Mensagens

A mostrar mensagens de Janeiro, 2016

Devia ter prestado mais atenção...

Quando vivia no Algarve com os meus pais, havia uma atividade que me fazia confusão. Uma coisa que sempre me intrigou. Algo que transcendia a minha compreensão. Era aquilo de descongelar o congelador. De quando em vez, lá ouvia a minha mãe a chamar pelo meu pai para lhe dar a notícia. Outras vezes, ele mesmo decidia que devia proceder ao degelo. Para mim era tudo muito caricato. Então não tínhamos o congelador para estar gelado? Para ter gelo? Para congelar comida? Nunca era preciso arrefecer o forno! Nem o micro-ondas, nem a torradeira... Mas como também não me incomodava e eles pareciam mesmo convencidos de que era uma necessidade, eu também não dizia nada. Já tinha preocupações suficientes com os dilemas da adolescência. Muitos anos depois, mais precisamente hoje, comprei uma bolsa de vegetais congelados, todos catitas e coloridos. Foi um sufoco para conseguir enfiá-la dentro do congelador. Confio que assim que abrir a porta lá vão os vegetais em queda livre. E não é que o conge…

Quando não podemos dizer que não...

Conheço o vocalista de uma banda de samba/pagode. Já o conheço há muitos anos, quase tantos como os que vivo aqui. Ele também é conhecido, já tocou por todos os lados e superfícies de Barcelona. É brasileiro, boa onda, simpático e pronto sabe cantar e sabe dançar que é o que é importante. Não diria que somos amigos chegados, vemo-nos casualmente quando eu estou onde ele canta, mas é sempre um prazer vê-lo porque dou um pezinho de samba. Eu não sei sambar, que fique claro. Mas um pezinho de samba meu, segundo os padrões europeus, é todo um miniespectáculo. Fosse no Brasil e teria vergonha de dançar, porém aqui, até dá para impressionar. Não querendo descriminar ninguém, a verdade é que a maioria das pessoas europeias, em comparação com as da América latina, parecem postes de eletricidade a dançar, imagine-se a sambar!   Eu, na minha qualidade luso-braileira com ascendência hispânico-germânica, classifico-me mais como um moinho de vento do que um poste de eletricidade. Não sirvo para d…

Estou aqui!

Não escrevo há mais de uma semana e chateia-me. Tenho saudades de ouvir o teclar das letras enquanto traduzo os meus pensamentos em linguagem binária. Tenho saudades do Verão, porque agora o frio apertou a sério, estamos abaixo de 10 graus todos os dias. Por este andar ainda volta a nevar em Barcelona e temos palmeiras com neve para o pequeno-almoço. Tenho saudades de ter tempo para me sentar e contar coisas, imaginar estórias, espremer ideias, desenrolar ironias e fazer rir.   Tenho saudades de rir e de fazer rir. Tenho saudades das aulas de boxe no parque! Nestes dias em que me eclipsei, voltei a trabalhar, de dia e de noite, qual escrava Isaura do século XXI. Não, não me queixo, é muito melhor ter trabalho do que não ter. E são trabalhos que eu escolhi fazer, porque de alguma maneira têm a ver comigo. Agora só falta encaixá-los na rotina e tatuar a rotina no dia-a-dia.  Arranjar espaço para escrever e coragem para ir para o parque boxear contra o frio.
E assim, se tudo corr…

Os Reis...

Em Espanha as crianças sofrem mais que em Portugal, primeiro, porque têm de esperar até dia 6 de Janeiro para abrir as prendas de Natal. Imagine-se, os apuros e as angústias de tamanha espera!  E depois, porque são obrigadas a assistir de pé durante horas a fio (e a guardar lugar durante outras tantas horas) à “cavalgada” dos reis, um desfile como o do Carnaval de Loulé, mas com os Reis Magos como protagonistas em vez das bailarinas semi-nuas. Ontem, véspera de dia de Reis, o céu estava contente, o sol sorridente e eu lá fui toda catita, Rambla abaixo em direção ao Mare Magnum, para me sentar à beira-mar, debaixo da ponte. Entre o teleférico e o Mont Juic, seguindo o rumo indicado pela estátua de Colombo para me perder com exatidão nas páginas do meu livro. Num momento de deleite e relax, paz e inspiração. Ao chegar, achei estranho que estivessem ali mais 500 pessoas em busca do mesmo momento, no mesmo sítio. Uma aglomeração sem precedentes. O acesso à ponte estava cortado porque n…

Bom ano a todos!

E, então, o que é que mudou de 2015 para 2016? Basicamente o dia e o último algarismo do ano. E o treinador do Real Madrid, que agora é o Zuzu. Cá em casa sobraram 4 garrafas de vinho tinto e uma de champanhe. Eu não bebo vinho tinto, portanto também é uma novidade. Ainda tinha esperança de que me tivesse tocado alguma coisa na lotaria da Once, que saía dia um, mas rien de rien. Foi uma desilusão, estava de cheia de expectativas, porque não era a lotaria mais concorrida, essa é a Lotaria Nacional. O prémio eram só 400 mil euros, nada de milhões, e davam 70 prémios. 70 prémios! Era praticamente impossível eu não ganhar qualquer coisa!   Nada, nem um prémio de 20€ para cobrir os gastos. Embora não pareça isto é post de bom ano, para trazer esperança e boa sorte! Para dizer que não se apoquentem se, tal como eu, sentem que a única mudança de 2015 para 2016 é uma sensação de estômago inchado. Que isto acaba de começar, 2016 promete mais que 2015, nem que seja porque 2015 já pode prom…