Mensagens

A mostrar mensagens de 2017

"It" - Capítulo I

Imagem
Achei que a minha vida não estava suficientemente emocionante com um novo projeto profissional e esta espécie de guerra civil que estamos a viver em Barcelona, e pareceu-me boa ideia ir ver o filme de terror “it” que promete ser um dos mais assustadores do ano. É um filme que assusta, sem dúvida, que nos deixa numa ansiedade perturbadora, mas que também tem cenas mesmo estranhas, um misto de abstrato tenebroso com surreal inesperado. Baseia-se num livro, que tem de ser a coisa mais angustiante de ler e mais desaconselhada para leituras antes de ir  dormir. Aliás, fizemos questão de ir dar uma volta pela praia depois da sessão, para desanuviar a tensão.  Mas tem uma coisa engraçada este filme: ao contrário da maioria dos filmes de terror, em que quanto mais nos adentramos no filme mais medo nos dá, neste filme os personagens principais vão perdendo o medo e nós sentimos o mesmo.  Quando o psyco palhaço aparece nas últimas cenas, já não fecho os olhos, já nem sequer ponho as mãos na ca…

Viva a greve!

Imagem
Estou a adorar a greve geral da Catalunha! Não entendo como é que uma greve na Catalunha vai afetar alguém em Madrid, não me consta que hoje Mariano Rajoy tivesse de apanhar o metro na Plaza Catalunya ou um comboio na estação de Sants.  Quem se lixa são os mesmos de sempre, as pessoas que têm de ir trabalhar e não têm tempo para andar na ramboia a cortar ruas, a fazer barulho, a lançar insultos, a semear o caos e a causar distúrbios, pacificamente!  Mas estou a adorar a greve, estou sim senhor, porque os senhores das obras do andar de baixo decidiram, também eles, solidarizar-se com a causa e faltar ao trabalho. O que quer dizer que esta manhã não acordei ao som do berbequim nem da serra elétrica, não me tive de refugiar num café vizinho e posso estar descansada a trabalhar na paz do meu lar. E isso é uma benção de Deus! O único barulho chato é o helicóptero que sobrevoa constantemente o centro da cidade há vários dias, tal como aconteceu aquando dos ataques terroristas, mas lá está,…

Isto parece as eleições em Angola!

Imagem
2 de Outubro de 2017: Barcelona continua em Espanha.
O que aconteceu ontem aqui foi o que era esperado: uma triste palhaçada. As pessoas mantiveram-se firmes na sua convicção de votar e o governo central manteve-se firme na sua proibição, demasiado firme diria eu, já que mandou a polícia distribuir porrada  a torto e a direito, invadir escolas, roubar urnas, enfim, fazer o maior ridículo possível. Uma atuação vergonhosa que só reforça ainda mais o sentimento independentista e transforma o governo catalão em vítimas oprimidas na luta pela liberdade. Porque se até agora não tinham razões concretas para justificar uma suposta repressão, desde ontem têm toda a razão do mundo. Rajoy, que assim nos faz duvidar se ele mesmo não será também independentista, deu-lhes vários argumentos em imagens cheias de sangue, altamente exploradas pelos meios de comunicação. Acrescentar que também não foi nenhum massacre, que eu saí à rua e não vi ninguém ferido, estava tudo aparentemente normal, e que todas…

Boa noite Espanha, bom dia Catalunha?

Esta pode ser a minha última noite em Espanha. Não porque eu tenha pensado mudar de país, nem pouco mais ou menos, mas porque o senhor Puigdemont, Presidente da Catalunha, tem pensado fazer uma declaração unilateral de independência, amanhã, depois do seu referendum ilegal, desculpem, democrático. Enviou-me, aliás, um “flyer” em preto e branco por correio, para eu não me esquecer de ir votar e para levar 7 pessoas comigo, como se fosse a promoção de Natal lá do ginásio. Mas em vez de receber um desconto na mensalidade, diz que se eu levar 7 pessoas a votar “ganha a democracia”.
Por outro lado, se eu não for votar “eles ganham”. Então é isso: “Democracia” x “Eles”. Uma proposta um quanto ou tanto abstrata para ser a base de um novo país, digo eu, mas eu também nunca abri um país novo. Acho só curioso que uma democracia arranque com ameaças de morte pintadas nas paredes de uma escola secundária, contra a Presidente da Câmara da localidade, que decidiu acatar a lei da constituição e nã…

