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A mostrar mensagens de 2016

Uma vez Harry Potter, sempre Harry Potter

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Atravesso um centro comercial entre o escritório e o metro. Tinha começado a chover e achei oportuno entrar na FNAC para fazer tempo. Gosto sempre de cuscar as secções de literatura,  abrir páginas ao acaso e julgar capas e títulos.  Logo na entrada encontrei-me ao novo Harry Potter. Já tinha ouvido um reboliço aqui e ali mas, sabendo que era o guião de uma peça de teatro, achei que seria só mais uma fatia com cobertura de açúcar para engordar o império da Sra. Rowling. Outra engrenagem de marketing para continuar a dar corda ao Expresso de Hogwarts! Ainda por cima este vinha com 2 co-autores. Que escândalo! Agora até já é rica de mais para escrever sozinha. E só fizeram edições de capa dura e tamanho considerável, uma chatice para levar na mala e ler nos transportes.  Também não gostei da ilustração, nem das indicações cénicas nas páginas que abri ao acaso.  E, claro, era caro.  “Tem tudo para não valer a pena.” – pensei.  Na sequência desse pensamento agarrei nele e pus-me na fila. (A pr…

Food diaries

Fui pela primeira vez a uma nutricionista e foi uma decepção. Primeiro, porque não me receitou nenhuma dieta com quinoa e tofu, rompendo assim as minhas expectativas e, segundo,  porque me disse para evitar brócolis. Brócolis que eu me vangloriava aos sete ventos de comer, principalmente ao telefone com a minha mãe. Porque gosto e sempre gostei de brócolis. Pois diz que não, que faz muito bem mas que é propício a provocar gases. Outra coisa que me desmoralizou bastante, porque eu achava mesmo que estava a fazer corretamente, foi quando me disse para não comer saladas à noite.  Sempre ouvi dizer que ao jantar se devia comer leve e uma salada parecia-me a opção ideal. Não é. Devemos evitar crus e fruta à noite.  Fruta senhores!  Quantas noites os meus pais nos obrigaram a comer fruta depois do jantar, queriam porque queriam meter-nos nem que fosse uma tangerina pela goela abaixo e, afinal, também está mal. Portanto este Natal já sabem,  depois do jantar só bolos! E as frutas sempre de…

A democracia suicidou-se

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Ironias da vida, a democracia escolheu um ditador para liderar a primeira potência mundial.   Um ditador que declarou que podia dizer o que quisesse, assassinar um pessoa no meio da rua e ser presidente, porque os seus eleitores eram estúpidos.  E eles, estúpidos que efetivamente são, votaram nele mesmo assim. Xenófobo, sexista, racista, machista, fraudulento e com um tupé cor de laranja na cabeça que, sinceramente, com tanto dinheiro não dava para fazer um apanho mais jeitoso oh Donald? A Rússia e a Coreia do Norte, conhecidíssimas pelas suas políticas democráticas e eleições livres com 1 candidato, aplaudiram de pé.  As extremas direitas europeias, exímias em expulsar os refugiados sírios e os imigrantes como se fossem melgas incómodas e sanguessugas, parabenizaram e disseram que era bom que Trump tivesse sido elegido. Que era bom...  Dito isto, confesso que o medo de que me caia uma bomba nuclear em cima passou a ser o mais pequeno dos meus medos.  Tenho medo de 59.505.613 pe…

A saga da foto do passaporte

Depois de 30 anos a sair com cara de batata doce meets Nemo em todas as fotografias do passaporte, decidi mudar o meu destino. Hoje aprumei-me. Estiquei o cabelo, pus base, corretor de olheiras, rímel e um batón hidratante com um pouco de cor, para destacar os lábios. Obriguei o senhor do Consulado a repetir a foto duas vezes. ´ Diz a minha mãe que em Portugal não repetem a foto. Desconfio que em Espanha também não, mas eu sou persuasiva, que é como quem diz, chata para caraças. Ajudou bastante que não houvesse mais ninguém à espera, se não o mais provável é que aquele bom homem me tivesse mandado ir dar uma volta às couves. Em vez disso, depois da repetição, perguntou-me: - Esta, sim? A verdade é que esta não. A verdade é que há qualquer coisa de maléfico naquela lente que suga todos os traços jeitosos que uma pessoa possa ter, para realçar todas as manchas olheiras e pontos negros, espalmando e esticando as feições da cara a seu belo prazer. É impossível. Desafio a mesmíssima Sa…

