade, o brunch do Gatsby, (um restaurante/club onde os jantares são acompanhad…

Uber vuelveeee!

Não gosto de falar dos taxistas como grupo homogéneo, mas gostava muito de denunciar alguns taxistas de Barcelona que trabalham de noite. Porque não são profissionais, são especuladores à procura de turistas bêbedos a quem enganar. Encheram-se de orgulho e brio para expulsar o Uber de Espanha, denunciando concorrência desleal, mas para fazer fila na paragem de táxi da zona das discotecas às 4 da manhã, que é aliás quando mais se precisa de um táxi, ‘tá quieto. Estou fartamente farta de que vários táxis não façam fila na paragem, não respeitem a ordem de espera e, principalmente, só parem e só levem quem lhes apetece. Entendo que certos clientes, principalmente saídos da discoteca às 4 da manhã, possam parecer ameaçadores em distintas maneiras. Mas prometo que não é o meu caso e já perdi a conta do número de vezes que consegui, depois de muito vaguear, parar um táxi livre para que o motorista se recusasse a levar-me ao meu destino por não o considerar suficientemente lucrativo (ou a…

Mataram o i

Hoje descobri que fecharam o jornal i, onde trabalhava, trabalha ainda sem saber bem onde, um ex colega e amigo meu da universidade. Havia ali muita gente da minha universidade, essa dos “80 melhores alunos do país”, que é o que nos dizem no primeiro dia de aulas. Havia ali muita gente boa, gente que escreve mesmo bem que eu sei, e que conseguiu construir um jornal vencedor. Gente que deu um look diferente às notícias, espaço de antena aos desportos “plebeus” e uma maneira inovadora de contar a realidade sem perder o rigor informativo. Os prémios que o i ganhou falam por si.   Não sei os detalhes da decisão de matar o i. Mas sei que um jornal é uma empresa, um negócio puro e duro. Por isso, como todas as empresas, os jornais também procuram mão de obra barata e estagiários infinitos. Os jornais também se vendem à publicidade, aos interesses políticos e aos financiadores.  Os jornais também mudam de marca e de conceito, e metem cunhas e fazem despedimentos improcedentes. É engraçado …