A vida não é justa

Imagem
Imaginem acordar a som de uma serra elétrica todos os dias, por volta das 8 da manhã. Essa tem sido a minha vida nos últimos dois meses, há exceção de Sábados e Domingos, abençoado seja o Senhor! Quando espetaram na porta do edifício a autorização da Câmara para obras no andar de baixo, durante uma mão cheia de meses, eu subestimei a situação. O ano passado, passei outra mão cheia de meses com obras no apartamento ao lado, parede com parede, ruídos ensurdecedores, o teto a tremer que nem gelatina, a sensação de que a parede do quarto me ia cair em cima, e quantidades monstruosas de pó a passar para a minha sala por aberturas que eu não sabia que existiam. Entrava em casa e só faltava aparecer D. Sebastião a cavalo, tal era o nevoeiro. Mesmo assim sobrevivi. Daí pensar que as obras no andar debaixo não poderiam, jamais, ser piores do que as do ano passado na casa do vizinho do lado. Mas afinal podiam. Escrevo este post à beira da esquizofrenia total, no princípio de um ataque de pâni…

Vamos à feira?

Imagem
A Mercé é uma festarola bem gira para celebrar a Santa de Barcelona.
Fazem concertos ao ar livre por toda a cidade, as pessoas animam-se a dançar “Sardanas”, que é uma coisa que eu já desisti de tentar entender. Basicamente, consiste em conjugar dois passos para a direita com dois passos para esquerda, sempre ao mesmo ritmo lento quase parado, num círculo formado por várias pessoas com os braços no ar. E olhem que isto é uma descrição com emoção!Outra coisa para lá de gira, é que na Mercé temos sempre feriado, mesmo se cair Domingo, como aconteceu este ano, e portanto Segunda-feira ninguém foi trabalhar. O que, se juntarmos ao clima ameno que ainda se faz sentir, é toda uma delícia.Mas se há coisa com que eu vibro de verdade é a feira de atrações que montam na Barceloneta, ao estilo da feira de Santa Iria de Faro, onde vivi grandes noites da minha adolescência!A música apimbalhada em volume máximo, as luzes fluorescentes que nos encadeiam a cada olhar, o cheiro a farturas e algodão doc…

Info-excluída

Confesso que não sou apaixonada pelas novas tecnologias. Não dei pulos de felicidade quando os meus pais compraram o nosso primeiro computador lá para casa, e desde que haja um Word e internet no meu portátil, sou uma pessoa feliz. Ando às voltas com os comandos da televisão da casa de Lisboa e não sei ver programas que já passaram, porque na minha casa de Barcelona não tenho disso. Não tenho boxes e só há um comando. E, repito, sou feliz. Fui a última das minhas amigas a entrar no facebook e só por muita insistência de outra amiga, e com o Instagram aconteceu a mesma coisa. Tenho um cartão oferta com 200€ para gastar na Apple, que está há meses a ganhar pó, porque não há absolutamente nada naquela loja que me cative, sem ser um portátil pequenino, bonito e cor de rosa que custa 1.400€. E que se não fosse cor de rosa, provavelmente não me emocionaria. Estou-me pouco marimbando para os lançamentos do iphone, se é X ou se é Y e distingo os carros pela cor. Ainda assim, não deixei de …

Donald a fazer amigos

Imagem
Este fim de semana foi extremamente prolífero para a conta do Twitter de Donald Trump, grande impulsionador da política 2.0 #possoescreveroquebemmepaetecer #estoumealixarparavoces  #quempodepodequemnaopodesesacode Como já é altamente popular entre a elite científica, literária e artística, achou por bem fazer mais “amigos” no mundo desportivo. Não lhe bastava com o discurso da Meryl Streep, as entrevistas de Robert De iro, a antipatia de Stephen Hawkins, a oposição de John Legend e Cher, ou o facto de J.K Rowling ter dito que Trump era pior que Voldemort.
São tantas as celebridades que impugnam o senhor do cabelo cor de laranja que poderíamos fazer uma coletânea intitulada “Famosos contra Trump” e, com certeza, seria um best seller.
Mas o fofo não podia dormir descansado enquanto não recebesse um tweet do “rei”, LeBron James, que saltou em defesa de Stephen Curry quando o Sr. Presidente  “desconvidu” os Golden State Warriors, da visita à Casa Branca como campeões da NBA.Assim, Trump f…

À beira de uma guerra cívil?