Acabou-se a anarquia

Diz que já temos Governo em Espanha. Depois de duas eleições, um jogo de pactos e a deposição do líder da oposição, Mariano Rajoy é o “novo” Presidente do Governo. Ou seja, vira o disco e toca o mesmo. Vai ser como ver o Sex and the City 2, mas muito menos fashion.   Dez meses com o país à deriva no congresso para um culminar tão pouco apoteótico. Fiquei desiludia. Com o Sex and the City 2 e com a investidura desta tarde. Ainda se falou em terceiras eleições, mas acho que os líderes políticos são inteligentes o suficiente para perceber que se tivéssemos passado 12 meses sem um Governo e um Presidente oficiais, a malta ia-se dar conta de que afinal, se calhar, não era preciso.  Já temos o rei e a rainha, e a irmã e a outra irmã que pode ir presa, e o viúvo da Duquesa de Alba. Sem contar com o António Banderas e o Enrique Iglesias. Pessoalmente, acho que ninguém representa Espanha tão bem no estrangeiro como o António Banderas e o Enrique Iglesias. Embaixadores exímios de nuestros her…

Vestidos de noiva do Benfica

Não. Não me vou casar. Mas hoje abri o Facebook e a primeira coisa que vi foi um vídeo em direto, de uma amiga da faculdade, no desfile de vestidos de noiva do Benfica, desenhados pela Micaela Oliveira. Pensei que fosse a brincar e que a Micaela Oliveira fosse uma cantora pimba. Com o decorrer do vídeo percebi que não, que era mesmo a sério. Uma pesquisa no Google indicou-me que, contra todos os prognósticos, a Micaela Oliveira é, de facto, uma desenhadora de vestidos de noiva. Ora então o Benfica lançou uma coleção de vestidos de noiva! É uma realidade indiscutível e, justamente por isso, algo que não pode passar impune neste blog. O desfile abre com um vestido vermelho por cima do joelho (muito por cima do joelho), adornado com plumas vermelhas. É um vestido 100% Benfica, sim senhores, mas um grande pontapé a lado na baliza da Bridal Fashion. Parece que a noiva vai para um concurso de bailes de salão dançar o tango. Se bem que não poderá competir porque, pela maneira como caminha…

Até já!

É do conhecimento geral a parca veracidade das imagens que vemos nas redes sociais, sejam snaps, insta posts ou fotos do perfil do Facebook. Paira sempre a sombra dos milagres do photoshop, a bendição dos mil filtros e a magia do contouring.  A engradar o engodo ainda temos o silicone nos lábios, peitos e rabos, a jogo com as extensões de pestanas e cabelo mais as boas das unhas postiças. O combo é tal, que parece que hoje em dia qualquer pessoa tem o tempo, os recursos e os conhecimentos técnicos para produzir um editorial da Vogue. Facto é que as fotos enganam. Sim. Muito. Sejam as da Vogue ou as do instagram da vizinha do lado. Ok... Mas então e os perfis do Linkedin? Os perfis do linkedin, que supostamente é uma network laboral séria, que uma pessoa utiliza para encontrar trabalho, são a maior blasfémia de todos os tempos! Coisa para ir à fogueira! Quem diz que é executive account é secretária, quem diz que é coordenadora de uma equipa de Formula 1 é menina do paddock, quem diz…

Já não há amores perfeitos

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Soam os tambores, ecoam os memes no instagram, escorre a tinta nos jornais e nas revistas, enche-se o facebook de comentários.  Uma catástrofe foi anunciada publicamente: a Angelina Jolie pediu o divórcio do Brad Pitt. Esse amor metafísico com feições de ONG, que todos testemunhámos durante anos, chegou à meta e perdeu tanto a física como a química. É um rombo forte, principalmente se considerarmos o rol de razões que alegadamente provocaram a separação: infidelidade, drogas e álcool. Seria um excelente nome para um filme, mas na vida real é só triste e pouco alentador para quem ainda não se casou. Se o Brad Pitt enganou a Angelina Jolie, restam poucas esperanças de fidelidade para o resto de nós, pobres mortais. É como se o príncipe tivesse enganado a Cinderela com uma das irmãs feias. Como se o Rei Leão tivesse um affair com uma tigresa. Como se o Jack tivesse estado a dormir com outra enquanto o Titanic se afundava. Admito que fui sempre team Jennifer, que nunca superei verdade…

