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A mostrar mensagens de Agosto, 2017

A eterna revolução

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É fácil hastear uma bandeira, gritar liberdade e dizer que o mundo vai ser um lugar melhor, se formos nós a mandar. Mas nós quem? Nós, a Catalunha. Comunidade Autónoma, Estado, País? Mas nós quem? Para quê? Como? Com que benefícios? Com que consequências? Em que termos? Isso já não é tão fácil de responder, não é verdade? Mas, entretanto, vamos lá fazer um referendo OUTRA VEZ, dia 1 de Outubro, para chatear o Rajoy. Eu gosto muito da liberdade e não sou especialmente fã do Rajoy, mas estou farta até aos pelos das sobrancelhas de ouvir falar em referendos e independência, sem soluções práticas para problemas concretos. Chiça penicos, que todos os anos estamos na mesma pá! Esta gente é mais chata que cólicas menstruais! Meus queridos, se a maltinha quisesse ser independente já se tinham jogado às armas, aos tanques ou, na mais humilde das hipóteses, às ruas com panelas e tachos. Se a independência fosse um desejo geral e eminente da população Catalã, não andávamos aqui a engonhar há…

De Cuba com calor

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Tal como quando chega Abril já me cheira a Verão e arrisco o primeiro mergulho, quando Setembro abre as portas começo logo a ouvir jingles natalícios e a imaginar noites que começam às 6 da tarde. Talvez seja demasiado dramática, ainda hoje estive na praia, mas a verdade é que nas montras das lojas já desfilam botas e casacos compridos. Imbuída dessa melancólica nostalgia de um Verão que ainda não se despediu, arrumo as minhas melhores memórias que são, basicamente, uma: Cuba. Desde o ano passado que queria ir a Cuba e este ano lá fomos todos em viagem de família. Cuba é um destino ideal para quem quer desconectar de verdade, porque não há internet, e não tão ideal para quem gosta de Coca-cola, porque também não há Coca-cola. E se alguém não sabe quem é o Che Guevara, digamos que ali é como o Maradona em Nápoles: Deus. Arrancámos com dois dias em Havana, onde o calor é assolador e a cidade parece um filme dos anos 50 com os mais variados modelos de carros da época, devidamente est…

"No tenim por"

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A televisão foi ao ar, ouvi uma explosão e senti que não conseguia respirar. Mas espera, eu não tinha a televisão acesa... devo estar a sonhar, preciso acordar, não consigo respirar. E quando parecia que ia sufocar abri os olhos. A televisão estava apagada e podia respirar perfeitamente. Mas e agora? Já posso sair à rua? Posso apanhar o metro? As paragens de metro ao pé de minha casa, Plaza Catalunya e Paseo de Gracia, são as mais movimentadas da cidade. Imagino-me no metro e a primeira coisa que penso é em como vou estar com medo de que aconteça alguma coisa. Aliás, qualquer passo que dê, estou automaticamente numa zona alvo, cheia de aglomerações. Ligo a televisão, vejo as últimas atualizações sobre os atentados e vejo que há muita gente na Rambla. Hoje, a recomendação é sair de casa sem medo. Porque viver com medo não é vida. Nos primeiros passos tudo parece normal, os passeios cheios de gente, as lojas abertas, as esplanadas montadas. Porém, há algo diferente... demoro em perce…

Refém em Barcelona

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No outro dia fiz um post sobre polícias armados com metralhadoras na minha rua e como isso por um lado me deixava segura, mas por outro, praticamente me garantia que tudo podia acontecer. A minha rua é a Rambla de Catalunya, a parte de cima das Ramblas, onde há poucas horas houve um atropelamento massivo, confirmado como ataque terrorista. Há uma grande diferença entre escrever um post e achar que algum dia vai acontecer alguma coisa e, de repente, ver vídeos de pessoas ensanguentadas no chão, como se fosse um cenário de guerra, a uns passos da nossa porta. E pensar em todas as vezes que passámos por ali... Hoje podia perfeitamente ter sido eu deitada no chão, no meio de uma poça de sangue. Podia ter sido eu encurralada num supermercado, evacuada em histeria da Plaza Catalunha, ou a tentar voltar da praia sem transportes e com medo de me cruzar com a morte pelo caminho. Tive sorte, estava em casa.  Tive sorte é quase tudo o que sei neste momento. Sei isso e que Barcelona está um c…

A caixa mágica

Não, não se desesperem, o blog não está morto! Passou apenas por um período de hibernação. Os ursos polares hibernam no inverno, por causa do frio, este blog é mais de hibernar no Verão, para ir à praia. Mas não foram só a areia e o mar que provocaram esta hibernação. Primeiro, foi um trabalho na televisão (que soa muito melhor do que o que realmente é), e depois foi Cuba (que realmente é muito melhor do que soa). Comecemos pela televisão. É recorrente que quem estuda Ciências da Comunicação tenha  vontade de trabalhar em televisão. Eu, na minha santa ingenuidade,  achava que o trabalho dos meus sonhos estaria numa produtora de filmes e séries de tv. Então veio Deus, ou o destino, ou o alinhamento dos planetas em noite de lua cheia, e as circunstâncias da  minha  vida mudaram drasticamente. O caso é que saí para o que eu achava que seria uma entrevista de trabalho e já não saí dali até às 7 da tarde. Foi o meu primeiro dia na produtora televisiva. Entrei sem saber que ia entrar e c…