Imagem
Esta manhã saí de casa e... surpresa! Não podia descer a rua. Estava colapsada pelos independentistas e as suas bandeirolas. Ora macacos me mordam, a festa da Mercê é só no Domingo, o dia da Catalunha já passou, o que é que esta gente faz aqui hoje senhores? Tive que desviar pelo Paseo de Grácia e, durante todo o dia, fui ouvindo que as manifestações se alastravam por toda a cidade. É a lenga lenga de sempre, que querem fazer o referendo pela independência e, obviamente, votar que sim. E quem não quer a independência que se lixe e vá dar uma volta, literalmente. Mas para o que é que querem a independência tão desesperada e desalmadamente? Ai isso não sabem, não dizem, não respondem. A meu ver é para que os políticos catalães possam roubar mais e mais a gosto, daí eles serem os principais impulsores do referendum, armados em salvadores da nação. Sim, porque agora não podem roubar sossegados, com a calma e tranquilidade que a boa corrupção requer. Que o diga o ex Presidente da Catalunha, …

"Essa moça 'tá diferente..."

Imagem
Cantava assim Chico Buarque, ao ritmo dos anos 70: “essa moça 'tá diferente, já não me conhece mais, está pra lá de pra frente, está me passando para trás, essa moça está decidida a se modernizar...” Hoje estava a passear por Barcelona e lembrei-me desta canção. Arriscando parecer sexagenária, ou/e partidária de Franco, a verdade é que já cá estou há 9 anos e a cidade já não é o que era. Primeiro, temos uma verdadeira avalanche de polícias a patrulhar o centro, o metro e as zonas de maior movimento.  Grandes ruas de comércio estão permanentemente “trancadas” por carrinhas dos “mossos” (polícia catalã), estrategicamente colocadas para evitar que fanáticos de Alá entrem por ali aos ziguezagues (mais vale tarde do que nunca). Não sei bem como me sinto em relação a esta vigilância de alerta vermelho, porque se eles têm que estar ali significa que não estamos seguros, como já não estávamos antes. Essa é a primeira diferença: quando cheguei a Barcelona uma pessoa descia a Rambla preo…

Voltar a casa no Verão

Imagem
Às vezes tudo o que precisamos é voltar a casa. Não necessariamente a casa onde vivemos, mas a casa onde crescemos. Voltar a descobrir os hot spots de Lisboa, dançar até às tantas em Alcântara, ser confundida com uma turista no Terreiro do Paço, passear na baia de Cascais e aventurar-se pelas praias da linha, onde é preciso levar casaco para entrar na água. Jantar em família, jantar com a malta da faculdade de quem se tem tanta saudade, jantar com malta que não se conhece de lado nenhum. Conhecer gente nova, conhecer a casa do amigo que foi viver com a namorada, conhecer o bebé da amiga que já teve um filho. Fazer macacadas com a irmã, usando os filtros do Snapchat (muito melhores que os do Instagram!).  Caminhar até Belém, não fazer fila para comprar os pastéis por ser da terra e já saber que há duas filas, embora os turistas se apinhem todos em apenas uma. Sentar-se à beira rio a apanhar sol e contemplar o Tejo a brilhar, a ponte e o Cristo, o Padrão e a Torre, os Jerónimos e a f…