Ainda não estou preparada para o fim do Verão

Aquele momento em que o vento volta a soprar frio e os dias vão desaparecendo cada vez mais rápido. La vem o edredom de penas outra vez, aconchegar os lençóis. Vestir-nos transforma-se num drama porque tudo o que tenha manga larga está para lá de inacessível, em algum canto fora de época. E valha-nos Deus para encontrar um par de botas no mar aberto de sandálias. E o guarda-chuva? O guarda-chuva depois do Verão é um caso perdido. Como um conhecido que um dia deixámos de ver e de quem nunca mais soubemos nada. Com certeza voltaremos a encontrá-lo quando menos esperarmos e, provavelmente, quando menos precisarmos também. Mais uma coisa para comprarmos, além de botas, roupa quente e casacos que, infelizmente, são muito mais carosd que os vestidos de alcinhas e os shorts. Devia haver um subsídio extra de Inverno/Fim do Verão. É preciso comprar guarda-chuvas, a roupa é mais cara e a depressão é um risco muito maior. Há gente que gosta do frio e das golas altas e de ficar em casa a ve…

Só uma vez, para variar...

Vi uma gota de água cair do teto da casa de banho. Não dei importância até sentir as gotas a caírem-me na nuca, enquanto estava sentada na retrete. Que agradável não é? O que começou sendo uma chuva molha parvos, rapidamente se transformou num forte aguaceiro, impossível de parar. Principalmente à uma da manhã. Acreditem, eu tentei de tudo: colei pensos higiénicos nos pontos de desague e montei uma tenda com o edredom para criar uma espécie de guarda-chuva, fofo e gigante.  Esforços em vão, que resultaram num desses momentos de frustração em que desejávamos mesmo ter um homem em casa. Até que nos lembramos (porque o senhorio nos diz ao telefone), que podemos cortar a água.   No dia seguinte, descobrimos que a caldeira estava rota. Perdia água por todos os tubos, o que tinha formado ali um tsunami que continuou a cair em toalhas e alguidares durante o fim-se-semana. Ontem vieram trocar a caldeira. Cheguei às 9 da noite do trabalho e pude constatar que já não caía água. Tudo sequinho. …

Episódios da vida real

Hoje vi uma cena intrigante. Ao voltar da praia, a poucos passos da porta do meu prédio, vi um rapaz a correr desenfreadamente pelo meio do Boulevard, perante o olhar espantado dos turistas sentados nas esplanadas. Na minha rua, Rambla de Catalunya, ou a parte boa das Ramblas como eu lhe costumo chamar, só há turistas. É um ponto central da cidade, cheio de lojas y restaurantes, sempre muito movimentado. Portanto, não é fácil correr desenfreadamente por ali porque há sempre alguém ou alguma coisa a atravessar-se pelo caminho. Acreditem em mim, que faço jogging pelo bairro e se não é um cão é uma bicicleta, ou um semáforo vermelho, ou um carro a estacionar, ou um carrinho de bebé, ou uma cadeira de esplanada, ou turistas indecisos sobre que caminho seguir ou, simplesmente, pessoas que não andam nem deixam andar e deviam ter uma faixa de passo de caracol só para elas. Mas o jovem lá ia, numa correria desesperada, muito provavelmente por estar a ser perseguido por um polícia que seguia…

1...

Estava aqui delirante com o primeiro ouro Olímpico do Brasil em futebol, estava aqui a vibrar com as ginastas espanholas e com o basquete que somou a medalha 17 para as terras dos Borbón, quando me lembrei de ir procurar quantas medalhas tinha ganho Portugal. Não vi  nada nas notícia, sim vivo em Espanha, mas eles também vão comentando os logros alheios e momentos marcantes das olimpíadas protagonizados por não espamhóis, principalmente nos últimos 10 segundos do apartado do desporto. Fui então à maior fonte de sabedoria que conheço: Google- medalhas Portugal jogos olímpicos – procurar... Resultados: Uma medalha de bronze. Total de medalhas: 1. Acabou-se o delírio. Foi um grande balde de água fria, gélida, dessa que se infiltra nos ossos e os faz estremecer. Tenho 3 amigos que ganharam medalhas olímpicas. Três. Portugal com os seus 11 milhões de pessoas não conseguiu produzir mais que um medalhista?! É certo que este ano fomos campeões da Europa em futebol pela primeira vez e q…

Bora lá Malta!

