A saga da foto do passaporte

Depois de 30 anos a sair com cara de batata doce meets Nemo em todas as fotografias do passaporte, decidi mudar o meu destino.
Hoje aprumei-me. Estiquei o cabelo, pus base, corretor de olheiras, rímel e um batón hidratante com um pouco de cor, para destacar os lábios.
Obriguei o senhor do Consulado a repetir a foto duas vezes. ´
Diz a minha mãe que em Portugal não repetem a foto. Desconfio que em Espanha também não, mas eu sou persuasiva, que é como quem diz, chata para caraças.
Ajudou bastante que não houvesse mais ninguém à espera, se não o mais provável é que aquele bom homem me tivesse mandado ir dar uma volta às couves. Em vez disso, depois da repetição, perguntou-me:
- Esta, sim?
A verdade é que esta não. A verdade é que há qualquer coisa de maléfico naquela lente que suga todos os traços jeitosos que uma pessoa possa ter, para realçar todas as manchas olheiras e pontos negros, espalmando e esticando as feições da cara a seu belo prazer.
É impossível. Desafio a mesmíssima Sara Sampaio a ir ali tirar o passaporte e conseguir uma foto decente.
Ainda assim, dentro da inevitável fatalidade, o resultado foi aceitável.
Digamos que durante os próximos  5 anos, cada vez que mostrar o passaporte no aeroporto, o senhor controlador não vai pensar que é um passaporte roubado ou que tenho 5 plásticas em cima. 
O que já é um bom progresso! 

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