O Inferno no paraíso

Imagem
Este post é uma espécie de texto de auto-ajuda, baseado no prazer que nós, humanos imorais, sentimos pela má sorte alheia e que nos faz extremamente felizes. Tenho uma amiga que andava a planificar as suas férias paradisíacas há um mês: Miami- Bahamas – Cuba. Dá inveja não dá? Mas não se preocupem, que isto melhora para o nosso lado. O dos que estamos em algum sítio não paradisíaco a consolar-nos com um interface binário. A coisa começou a correr mal logo em Miami, quando avisaram que o avião para as Bahamas estava duas horas atrasado. Das duas horas, lentamente, se fizeram quatro e das quatro umas quantas mais, porque afinal aquele avião não estava era capacitado para voar para lado nenhum. Chegou outro, mandaram entrar e depois de duas horas à espera dentro do avião, mandaram sair. Aquele avião também não podia partir, tinha problemas no quadro eléctrico (o que é sempre uma notícia reconfortante quando vamos apanhar um voo). Mas os senhores passageiros que não se preocupassem porque…

A eterna revolução

Imagem
É fácil hastear uma bandeira, gritar liberdade e dizer que o mundo vai ser um lugar melhor, se formos nós a mandar. Mas nós quem? Nós, a Catalunha. Comunidade Autónoma, Estado, País? Mas nós quem? Para quê? Como? Com que benefícios? Com que consequências? Em que termos? Isso já não é tão fácil de responder, não é verdade? Mas, entretanto, vamos lá fazer um referendo OUTRA VEZ, dia 1 de Outubro, para chatear o Rajoy. Eu gosto muito da liberdade e não sou especialmente fã do Rajoy, mas estou farta até aos pelos das sobrancelhas de ouvir falar em referendos e independência, sem soluções práticas para problemas concretos. Chiça penicos, que todos os anos estamos na mesma pá! Esta gente é mais chata que cólicas menstruais! Meus queridos, se a maltinha quisesse ser independente já se tinham jogado às armas, aos tanques ou, na mais humilde das hipóteses, às ruas com panelas e tachos. Se a independência fosse um desejo geral e eminente da população Catalã, não andávamos aqui a engonhar há…

De Cuba com calor

Imagem
Tal como quando chega Abril já me cheira a Verão e arrisco o primeiro mergulho, quando Setembro abre as portas começo logo a ouvir jingles natalícios e a imaginar noites que começam às 6 da tarde. Talvez seja demasiado dramática, ainda hoje estive na praia, mas a verdade é que nas montras das lojas já desfilam botas e casacos compridos. Imbuída dessa melancólica nostalgia de um Verão que ainda não se despediu, arrumo as minhas melhores memórias que são, basicamente, uma: Cuba. Desde o ano passado que queria ir a Cuba e este ano lá fomos todos em viagem de família. Cuba é um destino ideal para quem quer desconectar de verdade, porque não há internet, e não tão ideal para quem gosta de Coca-cola, porque também não há Coca-cola. E se alguém não sabe quem é o Che Guevara, digamos que ali é como o Maradona em Nápoles: Deus. Arrancámos com dois dias em Havana, onde o calor é assolador e a cidade parece um filme dos anos 50 com os mais variados modelos de carros da época, devidamente est…

"No tenim por"

Imagem
A televisão foi ao ar, ouvi uma explosão e senti que não conseguia respirar. Mas espera, eu não tinha a televisão acesa... devo estar a sonhar, preciso acordar, não consigo respirar. E quando parecia que ia sufocar abri os olhos. A televisão estava apagada e podia respirar perfeitamente. Mas e agora? Já posso sair à rua? Posso apanhar o metro? As paragens de metro ao pé de minha casa, Plaza Catalunya e Paseo de Gracia, são as mais movimentadas da cidade. Imagino-me no metro e a primeira coisa que penso é em como vou estar com medo de que aconteça alguma coisa. Aliás, qualquer passo que dê, estou automaticamente numa zona alvo, cheia de aglomerações. Ligo a televisão, vejo as últimas atualizações sobre os atentados e vejo que há muita gente na Rambla. Hoje, a recomendação é sair de casa sem medo. Porque viver com medo não é vida. Nos primeiros passos tudo parece normal, os passeios cheios de gente, as lojas abertas, as esplanadas montadas. Porém, há algo diferente... demoro em perce…

