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A mostrar mensagens de 2017

"No tenim por"

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A televisão foi ao ar, ouvi uma explosão e senti que não conseguia respirar. Mas espera, eu não tinha a televisão acesa... devo estar a sonhar, preciso acordar, não consigo respirar. E quando parecia que ia sufocar abri os olhos. A televisão estava apagada e podia respirar perfeitamente. Mas e agora? Já posso sair à rua? Posso apanhar o metro? As paragens de metro ao pé de minha casa, Plaza Catalunya e Paseo de Gracia, são as mais movimentadas da cidade. Imagino-me no metro e a primeira coisa que penso é em como vou estar com medo de que aconteça alguma coisa. Aliás, qualquer passo que dê, estou automaticamente numa zona alvo, cheia de aglomerações. Ligo a televisão, vejo as últimas atualizações sobre os atentados e vejo que há muita gente na Rambla. Hoje, a recomendação é sair de casa sem medo. Porque viver com medo não é vida. Nos primeiros passos tudo parece normal, os passeios cheios de gente, as lojas abertas, as esplanadas montadas. Porém, há algo diferente... demoro em perce…

Refém em Barcelona

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No outro dia fiz um post sobre polícias armados com metralhadoras na minha rua e como isso por um lado me deixava segura, mas por outro, praticamente me garantia que tudo podia acontecer. A minha rua é a Rambla de Catalunya, a parte de cima das Ramblas, onde há poucas horas houve um atropelamento massivo, confirmado como ataque terrorista. Há uma grande diferença entre escrever um post e achar que algum dia vai acontecer alguma coisa e, de repente, ver vídeos de pessoas ensanguentadas no chão, como se fosse um cenário de guerra, a uns passos da nossa porta. E pensar em todas as vezes que passámos por ali... Hoje podia perfeitamente ter sido eu deitada no chão, no meio de uma poça de sangue. Podia ter sido eu encurralada num supermercado, evacuada em histeria da Plaza Catalunha, ou a tentar voltar da praia sem transportes e com medo de me cruzar com a morte pelo caminho. Tive sorte, estava em casa.  Tive sorte é quase tudo o que sei neste momento. Sei isso e que Barcelona está um c…

A caixa mágica

Não, não se desesperem, o blog não está morto! Passou apenas por um período de hibernação. Os ursos polares hibernam no inverno, por causa do frio, este blog é mais de hibernar no Verão, para ir à praia. Mas não foram só a areia e o mar que provocaram esta hibernação. Primeiro, foi um trabalho na televisão (que soa muito melhor do que o que realmente é), e depois foi Cuba (que realmente é muito melhor do que soa). Comecemos pela televisão. É recorrente que quem estuda Ciências da Comunicação tenha  vontade de trabalhar em televisão. Eu, na minha santa ingenuidade,  achava que o trabalho dos meus sonhos estaria numa produtora de filmes e séries de tv. Então veio Deus, ou o destino, ou o alinhamento dos planetas em noite de lua cheia, e as circunstâncias da  minha  vida mudaram drasticamente. O caso é que saí para o que eu achava que seria uma entrevista de trabalho e já não saí dali até às 7 da tarde. Foi o meu primeiro dia na produtora televisiva. Entrei sem saber que ia entrar e c…

(in)Segurança

Ontem saí para correr aqui pelo bairro, porque não tenho tempo para ir correr ao parque nem à praia. Agora trabalho na televisão. Agora estou debaixo das luzes da ribalta. Agora é só glamour. Isso é o que vocês pensam! Nunca trabalhei tantas horas como agora e luz e glamour nem vê-los. Dizem que quem corre por gosto não cansa, mas correr cansa sempre. Ainda assim, lá me lancei à rua às 8 da noite, em passo de corrida. Durante a meia hora aproximada que dura o meu percurso com obstáculos (peões, bicicletas, cães, semáforos, cocós, etc), não aconteceu nenhum sobressalto. Foi só quando já estava a poucos passos da porta de casa que vi 3 polícias a patrulhar a Rambla. Era uma patrulha muito tranquila, iam Rambla acima a falar da vida, que se não fosse pela metralhadora em punho podiam muito bem ser um trio de comadres. Mas lá está, carregavam metralhadoras. Era uma cena quotidiana, 3 polícias a andar na rua, no entanto, havia algo de anormal naquele passo. Primeiro, que cada um deles …