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Algures entre a África e a Sicília, há um país em forma de ilha, onde se fala árabe com nuances de italiano, e inglês com um sotaque que, de quando em quando, se revela indecifrável.   Guia-se pela direita e os transportes públicos não têm boa fama, facto do qual os taxistas se aproveitam de maneira garganeira. Malta é um país pequenino, ideal para estar à beira-mar, o que é praticamente o tempo todo. Desde a costa de Qawra até a ilha de Gozo, passando pela capital Valletta, o mar está sempre à vista dos olhos, mesmo para quem não vê bem sem óculos. É um sítio peculiar, com uma mistura de gentes que os torna muito heterogéneos, sem traços únicos característicos. Ao contrário de nós, que como toda a gente bem sabe, se somos portuguesas temos todas bigode. Ironias à parte, Malta tem várias atrações que valem a pena visitar, as minhas preferidas foram as belezas naturais: As Caves dos Piratas na ilha de Gozo,

A Azurre window, também na Ilha de Gozo, com uns penhascos deliciosos para su…

Rio 2016

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A hipocrisia é uma coisa que me deixa nervosa. Então agora a Austrália vem reclamar das condições de alojamento na Vila Olímpica? Diz que não querem dormir ali com o resto do povão. É certo que as condições não são as melhores, não é o Copacabana Palace, mas desta vez vou ter que defender a minha segunda pátria, tão amada quanto a primeira. Ora então aprovaram fazer os jogos Olímpicos no Brasil. Má, péssima, terrível decisão desde o início. Este pessoal do primeiro mundo ouve falar em Brasil e só pensa em samba, praia, rabos grandes e festarola.  Não viram como a Uefa quase teve uma arritmia cardíaca porque os estádios do mundial não estavam prontos a tempo?! Nesse momento, o então presidente Lula da Silva, discursou com uma retórica brilhante, argumentando com mestria que a Uefa tinha que se relaxar, que no Brasil as coisas iam a outro ritmo. Desde aí o comité Olímpico teve 2 anos inteirinhos para mudar a sede dos jogos Olímpicos ou para acelerar o “ritmo” brasileiro. Em vez di…

A resistência ao Pokemon Go

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Vou começar por contar que há muitos anos, quando eu ainda andava no ciclo, aparecerem os desenhos animados do Pokemon e na minha equipa de basket cada uma adoptou o nome de um deles. Eu era o Charmender, um dragão cor de laranja que cospe fogo.  Uns anos antes, aconteceu a mesma coisa com as Spice Girls. Nesse caso eu era a Geri, que sempre tinha mais a ver comigo que um dragão cor de laranja que cospe fogo, mais que não seja por ser uma pessoa.  Confesso que as Spice girls tinham imensamente mais piada que os Pokemon, aliás, o próprio Dragon Ball dava 10 a 0 ao Pikachu, até porque o Pikachu não desenvolve uma conversa muito mais além da repetição constante do seu próprio nome. Mas sei lá, na altura era a moda, ali naquela curva depois dos Backstreet Boys e antes dos Morangos com Açúcar. Ora em plena febre dos Pokemon, havia uma pessoa que não passava cartão àquilo. Que muito provavelmente não sabia distinguir o Pikachu do Charmender. Essa pessoa era o meu pai. Lembro-me que o meu …

POR-TU-GAL! POR-TU-GAL!

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Foi o dia mais difícil para ser imigrante. Ver o Marquês de Pombal a rebentar, a baixa e as alamedas a cantar e estar aqui tão longe... Portugal estava em festa! Portugal era a festa. Nós fizemos o melhor que pudemos, com a centena e troca o passo de portugueses que se juntou na Plaza Catalunya, formando uma amálgama vermelha e verde, densamente orgulhosa. Cantámos o hino, o Portugal olé, olé e esta merda é toda nossa também. Cantámos as saudades da nossa Casinha e depois girámos por esse repertório repetidamente, intercalando com o Campeões, nós somos campeões! Porque somos campeões! Pela primeira vez na vida do país e de todos nós, ganhámos um Euro, triunfámos numa competição internacional depois de tantos quase. Atirámos as mãos à cabeça, roemos as unhas, cerámos os dentes, pulámos de alegria e esguichámos como loucos a cada gol. E depois de tanto sofrimento, tanto penalty e tanto prolongamento, quem diria? O mundo inteiro apostava por França. Ou pela Alemanha, ou por Espanha, o…