Refém em Barcelona

Imagem
No outro dia fiz um post sobre polícias armados com metralhadoras na minha rua e como isso por um lado me deixava segura, mas por outro, praticamente me garantia que tudo podia acontecer. A minha rua é a Rambla de Catalunya, a parte de cima das Ramblas, onde há poucas horas houve um atropelamento massivo, confirmado como ataque terrorista. Há uma grande diferença entre escrever um post e achar que algum dia vai acontecer alguma coisa e, de repente, ver vídeos de pessoas ensanguentadas no chão, como se fosse um cenário de guerra, a uns passos da nossa porta. E pensar em todas as vezes que passámos por ali... Hoje podia perfeitamente ter sido eu deitada no chão, no meio de uma poça de sangue. Podia ter sido eu encurralada num supermercado, evacuada em histeria da Plaza Catalunha, ou a tentar voltar da praia sem transportes e com medo de me cruzar com a morte pelo caminho. Tive sorte, estava em casa.  Tive sorte é quase tudo o que sei neste momento. Sei isso e que Barcelona está um c…

A caixa mágica

Não, não se desesperem, o blog não está morto! Passou apenas por um período de hibernação. Os ursos polares hibernam no inverno, por causa do frio, este blog é mais de hibernar no Verão, para ir à praia. Mas não foram só a areia e o mar que provocaram esta hibernação. Primeiro, foi um trabalho na televisão (que soa muito melhor do que o que realmente é), e depois foi Cuba (que realmente é muito melhor do que soa). Comecemos pela televisão. É recorrente que quem estuda Ciências da Comunicação tenha  vontade de trabalhar em televisão. Eu, na minha santa ingenuidade,  achava que o trabalho dos meus sonhos estaria numa produtora de filmes e séries de tv. Então veio Deus, ou o destino, ou o alinhamento dos planetas em noite de lua cheia, e as circunstâncias da  minha  vida mudaram drasticamente. O caso é que saí para o que eu achava que seria uma entrevista de trabalho e já não saí dali até às 7 da tarde. Foi o meu primeiro dia na produtora televisiva. Entrei sem saber que ia entrar e c…

(in)Segurança

Ontem saí para correr aqui pelo bairro, porque não tenho tempo para ir correr ao parque nem à praia. Agora trabalho na televisão. Agora estou debaixo das luzes da ribalta. Agora é só glamour. Isso é o que vocês pensam! Nunca trabalhei tantas horas como agora e luz e glamour nem vê-los. Dizem que quem corre por gosto não cansa, mas correr cansa sempre. Ainda assim, lá me lancei à rua às 8 da noite, em passo de corrida. Durante a meia hora aproximada que dura o meu percurso com obstáculos (peões, bicicletas, cães, semáforos, cocós, etc), não aconteceu nenhum sobressalto. Foi só quando já estava a poucos passos da porta de casa que vi 3 polícias a patrulhar a Rambla. Era uma patrulha muito tranquila, iam Rambla acima a falar da vida, que se não fosse pela metralhadora em punho podiam muito bem ser um trio de comadres. Mas lá está, carregavam metralhadoras. Era uma cena quotidiana, 3 polícias a andar na rua, no entanto, havia algo de anormal naquele passo. Primeiro, que cada um deles …

Uma vitória que sabe a derrota

Andava o Barcelonismo a fazer contas à vida, ai se o Madrid ganhar, ai se o Madrid perder, ai se o Madrid empatar, esquecendo-se de um pequeno detalhe: o Barça tinha de vencer o Eibar. O que parecia um dado adquirido transformou-se no pior cenário possível quando o Real vencia 0-2 e o FCB perdia 2-0. Falharam todas as bolas que havia para falhar, o Suarez não dava com a baliza nem a um palmo da dita cuja e o Messi deixou escapar um penalti. Era uma hecatombe que se abatia sobre um Camp Nou meio vazio, o que foi logo uma premonição do desfecho pouco glorioso desta noite. As pessoas tinham tão pouca fé, que nem sequer foram ao campo despedir-se de Luis Enrique e da equipa. Do lado do clube, também não houve um empenho extremado, apresentaram-se com os relógios dos placares de jogo fora de funcionamento. Ah e tal é o último jogo, não vale a pena mostrar os minutos. A mim, pessoalmente, parece-me vergonhoso que um dos melhores clubes do mundo feche a temporada com os dois placares de j…

Sai daí!!!

