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A mostrar mensagens de Março, 2016

Pesadelos da vida real

Desta vez passou-me ao lado. Arrepiou-me a espinha. Fez-me ir abrir o facebook a correr. Tenho amigos belgas, mais precisamente em Bruxelas. Quem acompanha o blog talvez se lembre de ouvir falar deles, desde os tempos do Erasmus.  Depois, quando vieram a Barcelona e, mais tarde, quando eu fui a Bruxelas. Quando eu fui a Bruxelas o Bert foi buscar-me ao aeroporto. Aquele mesmo aeroporto. E quando entrei no carro tinha chocolates belgas escondidos debaixo do banco, à espera que eu os encontrasse. Quando estávamos em Erasmus ele trazia sempre chocolates para toda a gente.   Porque os belgas são assim. O Louis (o belga que fala português) acolheu-me na sua casa e foi um host excelente e um  tour guide de luxo. O Kris levou-me a uma das discotecas mais espetaculares que conheci, dentro de uma igreja. Hoje, o Bert disse-me que parecia que estavam a viver o apocalipse. O Louis disse que estava tudo um caos e que não conseguia ver as imagens por serem sítios que fazem parte do seu dia-a-d…

Preciosismos literários

Tenho uma livraria à frente de casa que se não fosse por vender livros nunca lá entraria. A organização dos livros é discriminatória e caótica. Nos stands destacados só se encontram coisas em espanhol e em catalão. Nas prateleiras de literatura estrangeira em versão original é um Deus nos acuda. As prateleiras, mesmo estando retas, são um autêntico labirinto para encontrar um livro ou um autor. A ordem alfabética foi substituída pela anarquia, com a particularidade de meterem pelo meio o Ken Follet em francês ou o Principezinho em italiano, usando assim de maneira vagabunda o termo “idioma original”. As novidades nestas prateleiras são escassas, parecem um curso de literatura clássica estagnado no tempo. Não há ali página por onde pegar e a mera tentativa resulta numa atordoante dor de cabeça. Desisti. Tendo que me resignar com os livros em espanhol  (não gosto de ler em catalão), escritos por autores espanhóis ou latino-americanos (tenho a mania de só ler livros em versão original…

Pânico na passarela

Ensaiámos. Abdiquei do meu único dia de descanso para fazer um desfile de moda. Não era uma passarela profissional, era uma barra de bebidas no meio de uma discoteca, ao mais puro estilo “Coyotte Bar”. Ensaiámos. Um desfile descontraído, sem saltos altos para evitar um suicídio coletivo. A barra era demasiado alta, demasiado estreita e demasiado escorregadia.   Ensaiámos. Chegámos às 13.00 em ponto, para um desfile marcado às 17.30 que começou por volta das 19.00h. Ensaiámos. O importante era marcar os tempos para não ficar ninguém abandonado a desfilar sem a música. Eu abria o desfile. A pressão ao rubro. Se eu me enganasse no passo de partida, ia tudo às bananas! Se me lançasse antes sobrava música, se me lançasse depois a música não chegava para todas. Ensaiámos. Subia ao palco. Dançava. Parava com a parte instrumental e arrancava o desfile quando entrasse a voz. Não era difícil. Ensaiámos. (Com cronómetro e tudo!).   Chegado o momento, a adrenalina começou a acelerar o coração. …