Uma vitória que sabe a derrota

Andava o Barcelonismo a fazer contas à vida, ai se o Madrid ganhar, ai se o Madrid perder, ai se o Madrid empatar, esquecendo-se de um pequeno detalhe: o Barça tinha de vencer o Eibar. O que parecia um dado adquirido transformou-se no pior cenário possível quando o Real vencia 0-2 e o FCB perdia 2-0. Falharam todas as bolas que havia para falhar, o Suarez não dava com a baliza nem a um palmo da dita cuja e o Messi deixou escapar um penalti. Era uma hecatombe que se abatia sobre um Camp Nou meio vazio, o que foi logo uma premonição do desfecho pouco glorioso desta noite. As pessoas tinham tão pouca fé, que nem sequer foram ao campo despedir-se de Luis Enrique e da equipa. Do lado do clube, também não houve um empenho extremado, apresentaram-se com os relógios dos placares de jogo fora de funcionamento. Ah e tal é o último jogo, não vale a pena mostrar os minutos. A mim, pessoalmente, parece-me vergonhoso que um dos melhores clubes do mundo feche a temporada com os dois placares de j…

Sai daí!!!

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Não sei o que é que os miúdos de hoje em dia fazem ao sábado à tarde. No meu tempo (depois dos 30 passamos a ter autoridade sobre expressões como esta), eu e as minhas amigas víamos filmes de terror com as persianas fechadas, enquanto a minha irmã escondia as bolachas e os chocolates da dispensa.  Em alguma ocasião, tentámos também produzir um filme de terror, encarregando-nos de todos os departamentos, o que se revelou uma tarefa hercúlea e um grande fiasco. Hoje em dia estou mais sofisticada, em vez das matinés de sábado com as persianas fechadas, vou à sexta à noite aos Cines Verdi de Barcelona em versão original, mas continuo a gostar de filmes de terror. Gosto daquela vontade contraditória de não querer ver, mas deixar um olho aberto, daquele salto na cadeira acompanhado de um grito de medo e uma pequena taquicardia, daquele nervosismo ao ver o personagem principal ir direto ao seu carrasco e daquela supremacia snob de dizer “sai daí seu estúpido, não vês que te vão matar?!”. O…

Pára tudo!

Diz que hoje o país vai parar. O Benfica vai ser campeão, o Papa vai fazer uma aparição e o Salvador vai ganhar a Eurovisão. Confesso que, destes 3 momentos históricos, o que mais me impressiona é ganharmos a Eurovisão. E olhem que eu sou do Benfica! Lembro-me de ver o concurso quando era pequena e lembro-me ainda mais de deixar de o ver porque nunca ganhávamos, não tinha piada. Somos um país pequeno, nunca podemos ter tanta gente a votar como os outros e, portanto, aquilo parecia-me uma utopia inútil. Portugal nunca ganha a Eurovisão. Era um dado adquirido. O Benfica pode ganhar o campeonato, o Papa pode visitar o país, mas se dissessem que Portugal era favorito à Eurovisão, nem os 3 pastorinhos iam acreditar. Afinal é possível e, concretizando-se, Sábado 13 de Maio de 2017 passará, provavelmente, a ser feriado nacional em homenagem de dito milagre. Para vocês que estão aí, imagino que seja difícil decidir qual dos 3 eventos seguir, se bem que acho que o Papa joga antes que o Benf…

Momentos marcantes

Há vários momentos decisivos na vida de uma pessoa e um deles é sem dúvida o primeiro dia de praia do ano! Porque é um dia em que arriscamos na Primavera apesar da brisa não ser tão suave como gostaríamos, porque ousamos mostrar ao mundo o branco parede que cultivámos durante todo o Inverno com tanto carinho, porque cometemos o a blasfémia de misturar no mesmo “outfit” um casaco preto de couro com um biquíni de estampado de leopardo e folhos cor-de-rosa. O primeiro dia de praia assinala um antes e um depois. Depois já não parecemos Zombies deslavados e já temos força para afastar o edredom, motivação para re-organizar o armário da roupa e confiança para deixar de usar o casaco de pelo.   Pois é, o primeiro dia de praia do ano marca uma pessoa. É um dia de coragem e mérito, em que avançamos sem temor face ao sol incerto e, principalmente, um dia de descobertas, quando constatamos que afinal não fizemos a depilação tão bem como tínhamos pensado.
Por tudo isto, o primeiro dia de praia…

Era uma vez uma equipa chamada FC Barcelona....