Itália - Filipinas

Uma pessoa não sabe que há centenas de Filipinos em Itália (as pessoas da Filipina não as bolachas), até aterrar num amistoso de basket Itália - Filipinas. E nesse momento também se descobre que jogam basket nas Filipinas. A vida é um aprendizado constante! Devo dizer que o mais relevante desta experiência foram os 40 graus que se faziam sentir em Bolonha. Quarenta graus é assim um passeio pelo Saara sem passar pela casa do Oasis.  Quarenta graus é sair à rua e sentir um bafo tão abrasador e húmido que por momentos parece que não conseguimos respirar. Pior que o Brasil, pior que o México, pior que todas as zonas tropicais onde eu já estive. Depois uma pessoa habitua-se. A ficar no hotel com o ar condicionado no máximo e não sair à rua antes das 6 da tarde. Voltemos ao jogo, inteligentemente marcado para as 20.45 da noite. Entrávamos no pavilhão e era como entrar em Manila. Vieram de todas as partes de Itália, do Sul, do Norte e das ilhas, para se fazerem ouvir no Paladozza de Bolonh…

Heels to Kill

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Hoje apetece-me falar de sonhos. Sonhos sem hora marcada para se tornarem realidade. Toda a gente tem sonhos. Faz parte de ser pessoa. Nem toda a gente luta pelos seus sonhos, às vezes por falta de ferramentas, às vezes por falta de vontade. Mas eu tenho uma amiga que conseguiu encaixar a vontade com as ferramentas e meteu mãos à obra. Foi uma obra demorada, como todas as obras em geral. Por isso agora que está a inaugurar o seu sonho, enche-me de orgulho e inspiração. Desde que a conheci, há uns bons 5/6 anos atrás, que ela queria ser Dj. Ser Dj parece ser tão delicioso como a cobertura de um cupcake, que o digam o David Guetta, o Alesso, o Avicii... E depois há os outros todos, que têm que tocar grátis ou por 50€ por noite, carregar com o seu próprio equipamento e empurrar os bêbedos que se aproximam, para não ficar com o mixer empapado em cerveja ou whisky. Ela fez isto noites a fio. Incansável. Conjugando as noitadas com trabalhos de dia, porque ser DJ dá um status cool mas nã…

Só falta uma coisa...

Sabem como nestas competições internacionais há sempre uma equipa revelação, uma equipa de quem ninguém esperava nada e de repente dão cartas e fazem black jack?  Pois neste Euro 2016 há uma equipa decepcão. E somos nós! Depois de um doloroso empate com a Islândia, conseguimos outro sofrido empate com a Austria. Ambos paises internacionalmente conhecidos por muitas coisas menos por saber jogar à bola. Uma pessoa espera que o melhor jogador do mundo saiba o que é um fora de jogo e evite marcar golos nessa posição. Também espera que o fofo não falhe penalties. Diz que quem espera sempre alcança. Deixemos então tudo para a útima hora que assim há mais emoção, aguenta coração! Pois eu vou defender Portugal e dizer que me conseguiram surpreender. Deviam ter visto a minha cara quando vi o Pepe a cantar o hino! E o João Pinto! Ora o que é que faz o João Pinto no banco ao lado do corpo técnico?   Então percebi. É na verdade uma decisão inteligente e extremamente prudente. Caso se verifique a nec…

Empatados

Estou aqui a ver a estreia de Portugal no Europeu, sozinha na cozinha, que também é a sala de estar. Estamos a ganhar 1-0 à Islândia, o que evita muita humilhação e deixa uma pessoa de bom humor. Sinto-me bem por reconhecer algumas caras, Cristiano e Pepe à parte porque esses já vejo o ano todo, enche-me de alegria ver que o Ricardo Carvalho ainda é vivo e que o Moutinho e o Nani ainda jogam à bola. Agora acabaram de empatar, os comentadores dizem que é culpa do Vieirinha, um moçoilo que não sei quem é,  mas já não simpatizo com ele.  Portugal empatado com Islândia, a ver se isso cabe na cabeça de alguém! Para os Islandeses é como se tivessem a ganhar o Euro agora mesmo, para os portugueses é um senhor melão, vamos lá ver se o descascam rápido. Estava eu aqui tão descansada de minha vida, a disfrutar de nomes tão tradicionais como João Mário ou Rafael Guerreiro que, chamando-se assim, também podia perfeitamente ser cantor pimba, e agora já sou toda ânsias. Eu e eles, que desde que…

