Era uma vez uma equipa chamada FC Barcelona....

Já lá vão dois dias e a euforia ainda retumba na minha cabeça. Já não é notícia, o mundo inteiro já sabe, mas continua e continuará a ser história porque essa é a marca da história: a eternidade.
A história é feita de crentes, de gente que acredita, que desafia, que não desiste de uma teoria só porque não é verdade. Que não desiste de uma coisa só porque nunca antes foi feito. Que não desiste de uma luta por muito que esteja a perder.
Basicamente é isso, a história conta o que conseguiram todos aqueles que nunca desistiram.
E eu tenho uma história para contar, dentro da própria história.
Sei que já sabem o resultado e quem marcou os golos. Mas não sabem que naquele campo havia mais 90.000 “jogadores” cheios de fé. Coincidências da vida, o FCB fez o que nunca ninguém tinha feito, diante de uma bancada nova de apoiantes, uma claque que antes não estava ali e na quarta-feira esteve ali o jogo todo, atrás da baliza Norte, onde marcaram os 3 últimos golos, quando tudo parecia perdido.
Já fui várias vezes ao Campo. Já vi meias-finais da Champions e clássicos contra o Madrid. Nunca tinha visto nada assim.
Desta vez, o ar do Camp Nou era diferente, os jogadores jogavam como se a sua vida dependesse daquele resultado e o público gritava sem parar, com fervor e paixão, como se quisesse mesmo perder a voz. Havia uma aura de qualquer coisa que não sei como explicar nem descrever, porque eram uma dessas coisas que apenas se pode sentir.
As pessoas tinham vindo para apoiar e não se pode apoiar sem acreditar.
Sim, havia muitos franceses. Veio gente de Paris para apoiar o PSG, mas veio gente de toda a França para apoiar o Barcelona.
Tudo parecia possível com o 3-0 da segund parte, cantava-se felicidade, estávamos tão perto! Começámos com -4 e agora só faltava 1 para garantir o prolongamento!
Até que Cavani marcou. O estádio morreu. Fez-se um silêncio tão frio e tão profundo que por momentos o Camp Nou parecia um cemitério. Os semblantes dos jogadores eram frustrantes, tristes, exasperantes. Aquela bola entrou na baliza como um balde de água fria no Alaska. Agora parecia tudo ainda mais impossível.
No entanto, ninguém arredou pé dali, a esperança era mais forte do que a teoria das probabilidades.
 Já não podia ser, mas os milagres acontecem...
Ainda não percebi bem como aconteceu, só me lembro que de repente o Neymar marcou. Ele próprio não parecia acreditar, mas nós estávamos ali para comprovar que era verdade. O estádio voltou a acordar, a aplaudir e a creditar ainda mais, porque um jogo só acaba no fim.
E nesse final apoteótico e arrepiante, com o golo imprevisto e não planeado de Sérgio Roberto, saltámos até à Lua, gastámos o que pouco que sobrava das cordas vocais e hasteámos bandeiras como se cada um de nós tivesse ganho um mundial. Ninguém se foi embora no 3-1 e ninguém se mexeu no 6-1.
Depois da celebração eufórica e das lágrimas misturadas com sorrisos, os jogadores deixaram o campo, mas o público ficou.
Ficámos a festejar esse triunfo que também soube a nosso, a inalar esse momento histórico de que todos fomos partícipes e não se voltará a repetir. A viajar na adrenalina de 90 minutos que provaram que não há sonhos impossíveis.
Ouvi na rádio que a terra estremeceu em Barcelona com o último golo. Não éramos só os 90.000 do campo a saltar ao mesmo tempo, era toda uma cidade desde o alto do Tibidabo até às ondas da Barceloneta.
Uma loucura sem precedentes, uma história que estarei a contar o resto da vida, uma memória que sempre me fará sorrir, uma lição para não esquecer:

Em caso de dúvida, acreditar sempre e nunca desistir. 







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