Imagem
Não sei o que é que os miúdos de hoje em dia fazem ao sábado à tarde. No meu tempo (depois dos 30 passamos a ter autoridade sobre expressões como esta), eu e as minhas amigas víamos filmes de terror com as persianas fechadas, enquanto a minha irmã escondia as bolachas e os chocolates da dispensa.  Em alguma ocasião, tentámos também produzir um filme de terror, encarregando-nos de todos os departamentos, o que se revelou uma tarefa hercúlea e um grande fiasco. Hoje em dia estou mais sofisticada, em vez das matinés de sábado com as persianas fechadas, vou à sexta à noite aos Cines Verdi de Barcelona em versão original, mas continuo a gostar de filmes de terror. Gosto daquela vontade contraditória de não querer ver, mas deixar um olho aberto, daquele salto na cadeira acompanhado de um grito de medo e uma pequena taquicardia, daquele nervosismo ao ver o personagem principal ir direto ao seu carrasco e daquela supremacia snob de dizer “sai daí seu estúpido, não vês que te vão matar?!”. O…

Pára tudo!

Diz que hoje o país vai parar. O Benfica vai ser campeão, o Papa vai fazer uma aparição e o Salvador vai ganhar a Eurovisão. Confesso que, destes 3 momentos históricos, o que mais me impressiona é ganharmos a Eurovisão. E olhem que eu sou do Benfica! Lembro-me de ver o concurso quando era pequena e lembro-me ainda mais de deixar de o ver porque nunca ganhávamos, não tinha piada. Somos um país pequeno, nunca podemos ter tanta gente a votar como os outros e, portanto, aquilo parecia-me uma utopia inútil. Portugal nunca ganha a Eurovisão. Era um dado adquirido. O Benfica pode ganhar o campeonato, o Papa pode visitar o país, mas se dissessem que Portugal era favorito à Eurovisão, nem os 3 pastorinhos iam acreditar. Afinal é possível e, concretizando-se, Sábado 13 de Maio de 2017 passará, provavelmente, a ser feriado nacional em homenagem de dito milagre. Para vocês que estão aí, imagino que seja difícil decidir qual dos 3 eventos seguir, se bem que acho que o Papa joga antes que o Benf…

Momentos marcantes

Há vários momentos decisivos na vida de uma pessoa e um deles é sem dúvida o primeiro dia de praia do ano! Porque é um dia em que arriscamos na Primavera apesar da brisa não ser tão suave como gostaríamos, porque ousamos mostrar ao mundo o branco parede que cultivámos durante todo o Inverno com tanto carinho, porque cometemos o a blasfémia de misturar no mesmo “outfit” um casaco preto de couro com um biquíni de estampado de leopardo e folhos cor-de-rosa. O primeiro dia de praia assinala um antes e um depois. Depois já não parecemos Zombies deslavados e já temos força para afastar o edredom, motivação para re-organizar o armário da roupa e confiança para deixar de usar o casaco de pelo.   Pois é, o primeiro dia de praia do ano marca uma pessoa. É um dia de coragem e mérito, em que avançamos sem temor face ao sol incerto e, principalmente, um dia de descobertas, quando constatamos que afinal não fizemos a depilação tão bem como tínhamos pensado.
Por tudo isto, o primeiro dia de praia…

Era uma vez uma equipa chamada FC Barcelona....

Imagem
Já lá vão dois dias e a euforia ainda retumba na minha cabeça. Já não é notícia, o mundo inteiro já sabe, mas continua e continuará a ser história porque essa é a marca da história: a eternidade. A história é feita de crentes, de gente que acredita, que desafia, que não desiste de uma teoria só porque não é verdade. Que não desiste de uma coisa só porque nunca antes foi feito. Que não desiste de uma luta por muito que esteja a perder. Basicamente é isso, a história conta o que conseguiram todos aqueles que nunca desistiram. E eu tenho uma história para contar, dentro da própria história. Sei que já sabem o resultado e quem marcou os golos. Mas não sabem que naquele campo havia mais 90.000 “jogadores” cheios de fé. Coincidências da vida, o FCB fez o que nunca ninguém tinha feito, diante de uma bancada nova de apoiantes, uma claque que antes não estava ali e na quarta-feira esteve ali o jogo todo, atrás da baliza Norte, onde marcaram os 3 últimos golos, quando tudo parecia perdido. Já …