Experiências de vida

Este fim-de-semana tive a minha primeira experiência como racing girl de Moto GP. Foi também a minha primeira experiência de quase atropelamento por uma ou várias motos. Até então, só sabia o que era ser quase atropelada por uma ou várias bicicletas. Ser racing girl não foi bem o que me ensinaram no Master, nem na licenciatura, nem no intensivo da NY Film Academy. Uma pessoa pensa que não é preciso formação para ser racing girl, que é só preciso ser jeitosa e sorrir para todos os lados. Uma pessoa que pense isso engana-se profundamente. Entre andar pelo paddock e fazer o pitwalk eu estava ali às aranhas. Mas a melhor de todas foi quando nos disseram que tínhamos que estar às 10.30h na box para ir para a parrilla, qual linguiça de porco. Ser racing girl é assim como estar a afundar-se e não saber código morse. Percebi que a box era o estaminé da garagem, agora a parrilla, a parrilla deu cabo de mim. A única parrilla que conheço é a do assado argentino, que tive o privilégio de com…

Toda a gente tem um lado menos bom...

Muito provavelmente vou arder no inferno, pois desacatei todos os mandamentos que guiam o bom cristão. Principalmente no predicado do amor ao próximo e em toda a raiz da árvore genealógica que ramifica a bondade entre os nossos irmãos. Incorri em pecado. Fui vil, vingativa e egoísta. Mas o pior, o pior é que não me arrependo. Ainda assim, aqui escrevo a minha confissão em modo de penitência. Ora lembram-se que eu estava a viver o drama das obras no apartamento ao lado, parede falsa com parede falsa? Pois é, um drama titânico que na semana passada começou dois dias seguidos às 8 da manhã. Começar alguma coisa às 8 em Espanha é como em Portugal começar às 7. Não porque Portugal está uma hora atrás, mas porque aqui a vida começa às 10.00h que é quando abrem os comércios Ou seja, decidiram acordar-me às 8 sem necessidade nenhuma e quase de certeza tropeçando na ilegalidade.  Vai daí poderiam ter sido acordares suaves, em que só tivesse de levar com o reggaeton e a bachata que eles gost…

Tri

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Então o Benfica foi tricampeão e ninguém me avisou. Tá bonito, sim senhor. O meu pai mandou-me, aproximadamente, 289 fotos da Polónia (onde estiveram de férias recentemente), mas foi incapaz de mandar-me uma fotozinha que fosse do Marquês de Pombal.  Não que ele andasse lá aos pinotes, mas de certeza que viu na televisão. E digam lá se a minha mãe, que todos os domingos me manda um whatsapp a perguntar se está tudo bem, não podia ter aproveitado para escrever que o Benfica tinha ganho o campeonato pela terceira vez consecutiva? Esta falta de informação das pessoas com quem mais conto nesta vida é quase tão frustrante como aperceber-me de que não sei o nome de nenhum jogador do Benfica, tirando o Luisão. Quase tão deprimente como reparar que sei como se chama o treinador do Sporting, mas o do Benfica não... Posto isto, também não sei até que ponto tenho o direito legal de me reivindicar como Benfiquista. Não sei nomes, não vou ao estádio, não pago quotas, não sei os resultados. Sou …

Objetivos de vida

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Há que ter objetivos de vida nesta vida. Aproveitá-la ao máximo. Fazer com que conte para algo útil. Por isso, este fim de semana marquei um grande objetivo pessoal. Uma meta que alcançar: ir pela primeira vez à praia, este ano. Não esse ir à praia desde a esplanada. Não esse ir à praia para ver o mar. Não. Eu queria Ir à praia para meter os pés no mar. Aquele ir à praia e trazer areia para casa, que depois quando tomamos banho nos apercebemos  que afinal trouxemos mais do que pensávamos. Ir à praia de verdade, com biquíni, páreo e protetor solar. Nunca se esqueçam de usar o protetor solar! Não esperei muito para chegar à minha meta. Mal acordei esta manhã e vi que fazia sol decidi que hoje era o dia. Desafiei o vento e a instabilidade meteorológica (ultimamente tão depressa chove como estão 20 graus à sombra) e lá fui de biquíni, mas com uma camisola por cima. Fique a entidade paternal descansada, que não ando por aí a apanhar frio e não vou ficar constipada. Deitada na areia em fr…