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Já lá vão dois dias e a euforia ainda retumba na minha cabeça. Já não é notícia, o mundo inteiro já sabe, mas continua e continuará a ser história porque essa é a marca da história: a eternidade. A história é feita de crentes, de gente que acredita, que desafia, que não desiste de uma teoria só porque não é verdade. Que não desiste de uma coisa só porque nunca antes foi feito. Que não desiste de uma luta por muito que esteja a perder. Basicamente é isso, a história conta o que conseguiram todos aqueles que nunca desistiram. E eu tenho uma história para contar, dentro da própria história. Sei que já sabem o resultado e quem marcou os golos. Mas não sabem que naquele campo havia mais 90.000 “jogadores” cheios de fé. Coincidências da vida, o FCB fez o que nunca ninguém tinha feito, diante de uma bancada nova de apoiantes, uma claque que antes não estava ali e na quarta-feira esteve ali o jogo todo, atrás da baliza Norte, onde marcaram os 3 últimos golos, quando tudo parecia perdido. Já …

Pessoas que me inspiram

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Dizem que quanto mais alto se sobe maior é a queda.  Eles tocaram o céu, escreveram os seus nomes nas estrelas, voaram por cima das nuvens. Mas um dia, como acontece na carreira de todos os atletas profissionais, perderam. Perderem 1,2,3...  e nunca mais voltaram a vencer.  Vieram outros. Outros mais jovens, mais frescos, com talento bruto e aquela vontade de ganhar de quem nunca ganhou. Passaram anos sem que levantassem uma Taça das grandes, daquelas que tinham levantado tantas vezes seguidas.   As suas carreiras começavam a ser vistas como uma decadência em declínio, escurecida pela sombra dos dias de sucesso. Já ninguém dava um tostão por eles. Nem eles mesmos. Não acreditavam que se voltassem a encontrar no topo. Mas nem assim desistiram. Enquanto tivessem pernas para correr ali estariam, a correr pelas suas “vidas”, independentemente do que dissessem os jornais. Hoje os jornais voltam a dizer que eles são os melhores de mundo, que não há ninguém como eles. Falam de regressos i…

O saldo dos saldos

Há aproximadamente três meses que ando à procura de um casaco camel comprido. Dito assim parece fácil. Mas não é, porque já lá vão três meses. Acabo de queimar a minha última carta, que eram os saldos. Em Espanha os saldos começaram hoje. Ontem, Barcelona era uma cidade fantasma com todas as lojas fechadas e escassa vivalma na rua por ser feriado de Reis. Hoje, parecia a 5ª Avenida na Black Friday. Pessoas que se empurravam no passeio, filas que atravessavam lojas inteiras e, de repente, no meio do Corte Ingles, lá estava ele, o casaco Camel com que eu andava a sonhar há três meses. Vi-o de longe, aproximei-me a passos largos e agarrei no cabide como quem ergue uma taça. Uns números em vermelho vivo indicavam -50%, não podia acreditar na minha sorte! Virei a etiqueta para ver então qual seria a pechincha e quase se me parou o coração quando vi que o casaco custava 700€. Preço original 1400€, preço de saldo 700€. Versace. Como no Corte Inglês aquilo é tudo ao molhe e fé em Deus, eu…

A sorte só bate uma vez

“Alguém tem sorte na vida?”. A pregunta soou como uma pedra que cai ao mar atirada de um precipício. Ninguém respondeu. Claramente, se algum dos presentes tivesse sorte na vida não estaria ali. Era uma quarta-feira no escritório e tínhamos decidido juntar dinheiro para comprar a lotaria de Natal. Agora faltava a decisão mais importante: quem seria o encarregado de escolher os números e comprar os talões? Há falta de alguém com sorte na vida, fui eleita por unanimidade e na hora de almoço tratei do encargo. Comprei dois números: um com 7 e 9, que eram os número preferidos pela maioria e outro com a terminação que o nosso “business inteligence” analisou que era a mais provável de sair. Acreditem ou não, ganhámos 900€ com o número dos 7 e 9. Dividido por todos o prémio ficou numa quantia bastante modesta, mas podemos dizer que duplicámos o nosso investimento pessoal. Tanto, que decidimos voltar a investir na lotaria dos Reis. Desta vez não houve análise e o número que mais gostávamos j…