Estreia mundial

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Na semana passada fui ao teatro, noite de estreia, casa cheia. Mas em vez de uma peça, vi 7 homens seminus. Dito assim peca por essência. Dito assim, poderia muito bem ser uma despedida de solteira num bar em Albufeira. Aliás, um dos protagonistas tocou guitarra enquanto fazia a espargata suspenso no ar. Outro, pendurado de cabeça para baixo, sapateava e tocava flauta. Trapézios e plataformas voadoras, saltos e bailados, coreografias futuristas com figurinos de luzes LED programados por computador, canções contemporâneas e até um pouco de StarWars. Não era um circo. Não era um cabaré. Não era um concerto. Embora tenha havido momentos em que parecia que estávamos num concerto de Bon Jovi com toda a gente de pé aos saltos. Sei que Bon Jovi não é a referencia musical mais atual, mas se alguma vez forem a um concerto deles anuirão que é o exemplo perfeito. Era um espetáculo em que queriam surpreender. Queriam divertir. Queriam entreter. Queriam fazer sentir. As palmas e as ovações de p…

O hipopótamo que queria conhecer o mundo

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Vi no telejornal que um hipopótamo atravessou uma passadeira numa pequena cidade do Sul de Espanha. Mostraram um vídeo caseiro do animal a passear pela rua, tão tranquilo e relaxado de sua vida, faltava-lhe apenas a máquina fotográfica pendurada ao pescoço. Entrevistaram os vizinhos que se depararam com o hipopótamo enquanto tomavam o café ou saíam a jogar o lixo. É sempre uma surpresa agradável, cruzar-se com um animal selvagem com 1.500kg à porta de casa. Ainda assim, as reações eram bem mais de espanto e curiosidade que de medo ou drama. Todo o tom da notícia era meio jocoso, como um fait-divers divertido. Não houve mortos nem feridos, nenhum acidente de tráfico, nenhuma lesão para o animal. Tudo dentro do normal. Tirando haver um hipopótamo na calçada. No fim da peça respondiam à pergunta que toda a gente se estaria a questionar. Como é que o hipopótamo foi ali parar? Ora bem, a razão não podia ser mais simples. Não voou, não passou por baixo da cerca, não abriu a jaula com as …

Às cabeçadas com o tofu

No outro dia fui comprar água ao supermercado biológico que tenho aqui ao lado de casa. Não é que tenham água biológica, ou que eu compraria água biológica se a tivessem, mas o pack de 6 garrafas de litro e meio é pesado e este é o supermercado que menos dista da porta de minha casa. À espera para pagar reparei num croissant que dizia “Croissant de frankfurt de tofu”. Indignei-me logo ali! Hoje em dia qualquer pessoa pode escrever qualquer coisa em qualquer sítio e ninguém diz nada. É demasiado fácil abusar das palavras e confundir os termos para escrever coisas mais “vendíveis”. Não há respeito pelos significados, vivemos um niilismo verbal que se está pouco marimbando para a semiótica. É um descontexto pespegado! Estará Camões a dar piruetas nos Jerónimos, esteve ele ali com tantos trabalhos a contar verso por verso dos Lusíadas para que tivessem todos 10 sílabas e vem agora o tofu  dar cabo da literatura.  Não me mal interpretem, acho maravilhoso que queiram fazer croissants de…

Feliz 25 de Abril atrasado

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- Hoje em Portugal é feriado. - Ai sim, porquê? - É o 25 de Abril. (Silêncio). Esqueci-me do 25 de Abril. E só me lembrei que me esqueci porque calhou falar ao telefone com a minha mãe. Não seria grave se não fosse um dia que representa tantas coisas em que eu acredito. Não seria grave se não fosse um marco na história da nação. Basicamente, não seria grave se fosse, sei lá, o dia da árvore. Com todos os meus respeitos ao Parque de Monsanto e à Floresta da Amazónia. Mas é o dia de uma revolução do povo, de um país em harmonia contra a repressão, da música do Zeca Afonso e, principalmente, da liberdade. A liberdade, essa coisinha que nos dá a possibilidade de sermos o que queremos ser, de dizer o que pensamos, de escrever o que bem nos apetecer em blogs cor-de-rosa. Senti-me desenraizada. Senti-me envergonhada. Pensei, o que será que me aconteceu para não me lembrar da liberdade? E a verdade é que me aconteceram tantas coisas nos últimos 6 meses, tantos sobe e desce, tantos castelo…

Resistência irresistível

Comprei um telefone novo porque o meu deu o berro. Ou, para ser mais exata, silenciou-se para sempre. Eu, que tenho um método extremamente seletivo para escolher aparelhos tecnológicos, escolhi como de costume o que era mais bonito, que é como quem diz, mais cor de rosa! Um cor de rosa ouro assim para lá de espetacular, fino e consideravelmente pequeno, em que as fotografias que tiro se mexem, como as do Harry Potter! Estou maravilhada! Foi um passo importante, porque desde que me roubaram um iphone há pra aí 5 anos, que mudei para Samsung. E fui, durante muito tempo, uma utilizadora fiel, uma defensora acérrima da marca, uma ativista anti Apple e o seu plano de marketing para dominar o mundo. No fim, lá foi tudo para as couves por um rosa ouro. Que fique claro que resisti mais do que podia! Acabei por me render porque absolutamente toda a gente aqui usa iphone e faz face time e eu sentia-me um bocadinho excluída do mundo. Balanço a minha dignidade por ainda usar um Toshiba em ve…

Uma loucura genial

Estou deitada na cama, não consigo dormir. Não é que não tenha sono, não é que não esteja cansada. É mesmo que não consigo dormir. Penso em elaborados planos de assassinato, sim, assassinato. Colectivo. Uma coisa sangrenta a valer! Repasso os episódios que vi, com esmerada atenção, de um programa chamado “Crimes imperfeitos”. Basicamente, este programa ensina como matar alguém de maneira perfeita, mostrando os erros de casos reais em que os assassinos foram apanhados. Extremamente didático! Mas depois lembro-me que o meu arsenal de armas se resume à frigideira antioxidante, à faca vermelha de cortar a carne e ao spray para matar baratas, o que acaba por me dissuadir dos meus planos psicopatas. Opto por deixar viver os senhores que estão a cargo das obras do apartamento ao lado. São os senhores que durante o último mês têm contribuído cada dia para um aumento gradual das minhas olheiras e do meu mau humor. Os senhores que continuam a pôr o seu grãozinho de areia (com uma serra elétri…

Pesadelos da vida real

Desta vez passou-me ao lado. Arrepiou-me a espinha. Fez-me ir abrir o facebook a correr. Tenho amigos belgas, mais precisamente em Bruxelas. Quem acompanha o blog talvez se lembre de ouvir falar deles, desde os tempos do Erasmus.  Depois, quando vieram a Barcelona e, mais tarde, quando eu fui a Bruxelas. Quando eu fui a Bruxelas o Bert foi buscar-me ao aeroporto. Aquele mesmo aeroporto. E quando entrei no carro tinha chocolates belgas escondidos debaixo do banco, à espera que eu os encontrasse. Quando estávamos em Erasmus ele trazia sempre chocolates para toda a gente.   Porque os belgas são assim. O Louis (o belga que fala português) acolheu-me na sua casa e foi um host excelente e um  tour guide de luxo. O Kris levou-me a uma das discotecas mais espetaculares que conheci, dentro de uma igreja. Hoje, o Bert disse-me que parecia que estavam a viver o apocalipse. O Louis disse que estava tudo um caos e que não conseguia ver as imagens por serem sítios que fazem parte do seu dia-a-d…

Preciosismos literários

Tenho uma livraria à frente de casa que se não fosse por vender livros nunca lá entraria. A organização dos livros é discriminatória e caótica. Nos stands destacados só se encontram coisas em espanhol e em catalão. Nas prateleiras de literatura estrangeira em versão original é um Deus nos acuda. As prateleiras, mesmo estando retas, são um autêntico labirinto para encontrar um livro ou um autor. A ordem alfabética foi substituída pela anarquia, com a particularidade de meterem pelo meio o Ken Follet em francês ou o Principezinho em italiano, usando assim de maneira vagabunda o termo “idioma original”. As novidades nestas prateleiras são escassas, parecem um curso de literatura clássica estagnado no tempo. Não há ali página por onde pegar e a mera tentativa resulta numa atordoante dor de cabeça. Desisti. Tendo que me resignar com os livros em espanhol  (não gosto de ler em catalão), escritos por autores espanhóis ou latino-americanos (tenho a mania de só ler livros em versão original…